O desemprego: testemunhos |
As profundas alterações que se verificaram nos últimos meses na economia mundial, agravando tendências que vinham de trás, ou mesmo revelando novas facetas de uma "crise social" desconhecida das gerações que nasceram depois de 1945, não poderiam deixar o espaço do exercício profissional da Sociologia e a empregabilidade dos sociólogos incólumes.
Não obstante o desenvolvimento de novos sistemas de monitorização do emprego e do desemprego, estamos ainda longe de ter um conhecimento satisfatório do que se está a passar com as novas coortes de sociólogos que buscam o seu primeiro emprego, ou que procuram um novo emprego.
Este espaço de debate pretende contribuir para compreender, para melhor poder ajudar, todos aqueles que se encontram nesta situação.
Dê-nos o seu testemunho. Ajude-nos a perceber que dificuldades tem sentido, qual a percepção que tem sobre os obstáculos colocados por empregadores, públicos ou privados, que tipo de competências procuram, que ofertas apresentam.
Desconstruamos a realidade social do desemprego e procuremos perceber como se processa, hoje, a conquista de um lugar, ou como se lida com a rejeição recorrente.
O testemunho de cada um de nós pode ajudar a encontrar os caminhos da transformação que todos desejamos.
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Apostar no serviço público |
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Depois de fazer uma licenciatura em Antropologia Cultural (Etnologia), por paixão e verdadeira comunhão com o objecto e a metodologia qualitativa, iniciei o meu percurso pela docência. Descobri cedo que não se ensina o que não se conhece. Por isso, desde o início que, para além da carreira docente, aceitei convites vindos dos mais variados meios, para colaborar em acções de formação, realizei palestras, conferências ou pequenos colóquios em associações e grupos da comunidade; fiz comentários na comunicação social local e outros contributos. Nunca me preocupei com honorários quando me apresentavam esses convites, porque acima de tudo, entendo a minha carreira nas ciências sociais como um serviço público.
Hoje, depois de ter feito o doutoramento em Ciências Sociais/Sociologia, passados 20 anos da conclusão da licenciatura, estabilizei na carreira docente, e entretanto aceitei o convite para colaborar na vida política, onde procuro dar um conteúdo executivo, interventivo, com base na formação científica e nos interesses aos quais sou mais sensível.
Sem disvirtuar a formação de base, acredito que não há percursos prontos a seguir, nem empregos certos ou fechados que possam realizar um sociólogo, mas oportunidades, por vezes aparentemente fora da área, que se agarram e se moldam pelo dinamismo dos seus protagonistas.
Saudações sociológicas. |
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2009-05-23 - Piedade Lalanda |
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O desemprego dos sociólogos |
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Como licenciado e mestre em Sociologia, acabei por me empregar na área de Direito, porque surgiu essa possibilidade e não a desaproveitei. Mas desde os tempos em que me formei - na década passada - que o desemprego é um espectro para todos os recém-licenciados. Depois, há o mal menor, que é o de nos conseguirmos empregar em áreas diversas daquelas em que deveríamos estar. Soluções para este problema: Pegar nas áreas de Estudos de Mercado e de Estudos organizacionais, e impôr a sociologia como a sua ciência fundamental. Combater, de modo construtivo, a influência que as disciplinas do Marketing e da Gestão possuem nessas áreas. O caminho passa por um reforço da acção interventiva - trabalho de campo, tendo por modelos de inspiração, os exemplos de Tavistock e Hawthorne. E menos apego ao estudo das problemáticas e dos quadros teóricos. Os sociólogos precisam mais de ser formados para agir directamente nas empresas e instituições, de modo a que a profissão fique mais valorizada no mercado de trabalho. Não interessa muito saber citar cinco autores num só parágrafo. O que interessa é conseguir propor soluções/melhorias práticas para os problemas/situações das empresas/instituições.
Cumprimentos
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2009-05-21 - Joaquim Simões |
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ser solidário |
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O desemprego não é um problema exclusivo de quem se encontra na situação dilacerante de não estar integrado no mercado de trabalho. O desemprego é um problema de todos nós, que nos reconhecemos enquanto grupo e que nos responsabilizamos por um processo social colectivo. Esta ideia óbvia nem sempre é partilhada, mas a negação da solidariedade e da responsabilidade colectiva perante a adversidade é o caminho mais curto para a barbárie.
Os trabalhos (muito sintéticos, há que dizê-lo) que temos vindo a desenvolver sobre o emprego dos sociólogos em Portugal não nos permitem concluir pela existência de um estado de calamidade na comunidade dos que possuem um grau académico em Sociologia, mas não nos isentam dos problemas hoje existentes (e, diga-se, recorrentes) da população em idade activa, sobretudo quando inicia a sua trajectória no mercado de trabalho: escassez de oferta, divergência (oportunidades para fazer tarefas que não se enquadram no perfil das competências de um sociólogo), precaridade e estagnação profissional.
É evidente que a escassez na oferta de oportunidades de emprego adequado à formação superior em Sociologia não é "facto da crise" actual, mas está hoje muito aumentado em função dela. Temos que ter consciência que o sector privado, o mais penalizado pelo flop das economias mundiais, nunca foi exactamente o destino "natural" dos sociólogos. Em larga medida, foi substituindo o emprego público, oferecendo alternativas à carência de trabalho, assim provocando o aumento da divergência (no sentido anteriormente defendido).
Já no 3º Sector, a retracção verificada é em parte uma consequência das crises e tem efeitos directos no aumento do desemprego dos sociólogos. Duas crises alimentam esta situação: a que impede uma transferência de recursos solidários, e penaliza o emprego nesse sector; e a crise que não ajudou a criar emprego público para os sociólogos, e que se enquadra na lógica da diabolização do emprego público, iniciada há mais de uma década, transferindo para o sector social a responsabilidade pelo emprego dos trabalhadores "do social".
As duas crises, aquela de quem toda a gente fala, e a outra de quem já ninguém fala, juntaram-se e aumentarm ainda mais a propensão para a precaridade dos postos de trabalho criados, e para a estagnação profissional (na ausência de planos de carreira).
Enfrentemos o problema de frente, dizendo que ninguém tem uma solução na manga, nem o desfecho à vista.
Mas a verdade é que podemos fazer muito para apoiar, sem reflexos caritativos, mas por força de um projecto solidário, urgente e oportuno, quem neste momento se encontra a sofrer, directamente, a inexistência de oportunidades para um 1º emprego, ou o vazio das oportunidades para um novo emprego.
Fazer muito significa conhecer melhor a situação de cada um, manter uma observação apertada da evolução da situação (daí a necessidade do Observatório das Saídas Profissionais), nomeadamente a uma escala territorial mais fina (e por isso a importância da constituição dos Núcleos Territoriais da APS), criar e fomentar a participação em acções de formação (nomeadamente de curta duração), que ajudem a melhorar o perfil de competências dos sociólogos sem emprego, para ficarem mais apetrechados para as ofertas, ou criarem eles próprios as suas, e que sirvam igualmente de apoio aos que têm emprego mas que se encontram numa situação de grande precaridade e sem progressão profissional.
Poderá ser pouco, mas será mais do que a conivente declaração de resignação.
A convicção do autor destas palavras é a de que a participação, ou envolvimento, ou mobilização, o que lhe queiram chamar, é uma porta para combater a anti-socialidade que o desemprego obscenamente revela. |
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2009-05-29 - Paulo Machado |
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Serão os sociólogos pouco convincentes? |
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Escreve Paulo Machado que os dados disponíveis “não permitem concluir pela existência de um estado de calamidade na comunidade dos que possuem um grau académico em Sociologia”, balanço este que se confirma nas Notas Sobre a Procura de Emprego dos Diplomados em Sociologia em Portugal elaboradas pelo mesmo colega para lançar este debate.
Os que estão na luta para encontrar emprego pouco conforto encontrarão nestas palavras. E, muito legitimamente, ficariam cépticos se ouvissem dizer, como aconteceu num encontro em que participei, que as auto-propostas de sociólogos para fazer estágios profissionais são tendencialmente escassas ou pouco convincentes. Serão os sociólogos pouco pró-activos, pouco convincentes, ou ambas as coisas? É claro que não sei responder, limitei-me a fazer um exercício simples (e muito imperfeito) que mesmo assim me atrevo a apresentar-vos. Percorri o espaço que o vortal da APS dedica à oferta e procura de emprego. Encontrei 98 registos de procura de emprego, muitos deram entrada em 2007 pelo que provavelmente estarão desactualizados (oxalá).
Como se apresentam então os sociólogos aos possíveis empregadores?
Há um pouco de tudo. Mas, aproximadamente uma terça parte faz uma apresentação minimalista i.e. pouco se fica a saber além de que possuem um grau em sociologia e procuram emprego. Perto de outros tantos enumera experiências anteriores no exercício da profissão, se bem que nalguns casos pareçam assumir que a simples menção da experiência é o quanto basta. Há ainda os que seguem o guião típico do recém-diplomado que procura o primeiro emprego. E, por fim, em número menor, encontrei um grupo de apresentações digamos que mais convincentes. Ignoro as tendências em voga em matéria de apreciação curricular/selecção de pessoal, etc., mas parece-me evidente que havendo no mercado grande abundância de candidaturas mais ou menos equivalentes, o modo como cada uma se valoriza poderá fazer toda a diferença.
Ora, a leitura que fiz das auto-propostas para procura de emprego leva-me a crer que se pode melhorar, e que a própria APS pode para isso contribuir, começando por disponibilizar aos interessados um template com preenchimento on-line, adaptado e pensado de modo a orientar os sociólogos na objectivação das suas competências. Isto porque, convém dizê-lo e assumi-lo como membro da direcção da APS, o minimalismo no modo como se apresentam os candidatos a emprego no vortal da Associação, é em parte consequência das possibilidades também minimalistas actualmente disponibilizadas no vortal.
No espírito da solidariedade que propõe Paulo Machado neste debate, cumpre-nos também identificar fragilidades no modo como enfrentamos as dificuldades e não nos pouparmos no esforço de melhorar e evidenciar perante os outros as nossas competências como sociólogos. O que aqui referi é obviamente uma gota de água desse esforço. |
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2009-06-09 - Ana Romão |
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Responsabilidades partilhadas |
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O meu percurso é algo atípico, na medida em que só “despertei” para o prosseguimento dos estudos superiores depois dos 30 anos de idade, quando me apercebi que ncessitava de novos desafios na minha vida. Daí o ter optado pela Sociologia e considero que foi a opção certa, porque é algo com que me identifico. Por essa razão, nunca direi que foi tempo perdido, (independentemente de vir a trabalhar na área ou não).
Posso dizer que durante os 3 anos e mais um cresci muito e adquiri uma percepção muito mais abrangente sobre estes assuntos. No entanto, não tem sido tarefa fácil a procura de emprego. Embora essa procura seja ainda relativamente recente, estando eu plenamente consciente que se trata de uma reconversão profissional, e que com quase 40 anos e sem nenhuma experiência profissional relevante na área, a tarefa não vai ser fácil. Tudo isto sem contar com a grave crise económica, que embora sem dados concretos sobre o assunto, me levam a supor que afecta concerteza os licenciados nesta área.
Abstraindo-me do meu caso particular, constato que as entidades empregadoras, (pelo menos uma parte significativa delas) ainda não têm uma consciência da capacidade destes profissionais, sobretudo a nível do sector privado.
E penso que é grave, na medida em que se sabe que as contratações do sector público foram substancialmente reduzidas nos últimos anos, nomeadamente nas entidades privadas e no chamado 3º sector, por onde devem passar as estratégias de inserção dos profissionais em sociologia, sem esquecer obviamente as oportunidades que possam surgir no sector público.
A experiência que tive durante o primeiro ano em que frequentei o mestrado nesta área, tendo colegas recém licenciados e que a par da frequência do mestrado procuravam o seu primeiro emprego, foi que aquele era quase todo direccionado para oportunidades que poderiam surgir no sector público. Considero isto limitativo, e que entronca numa crítica a este modelo de Bolonha, ou seja a não existência de estágios integrados.
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2009-06-29 - Pedro Ferreira |
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(Des) Emprego |
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Antes de comentar qualquer das intervenções, lanço um repto:
Estou de há uns anos para cá a acompanhar mais directamente a realidade do Emprego e do Desemprego do lado de quem recebe na instituição onde trabalha os mais jovens "talentos".
Fruto das experiências que têm partilhado e que me têm feito passar alguns momentos de maior reflexão, tenho notado que no âmbito e enquadramento do que faço: Sector Bancário - Gestão e acompanhamento dos Estágios Profissionalizantes, há muito por dizer e partilhar, tal como:
» Tem-se notado que apesar de área da Banca ser menos "permissiva" a outras áreas do saber para além das Ciências Económicas, uma falta de adesão nas comunidades académicas e pós-académicas de outras áreas (nomeadamente as Ciências Sociais e Humanas) para concorrerem a estes Estágios, quando por diversas vezes se tem notado que os profissionais dessas áreas têm demonstrado excelentes resultados - Comentários? |
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2009-06-15 - Pedro Alves |
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novas ideias para velhos problemas |
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As questões que se colocam de emprego a este ou aquele grupo social dificilmente encontram resposta quando se olha, fundamentalmente, para o próprio grupo. Isto não invalida que a corporação não tente solucionar este ou aquele problema, esta ou aquela abordagem (discussão para a qual pouco posso acrescentar), mas a resposta que conta são as oportunidades que a sociedade gera...
Talvez a resposta à pergunta porque /não votou/ a Europa ou votou numa lógica defensiva....enquanto nos EUA se inaugura uma vontade de sonho e nos países emergentes se vivem inquietações efervescentes, ajude a explicar parte dessa sensação de esgotamento! Não estará a chave na demografia? O que faz uma sociedade que envelhece?.... Alimentar medos e encolher-se!
P.S. O que se passa com a /profissão /noutras latitudes? Talvez começar por conhecer a situação nos países da CPLP. O Brasil e Angola, por razões quase opostas, parecem ser bons pontos de partida para esse diagnóstico e alargar a discussão das oportunidades. |
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2009-06-16 - Álvaro Pereira |
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Frustração |
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Tirei o curso de Sociologia há dois anos, e posso dizer com toda a certeza, que não está nada fácil arranjar emprego nesta área. Estive a trabalhar apenas dois meses no departamento de recursos humanos de uma empresa, mas não tive possibilidade de aplicar os conhecimentos que adquiri ao longo do curso. O que quero dizer com isto é que ainda não posso dizer que trabalhei na área, o que é um pouco frustrante para quem está a estudar durante 4 anos para depois não haver trabalho. Já tentei candidatar-me para várias Câmaras Municipais, mas sem resultados.
Achei o curso super interessante, mas para arranjar emprego está a ser uma tarefa árdua. |
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2009-09-24 - Claudia Gomes |
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A questão da empregabilidade da Sociologia vai além de tudo isso |
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A questão da empregabilidade da Sociologia vai além de tudo isso. Neste momento estou desempregada e estou agora a fazer o mestrado em Sociologia, já concluí a licenciatura em Sociologia (que muito demorou por estar a trabalhar ao mesmo tempo.
O problema passa desde logo pela indefinição do papel do Sociólogo na nossa sociedade, colocamos hoje questões que em França se colocavam nos anos 70. Já agora vejam a Classificação Nacional de Profissões, a definição de Sociólogo mais parece a de um Assistente Social (sem querer desfazer destes). Precisamos nós de dar relevo ao que fazemos, recriar o nosso papel de uma forma pública e útil. Uma forma de o fazer é recriar o papel de Sociólogo nos locais em que estagiamos, se fazemos um trabalho sobre o insucesso escolar numa dada escola, porque não tentar recriar um espaço onde possamos simultaneamente intervir, temos de ser interventivos. Não é fácil de facto, mas é preciso fazê-lo. Quanto aos CV's, realmente as pessoas tendem a ser concisas e não se valorizam, o colega à pouco falava em a APS dar um exemplo, mas penso que não seja dificil, penso que falta muito de "valorização pessoal". |
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2009-10-02 - Daniella Dias |
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A questão da empregabilidade da Sociologia vai além de tudo isso |
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A questão da empregabilidade da Sociologia vai além de tudo isso. Neste momento estou desempregada e estou agora a fazer o mestrado em Sociologia, já concluí a licenciatura em Sociologia (que muito demorou por estar a trabalhar ao mesmo tempo.
O problema passa desde logo pela indefinição do papel do Sociólogo na nossa sociedade, colocamos hoje questões que em França se colocavam nos anos 70. Já agora vejam a Classificação Nacional de Profissões, a definição de Sociólogo mais parece a de um Assistente Social (sem querer desfazer destes). Precisamos nós de dar relevo ao que fazemos, recriar o nosso papel de uma forma pública e útil. Uma forma de o fazer é recriar o papel de Sociólogo nos locais em que estagiamos, se fazemos um trabalho sobre o insucesso escolar numa dada escola, porque não tentar recriar um espaço onde possamos simultaneamente intervir, temos de ser interventivos. Não é fácil de facto, mas é preciso fazê-lo. Quanto aos CV's, realmente as pessoas tendem a ser concisas e não se valorizam, o colega à pouco falava em a APS dar um exemplo, mas penso que não seja dificil, penso que falta muito de "valorização pessoal". |
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2009-10-02 - Daniella Dias |
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Licenciatura em Sociologia - Sociólogos em Risco |
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Sou recém-licenciada em Sociologia pela Universidade do Minho. Já há algum tempo a esta parte que eu e ex-colegas de curso, nem todas da mesma Universidade, nos temos encontrado e debatido alguns problemas com que nos encaramos desde que terminamos a licenciatura, algumas de nós já terminaram a licenciatura há 4 anos.
Estamos no mercado de trabalho já há algum tempo. E, infelizmente, mas é a actual realidade, constatamos que nós, indivíduos licenciados em Sociologia, estamos cada vez mais a ser ultrapassados por outras licenciaturas, como por exemplo, Serviço Social, Educação.
Os fundamentos estruturais das Unidades Curriculares das licenciaturas são elementos intrínsecos a cada universidade. Ou seja, cada departamento de cada universidade estabelece as Unidades Curriculares para construir o curso. Não consideramos que as U.C. estejam desactualizadas. O nosso problema não é esse.
O nosso problema é que consideramos que existe uma grande lacuna em termos de informação. Isto é, entre as entidades de ensino e o mercado de trabalho existe um fosso colossal.
Na nossa perspectiva, a falta de informação das qualificações e aptidões que a Licenciatura em Sociologia faculta faz com que muitos de nós estejamos no desemprego ou em empregos que nem correspondem às nossas expectativas, nem, muito menos, às nossas qualificações.
Algumas de nós estamos a trabalhar em Call Center’s desde o término da licenciatura. Não que seja um emprego humilhante, e só temos de estar gratas por nos tempos que correm termos um trabalho, minimamente, seguro.
Mas a verdade é que em concursos à nossa frente são sempre colocados licenciados em Serviço Social, Educação, entre outros.
Estas opções são incompreensíveis. Existem vários casos flagrantes. Mas que a nossa missiva não seja demasiado extensa, reportamo-nos a 3 exemplos, chocantes.
Algumas de nós deslocamo-nos aos centros distritais da APAV na tentativa de conseguir um voluntariado. Um mero voluntariado inserido numa das comunidades que temos experiência e conhecimentos facultados pela formação académica. Voluntariado, esse, como todos, sem salário. A resposta que obtivemos do outro lado foi a seguinte, e passo a citar:
- “Não faz sentido termos um voluntário em Sociologia. Nesta instituição para trabalho é impossível. Para voluntariado existe uma lista de espera. E vocês não têm cá lugar. Damos primazia a Psicologia, Direito, Serviço Social, Educação. Somente, em último recurso, alguém com o curso de Sociologia é que entra para voluntariado.”
Outro exemplo foram concursos públicos. Por exemplo, para ocupar um lugar na carreira de Técnico Superior do Instituto da Segurança Social, no qual pretendiam colocar indivíduos licenciados em Ciências Sociais. Algumas de nós concorremos, fomos a entrevistas, todavia, no final quando fomos consultar as listas de pessoas colocadas a verdade é que nem uma tinha a licenciatura em Sociologia, uma das “vertentes” em Ciências Sociais. Somente licenciados em Serviço Social foram colocados.
Um outro exemplo são as medidas de apoio e incentivo ao emprego promovidos pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, vulgo I.E.F.P.
Existe uma medida de Estágio Profissional, de seu nome InovSocial.
Essa medida visa a inserção de jovens quadros qualificados em instituições da economia social sem fins lucrativos, tendo em vista apoiar a modernização das instituições e o emprego jovem.
Nesta mesma medida são consideradas, áreas de educação e formação específicas, enquadradas nas áreas de Economia, Gestão, Direito, Ciências Sociais, Engenharia. Tal como os senhores podem visualizar na página http://www.inovsocial.gov.pt/inovsocial.htm
Mas nem aqui temos colocação. Isto é, nem o facto deste estágio profissional ser comparticipado (em termos salariais) pelo I.E.F.P. nos faculta entrada no mercado de trabalho, nem que pelos 12 meses da medida.
Pessoalmente, tenho-me deslocado a inúmeras instituições na tentativa de conseguir um estágio profissional. No entanto, em todas tenho tido a mesma resposta.
E essa resposta, por outras palavras, é que não faz sentido contratar ou dar lugar nas instituições a um sociólogo quando há a possibilidade de colocar uma pessoa licenciada em Serviço Social, vulgo assistente social, que faz exactamente o mesmo que um sociólogo, porventura melhor, ainda, e quiçá com melhores aptidões.
Existe uma enormíssima falta de conhecimento nas entidades patronais das qualificações e aptidões de um sociólogo. Não nos referimos às capacidades individuais mas, antes, às capacidades globalizantes.
Sendo os Senhores uma Associação, reconhecida, deixamos-lhes aqui o nosso testemunho, na esperança que os senhores possam fazer alguma coisa. Ou seja, é nosso desejo ver nas instituições um maior conhecimento acerca do nosso curso, do que nós, formados em Sociologia, podemos e temos capacidade de fazer no mercado de trabalho. Gostaríamos de sermos encarados como uma mais-valia e não como uma licenciatura que não traz nada de novo, que não é útil e facilmente descartada em proveito de outras que não se nos podem ser assemelhadas.
Ou seja, gostaríamos de ter mais e melhor divulgação da Licenciatura em Sociologia. Porque muitas perguntas que nos são feitas são: “Mas o que é que faz um sociólogo?”, “E não é a mesma coisa que Serviço Social?”, “Diga-me o que é que de tão diferente faz um sociólogo de um assistente social? É pelo que eu sei é o mesmo.”. Isto são algumas das perguntas que nos fazem quando tentamos um lugar no mercado de trabalho, na nossa área. E nós respondemos o mais simples e fidedigno possível, no entanto, somos uma fonte “duvidosa”, não somos credíveis.
Nós, licenciadas em Sociologia. |
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2010-03-09 - Licenciadas em Sociologia |
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Confusao entre Sociologo e Assistente Social |
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A colega que fala de ser preterida em relacao aos assistentes sociais, talvez isso se deve ao facto de sistematicamente se candidatar a empregos em instituicoes de beneficencia e fins sociais. Confude tambem sociologia com assistencia social, e ve o sociologo como alguem que resolve problemas sociais. O peter burger fala sobre esse erro de percepcao do que e a sociologia no livro "Convite a Sociologia". Mas o que e necessario, e aplicar um pouco de imaginacao. Quem sabe se, com alguma criatividade, trabalhar num cabeleireiro, num supermercado, num restaurante, possa oferecer interessantes possibilidades de fazer estudos sociologicos que ajudem certos grupos a consolidar a sua auto-imagem e identidade, ou reconquistar dignidade de identidades deterioradas. E tambem um mercado de consumidores. Ganhar dinheiro mas ao mesmo tempo "salvar vidas". E uma possibilidade... |
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2010-03-12 - Celso |
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Serviço Social |
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Sou licenciado em Serviço Social, exerço a profissão de assistente social (ou técnico superior de serviço social como muitos colegas meus preferirão). Concordo que existe de facto alguma confusão entre o que é um sociólogo e o que é um assistente social. Trata-se, contudo, de uma confusão que não parte dos assistentes sociais, mas sobretudo dos sociólogos, os quais, conforme foi referido pelo "colega" anterior, frequentemente se candidatam a postos de trabalho de Serviço Social. Como assistente social, fui acima de tudo treinado para ser um interventor social. Aprendi metodologias que visam um contacto muito directo com as populações. Tive no final do 12.º ano o dilema de escolher entre Sociologia e Serviço Social. Optei pelo segundo precisamente pelo seu carácter mais interventivo, dado ser a faceta que mais me atraía. Não me sentia tão vocacionado para uma abordagem mais contemplativa da realidade social. Posso mesmo dizer que as cadeiras que tive de métodos e técnicas de investigação em ciências sociais foram das que menos me suscitaram interesse. Logo, desde cedo compreendi a diferença entre as duas áreas e é por isso que fiquei deveras surpreendido quando cheguei ao mercado de trabalho e comecei a constatar tantas situações de sociólogos, sobretudo nas autarquias, que desenvolviam um conteúdo funcional tirado a papel químico do de assistente social. Isto sempre me fez alguma confusão quando sabia que no currículo do curso de Sociologia não existem as cadeiras de Metodologias Específicas de Intervenção em Serviço Social, nem estudam autores como Vicente Paula Faleiros, Mary Richmond, Cristina de Robertis, Sarah Banks, Marilda Iamamoto, Teresa Rossell, e tantos outros autores e investigadores do Serviço Social. Compreendo que a empregabilidade em Sociologia e as dificuldades com que se deparam, possam levar a que tal aconteça. No entanto, trata-se uma situação injusta para aqueles que como nós temos a formação adequada e não temos culpa dessa situação. Não vejo a Sociologia como uma profissão aplicada à intervenção propriamente dita, nem a Sociologia nasceu como profissão de intervenção, ao contrário do Serviço Social. A profissão de Sociologia esteve sempre mais ligada ao meio académico. Há portanto campos definidos pela própria história de cada profissão, definição essa vertida nos actuais currículos de ambas as formações. Defendo, ainda assim, que em determinados serviços e instituições, assistentes sociais e sociólogos possam trabalhar em parceria num sentido de complementaridade. |
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2010-04-13 - Duarte |
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