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VII CONGRESSO PORTUGUÊS DE SOCIOLOGIA

Ficha Técnica:

Organização e Edição:
Associação Portuguesa de Sociologia
Av. Prof. Aníbal de Bettencourt, 9
1600-189 Lisboa
Tel: 217804738 / Fax: 217940274 / E-mail: aps@aps.pt / http://www.aps.pt

Produção técnica:
Plug & Play
Rua José Augusto Coelho nº 117
2925-543 Azeitão
Tel: 210 854 236 / Fax: 210 854 236 / http://www.plugeplay.com

ISBN: 978-989-97981-0-6

Depósito legal: 281456/08

Requisitos Mínimos:
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©Associação Portuguesa de Sociologia – Lisboa, 2012

Associação Portuguesa de Sociologia

 

Como referenciar os textos desta edição

SOBRENOME DO AUTOR, Prenome(s) (2012). Título do texto. in Atas do VII Congresso Português de Sociologia, Lisboa: APS. ISBN: 978-989-97981-0-6. Disponível em http://www.aps.pt/vii_congresso/?area=016&lg=pt. Acesso em: Dia mês (abreviado) ano.

PAP0793 -
Resumo de PAP0793 -  PAP0793 -
PAP0793 -

Esta comunicação tem como fito apresentar resultados parciais de uma investigação de doutoramento em curso sobre os públicos e práticas de consumo de uma modalidade alternativa de consumo, o Comércio Justo. A emergência do capitalismo industrial favoreceu o surgimento de um consumo massificado. Com o surgimento da globalização, esta homogeneização do consumo deu lugar ao culto do indivíduo, sustentado na procura de singularidade, presente no consumo de bens diferenciados, revestidos de simbolismo, e potenciadores de individualização e distinção. Esta nova modalidade de fruição, eminentemente individualizada, opera todo um significativo conjunto de alterações e reconfigurações sociais. Surgem novos padrões e novas formas de consumo, dos quais destacamos os consumos verdes, associados ao consumo sustentável, ao consumo responsável, à alimentação vegetariana, vegan e macrobiótica, e ao consumo de produtos de agricultura biológica. O Comércio Justo emerge neste segmento alternativo de consumo. Define-se como um movimento social que visa promover o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida dos pequenos produtores dos países do hemisfério Sul. É nosso intuito avaliar o potencial do Comércio Justo enquanto acção de subversão das lógicas hegemónicas de distribuição, e perceber se o acto de compra surge, ou não, dissociado dos movimentos de contestação aos desequilíbrios gerados pelo mercado convencional, seguindo critérios mercantilistas tradicionais. Pretendemos, igualmente, cogitar sobre a emergência de valores ligados ao consumo na pós-modernidade, e enquadrar as práticas de consumo alternativas nas sociedades actuais, bem como detectar a existência de valorização simbólica neste sistema comercial: os artigos são bens simbólicos, dotados de significação, ou somente mera mercadoria? Quais são as razões e motivações para a compra nos espaços simbólicos corporizados das lojas de Comércio Justo? Quais os significados que revestem essa acção: será este um consumo de “sentidos”, de simbologias, e não tanto de objectos materiais? Estas são algumas das questões a que procuraremos dar resposta.
  • COELHO, Sandra Lima CV de COELHO, Sandra Lima
Nome: Sandra Lima Coelho
Sandra Lima Coelho, licenciada em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e mestre em Desenvolvimento e Inserção Social pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. Investigadora integrada no Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Os principais interesses de investigação desenrolam-se em torno da Sociologia da Cultura, Sociologia do Consumo e Sociologia dos Movimentos Sociais, áreas em que se enquadram as mais recentes pesquisas e publicações.
Doutoranda em Sociologia, com área de especialização em Desigualdades, Cultura e Território, na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, a desenvolver a tese “O Comércio Justo: públicos e práticas de consumo de uma modalidade comercial alternativa”, projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (SFRH / BD / 48838 / 2008).



PAP1258 -
Resumo de PAP1258 -  
PAP1258 -

Tem-se registado em Portugal um significativo aumento da investigação sobre género (na Sociologia e outras áreas disciplinares) e um crescente reconhecimento da relevância da teoria feminista para a compreensão dos mais diversos fenómenos sociais. No entanto, muitas/os das/os investigadoras/es especializadas/os nestas temáticas reportam que o seu trabalho nem sempre é reconhecido por colegas e instituições como conhecimento científico "a sério", credível e válido. Nesta comunicação proponho-me analisar estes processos de negociação do "estatuto epistémico" (Pereira, 2011) dos estudos sobre as mulheres, de género e feministas (EMGF) em Portugal. A comunicação tem por base dados recolhidos num estudo etnográfico conduzido em 2008/09, que incluiu observação participante em vários contextos de trabalho e sociabilidade académica (aulas, conferências, lançamentos de obras, defesas de teses, etc.), entrevistas com 36 académicas/os, estudantes e outras/os, e pesquisa em arquivos. Recorrerei ao conceito de "boundary-work" (Gieryn, 1999) e a propostas teóricas dos "science and technology studies" e epistemologia feminista para explorar como é que, na sua prática académica quotidiana, as/os académicas/os portuguesas/es demarcam - de modo performativo, como argumentarei - as fronteiras entre conhecimento "científico" e "não científico". A comunicação incluirá uma breve apresentação dos resultados da etnografia mas focar-se-á, em particular, nos discursos públicos de académicas/os que não fazem investigação sobre género, analisando de que forma falam sobre os EMGF em aulas ou comunicações em conferências. Observei que a investigação feminista é frequentemente descrita nesses contextos como capaz de gerar conhecimento científico valioso MAS só em algumas condições e até certo ponto. Apresentarei exemplos destas afirmações adversativas (i.e. discursos assentes num "mas" ou outra conjunção equivalente), examinando a sua estrutura, conteúdo e recurso à caricatura e humor, de modo a identificar o "boundary-work" que estas afirmações produzem. Demonstrarei que geram uma representação da investigação feminista como estando parcialmente dentro e parcialmente fora das fronteiras do conhecimento científico. Argumentarei que estes discursos contribuem para posicionar a investigação feminista como um corpo de conhecimento pertinente mas sempre potencialmente deficitário a nível epistémico e, como tal, secundário. Sugerirei também que esta representação dos EMGF contribui para reproduzir e legitimar o fenómeno generalizado e há muito identificado (ver por exemplo Amâncio, 2003) de apropriação selectiva da investigação feminista em Portugal, permitindo às/aos investigadoras/es utilizar os conceitos feministas que são compatíveis com os seus quadros teóricos, e simultaneamente contornar as críticas feministas a esses mesmos quadros teóricos. ~Nota: Uma versão mais alargada e aprofundada desta comunicação está disponível aqui: Pereira, Maria do Mar (2012), “«Feminist theory is proper knowledge, but...»: The status of feminist scholarship in the academy”, Feminist Theory, 13 (3).
  • PEREIRA, Maria do Mar CV de PEREIRA, Maria do Mar

Maria do Mar Pereira É professora auxiliar de Sociologia e Estudos de Género na Universidade de Leeds (Reino Unido) e investigadora no CEMRI, Universidade Aberta, e no Centro Interdisciplinar de Estudos de Género (ISCSP-UTL). Completou em 2011 o doutoramento na London School of Economics and Political Science, com uma tese sobre o estatuto epistémico dos Estudos sobre as Mulheres, de Género e Feministas em Portugal. Antes disso, formou-se em Sociologia pelo ISCTE-IUL, com uma dissertação sobre a negociação do género numa escola em Lisboa, que será editada em 2012 pela Imprensa de Ciências Sociais com o título Fazendo Género no Recreio: a Negociação do Género e Sexualidade entre Jovens na Escola. Tem também publicado textos em revistas nacionais e internacionais sobre epistemologia, metodologia, pedagogia, género e sexualidade. Mantém um envolvimento activo em movimentos feministas em Portugal e no estrangeiro.


Nota: Uma versão mais alargada e aprofundada desta comunicação está disponível aqui:


Pereira, Maria do Mar (2012), “«Feminist theory is proper knowledge, but...»: The status of feminist scholarship in the academy”, Feminist Theory, 13 (3). 


PAP0421 - Desenvolvimento em busca da diminuição da desigualdade? Estudo de processos globalizadores e mudanças locais no ES/ Brasil.
Resumo de PAP0421 -   Desenvolvimento em busca da diminuição da desigualdade?  Estudo de processos globalizadores e mudanças locais no ES/ Brasil. PAP0421 -   Desenvolvimento em busca da diminuição da desigualdade?  Estudo de processos globalizadores e mudanças locais no ES/ Brasil.
PAP0421 - Desenvolvimento em busca da diminuição da desigualdade? Estudo de processos globalizadores e mudanças locais no ES/ Brasil.

O objetivo do presente trabalho é analisar os impactos promovidos pelos processos de desenvolvimento localizados na região litorânea do estado do Espírito Santo (ES), na região sudeste do Brasil. Mais especificamente interessa investigar as populações pesqueiras artesanais, seus modos de vida, suas atividades econômicas e os impactos que as mesmas vêm sofrendo por conta dos processos globalizadores que penetram em seus territórios. Pois, esta faixa litorânea do estado do Espírito Santo tem sido nas últimas décadas foco de investimentos de grande porte executados por grandes empresas nacionais e multinacionais, dentre elas encontram-se: a Petrobras, a Aracruz Celulose (atual Fibria), a Vale do Rio Doce, a Arcelor Mittal, etc. e também de investimentos de médio e pequeno portes, decorrentes ou não, dos investimentos de grande porte. Isso tem trazido inúmeras transformações para as localidades próximas à implantação destes investimentos, como também para o estado, tanto no quesito econômico, resultando em um incremento positivo de indicadores econômicos, tais como o PIB, porém quanto aos quesitos sociocultural e ambiental, há divergentes avaliações. Alguns destes, como os indicadores socioeducacionais e de saúde, apresentam resultados não compatíveis com o crescimento econômico, o que resulta de certo modo no aprofundamento de desigualdades sociais entre as classes e a concentração de renda. Utilizaremos dos levantamentos quantitativos disponíveis e dos trabalhos de campo realizados para a pesquisa para uma exposição sistemática desta realidade social. Esperando mostrar uma análise das condições socioeconômicas das vilas pesqueiras, assim como perceber processos de mudança social com a alteração de valores e comportamentos, estilos de vida nos diferentes grupos sociais, tanto quanto, a alteração das paisagens e ecossistemas de várias regiões do estado.
  • KNOX, Winifred CV de KNOX, Winifred
  • TRIGUEIRO, Aline CV de TRIGUEIRO, Aline
Segunda autora: Profa. Dra. Winifred Knox
Possui especialização em filosofia (UFRN - 1996), mestrado no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e antropologia do IFCS pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1994) e doutorado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Nos últimos anos tem se dedicado à pesquisa e à docência na área de Sociologia e Antropologia com grande ênfase em Comunidades Pesqueiras. Atualmente é professora adjunta do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo e uma das coordenadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento do ES (GEPPEDES).
Primeira autora: Profa. Dra. Aline Trigueiro
Graduação em Ciências Sociais (UFRJ); Mestrado em Sociologia e Antropologia (UFRJ); Doutorado em Sociologia (UFRJ), com Bolsa Sanduíche na Universidade de Oxford (Inglaterra). Atualmente é Professora Adjunta da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e uma das Coordenadoras do Grupo de Estudos e Pesquisas em Populações Pesqueiras e Desenvolvimento do ES (GEPPEDES). Áreas de estudo e interesse: Sociologia Ambiental; Sociologia do Desenvolvimento; Ética e Epistemologia Ambiental; Política Ambiental.

PAP0595 - O Sistema Prisional do Rio de Janeiro, punitivo e controlador.
Resumo de PAP0595 -   O Sistema Prisional do Rio de Janeiro, punitivo e controlador.  PAP0595 -   O Sistema Prisional do Rio de Janeiro, punitivo e controlador.
PAP0595 - O Sistema Prisional do Rio de Janeiro, punitivo e controlador.

O objetivo geral do trabalho é abordar a forma como o Estado do Rio de Janeiro/Brasil, dentro do segmento do sistema prisional, tem enfrentado a criminalidade particularmente via seu aparato punitivo e penal. Importante ressaltar a importância dos direitos humanos, pois comportam pressupostos necessários para que todos possam ter uma vida digna. (SANTOS, 2008) dentro desse contexto punitivo. As violações dos direitos humanos dos presos que se encontram no sistema prisional do Rio de Janeiro/Brasil é significantemente maior, pois estas instituições não se prestam para cumprimento de pena. Os presos ficam desassistidos em suas necessidades básicas, material, saúde, condições de higiene, educação, trabalho, assistência judiciária, banhos de sol e alimentação adequada. Para Almeida (2004), quanto maior a violência produzida pela criminalidade, maior a legitimidade dada ao Estado pela sociedade para produzir uma violência ainda maior, estabelecendo um ciclo de horror e desumanidade que é potencializado a cada dia, mais rigor, menos impunidade; penas mais severas; pena de morte. Este é o permanente clamor da sociedade, esta sentencia a exclusão, o banimento, o holocausto – e o Estado executa. Mingandi apud Feffermann, afirma que o “crime organizado” não prospera sem a cooperação ou conivência promiscua de representantes do Estado oficial. Segundo Torres, a questão carcerária brasileira e os inúmeros problemas que temos no sistema prisional vêm sendo discutidos por meio da comunicação, de autoridade e de organizações da sociedade civil. A população em geral questiona um sistema que se mantém em constantes conflitos sob o julgo das violações dos direitos humanos dos presos. Tem-se, portanto, um sistema penitenciário centrado na pena de privação de liberdade, uma das mais cruéis vitimizações praticadas com aval institucional, porém, voltado, quase que exclusivamente, para os sujeitos que praticam delitos e que tem uma inserção de classe pobre. Diante do caos que o sistema prisional brasileiro vive, a reincidência tem marcado a sociedade nos últimos tempos, decorrente de uma Política Neoliberal, da falta de recursos financeiros, materiais e humanos e de interesse por parte dos Estados em proporcionar e desenvolver uma política voltada para a efetivação dos direitos humanos nos espaços prisionais. Segundo Torres (2001), “a realidade carcerária brasileira é retrato fiel da questão social numa sociedade desigual e de excluídos sociais”. Pois, a exclusão econômica
  • COSTA, Newvone Ferreira CV de COSTA, Newvone Ferreira
Possui graduação em Serviço Social pela Faculdade de Serviço Social do Rio de Janeiro (1983), graduação em Estudos Sociais pela Faculdade Regina Coeli (1981).Especialização em Supervisão em Serviço Social pela Univesidade Veiga de Almeida (1987).Especialização em Direitos Humanos, Mestrado em Psicopedagogia pela Universidade La Habana- Cuba (1999). Ex- Coordenadora Adjunta do curso de Serviço Social do Centro Universitário Augusto Motta . Professora Adjunta do curso de Serviço Social do Centro Universitário Augusto Motta .Criou a disciplina Violência e Criminalização com carater interdisciplinar que faz parte da grade curricular do curso de Serviço Social do Centro Universitário Augusto Motta.Coordenadora do curso de Pós Graduação Justiça e Direitos Humanos no Centro Univerisitário Augusto Motta . Tem experiência na área de pesquisa em criminologia, violência e sistema prisional .Membro titular do Conselho da Comunidade do município do Rio de Janeiro. Foi Conselheira nas gestões de 2005 -2008 e 2008 -2011 no Conselho Regional de Serviço Social do Estado do Rio de Janeiro.Atualmente é Assistente Social do presidio Ary Franco no Rio de Janeiro.Membro titular do Cômite de combate a tortura da ALERJ .Coordenadora da linha de pesquisa violência e sistema penitenciário do Centro Universitário Augusto Motta. Tem experiência na área de Serviço Social, com ênfase no campo sóciojurídico, atuando principalmente nos seguintes temas: supervisão em serviço social, prisão, adolescente com medidas sócioeducativas, familia , ato infracional , execução penal , violência e criminologia

PAP0723 - A dimensão identitária e a promoção cidadania
Resumo de PAP0723 -  A dimensão identitária e a promoção cidadania   PAP0723 -  A dimensão identitária e a promoção cidadania
PAP0723 - A dimensão identitária e a promoção cidadania

A dimensão identitária e a promoção cidadania Nesta reflexão busca-se apresentar e discutir as metodologias orientadoras das ações programáticas desenvolvidas pela Diretoria de Inclusão e Cidadania do Instituto Inhotim com o intuito de promover a cidadania em comunidades marcadas pela pobreza, localizadas no município brasileiro de Brumadinho, estado de Minas Gerais. O ponto central da reflexão vincula-se à discussão sobre o modo como se relacionam os conceitos de modernidade, identidade e memória na construção dessas ações que buscam a superação das conseqüências da exclusão social. Resistente às tentativas de definição, Inhotim pode ser pensado como um complexo museológico original constituído por uma sequência não linear de pavilhões de arte contemporânea e um jardim botânico em área de 100 ha. É também âncora para o desenvolvimento de ações científicas, educacionais e conservacionistas, tendo a arte e a biodiversidade vegetal como elementos centrais. O Instituto desenvolve práticas sociais comprometidas com a inclusão e a cidadania da população de Brumadinho e seu entorno. Em 2007, esse compromisso com o desenvolvimento social da região originou a criação da Diretoria de Inclusão e Cidadania. Em abril, o Instituto foi reconhecido como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, pelo Governo de Minas Gerais. Em 2009, no mês de junho, o governo federal também reconheceu Inhotim como uma OSCIP. No âmbito da Diretoria de Inclusão e Cidadania são desenvolvidas, há quatro anos, ações que buscam desenvolver as potencialidades da comunidade local. Os programas e projetos buscam garantir a acessibilidade, a interação e a inclusão social. Na reflexão a ser apresentada, será destacada e analisada uma ação programática voltada para a dimensão identitária dos sujeitos e que tem por objetivo a recuperação, conservação e publicização do patrimônio Histórico, cultural e ambiental herdado pela sociedade local. O desenvolvimento dessa ação garante uma transversalidade que perpassa as demais ações programáticas desenvolvidas pela diretoria. O eixo central que norteia a ação parte das considerações de Ecléa Bosi , ao afirmar que a espoliação da memória é um dos efeitos mais perversos da miséria (BOSI,1994). Portanto, recuperar memória pode contribuir para a afirmação dos homens como sujeitos históricos. Trata-se, pois, de uma comunicação que, considerando a dimensão conceitual própria do campo da sociologia, almeja a discussão de práticas sociais emancipadoras.
  • LOPES, Rosalba CV de LOPES, Rosalba
  • OLIVEIRA, Juliana CV de OLIVEIRA, Juliana
Dra. Rosalba Lopes
Possui Doutorado em História pela Universidade Federal Fluminense (2010), onde desenvolveu pesquisa sobre a relação das esquerdas revolucionárias brasileiras com a democracia, no período de 1974-1982; mestrado em Ciência Política pela UFMG (2001) e graduação em História pela UFF (1990). Atualmente trabalha no Instituto Inhotim, onde coordena a implantação e desenvolvimento do Centro Inhotim de Memória e Patrimônio – CIMP, que visa captar, organizar e disponibilizar fontes referentes ao patrimônio Histórico-Cultural e ambiental de Brumadinho e Médio Vale do Paraopeba. Nesta nova fase o campo de pesquisa ao qual se dedica vincula-se, sobretudo, à Memória e à Identidade.

Juliana G. Oliveira

Mestranda do Programa de Pós Graduação em Ambiente Construído e Patrimônio Sustentável da Escola de Arquitetura da UFMG e Bacharel em Turismo pela Universidade FUMEC/BH. Atualmente trabalha no Instituto Inhotim, em Brumadinho, MG, na Diretoria de Inclusão e Cidadania, na Ação Programática Desenvolvimento Territorial, focando no Turismo de base comunitária na região do Médio Vale do Paraopeba. Elabora e executa projetos que visam o fortalecimento e autonomia de diferentes redes sociais, a interação e a inclusão social da população aos conceitos de sustentabilidade e desenvolvimento social. Em termos de pesquisa tem se dedicado às investigações sobre patrimônio e desenvolvimento comunitário.


PAP0577 - Crime, tecnologia e risco: como os ‘criminosos’ percepcionam a ‘vigilância genética’
Resumo de PAP0577 -  Crime, tecnologia e risco: como os ‘criminosos’ percepcionam a ‘vigilância genética’  
PAP0577 - Crime, tecnologia e risco: como os ‘criminosos’ percepcionam a ‘vigilância genética’

GT Vigilância na sociedade contemporânea: estudos e perspectivas Esta comunicação pretende questionar a perspectiva clássica dos estudos da vigilância, partindo do ponto de vista de um grupo de indivíduos especialmente vulnerável a mecanismos de vigilância ‘genética’ destinados a combater o crime, como por exemplo, o uso de bioinformação (Perfis de DNA, impressões digitais, indicadores biométricos) para identificar autores de crimes. Noções convencionais de defesa dos direitos individuais e do valor e eficácia de dispositivos tecnológicos de vigilância são re-equacionadas com base nas narrativas de atores sociais sujeitos a modalidades ‘fortes’ de vigilância, por estarem encarcerados. Com base num conjunto de entrevistas realizadas em dois países europeus– Portugal e Áustria – a presos, discute-se como as percepções sobre a vigilância policial e estatal destinada à prevenção da criminalidade são co-construídas com base em elementos muito heterogéneos, assentes no posicionamento social dos indivíduos que são alvo desses dispositivos de vigilância e de controlo/punição social. As representações sociais sobre a vigilância estatal e policial dependem, em boa medida, de avaliações do trabalho das polícias, do funcionamento dos tribunais, da percepção de vulnerabilidade do sistema de justiça criminal à corrupção e falta de transparência. Mas dependem, também, de mensagens culturais dominantes sobre o poder da bioinformação na identificação de autores de crime; assim como, da capacidade de percepção de risco que deriva da posição ocupada pelos entrevistados no mundo do crime e da prisão.
  • MACHADO, Helena Cristina Ferreira CV de MACHADO, Helena Cristina Ferreira
Machado, Helena
Investigadora associada do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e investigadora efectiva do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. Professora associada com agregação do Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. Tem coordenado diversos projectos de investigação científica, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia; e é autora e co-autora de várias publicações nacionais e internacionais. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense (com especial enfoque para as questões da biocidadania; da identidade, identificação e classificação social e consentimento informado na doação de material biológico); das relações entre justiça, media e cidadania (em particular, os impactos nas representações sociais sobre a ordem social suscitados pela mediatização de casos criminais) e dos estudos sociais de género.

PAP1217 - Da Arquitectura Vernacular à Informalidade Contemporânea dos Assentamentos
Resumo de PAP1217 -  Da Arquitectura Vernacular à Informalidade Contemporânea dos Assentamentos 
PAP1217 - Da Arquitectura Vernacular à Informalidade Contemporânea dos Assentamentos

GT: A habitação ilegal e informal e o direito à cidade A informalidade arquitectónica e urbanística dos assentamentos urbanos, dado o crescimento exponencial e constante, é uma realidade cada vez mais comum nas cidades de todo o mundo. Sendo que o espaço informal, neste contexto se refere ao espaço aleatório e precário no seu sentido mais actual, quase (ou) sempre ilegal, que surge em diferentes partes da cidade, integrando-se (na maioria das vezes) na malha urbana. A forma como esta problemática é abordada (pela total destruição material e social) não comporta o cuidado e a valorização necessárias à maior parte das intervenções nestes espaços, principalmente quando aliada às intervenções que deslocam as populações para zonas de habitação social periféricas ou simplesmente distantes e para edifícios cujas tipologias são completamente distintas das suas residências. A abordagem à arquitectura vernacular e à valorização do património popular surge, nesta dissertação, como forma de provar a importância destes espaços informais através de associações e comparações entre os conceitos, que se verdadeiramente semelhantes. Se a arquitectura popular ou vernacular merece a designação de património certamente que o espaço informal, no contexto aqui referido, não se distanciará muito do mesmo valor cultural e deverá ser abordado dessa forma. Através de um estudo de caso que se pode classificar em ambos os campos, o aglomerado de casas e cais Avieiros na Póvoa de Santa Iria no concelho de Vila Franca de Xira, pretende-se mostrar, com uma abordagem projectual e análise prévia, a importância da regeneração do espaço informal a partir do seu valor cultural e social. Pretende-se deixar clara a proximidade entre o espaço informal e vernacular e sugerir novas perspectivas de actuação ao nível da regeneração do espaço urbano. É importante confrontar a estratégia defendida nesta estratégia de regeneração, com as directrizes estipuladas pela Câmara Municipal e posterior plano de acção. Em ambos os casos se procuram respeitar os objectivos municipais para o lugar, embora haja um desfasamento no que respeita à valorização cultural e social da comunidade integrante. Esta comparação surge numa tentativa de abordar as estratégias definidas pelos órgãos que gerem o território, em que as áreas marginais e clandestinas são altamente desvalorizadas, analisadas apenas na perspectiva do incumprimento legal. Esta reflexão e estratégia de regeneração surgem sob a forma de Dissertação de Mestrado, onde é proposta uma busca dos conceitos que poderão enfatizar os vários argumentos favoráveis a estas áreas preteridas do espaço urbano. Sempre em busca de uma mudança na forma de olhar estes espaços e estas comunidades, buscando a valorização cultural e a intervenção coerente.
  •  LOUREIRO, Vânia Teles CV - Não disponível 

PAP0624 - Entrevista como técnica em terreno das reformas da justiça
Resumo de PAP0624 -  Entrevista como técnica em terreno das reformas da justiça PAP0624 -  Entrevista como técnica em terreno das reformas da justiça
PAP0624 - Entrevista como técnica em terreno das reformas da justiça

A justiça e os tribunais têm sido objecto de constantes reformas. Algumas compõem-se por alterações legislativas que afectam apenas os códigos, outras afectam a sua estrutura e funcionamento interno. Esta comunicação aborda os aspectos práticos de uma investigação na Comarca Piloto Lisboa-Noroeste, no Palácio da Justiça de Sintra em pleno processo de intervenção e outra na Comarca de Lisboa no Palácio da Justiça de Lisboa em que foi anunciado o alargamento do novo mapa judiciário. A atenção aqui é dada o efeito que teve nas entrevistas, assim como as constantes adaptações necessárias à utilização desta técnica. A singularidade da justiça apresenta algumas adaptações em relação a outros campos, nomeadamente na questão do segredo de justiça e no direito à reserva de funcionários e magistrados. O principal desafio não é o que perguntar, mas como perguntar sem quebrar estas duas regras.
  • CAMALHÃO, Serafim CV de CAMALHÃO, Serafim
Serafim Leopoldo Ferreira Camalhão Mestre em Sociologia do Trabalho, das Organizações, do Trabalho e do Emprego no I.S.C.T.E e a frequentar o Programa Doutoral em Sociologia no I.S.C.T.E. IUL. Especializou-se na área da Sociologia do Trabalho e das Organizações, com especial atenção no funcionamento dos tribunais. A par deste aspecto sempre manteve um grande interesse no campo da metodologia. Presentemente outra área que o cativa, é lançar uma Sociologia da Deficiência.

PAP1025 - Grupo de trabalho :A habitaçção ilegal e informal e o dirieto á cidade - Loteamentos irregulares em São Paulo
Resumo de PAP1025 -  Grupo de trabalho :A habitaçção ilegal e informal e o dirieto á cidade - Loteamentos irregulares em São Paulo 
PAP1025 - Grupo de trabalho :A habitaçção ilegal e informal e o dirieto á cidade - Loteamentos irregulares em São Paulo

O artigo discorre sobre a evolução do parcelamento do solo urbano no Brasil e especialmente em São Paulo, mostrando a legislação pertinente e suas conseqüências a nível do espaço urbano. Analisa o capítulo III do programa Minha Casa, Minha Vida, que dispões sobre regularização fundiária. Quantifica os loteamentos irregulares no Município de São Paulo por década de implantação, mostrando a freqüência deste fenômeno no intervalo entre 1970 e 2000, com a maior incidência de lotes irregulares nos anos 90, com 55 loteamentos por ano. Efetuou também a análise dos loteamentos irregulares no espaço intra-metropolitano, utilizando como unidade de análise os anéis central, interior, intermediário, exterior e periférico. Nos três primeiros, o peso destes loteamentos é mínimo. Já no anel exterior encontram-se 1/3 dos loteamentos irregulares, e a grande maioria deles localiza-se no anel periférico. O trabalho verifica ainda a ida para o vetor norte (Serra da Cantareira)- da ocupação irregular da terra urbana
  •  PASTERNAK, Suzana CV - Não disponível 
  •  BÓGUS, Lucia CV - Não disponível 

PAP1505 - La otra cara del piquete. La UTD de Gral. Mosconi (Salta)
Resumo de PAP1505 -  La otra cara del piquete. La UTD de Gral. Mosconi (Salta) PAP1505 -  La otra cara del piquete. La UTD de Gral. Mosconi (Salta)
PAP1505 - La otra cara del piquete. La UTD de Gral. Mosconi (Salta)

GT: Sociedad, crisis y reconfiguraciones en A. Latina. A 10 años del 19/20 de diciembre LA OTRA CARA DEL PIQUETE LA UNION DE TRABAJADORES DESOCUPADOS (UTD) DE GRAL. MOSCONI (SALTA) Mario Xiques Sociólogo UBA Los llamados piqueteros no constituyeron un movimiento único y homogéneo. No sólo por sus distintas denominaciones y orígenes sino, fundamentalmente, por sus propuestas. A modo de ejemplo podríamos mencionar a la FTV (Federación Tierra y Vivienda) que, conducida por Luis D'elía y donde participan sectores de la Iglesia, organizaciones sociales y juntas vecinales, reconoce que creció luego de muchos años de trabajo al calor de la toma de tierras, construcción de viviendas populares, infraestructura de servicios y equipamiento comunitario. El propio D'elía, elegido diputado provincial por el Polo Social, se reconocía militante del Frente para el Cambio y la CTA. El MTR (Movimiento Teresa Rodríguez), compuesto por familias desocupadas del GBA, La Plata y Mar del Plata, desarrollaba una forma de organización territorial por barrios con el objetivo de imponer una nueva forma de poder donde, al decir de su máximo referente, Roberto Martino, "el pueblo delibere y gobierne en forma directa". No obstante, es posible encontrar algunos denominadores comunes. Los distintos movimientos nacen por fuera de las instituciones políticas y sociales tradicionales y tienen un desarrollo autónomo, extraparlamentario, producto de las luchas. Fueron creciendo, como expresión del amplio movimiento social que enfrentó el modelo neoliberal implantado por Carlos Menem y continuado por la Alianza, desde la periferia (Cutral-Có, Plaza Huincul, Gral. Mosconi) hacia el centro del país (Sur del Gran Buenos Aires, La Matanza). Desplazaron el eje del conflicto hacia la interrupción de la circulación de mercancías y fuerza de trabajo. Representaron un fenómeno múltiple, sin organizaciones únicas ni dirigentes consolidados en la superestructura institucional, con una fuerte tendencia asamblearia donde el piquete organiza, discute, negocia, elige representantes con mandato revocable y los delegados actúan sólo como voceros y dirección en la lucha. Constituyeron una fuerza social antagónica de carácter nacional que manifestaba la agudización de la crisis económica y la descomposición de las relaciones políticas y de los partidos orgánicos y sus cuadros. A modo de ejemplo de nuestras afirmaciones precedentes, nos detendremos en el análisis de la UTD de Gral. Mosconi, una de las experiencias más avanzadas a nivel local.
  • XIQUES, Mario CV de XIQUES, Mario
Mario Xiques (Mario Hernandez).
Sociólogo y periodista argentino. Delegado General del Banco Santander-Río entre 1985/91 y 1997/2002. Miembro del Consejo de Redacción de la revista Herramienta (1996-2001). Coordinador General revista La Maza (2001-3). Coordinador de la Editorial Topía (2004-11).
Compilador y editor de Produciendo realidad: las empresas comunitarias (2002) y Las trampas de la exclusión. Trabajo y utilidad social (2004) de Robert Castel, Ed. Topía, Bs. As. y de James Petras en Argentina (Abril-Mayo 2001) y Argentina, entre la desintegración y la revolución de James Petras y Henry Veltmeyer, Ediciones La Maza, Buenos Aires, 2002.
Actualmente produce y conduce 5 programas radiales políticos y culturales por FM La Boca (90.1). Miembro del Consejo Directivo de la Coordinadora de Medios de la Ciudad de Buenos Aires (COMECI). Sus notas se publican habitualmente en los sitios webs: Rebelion.org, Argenpress.info, Red Eco Alternativo y Ecoportal.net, entre otros.

PAP0663 - O rap e o graffiti como dispositivos de reflexão identitária. O caso do bairro da Kova da Moura.
Resumo de PAP0663 -  O rap e o graffiti como dispositivos de reflexão identitária. O caso do bairro da Kova da Moura. PAP0663 -  O rap e o graffiti como dispositivos de reflexão identitária. O caso do bairro da Kova da Moura.
PAP0663 - O rap e o graffiti como dispositivos de reflexão identitária. O caso do bairro da Kova da Moura.

Partindo de distintas investigações desenvolvidas pelos dois investigadores e tomando o bairro da Cova de Moura como território de investigação, a presente comunicação pretende discutir o papel que o rap e o graffiti assumem como dispositivos de reflexão identitária de jovens que habitam este bairro maioritariamente negro. A Cova da Moura é um bairro clandestino de auto-construção que despontou nos anos 70 com a vaga de imigrantes provenientes das ex-colónias portuguesas em África. Este localiza-se na Amadora e, ainda hoje, é habitado na sua grande maioria por imigrantes Africanos e seus filhos. O rap e o graffiti são manifestações culturais apropriadas e empregues por diferentes jovens e que parecem funcionar como dispositivos identitários fulcrais através dos quais conquistam um espaço na esfera pública, confrontando e desafiando as representações e discursos hegemónicos mais profusamente difundidos pelos media. O rap político ou underground tem sido, aliás, uma produção cultural fortemente associada à vida de jovens excluídos e, particularmente, dos jovens comummente referidos como de segunda geração. Este facto deriva da própria natureza deste fenómeno musical que, desde as suas origens, está associado a uma cultura de rua fabricada e consumida por jovens de minorias étnicas ou em situação de exclusão. A cultura hip-hop surgida nos anos 70 do século passado no Bronx nova-iorquino dá-nos precisamente conta desse facto. Entretanto, as distintas vertentes do hip-hop (rap, graffiti e break-dance) globalizaram-se e foram apropriadas por grupos juvenis nos mais diversos contextos geográficos e culturais. A literatura revela, precisamente, esta adaptação do hip-hop aos distintos contextos locais e a apropriação do mesmo enquanto dispositivo de comunicação ao serviço de políticas de identidade, nomeadamente étnicas e culturais. No bairro da Cova da Moura quer o rap, quer o graffiti, têm uma presença considerável. Para além de existir um estúdio de produção e de gravação, diferentes rappers aí residentes adquiriram já uma projecção relevante neste circuito de natureza amadora. O graffiti encontra-se, também, fortemente presente na paisagem do bairro, por exemplo através de murais de grandes dimensões retratando uma série de ícones negros (Martin Luther King, Amilcar Cabral, etc.). Ambas as expressões parecem, por isso, servir de alguma forma à construção de diferentes patamares identitários, que ora remetem para uma ideia de comunidade imaginada (africana), ora problematizam a condição complexa das identidades múltiplas.
  • VAZ, Cláudia CV de VAZ, Cláudia
  • CAMPOS, Ricardo CV de CAMPOS, Ricardo
Cláudia Vaz é licenciada, mestre e doutora em Antropologia, pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (Universidade Técnica de Lisboa). É Professora Auxiliar no ISCSP e investigadora no Centro de Administração e Políticas Públicas (CAPP). Integra o Sh.A.R.P - A Platform for Share and Representing, projecto europeu de investigação-acão desenvolvido no quadro do Programa de Aprendizagem ao Longo da Vida (Lifelong Learning Programme) da União Europeia e faz parte da comissão editorial da revista Cadernos de Arte e Antropologia. É coordenadora do livro wwwCulturasDigitais.com (ISCSP, 2011) e autora de Afinal quem sou eu? A identidade de crianças de origem cabo-verdiana em espaço escolar (ISCSP, 2006).
Ricardo Campos é mestre em Sociologia e Doutorado em Antropologia Visual. Actualmente é investigador auxiliar no Centro de Estudos das Migrações e Relações Interculturais, da Universidade Aberta (Portugal). É autor do livro Porque pintamos a cidade? Uma abordagem etnográfica ao graffiti urbano (Fim de Século, 2010) e co-organizador do livro Uma cidade de Imagens (Mundos Sociais, 2011). É igualmente um dos editores da revista Cadernos de Arte & Antropologia.


PAP0324 - Perceções e divulgação de artistas plásticos africanos em Portugal
Resumo de PAP0324 -  Perceções e divulgação de artistas plásticos africanos em Portugal PAP0324 -  Perceções e divulgação de artistas plásticos africanos em Portugal
PAP0324 - Perceções e divulgação de artistas plásticos africanos em Portugal

Em Portugal a receção e divulgação da obra de artistas plásticos africanos tem evidenciado, ao longo das últimas duas décadas uma cadência intermitente, marcada pontualmente pela integração das artes plásticas no discurso da lusofonia ou do pós-colonialismo sem que estes factos tenham contribuído na realidade para uma discussão ou análise crítica das suas linguagens particulares, decorrentes, nomeadamente, dos seus trânsitos transnacionais ou permanências continuadas, bem como das dinâmicas históricas que envolvem Portugal e África. Com esta comunicação propõe-se um olhar sobre a obra de alguns artistas africanos, procurando vislumbrar algumas dinâmicas tais como a afirmação de identidades partilhadas, a problematização das realidades experienciadas nos países de origem ou nos espaços diaspóricos, a guerra e a violência, a reflexão acerca da própria história que envolveu a Europa e a África, assumidas como matéria de reflexão plástica, e desvendando linhas de continuidade entre passado e presente, numa trajetória solvente das fronteiras impostas pelo discurso histórico, que, em última análise, revelam as transfigurações e múltiplas faces da temporalidade vivida, narrada ou transformada em terreno de utopias.
  • PEREIRA, Teresa Matos CV de PEREIRA, Teresa Matos
Nota Curricular

Nome: Teresa Matos Pereira
Formação: Doutoramento em Belas Artes, Mestrado em Teorias da Arte e Licenciatura em Artes Plásticas – Faculdade de Belas Artes de Lisboa

Docente no Instituto Politécnico de Setúbal – Escola Superior de Educação e Investigadora no CIEBA- Faculdade de Belas Artes de Lisboa.
Interesses de investigação. Artes visuais e colonialismo; discursos artísticos e pós-colonialidade.

Textos :
- «A Condição da mulher em Angola na cerâmica de Helga Gamboa, in :ESTÚDIO, Vol.3, nº5, FBA-Ul/CIEBA, Lisboa, 2012( pp.112-118). ISSN 1647-6158
- «As Artes Plásticas nos Labirintos da Colonialidade», in RODRIGUES, José Damião e RODRIGUES Casimiro. Representações de África e dos Africanos na História e Cultura – séculos XV a XXI. PONTA Delgada: CHAM, 2011 (pp.371-387)

- «Desenhos de África, Desígnios Coloniais, Desejos Suspensos: Artes Plásticas e Colonialidade» in CIEA7, Lisboa, ISCTE-IUL (disponível em http://hdl.handle.net/10071/2533 )
- "Intervisualidade e Metáfora. Trajectórias dos Signos na Pintura Angolana e Portuguesa durante a segunda metade do séc. XX " In Actas do VI Congreso de Estudios Africanos en el Mundo Ibérico (CD-ROM) Depósito Legal: GC- 247-2009

PAP0590 - Reestruturação Produtiva e Organização do Trabalho no Pólo Oleiro-Cerâmico de Iranduba-AM
Resumo de PAP0590 -  Reestruturação Produtiva e Organização do Trabalho no Pólo Oleiro-Cerâmico de Iranduba-AM 
PAP0590 - Reestruturação Produtiva e Organização do Trabalho no Pólo Oleiro-Cerâmico de Iranduba-AM

Nossa pesquisa tem por objetivo evidenciar e discutir a reestruturação produtiva e sua relação com a organização do trabalho em três empresas do Pólo oleiro-cerâmico de Iranduba, setor que fabrica cerca de 80% de tijolos e telhas consumidos na cidade de Manaus, metrópole com 2 milhões de habitantes, e que está localizada na Amazônia brasileira. Nos últimos anos esse setor tradicional da economia do estado do Amazonas- Brasil vem passando por transformações no âmbito da configuração do trabalho que estão ligadas ao processo global da nova forma de acumulação do capital, qual seja, a acumulação flexível. A introdução de técnicas organizacionais, como Círculos de Controle de Qualidade, Programa 5S, e busca por certificação internacional ISO 9000 e 14000 caracterizam esse cenário. Nesse sentido, nosso trabalho busca compreender como emerge e desenvolve-se esse processo de reconfiguração produtiva em um setor que, até pouco tempo, era caracterizado pela baixa tecnologia empregada na fabricação dos seus produtos, e que usava a madeira nativa como matéria-prima na queima dos tijolos e telhas. Trata-se, portanto, de investigar de que forma uma fábrica local tradicional é incorporada por meios globais de dinamização do capital e, em que sentido, se desenvolve a racionalidade capitalista no interior de um processo produtivo recente no contexto oleiro-cerâmico. Além disso, a pesquisa procede à compreensão das estratégias empreendidas pelos proprietários das olarias quando da implantação de inovações tecnológicas e organizacionais, bem como analisa a ação dos trabalhadores oleiros frente a essas mudanças na organização do trabalho implementadas pelo empresariado local.
  •  MACIEL, Cleiton Ferreira CV - Não disponível 
  •  VALLE, Maria Izabel de Medeiros CV - Não disponível 
  •  MOURA, Jeanne Mariel Brito de CV - Não disponível 

PAP0474 - Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo
Resumo de PAP0474 -  Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo PAP0474 -  Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo
PAP0474 - Ter saúde na última fase da vida: lógicas do saber leigo

O mundo contemporâneo da saúde reúne características que permitem a produção de contextos sociais plurais, por vezes com elementos contraditórios entre si. Nestes, cada indivíduo constrói o seu espaço singular face à saúde, apropriando-se e recriando no seu quotidiano o material social que lhe é mais significativo. Esta acção criativa expressa um território de decisão e transformação importante, a que acresce ainda a diferença de expressão da saúde por associação a cada etapa do trajecto de vida. Cada tempo social de vida confere um pano de fundo único na compreensão das lógicas que movem as práticas e o pensar sobre a saúde individual. Na velhice, a leitura realizada sobre as mudanças fisiológicas ocorridas determina a progressiva alteração de necessidades, do tipo de problemas que podem surgir, assim como a percepção que cada indivíduo desenvolve sobre a sua condição, recursos necessários e estratégias de actuação adequadas. Nesta fase, ocorrem igualmente significativas mudanças ao nível da estrutura familiar, actividade económica e redes sociais, com potenciais efeitos na saúde, assim como no tipo de utilização dos recursos sociais disponíveis. O ter saúde é uma noção subjectiva em permanente mudança, construída no confronto dinâmico entre as disposições sociais dominantes ou mesmo residuais sobre o significado de ser saudável. Constitui assim um elemento micro de leitura das lógicas sociais que estabelecem a condição pessoal perante a saúde num certo tempo da vida, num determinado tempo sócio-histórico. Por outro lado, o progressivo aumento da esperança de vida tem vindo a permitir o aparecimento de uma última idade temporalmente mais longa, com a possibilidade de ser vivida com mais saúde. Esta expectativa social permite o desenvolvimento de novas lógicas em torno da noção de saúde pessoal, que importa analisar. Com base na realização de entrevistas junto de mulheres e homens em idade mais avançada, procurou-se apreender e explorar as lógicas que suportam à construção das suas noções pessoais de saúde no seu tempo actual de vida.
  • GOMES, Inês CV de GOMES, Inês
Inês Gomes é Investigadora Colaboradora no CESNOVA – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa, onde actualmente desenvolve o seu doutoramento em sociologia, subordinado ao tema “Saúde e envelhecimento: Práticas e representações sociais de género”. Mestre em Saúde Pública, conta com um trajecto profissional e académico na área da saúde, tendo-se dedicado neste âmbito aos temas do envelhecimento e do género.

PAP1018 - Violência Contra a Mulher Idosa: uma análise das histórias de vida de mulheres que frequentam espaços de convivência para a “Terceira Idade” em Belém do Pará
Resumo de PAP1018 -  Violência Contra a Mulher Idosa: uma análise das histórias de vida de mulheres que frequentam espaços de convivência para a “Terceira Idade” em Belém do Pará 
PAP1018 - Violência Contra a Mulher Idosa: uma análise das histórias de vida de mulheres que frequentam espaços de convivência para a “Terceira Idade” em Belém do Pará

O presente artigo traz uma análise das histórias de vida de mulheres que frequentam espaços de convivência para a “Terceira Idade”, com o objetivo de verificar a partir dos relatos das idosas situações de violência doméstica e familiar. A pesquisa leva em consideração o papel primordial da família, a partir dos atores sociais que a constitui. Tendo em vista, a relevância social desta discussão faz-se necessária a análise da situação de violência, que uma significante parcela dos idosos brasileiros tem vivenciado. Em se tratando dessa questão que ganha importância, a violência contra as pessoas idosas cujo enfoque é a percepção da violência a partir dos depoimentos das mulheres idosas ao transversalizar o debate com os marcadores sociais de classe, gênero e cor. A pesquisa ocorreu no Centro da Terceira Idade Palácio Bolonha e na Casa do Idoso, ambas as instituições localizadas na cidade de Belém do Pará. Trata-se de espaços de convivência com características remetidas aos velhos que ganham o nome também significativo de Terceira Idade. Esse nominativo é utilizado para expressar novos padrões de comportamento de uma geração que se apo¬senta e envelhece de uma maneira independente e prazerosa. Devido a pouca literatura que se tem sobre a violência contra mulheres idosas e como elas se veem perante a sociedade é que torna importante a realização desse trabalho. Todavia, a pesquisa não se realiza apenas no que tange a violência doméstica e familiar contra as idosas, mas também levanta alguns aspectos correntes na velhice, como o descaso com as idosas e a sociabilidade delas em espaços da Terceira Idade. Devemos compreender que o nominativo Terceira Idade foi construído para positivar o cotidiano dos(as) idosos(as) em espaços de convivência. Em um universo da Terceira Idade afloram problemas vividos e compartilhados que, não os(as) fazem sentir a terceira idade, mas o que mostram é que fazer parte da terceira idade e lê-se também dos espaços de convivência é algo de que os(as) idosos(as) sentem orgulho. Entretanto, há questões prementes a serem destacadas; o abandono e outras formas de violência que pululam nos depoimentos, a partir de um recorte de trabalho que se insere no campo da violência de gênero. Cabe destacar, que a pesquisa baseia-se em cima das concepções de alguns autores, de que a mulher idosa é vista como sujeito de direitos e não como vítima passiva da dominação. Nesse contexto, o recorte da

PAP1180 - “Cidade Maravilha, purgatório da beleza e do caos” - Globalização e Política Urbana no Rio de Janeiro no limiar do século XXI
Resumo de PAP1180 -  “Cidade Maravilha, purgatório da beleza e do caos” -  Globalização e Política Urbana no Rio de Janeiro no limiar do século XXI 
PAP1180 - “Cidade Maravilha, purgatório da beleza e do caos” - Globalização e Política Urbana no Rio de Janeiro no limiar do século XXI

Qualquer análise sobre as transformações observadas nas cidades contemporâneas não pode prescindir de uma referência à globalização. Esta aparece, em geral, como uma “entidade” implacável que não deixa “pedra sobre pedra” por onde atua, definindo novos rumos à economia, à cultura, às relações sociais, à política e à dinâmica citadina, em diferentes partes do planeta. Pensar a globalização como algo dado, inevitável é desconsiderar o fato de que ela se configura enquanto um projeto incompleto que traz em si duas verdades (contraditórias em sua essência): “uma geografia sem fronteiras e de mobilidade e uma geografia de disciplina de fronteira” (MASSEY, 2008). Em suma, extraterritorialidade para uns (homens de negócios, da cultura, acadêmicos, turistas) X prisão à localidade para a grande maioria desfavorecida (BAUMAN, 1999). A realidade que marca muitas cidades, sobretudo aquelas de países emergentes ou do Terceiro Mundo, demonstra o quão o ambiente urbano tem sido desfavorável quanto às possibilidades de acesso e de escolha por parte de grande maioria dos citadinos, agudizando/cronificando situações de pobreza, exclusão, segregação, mobilidade, preconceito/discriminação, desemprego, falta de participação política. A Cidade do Rio de Janeiro é exemplar para a discussão sobre a forma como o tripé globalização, desigualdade e mobilidade tem se conformado nos discursos dos diferentes atores e se expressado objetivamente na configuração das relações que marcam a espacialidade urbana. O que se constata é que as diferentes iniciativas de gestores e planejadores – materializadas nas políticas urbanas que, desde os anos 90, principalmente, buscam inserir a Cidade no que se convencionou chamar de “mercado mundial de Cidades” – não têm sido capazes de dirimir as desigualdades intraurbanas, tampouco de proporcionar a todos os moradores o acesso às tão difundidas “vantagens” da globalização. A marca que se pretende impingir ao Rio de Janeiro – associada à cultura, ao lazer, aos esportes, aos grandes eventos internacionais – e as ações implementadas a partir de parcerias público-privadas reeditam políticas urbanas excludentes, segregacionistas, claramente comprometidas com as demandas do capital. Mesmo as iniciativas ancoradas no discurso de integração da “cidade informal” (“favelas”) à “cidade formal”, bem como as ações de “pacificação” das comunidades antes dominadas pelo tráfico possuem vinculação ao modelo de cidade perseguido (cidade global) e nenhum compromisso com as demandas legítimas dos citadinos. Tudo isto fica muito claro quando constatamos que as áreas priorizadas por estes projetos são aquelas com maior visibilidade e as que agregam equipamentos voltados para o turismo, para a cultura e o lazer.
  •  MAIA, Rosemere Santos CV - Não disponível 
  •  ICASURIAGA, Gabriela Lema CV - Não disponível 

PAP1527 - "Herencias, innovaciones y nuevas síntesis en el pensamiento sobre la práctica política en America Latina"
Resumo de PAP1527 - "Herencias, innovaciones y nuevas síntesis en el pensamiento sobre la práctica política en America Latina"   
PAP1527 - "Herencias, innovaciones y nuevas síntesis en el pensamiento sobre la práctica política en America Latina"

En América Latina la crisis del neoliberalismo abrió paso a diversas experiencias populares que delinearon una agenda alternativa al Consenso de Washington y avanzaron en la consolidación de nuevos bloques de poder nacionales y regionales. Izquierdas "buenas" vs izquierdas "malas", populistas vs institucionalistas, radicales vs reformistas, las caracterizaciones que se han hecho de ellos carecen de un bagaje conceptual común y obedecen más a un afán calificatorio apriorístico que a una reflexión sobre las nuevas formas en que las mayorías populares despliegan su acción política con vocación transformadora. Como contrapartida, , autores como Álvaro García Linera, Emir Sader y Marco Aurelio García ofrecen la posibilidad de rastrear las permanencias, innovaciones y resignificaciones del legado del pensamiento de izquierda a la luz de la propia práctica política, volviendo a poner en la cuestión acerca del origen de las ideas correctas. Ni creación "ex nihilo" ni mera repetición, a nuestro modo de ver, los conceptos que adquieren cierta trascendencia teórica cobran su pleno sentido en el contexto en que se forjan: mal podemos desplazarnos con ellos graciosamente a través de la geografía o el calendario sin generar más confusión que esclarecimiento. A partir de una somera periodización de las formas en que se fue articulando el pensamiento y la practica política de izquierda entre la escena mundial y la latinoamericana a lo largo de la historia, nos proponemos analizar las herencias e innovaciones de estas connotaciones en los autores aludidos y cuestionar los "usos" de los conceptos sin tomar en cuenta estas particularidades.
  • TOER, Mario CV de TOER, Mario
Sociólogo, estudió en la Universidad de Buenos Aires y se desempeña como docente en la Universidad de Chile hasta 1973. Luego del golpe de Estado que derroca a Salvador Allende publica La vía Chilena, un balance necesario (1974). Desde 1974 continua sus actividades como docente y como investigador en la UBA, en torno a las distintas formas de articulación política de los partidos y los frentes populares de izquierda en América Latina. En noviembre de 1975 es puesto a “disposición del Poder Ejecutivo” y habrá de ser uno de los miles de presos políticos de la dictadura, Recupera la libertad y se exilia en Londres a fines de 1981 donde puede retomar la actividad académica llevando a cabo estudios de doctorado en la London School of Economics hasta que se produce el retorno argentino a la democracia. Ya en Argentina se incorpora nuevamente a la UBA donde se hace cargo de una cátedra de Sociología por 25 años. Poco después asume también la cátedra de Política Latinoamericana en la Facultad de Ciencias Sociales. En la actualidad es profesor consulto de la misma facultad y director de un equipo de investigación del Instituto de Estudios de América Latina y el Caribe –IEALC, ámbito en el cual estudia los actuales procesos que vive la región prestando especial atención a las fuerzas alternativas al neo-liberalismo. Ha publicado varios libros, capítulos de libros y artículos entre los cuales se destacan De Moctezuma a Chávez. Repensando la historia de América Latina (2011, 4ta ed.) y próximamente será publicado un nuevo libro que resume los trabajos de él y su equipo sobre las diferentes épocas del devenir del capitalismo del siglo XX y las distintas estrategias de construcción y articulación de las fuerzas políticas de izquierda en la región.

PAP0665 - ''Covilhã e cidades alpinas: o contributo da paisagem para a sustentabilidade urbana
Resumo de PAP0665 -  PAP0665 -
PAP0665 - ''Covilhã e cidades alpinas: o contributo da paisagem para a sustentabilidade urbana

A qualificação dos ambientes urbanos e a conservação do carácter tradicional dos núcleos antigos resulta da compreensão da importância destes aspectos para a sustentabilidade das cidades. Esta é uma realidade que tende a evidenciar-se no actual contexto de competitividade que leva as cidades a desenvolver estratégias de promoção de imagens de marca que se considera caracterizarem as localidades. Neste contexto, a cidade da Covilhã destaca-se como caso de estudo de particular interesse. No quadro das cidades portuguesas intermédias, detém um perfil singular de cidade de montanha com expressão de uma significativa tradição industrial. Os efeitos da industrialização na paisagem e na evolução urbana estão associados a consequências urbanísticas muito significativas e a fortes marcas identitárias até aos anos oitenta do século XX. Na época contemporânea a função universitária será instituída e torna-se o principal activo moldando um perfil urbano tendencialmente mais cosmopolita. Dos pontos de vista urbanístico, arquitectónico e paisagístico, muitas das transformações associadas à Universidade foram significativas e caracterizam-se por linhas gerais de orientação de valorização das pré-existências (associadas à indústria) e da paisagem urbana, ligando a cidade à envolvente natural. A implementação do programa Polis veio reforçar esta tendência, centrando-se na reconversão das áreas das ribeiras e promovendo as acessibilidades pedonais. Em termos prospectivos, a reaproximação da cidade relativamente ao espaço natural como elemento simbólico e identitário tem potencial para singularizar a cidade. Poderia ser acolhida por uma cultura de planeamento que recuperasse o carácter singular da cidade em simbiose com a montanha, e bem assim, a noção cultural e simbólica do valor da paisagem, gerando uma nova ideia de cidade, interessante para o planeamento e a reabilitação espacial e social. Seguiria a linha das transformações operadas pela UBI (tanto ao nível espacial como social e cultural), por algumas das intervenções do programa Polis (obras de valor desigual mas que, no conjunto, ensaiam uma nova visão reestruturante para a cidade pós-industrial) e pelo Plano de Pormenor da Zona Intra-Muralhas do Centro Histórico da Covilhã (que iniciou a reconversão de uma zona da cidade caracterizada pelo abandono). O desenvolvimento desta reconversão urbanística adoptaria uma identificação com a montanha, assumindo diferentes frentes (simbólicas, ambientais, paisagísticas e económicas), em analogia com a lógica já adoptada por outras cidades de montanha europeias, com a participação cívica e a colaboração em rede entre instituições. Com base nestas premissas, poderia então elaborar-se um projecto de cidade assente na tolerância e na participação, enquadrado pelos valores da sustentabilidade e da qualidade de vida.
  • MATOS, Maria João CV de MATOS, Maria João
  • VAZ, Domingos CV de VAZ, Domingos
Maria João Matos. Doutorada em Arquitectura e Paisagem pela Universidade da Beira Interior e pela Université Paris 8. Docente e investigadora no Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. Investigadora do permanente do CIAUD, Faculdade de Arquitectura, Universidade Técnica de Lisboa.
Interesses de investigação: Paisagem, Desenho urbano, Relação arquitectura-paisagem.
Domingos Martins Vaz, professor no Departamento de Sociologia da Universidade da Beira Interior e investigador do CesNova (Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa). A sua principal área de estudo é a sociologia urbana e do território, sendo autor do livro Cidades Médias e Desenvolvimento: o caso da cidade da Covilhã [UBI, Covilhã, 2004], organizador do livro Cidade e Território: Identidades, Urbanismos e Dinâmicas Transfronteiriças [Celta, Lisboa, 2008] e autor de diversos textos nos domínios das cidades, do ordenamento do território e do desenvolvimento regional.

PAP0069 - (Con)Textos de (In)Visibilidade Social - Construção de um modelo de análise sócio-ecológico do crime de Tráfico de Seres Humanos
Resumo de PAP0069 - (Con)Textos de (In)Visibilidade Social - Construção de um modelo de análise sócio-ecológico do crime de Tráfico de Seres Humanos  
PAP0069 - (Con)Textos de (In)Visibilidade Social - Construção de um modelo de análise sócio-ecológico do crime de Tráfico de Seres Humanos

Tomando como objecto de estudo o Tráfico de Seres Humanos, é propósito da comunicação apresentar uma proposta de um modelo de análise para a compreensão deste crime através da resposta à questão de partida: Que factores sócio-ecológicos relevam para a ocorrência do crime de tráfico de seres humanos? A esta questão, antecipamos, decorre da hipótese de que a ocorrência deste crime – multidimensional, de extrema complexidade e reconhecida opacidade (adjectivação comummente utilizada) – resulta da dialéctica, num dado momento, entre a acção humana e a estrutura ambiental, ou seja, o território, seus actores, suas relações sociais e significados atribuídos. Esta abordagem não é desconhecida ao estudo da criminalidade. Todavia, no que concerne especificamente ao crime do Tráfico de Seres Humanos, a sua análise têm-se principalmente centrado em abordagens que debatem ou se aliam, muitas vezes, a discursos específicos, como a do tráfico explicado pelas teorias da migração, o tráfico explicado pelas teorias da desigualdade/violência de género, e o tráfico explicado pelas teorias da globalização. Sendo relevantes, a necessidade de uma análise compreensiva, integrada, que se postula em muitos dos mesmos estudos, não é totalmente atingida, ao não se observar o espaço sócio- ecológico da sua ocorrência, e principalmente da sua prevalência, como dimensão explicativa. Como refere Machado, “Embora não se deva perder de vista que a prática de qualquer crime responsabiliza o(s) seu(s) autor(es), é imperativo reconhecer que, para além dos factores pessoais, os actos criminais são fortemente influenciados pelas interacções que os responsáveis (…) estabelecem com o ambiente físico, com outras pessoas, com diferentes grupos sociais, e também pela avaliação de risco (…). Esta é uma questão crucial (…) [pois] não existem vítimas sem um contexto de vitimação (…)” (Machado, 2010, pp.14 e 15).
  • PENEDO, Rita CV de PENEDO, Rita
Rita Penedo, Licenciada em Sociologia pelo Instituto Superior das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE-IUL), com Pós Graduação em Crime, Violência e Segurança Interna e a frequentar o Mestrado de Ecologia Social e Problemas Sociais Contemporâneos, ambos da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/Universidade Nova de Lisboa, iniciou a sua atividade como Bolseira de Investigação no CIES/ISCTE e no ICS. Desde 2006, trabalha no Ministério da Administração Interna, ocupando atualmente a posição de Consultora da Direção-Geral de Administração Interna. A atividade central é junto do Observatório do Tráfico de Seres Humanos do Ministério da Administração Interna e como Ponto de Contacto da Direção-Geral de Administração Interna junto da Rede Europeia de Prevenção da Criminalidade. Desde julho de 2012, ocupa lugar na Direção da Associação Portuguesa de Sociologia (Suplente). Principais interesses: Prevenção da Criminalidade.

PAP0989 - (DES)REGULAÇÃO LABORAL, IMIGRAÇÃO E VULNERABILIDADE OCUPACIONAL: AS CONTINUIDADES DA MUDANÇA NO SERVIÇO DOMÉSTICO EM PORTUGAL
Resumo de PAP0989 - (DES)REGULAÇÃO LABORAL, IMIGRAÇÃO E VULNERABILIDADE OCUPACIONAL: AS CONTINUIDADES DA MUDANÇA NO SERVIÇO DOMÉSTICO EM PORTUGAL 
PAP0989 - (DES)REGULAÇÃO LABORAL, IMIGRAÇÃO E VULNERABILIDADE OCUPACIONAL: AS CONTINUIDADES DA MUDANÇA NO SERVIÇO DOMÉSTICO EM PORTUGAL

O trabalho doméstico remunerado, enquanto esfera autónoma de relações laborais e âmbito de análise, tem sido, em Portugal, um fenómeno social pouco observado. Um modelo de dominação masculina assente sobre um conservadorismo social alargado, a natureza privada do espaço em que a actividade é desempenhada, um conjunto de representações sociais influentes sobre os papéis de género e uma consequente generalização e enraizamento sociocultural da percepção do trabalho doméstico enquanto arena feminizada são, entre outros, traços que explicam e evidenciam, para o caso português, a inanidade crítica prevalente no campo. Paradigma da relação laboral vincada pela assimetria social e sustentada por uma percepção de dependência partilhada entre empregado e empregador o trabalho doméstico conserva ainda, em alguns casos, uma matriz de servitude legatária da figura da criada. Matriz essa da qual o Estado foi um agente activo de perpetuação ao favorecer, continuadamente, um enquadramento do trabalho doméstico marcado pela vulnerabilidade, nomeadamente através da conservação do estatuto ilegítimo e vago destas trabalhadoras por via da recusa arbitrária da inclusão destas no universo de abrangência do Código do Trabalho. Na última década a consolidação de alguns contingentes imigrantes tem sido reflectida na composição da mão-de-obra que ocupa este sector. Este trabalho pretende caracterizar e discutir o contexto legal quer do serviço doméstico quer do trabalho imigrante e a influência que ambos têm exercido um sobre o outro, designadamente nas transformações recentes que alguns dados oficiais têm permitido observar relativamente a este sector. Complementarmente aos dados dos Quadros de Pessoal e da Segurança Social a análise quantitativa assentará nos dados do primeiro inquérito aplicado a nível nacional ao universo das trabalhadoras domésticas tentando deste modo identificar processos de continuidade e de transformação dentro do serviço doméstico em simultâneo com tendências de desenvolvimento consequentes destes mesmos processos.
  •  DIAS, Nuno CV - Não disponível 

PAP0244 - (Des)Motivações para o Exercício do Voto - um estudo sobre participação eleitoral entre Jovens do Ensino Superior
Resumo de PAP0244 - (Des)Motivações para o Exercício do Voto - um estudo sobre participação eleitoral entre Jovens do Ensino Superior 
PAP0244 - (Des)Motivações para o Exercício do Voto - um estudo sobre participação eleitoral entre Jovens do Ensino Superior

Direito inalienável dos sistemas democráticos e condição de garante do seu funcionamento, o voto é o meio por excelência de intervenção dos cidadãos na atividade política através da participação em atos eleitorais. Em declínio acentuado em Portugal bem como na generalidade das democracias ocidentais em favor de uma crescente abstenção, a participação eleitoral adquire cada vez maior relevância científica e social no contexto atual, buscando-se os significados que presidem aos comportamentos eleitorais e equacionando-se eventuais consequências para os sistemas democráticos. Várias questões se têm levantado acerca da importância do voto para os cidadãos portugueses, da capacidade de funcionamento e qualidade da democracia, do grau de confiança das instituições políticas e seus atores junto dos eleitores. Nesse sentido, torna-se pertinente conhecer junto dos eleitores que elementos os (des)motivam a participar eleitoralmente. “(Des)Motivações para o exercício do voto” consiste numa investigação realizada no âmbito de uma dissertação de Mestrado em Sociologia pela FLUP, que tem como objeto de estudo central a participação eleitoral e pretende problematizar os principais fatores subjacentes às decisões dos eleitores se absterem ou participarem nos diferentes atos eleitorais. Consideram-se tanto votantes como abstencionistas com o objetivo principal de identificar os fatores na origem das respetivas decisões eleitorais – de votar ou de se abster – e compreender de que forma estes podem influenciar a participação eleitoral. Neste âmbito, os jovens estudantes do ensino superior são um grupo que adquire particular relevância na medida em que constituirão grande parte da próxima geração de eleitores. Além disso, os jovens têm vindo a ser frequentemente apontados como um grupo cada vez mais presente no seio dos abstencionistas, equacionando-se o valor pelos mesmos atribuído ao direito de voto em comparação com outras formas de participar politicamente. Assim, o foco empírico desta investigação incide sobre os jovens estudantes do ensino superior (idades entre os 18 e os 28 anos). A amostra selecionada é composta pelas Faculdades de Letras e de Medicina da Universidade do Porto. Seguiu-se uma metodologia quantitativa, elegendo-se o inquérito por questionário como técnica privilegiada. O resultado foi um conjunto de constatações importantes sobre o papel da conjuntura, das representações e das atitudes face ao universo político nas decisões de participar eleitoralmente por parte dos indivíduos inquiridos.
  • SILVA, Frederico Ferreira da CV de SILVA, Frederico Ferreira da
Frederico Dias Ferreira da Silva, licenciado em Sociologia e mestre em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto desde 2011. Os interesses de investigação são na área da sociologia política, nomeadamente ligada à participação e comportamento eleitoral, tema em que se inseriu a dissertação de Mestrado.

PAP1390 - (IN)ADEQUAÇÃO DA RELIGIOSIDADE AOS VALORES DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO
Resumo de PAP1390 - (IN)ADEQUAÇÃO DA RELIGIOSIDADE AOS VALORES DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO 
PAP1390 - (IN)ADEQUAÇÃO DA RELIGIOSIDADE AOS VALORES DA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

As mudanças estruturais são, por natureza, produtoras de novas reconfigurações, não só simbólicas, porque evocadoras do inefável, como também sociais, enquanto processo constitutivo de representações e constelações imanentes. A teoria da modernização é um desses complexos processos que desconstruiu as macroconfigurações globais institucionais, produzindo ondas nas instituições clássicas de socialização, como a família, a Igreja, a escola, etc. Uns dos seus traços caraterísticos são as suas mudanças céleres e profundas, o que torna difícil de vislumbrar qualquer orientação precisa e, por conseguinte, fazer previsões de futuro. O que por vezes mais impressiona na sociedade moderna, na sociedade de informação, não é somente a performatividade, mas a velocidade com o que é novo se converte rapidamente em obsoleto. Observando longitudinalmente certas alterações nas instituições clássicas da sociedade, há, porém, aspetos consensuais que podem configurar padrões de uma nova sociedade e de um novo modo de sociabilidade humana, marcado, agora, por uma certa deterioração de crenças, pela flexibilização da ortodoxia dos conteúdos, de molde a permitir a consecução do progresso por vias alternativas às socialmente dominantes, e a própria erosão da institucionalidade. O resultado desta nova mentalidade, mais típica da sociedade das novas tecnologias e das redes digitais, corresponderia à emancipação da tutela do religioso, descrito por muitos autores como a secularização da sociedade, que mais não seria do que o processo sociocultural que esvazia de conteúdo o religioso, enquanto dador normativo. A religião passa, assim, do foro público, na matriz tradicional, para o âmbito privado, na conceção da sociedade moderna. De uma religião modeladora da vida sociocultural, passa-se ao progressivo adelgaçamento da influência da religião. A partir deste nexo causal entre valores e instituições, pretendemos analisar a relação existente entre religião e sociedade de informação. Seria de esperar que, na sociedade moderna, se encontre uma separação entre a racionalidade da sociedade de informação e os níveis de religiosidade. Resposta que tem na prática duas vertentes: uma primeira que consiste na incapacidade da religião para suportar as atitudes da sociedade da informação; e uma segunda que realça o caráter adaptativo e o nexo causal entre religião e a sociedade moderna.

PAP1554 - (In) diferença - regimes de envolvimento associativo em Portugal: o caso específico do VIH/SIDA
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PAP1554 - (In) diferença - regimes de envolvimento associativo em Portugal: o caso específico do VIH/SIDA

A alteração das sensibilidades nas sociedades modernas, promovem um emergente interesse em torno dos «sofrimentos e de compaixões» verificáveis em diferentes formas de manifestação que podem apresentar olhares diferenciados consoante o quadrante político ou o sentir colectivo relativamente a certos aspectos da vida social. O sentimento de vulnerabilidade, associado às vítimas de SIDA, poderá ser um dos factores promotores de diferentes interpretações críticas e manifestações colectivas de indignação que é denunciada publicamente pelos movimentos associativos ligados a esta causa, originando controvérsias, disputas e conflitos na arena pública que diferentes gramáticas de motivação conduzem os actores a associar-se. O surgimento do VIH/SIDA em Portugal representou e continua a representar um conjunto de desafios ao Estado e à sociedade civil que as políticas sociais tiveram que considerar. Adequação das acções e das gramáticas às especificidades dos universos culturais e simbólicos que a SIDA incorpora, permitiu a abertura de espaços de intervenção de actores não estatais em virtude das respostas indiferenciadas de carácter universalista que o Estado tendencialmente produz. A mobilização destes actores, surge em consequência do cruzamento das intenções do indivíduo e do colectivo, fazendo com que os indivíduos actuem individualmente como partes de um colectivo que persegue um fim comum sujeito a um acordo. A especificidade do acordo e as modalidades de cooperação da acção são ingredientes fundamentais para perceber qual a gramática e regimes de acção em que se baseiam as organizações ligadas à defesa desta causa Esta comunicação visa fundamentalmente dar a conhecer as reflexões de um estudo em torno dos regimes de envolvimento dos membros que se disponibilizam para militar em organizações da sociedade civil cuja acção colectiva está centrada no domínio do VIH/SIDA.
  •  DUARTE, Pedro CV - Não disponível 

PAP0604 - (In) visibilidades e paradoxos na violência contra as pessoas idosas
Resumo de PAP0604 - (In) visibilidades e paradoxos na violência contra as pessoas idosas PAP0604 - (In) visibilidades e paradoxos na violência contra as pessoas idosas
PAP0604 - (In) visibilidades e paradoxos na violência contra as pessoas idosas

O problema da violência contra as pessoas idosas não constitui um problema novo, mas ganha hoje uma maior visibilidade social. Crise da família ou a perda de alguns valores e práticas sociais, no seio da família, são alguns dos argumentos invocados para a construção social da violência contra as pessoas idosas. Se a família pode ser hoje um local de afetos e reciprocidades, também pode constituir um lugar de omissões e de violência. As perceções sociais face ao problema por parte da população em geral e os números reais obtidos através de estudos europeus de prevalência revelam desfasamentos e paradoxos. Os resultados qualitativos que apresentaremos surgem no âmbito do projeto de investigação Envelhecimento e Violência, financiado pela FCT, que tem como objetivo estimar a prevalência da violência (física, psicológica, financeira, negligência e sexual) contra as pessoas com 60+ anos na população portuguesa, caracterizando as condições de ocorrência no contexto familiar, bem como os fatores de risco associados. Na fase exploratória do estudo, e a partir de uma amostra por conveniência, analisaram-se as representações sociais que as pessoas com 60+ anos têm do fenómeno. Quais os principais atos de violência identificados? Quais os fatores de risco? Quais os circuitos institucionais da denúncia? Estas e outras questões constituíram os eixos de análise que serviram de base para a utilização da técnica de focus group. Para o efeito foram constituídos 4 grupos heterogéneos, homens e mulheres, com 60+ anos, oriundos de freguesias rurais e urbanas, na região de Lisboa. Os resultados revelaram que a questão da violência constitui um novo risco social, que se traduz no conhecimento crescente de casos (diretamente ou pelos mass media), influenciando as perceções que se constroem sobre a sua natureza e extensão. A sobrevalorização do problema gera uma visão simplificada e reduzida a uma relação interpessoal. A complexidade das relações intergeracionais obriga ao reconhecimento da ambivalência como parte integrante destas e à diferenciação entre conflito e violência. Torna-se necessário distinguir o que é um ato violento, de um ato que tem subjacente um conflito familiar, que resulta, por vezes, do processo desigual de atribuição das responsabilidades familiares ou das condições adversas que o exercício das práticas de cuidar exige. De modo a contribuir para a clarificação das fronteiras conceptuais entre conflito e violência, a perspetiva sócio-ecológica possibilita-nos um modelo teórico multifactorial, compatível com a complexidade do problema em análise e articula fatores de risco: individuais, contextuais e estruturais. A realização de estudos de base populacional que possam estimar a prevalência da violência, que hoje as pessoas idosas são vítimas, passou a ser premente no planeamento das políticas públicas que visem assegurar um envelhecimento mais saudável e seguro.
  • GIL, Ana Paula CV de GIL, Ana Paula
  • SANTOS, Ana João CV de SANTOS, Ana João
Ana Paula Gil, doutorada em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL), é investigadora no Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor. Ricardo Jorge, no âmbito do Programa Ciência 2008. É investigadora responsável do projeto “Envelhecimento e Violência” financiando pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (PDTC/CS-SOC/110311/2009) (2011-2014).Tem desenvolvido atividade de investigação nas áreas do envelhecimento e políticas sociais, família e relações intergeracionais, e saúde pública.
Ana João Santos é licenciada em Psicologia, pré-especialização em comportamento desviante pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Mestrado em temas de psicologia pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Investigadora no projeto europeu “Prevalência do abuso e negligência a mulheres idosas” (AVOW), no âmbito do DAPHNE III (programa de financiamento da União Europeia), desenvolvido na Escola de Psicologia da Universidade do Minho entre Março de 2009 e Março de 2010. Bolseira de investigação desde Abril de 2011 no projeto de investigação “Envelhecimento e Violência” desenvolvido pelo Departamento de Epidemiologia do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I. P.

PAP0319 - (Ir)responsabilidade Social Empresarial (de Género): uma perspetiva reportada ao fenómeno do femícídio em Juárez, no México
Resumo de PAP0319 - (Ir)responsabilidade Social Empresarial (de Género): uma perspetiva reportada ao fenómeno do femícídio em Juárez, no México  PAP0319 - (Ir)responsabilidade Social Empresarial (de Género): uma perspetiva reportada ao fenómeno do femícídio em Juárez, no México
PAP0319 - (Ir)responsabilidade Social Empresarial (de Género): uma perspetiva reportada ao fenómeno do femícídio em Juárez, no México

A Cidade de Juárez, no México, é a cidade mais industrializada de toda a América do Norte e onde se concentra o maior número de empresas estrangeiras. Considerada por muitos a cidade mais perigosa do mundo é, também, aquela onde ocorrem mais mortes de mulheres por razões misóginas (femicídio), muitas das quais eram trabalhadoras das indústrias maquiladoras ali existentes. As empresas estrangeiras, sobretudo as norte-americanas, dos EU, terão contribuído positivamente para o crescimento económico e demográfico do México e daquela zona, mas, por outro lado, parece haver uma relação entre o aumento da criminalidade por razões misóginas e o trabalho das mulheres nas maquiladoras, que pode resultar do confronto de culturas e hábitos locais, enraizados na população mexicana, com os que são transportados do exterior com as empresas. As empresas estrangeiras, ao instalarem-se em países menos desenvolvidos do que o da origem, raramente levam em conta os impactos sociais e culturais que daí podem resultar, nomeadamente, quando estão em causa questões de género, que afetam principalmente as mulheres. Neste paper, partindo do exemplo de Juárez, chamamos à atenção para a crescente cosmopolitização das empresas e tendência para a exploração à escala global do trabalho feminino dos países menos desenvolvidos e do Terceiro Mundo e da necessidade de responsabilizar essas empresas e exigir que adotem medidas de Responsabilidade Social Empresarial de Género (RSEG), que possam evitar uma nova vaga mundial de desigualdades e, nomeadamente, impedir o aumento (global) da violência de género contra as mulheres dos países menos desenvolvidos e do Terceiro Mundo.
  • FERREIRA, José Eduardo Catalão Garrido CV de FERREIRA, José Eduardo Catalão Garrido
José Catalão Ferreira, doutorando do programa de doutoramento em "Direito, Justiça e Cidadania no Século XXI" da Faculdade de Direito, Faculdade de economia e Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, licenciado em Sociologia pela Faculdade de economia da Universidade de Coimbra, pós-graduado em Sociologia, em Economia Social e em Direito. Os temas de interesse são a economia social, a inclusão e exclusão social, as diferenças de género e tudo o que esteja relacionado com as organizações, o trabalho e emprego. Fez a dissertação de mestrado sobre o tema do empreendedorismo e as medidas de apoio à criação do próprio emprego e está em investigação para a tese de doutoramento com o título "Trabalho Procura Direito(s): da (des)coletivização à individualização do(s) direito(s) associados ao trabalho e emprego

PAP0863 - (Re) Construindo discursos e práticas: A experiência social de um grupo de famílias no quotidiano da doença mental - os desafios das pesquisas participativas
Resumo de PAP0863 - (Re) Construindo discursos e práticas: A experiência social de um grupo de famílias no quotidiano da doença mental - os desafios das pesquisas participativas 
PAP0863 - (Re) Construindo discursos e práticas: A experiência social de um grupo de famílias no quotidiano da doença mental - os desafios das pesquisas participativas

A doença mental tem vindo a constituir-se num domínio de crescente interesse a nível internacional, no que respeita ao desenvolvimento de políticas públicas, mas também no que diz respeito à investigação necessária para balizar essas opções de política (OMS, 2001). Portugal tem seguido essas tendências internacionais, com atrasos e com especificidades. A realidade portuguesa revela a coexistência de características do moderno e do tradicional, o que tem dificultado a desinstitucionalização psiquiátrica na prática (Hespanha, 2009). Na realidade, a desinstitucionalização dos doentes mentais tem sido suportada pelas famílias (Alves, 1998, 2011). Esta pesquisa procura compreender o impacto da doença mental nas vivências quotidianas e nas trajectórias de vida dos familiares cuidadores de pessoas com doença mental crónica. Quais as necessidades sentidas? Quais os recursos mobilizados? Quais os processos desencadeados para lidar com a doença mental? A comunicação apresenta os principais resultados obtidos junto de um grupo de 10 cuidadores familiares de pessoas com diagnósticos clínicos de doença mental, que participaram em onze sessões de grupo realizadas entre Junho e Dezembro do ano de 2010, utilizando uma metodologia de investigação qualitativa e participativa. Os resultados dão visibilidade à situação vivenciada pelos cuidadores familiares nos múltiplos níveis onde a vida quotidiana decorre: gestão da doença; inserção comunitária e social; interacção familiar; gestão económica e nível cultural (as crenças; os preconceitos; os estereótipos, as tensões e as ambiguidades entre cuidadores, família nuclear e alargada, vizinhança, instituições, profissionais e serviços). Os impactos são múltiplos e abrangem as várias dimensões desta quotidianidade, ressaltando a escassez de recursos comunitários formais e informais para o apoio destas famílias. Apesar de se poderem observar trajectórias diferenciadas, os participantes no grupo foram construindo, ao longo das sessões, uma consciência colectiva das necessidades, das vivências, dos problemas, dos recursos existentes para lidar com a doença e suas consequências. Neste contexto, problematizam-se as potencialidades e limitações das metodologias participativas ao nível da investigação e ao nível da cidadania activa que autorizam e dinamizam. Por fim, discutem-se os impactos da doença mental na vida quotidiana da família no contexto da reforma e da reestruturação dos serviços de saúde mental em curso, previstas no Plano de Saúde Mental (2007-2016). Pesquisa efectuada no âmbito do Mestrado em Ciências Sociais e Saúde, do ISSSP, por Alexandra Domingos (mestranda), e Fátima Alves (CEMRI/FCT/UAb), (orientadora científica).
  •  DOMINGOS, Alexandra CV - Não disponível 
  • ALVES, Fátima CV de ALVES, Fátima
Fátima Alves
prof Auxiliar do Departamento de Ciências Sociais e de Gestão da Universidade Aberta; Investigadora integrada no CEMRI - Participa atualmente em dois projectos de investigação financiados: 'Politicas e Racionalidades de Saúde' em parceria com o ISCSP; ISCTE; UNiversidade de Évora; Universidade Federal do Rio Grande do Sul; é investigadora responsável pelo projeto “Impacto das políticas de saúde mental nas redes sociais de apoio à reabilitação e integração em contextos interculturais diversos: o caso de Portugal e Alemanha”, em parceria com a Universidade de Hamburgo, o Centro de Psicologia da Universidade do Porto, o CAPP/ISCSP e o Laboratório de reabilitação psicossocial.

PAP1032 - (Re)configurações da interacção na sociedade em rede. Um estudo do impacto da comunicação mediada na sociabilidade
Resumo de PAP1032 - (Re)configurações da interacção na sociedade em rede. Um estudo do impacto da comunicação mediada na sociabilidade PAP1032 - (Re)configurações da interacção na sociedade em rede. Um estudo do impacto da comunicação mediada na sociabilidade
PAP1032 - (Re)configurações da interacção na sociedade em rede. Um estudo do impacto da comunicação mediada na sociabilidade

Empregando metodologias predominantemente intensivas e assumindo entre outras a herança dos rituais de interacção de Collins e a perspectiva dramatúrgica de Goffman, no âmbito do doutoramento em Sociologia, o nosso estudo propõe-se recolher elementos que permitam actualizar e enriquecer a teoria sociológica bem como interpretar os mecanismos das novas formas de coesão social tornadas possíveis pela generalização do uso dos instrumentos da comunicação mediada. Tomando as ‘affordances' sociais da tecnologia e os ritos e processos interactivos como nexo chave na compreensão de um impacto que não se chega a compreender pela sua avaliação parcelar, pretende-se ao invés analisar as formas pelas quais a conectividade permanente é integrada pelos indivíduos nos múltiplos papéis e domínios da sua identidade e vivência quotidianas, bem como na dinâmica das suas redes sociais. Articulando um triplo nível de análise – micro, meso e macro – recolher-se-á e comparar-se-á dados de vários contextos tipo (profissional, de estudo, de lazer e no espaço público), observando comportamentos tanto no espaço físico como os produtos no espaço virtual consequentemente gerados, de forma a colmatar as reconhecidas deficiências da investigação até agora produzida nesta área. De resto praticamente nula em Portugal.
  •  VALENTIM, Hugo CV - Não disponível 

PAP1291 - (Re)construir o espaço da
Resumo de PAP1291 - (Re)construir o espaço da  
PAP1291 - (Re)construir o espaço da

O presente artigo é uma reflexão em torno do(s) modo(s) de olhar e interpretar os usos diferenciados de espaços e tempos em associações de cariz cultural. Este desígnio empreende-se numa perspetiva de concordância da necessidade da objectivação sociológica, enquadrada pela observação direta e metódica dos contextos da produção e recepção cultural. Este é um exercício de interpelação crítica que procura mapear pontos de referência que sirvam de guia a uma investigação em curso sobre as práticas e sociabilidades em instituições culturais. Em «cena» serão desmontados os dilemas da observação e levantadas questões sobre as estratégias metodológicas mobilizadas para a análise aos modos de relação de e com a cultura, mas também dos modos de relação com a instituição. A abordagem escolhida para esta comunicação tem como fio condutor a consciência de que a eleição de um terreno não é uma escolha, é também a produção de um lugar, assumindo o papel ativo, mas que se pretende “alicerçado”, do investigador no processo da «reconstrução» da realidade e que obriga à instituição de balizas e à reflexividade constante sobre o caminho traçado ou a seguir. A análise das práticas de sociabilidade exige uma observação metódica dessas práticas, o que obriga a outras “leituras” para lá da identificação espacial dos lugares e do reconhecimento das características físicas e sociais. Nesta linha de pensamento, entende-se que a decomposição da realidade implica a aprendizagem da linguagem das movimentações e apropriações do espaço, o registo dos diálogos e silêncios, que enquadram e dão consistência ao observado, sem esquecer a instalação da dualidade de condição, o permanente conflito entre a proximidade e o distanciamento, elementos fulcrais para uma compreensão e conhecimento da realidade estudada.
  •  SILVA, Andreia CV - Não disponível 

PAP0439 - . Participação dos migrantes internacionais ao desenvolvimento local: experiências de implementação de políticas públicas participativas em Lisboa e Padova.
Resumo de PAP0439 - . Participação dos migrantes internacionais ao desenvolvimento local: experiências de implementação de políticas públicas participativas em Lisboa e Padova. 
PAP0439 - . Participação dos migrantes internacionais ao desenvolvimento local: experiências de implementação de políticas públicas participativas em Lisboa e Padova.

Considerando como pano de fundo os processos de migração internacional e seus impactos nos modos de desenvolvimento local europeu, o paper apresenta uma análise descritiva de algumas experiências de políticas públicas municipais participativas. Enquanto parte de uma pesquisa de doutoramento em “Democracia no Século XXI”, o estudo que será apresentado é relativo à participação dos migrantes na realização de políticas públicas para o desenvolvimento local. Particularmente, a partir de experiências de democracia participativa estudadas ao nível local, o autor investiga como formas de inovação institucional estão a surgir em dois contextos metropolitanos: o distrito de Padova (Itália) e a Área Metropolitana de Lisboa (Portugal). O objetivo do paper é o de apresentar uma reflexão teórica e algumas evidências empíricas iniciais sobre alguns reflexos da participação democrática dos migrantes na transformação do modo de desenvolvimento local e nos processos de integração contextual dos migrantes internacionais.
  •  MATTIAZZI, Giulio CV - Não disponível 

PAP1427 - 15 de Outubro: o discurso dos protagonistas
Resumo de PAP1427 - 15 de Outubro: o discurso dos protagonistas PAP1427 - 15 de Outubro: o discurso dos protagonistas
PAP1427 - 15 de Outubro: o discurso dos protagonistas

Apesar de não configurar uma dimensão esmagadoramente frutífera na investigação em sociologia, o tema dos movimentos sociais representa actualmente um campo de considerável produção científica – em particular a partir da sua expansão nas décadas de 60 e 70 do séc. XX, com o desenvolvimento de múltiplas discussões sobre as condições da sua emergência, a sua natureza ou as dinâmica sociais em que se inscrevem. A actual conjuntura favorece a emergência de “antigos” e “novos” movimentos sociais, muitas vezes marcados por acções públicas de protesto com forte mobilização colectiva – tendência ciclicamente observável nas últimas décadas, acompanhando de forma recorrente períodos de crise económica mais ou menos profunda. Neste sentido, não parece demasiado arriscado apontar o ano de 2011 como um período de importantes acções de protesto, com múltiplos níveis de impacto no funcionamento de diferentes áreas da vida social, incluindo o direito. Ainda se recordam facilmente acções locais e transnacionais como as de 2009 na Islândia, 2010 na Grécia e a partir do final de 2010 e durante 2011 de forma mais global – da “primavera Árabe” ao “anti-governo” russo, passando pela “geração à rasca” portuguesa, “indignados” espanhóis e “ocupantes” norte-americanos – muito apoiadas no recurso a novas tecnologias e redes sociais virtuais, invocando “perda de direitos”, exigindo que “os direitos e deveres dos cidadãos estejam assegurados” ou pedindo atenção para a violação de “direitos laborais” ou “direitos humanos”. A presente comunicação decorre de um estudo mais alargado sobre o tema, apoiado nas discussões teóricas de Luhmann (1989, 1993 e 1996), Habermas (1981) e Hellmann (1996 e 1998) sobre movimentos de protesto, assumindo como objecto central o que se reconhece em Portugal como a plataforma “15 de Outubro”, subscrita por 39 movimentos sociais com diferentes dimensões e formas de organização. A actualidade do tema funciona simultaneamente como elemento facilitador e condicionante – justificando a importância de uma observação sociológica, mas exigindo cuidado na abordagem a dinâmicas muito recentes e imprevisíveis, tanto na sua emergência e desenvolvimento como na sua volatilidade. Esta condição indica o caminho de uma análise de natureza mais exploratória, tendo-se privilegiado como foco principal o discurso apresentado pelo referido grupo. Metodologicamente, procura-se assegurar a representatividade desta plataforma, recorrendo a documentos publicados por cada um dos subscritores – manifestos, cartazes, comunicados e outros. Mobilizando métodos de análise documental, linguística e semiótica visual, procuram- se interpretar diferentes categorias de expressão escrita e visual que permitam a sistematização de uma primeira análise sobre percepções face ao(s) direito(s) - que direitos reivindicam? que instrumentos mobilizam? a que objectivos se propõem? que relação com a autoridade?
  •  VELEZ, António CV - Não disponível 

PAP0967 - : Em Busca da Cidadania LGBT: As Estratégias de Luta Política do Movimento Gay em Ilhéus e Itabuna, Bahia/Brasil
Resumo de PAP0967 - :  Em Busca da Cidadania LGBT: As Estratégias de Luta Política do Movimento Gay em Ilhéus e Itabuna, Bahia/Brasil 
PAP0967 - : Em Busca da Cidadania LGBT: As Estratégias de Luta Política do Movimento Gay em Ilhéus e Itabuna, Bahia/Brasil

Trata-se de um trabalho que busca analisar as estratégias políticas que o movimento gay, (Grupo Eros em Ilhéus e Grupo Humanus em Itabuna), utiliza para efetivar a plena cidadania dos homossexuais, e os caminhos vislumbrados pelos mesmos para neutralizar as agressões que impedem o pleno gozo da cidadania dessa minoria. Pretendemos, também, demonstrar o contexto histórico de surgimento dos referidos grupos. Para isso, realizaremos uma pesquisa documental nos acervos dos bibliográficos dos grupos Eros e Humanus, bem como na mídia escrita regional. Do ponto de vista teórico nos apoiaremos nos textos de Daniel Welzer-Lang, Pierre Bourdieu e Elisabeth Badinter que consideram heterossexualidade como uma construção social imposta aos indivíduos de ambos os sexos. Dessa forma, a sociedade androcêntrica impõe sanções àqueles ou àquelas que transgridem a ‘norma’ que determina a heterossexualidade e a dominação masculina. A homofobia é definida por Welzer-Lang como a discriminação contra as pessoas que mostram ou a quem se atribui algumas qualidades (ou defeitos) acopladas ao outro gênero, Neste sentido, homofobia engessa as fronteiras do gênero. Nesse sentido, cabe refletir se as estratégias políticas utilizadas pelos grupos Eros e Humanus contribuem para efetivação da cidadania homossexual em uma sociedade de maioria heterossexual com visíveis práticas homofóbicas. A relevância do nosso projeto se dá devido à limitação no exercício da cidadania homossexual decorrente da homofobia e da dominação masculina. A visão heterossexual do mundo constitui um duplo paradigma naturalista, que define, de um lado, a superioridade masculina heterossexual sobre os demais e, por outro lado, o comportamento sócio-sexual a ser seguido por aqueles que querem – ou são obrigados – a afirmar sua virilidade, numa obediência às normas andro-heterocentristas e homofóbicas. Assim, homens e mulheres que se desviam das condutas impostas, ou que optam por viver de forma diversa à heterossexualidade, através de seus gostos, preferências sexuais, formas de se apresentar (vestuário, fala etc.) são “excluídas” da sociedade construída por esta tendência sócio-sexual, uma vez que não sesubmetem ao gênero dominador, à normatividade heterossexual, à doxa do sexo. Neste sentido, a homofobia pode ser pensada como promotora de desigualdade e limitadora da cidadania homossexual. Tal desigualdade é reproduzida no ambiente escolar, nos hospitais e instituições de segurança pública. Observa-se que homofobia
  •  PINHEIRO, Tarcisio Dunga CV - Não disponível 
  •  BILA, Fabio Pessanha CV - Não disponível 

PAP0937 - : Juventude e anti-intelectualismo na “ Toca de Assis” – efeitos ambivalentes da modernização religiosa católica.
Resumo de PAP0937 - : Juventude e anti-intelectualismo na “ Toca de Assis” – efeitos ambivalentes da modernização religiosa católica.  
PAP0937 - : Juventude e anti-intelectualismo na “ Toca de Assis” – efeitos ambivalentes da modernização religiosa católica.

Nas últimas décadas a Igreja católica tem se deparado com o advento de novas modalidades de comunidades religiosas. Uma delas, em especial, tem despertado o interesse dos analistas, sobretudo por sua importante capacidade de atração da juventude. A partir de uma espiritualidade que conjuga carismatismo e franciscanismo a comunidade denominada informalmente como “Toca de Assis”, possui no anti-intelectualismo e na radicalidade da pobreza os pilares de sua prática religiosa. Esses ideários, próprios às origens franciscanas e, portanto, ao período medieval, tem encontrado ressonância na contemporaneidade principalmente entre os jovens de classe média dos grandes centros urbanos. Os jovens religiosos ao ingressar na Toca de Assis tendem a rejeitar o conhecimento formal a adotam uma atitude anti-intelectualista; rejeitam ainda o consumo. Vestidos como os franciscanos medievais percorrem as cidades, muitas vezes descalços visando atender à população de rua, limpando feridas de mendigos, alimentando-os e oferecendo-lhes higienização básica. Este trabalho visa discutir as possibilidades de interpretação teórica dessa comunidade religiosa católica que contesta aspectos centrais da racionalidade moderna ao mesmo tempo em que os incorpora produzindo um movimento ambivalente. A composição do estilo de vida da Toca de Assis está ancorada no meio urbano e em torno dos pobres e os insere na paisagem da cidade de modo questionador numa modernidade que possui muitas faces. A crença que os jovens possuem e defendem para si mesmos é de que suas vidas podem ser vividas de forma radicalmente diferente de seus pares numa sociedade desigual que os questiona e os considera “loucos”. Creem na novidade de abraçar a simplicidade em tempos de busca de ostentação e aquisição seja de qual natureza for e suas práticas sugerem um reforma moral no campo dos valores espirituais e materiais. A pesquisa foi realizada no Rio de Janeiro e demonstrou, entre outros aspectos, como a modernização religiosa tem alterado estilos de vida entre a juventude a ponto de produzir movimentos revivalistas tradicionalistas capazes de alterar a face do catolicismo na sociedade brasileira. Os jovens da Toca de Assis expressam a existência de uma contracultura juvenil tendo em vista a tendência observada entre seus contemporâneos: desvinculação religiosa; busca por inserção nas Universidades e o apreço pelo consumo.
  •  FERNANDES, Sílvia Regina Alves CV - Não disponível 

PAP0009 - A ARTE
Resumo de PAP0009 - A  ARTE  PAP0009 - A  ARTE
PAP0009 - A ARTE

Pierfranco Malizia, LUMSA, Roma A ARTE “SOCIAL” Notas sobre os quadros sociais da criatividade artística RESUMO Este trabalho parte de um tema de base e de uma hipótese; o tema consiste na idéia segundo a qual – sem aliás nada tirar ao sistema “competências-capacidades- genialidades” que fazem de um artista um artista, ou seja, a individualidade, a subjetividade do artista e da sua criatividade,ecc., a hipótese consiste no fato que seja possível individuar os quadros sociais que, tanto a apriori quanto a posteriori, ora mais evidentemente ora mais ocultamente tais, orientam e influenciam a criatividade artística (uma enésima ação social “efervescente”, come diria Durkheim) e a arte em geral. No âmbito de tal hipótese, os quadros sociais aqui propostos são: a) fatores estruturais de contexto (ou seja, situações sociais “totalizantes” como a anomia e a morfogênese entendida, precisamente como cenários complexos que vêm a descompor uma situação existente, estimulando a mudança e a criatividade; b) fatores ligados aos “círculos sociais” (artísticos, nesse caso) e relativos sistemas de relação e interação sociais como os mundos artísticos (Becker); c) os condicionamentos provenientes das tradições, essa espécie de “memória coletiva canonizada” , de “modelos estabilizados de crenças, valores etc.” as quais de qualquer forma podem orientar de fato o pensamento/ação do artista; d) fatores ligados ao sistema da indústria cultural e da totalidade das relações estabilizadas que em diferentes maneiras e com diversas modalidades dele derivam . Como se pode deduzir, trata-se somente de alguns dos possíveis quadros sociais que podem vir a ter significado no âmbito do discurso que aqui se sustenta; se entende que o quanto acenado possa, de toda forma, trazer confirmações para a hipótese inicial e que reflexões, mesmo se não totalmente concluídas como essas, sem nada tirar às tantas diferentes modalidades de estudo dos fenômenos artísticos, pretendem ser enriquecedoras ao debate e à reflexão sobre a própria arte.
  • MALIZIA, Pierfranco CV de MALIZIA, Pierfranco
Pierfranco Malizia Mestre em Filosofia e em Letras,Phd. em Sociologia da cultura na Universidade “La Sapienza” de Roma,è professor de Sociologia na Universidade LUMSA de Roma e Diretor do Curso de pos-graduaçao em Comunicação e Diretor do Centro de pesquisa em comunicação: é tamben visiting professor de Teoria contemporaneas da comunicaçã no ISCEM de Lisboa. Atùa principalmente nas areas das trasformaçoes sociais,da produçao cultural e da comunicaçao.

PAP0681 - A (re)construção identitária e projetos de futuro de jovens brasileiros imigrantes em Portugal
Resumo de PAP0681 - A (re)construção identitária e projetos de futuro de jovens brasileiros imigrantes em Portugal PAP0681 - A (re)construção identitária e projetos de futuro de jovens brasileiros imigrantes em Portugal
PAP0681 - A (re)construção identitária e projetos de futuro de jovens brasileiros imigrantes em Portugal

Em geral as pesquisas sobre a imigração brasileira em Portugal têm dado prioridade aos estudos das características da imigração, destacando questões econômicas, de gênero, e estereótipos atribuídos aos(às) brasileiros(as). Porém, este texto, que resulta de uma pesquisa desenvolvida como pós-doutoramento no Centro de Estudos Sociais – CES/UC, realizada em 2011, procura aproximar os estudos de juventude dos estudos migratórios, especificamente da imigração brasileira em Portugal. Em grande parte dos estudos migratórios, a juventude possui quase total invisibilidade, raramente a expressão “jovem” ou “juventude” aparece, pois, se for identificada e considerada como uma categoria social específica tornar-se-iam imprescindíveis outras formas de olhar e considerar essa população, uma vez que, para esse grupo, há uma série de implicações que impactam diretamente nas políticas de acolhimento. Nesse sentido, nas políticas migratórias os jovens são incluídos em outras categorias, como trabalhador, estudante ou filho de imigrante. Tomando o jovem brasileiro, imigrante em Portugal, como categoria central de estudo, e, a partir dos seus contextos vivenciais nas regiões de Lisboa, Costa da Caparica e do Porto, que esta investigação foi realizada, revelando o complexo processo de (re)construção identitária e diferentes projetos de futuro pautados em elementos de autoidentificação, majoritariamente relacionados com a origem brasileira. Foram identificados três tipos de estratégias identitárias utilizadas pelos jovens brasileiros: uma corresponde aos jovens que tentam a todo custo preservar a identidade brasileira, e para isso apegam-se às memórias do vivido no Brasil, outra, corresponde aos jovens que aceitam negociar a identidade, e como defesa criam uma imagem negativa dos próprios brasileiros, e, por último, aqueles que, mesmo assumindo uma identidade brasileira, demonstram disposição em assimilar elementos da cultura portuguesa e encontrar e criar identificações com os jovens do país anfitrião, procurando amenizar o sofrimento das perdas deixadas para trás. Apesar das adversidades que o processo migratório apresenta, os jovens imigrantes apostam no futuro, esperam ter uma vida melhor e deparar-se com o sucesso. Para alguns, o futuro é planejado para ser vivido em Portugal; para outros, em diferentes países europeus, América do Norte ou Austrália, mas para a maioria dos jovens entrevistados, no Brasil, sua terra de origem.
  • GRACIOLI, Maria Madalena CV de GRACIOLI, Maria Madalena
Maria Madalena Gracioli possui graduação em Geografia e Pedagogia, doutorado em Sociologia e, pós-doutorado pelo Centro de Estudos Sociais - CES da Universidade de Coimbra. Área de pesquisa: Sociologia da Juventude, com ênfase em migrações, identidade, educação e trabalho. Atualmente atua como docente, investigadora e, coordenadora de pesquisa e Pós-graduação da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ituverava – FFCL/FEI, Brasil. É coordenadora Institucional do PARFOR, e, participa como pesquisadora do Grupo de pesquisa: Segurança urbana, Juventude e Prevenção de Delitos da UNESP – Araraquara.

PAP1241 - A 10 años del 18/20 de diciembre. La otra cara del piquete. La UTD de Gral. Mosconi (Salta)
Resumo de PAP1241 - A 10 años del 18/20 de diciembre. La otra cara del piquete. La UTD de Gral. Mosconi (Salta) 
PAP1241 - A 10 años del 18/20 de diciembre. La otra cara del piquete. La UTD de Gral. Mosconi (Salta)

GT: Sociedad, crisis y reconfiguraciones en A. Latina. A 10 años del 19/20 de diciembre LA OTRA CARA DEL PIQUETE LA UNION DE TRABAJADORES DESOCUPADOS (UTD) DE GRAL. MOSCONI (SALTA) Mario Xiques Sociólogo UBA Los llamados piqueteros no constituyeron un movimiento único y homogéneo. No sólo por sus distintas denominaciones y orígenes sino, fundamentalmente, por sus propuestas. A modo de ejemplo podríamos mencionar a la FTV (Federación Tierra y Vivienda) que, conducida por Luis D'elía y donde participan sectores de la Iglesia, organizaciones sociales y juntas vecinales, reconoce que creció luego de muchos años de trabajo al calor de la toma de tierras, construcción de viviendas populares, infraestructura de servicios y equipamiento comunitario. El propio D'elía, elegido diputado provincial por el Polo Social, se reconocía militante del Frente para el Cambio y la CTA. El MTR (Movimiento Teresa Rodríguez), compuesto por familias desocupadas del GBA, La Plata y Mar del Plata, desarrollaba una forma de organización territorial por barrios con el objetivo de imponer una nueva forma de poder donde, al decir de su máximo referente, Roberto Martino, "el pueblo delibere y gobierne en forma directa". No obstante, es posible encontrar algunos denominadores comunes. Los distintos movimientos nacen por fuera de las instituciones políticas y sociales tradicionales y tienen un desarrollo autónomo, extraparlamentario, producto de las luchas. Fueron creciendo, como expresión del amplio movimiento social que enfrentó el modelo neoliberal implantado por Carlos Menem y continuado por la Alianza, desde la periferia (Cutral-Có, Plaza Huincul, Gral. Mosconi) hacia el centro del país (Sur del Gran Buenos Aires, La Matanza). Desplazaron el eje del conflicto hacia la interrupción de la circulación de mercancías y fuerza de trabajo. Representaron un fenómeno múltiple, sin organizaciones únicas ni dirigentes consolidados en la superestructura institucional, con una fuerte tendencia asamblearia donde el piquete organiza, discute, negocia, elige representantes con mandato revocable y los delegados actúan sólo como voceros y dirección en la lucha. Constituyeron una fuerza social antagónica de carácter nacional que manifestaba la agudización de la crisis económica y la descomposición de las relaciones políticas y de los partidos orgánicos y sus cuadros. A modo de ejemplo de nuestras afirmaciones precedentes, nos detendremos en el análisis de la UTD de Gral. Mosconi, una de las experiencias más avanzadas a nivel local.
  • XIQUES, Mario CV de XIQUES, Mario
Mario Xiques (Mario Hernandez).
Sociólogo y periodista argentino. Delegado General del Banco Santander-Río entre 1985/91 y 1997/2002. Miembro del Consejo de Redacción de la revista Herramienta (1996-2001). Coordinador General revista La Maza (2001-3). Coordinador de la Editorial Topía (2004-11).
Compilador y editor de Produciendo realidad: las empresas comunitarias (2002) y Las trampas de la exclusión. Trabajo y utilidad social (2004) de Robert Castel, Ed. Topía, Bs. As. y de James Petras en Argentina (Abril-Mayo 2001) y Argentina, entre la desintegración y la revolución de James Petras y Henry Veltmeyer, Ediciones La Maza, Buenos Aires, 2002.
Actualmente produce y conduce 5 programas radiales políticos y culturales por FM La Boca (90.1). Miembro del Consejo Directivo de la Coordinadora de Medios de la Ciudad de Buenos Aires (COMECI). Sus notas se publican habitualmente en los sitios webs: Rebelion.org, Argenpress.info, Red Eco Alternativo y Ecoportal.net, entre otros.

PAP1138 - A AVALIAÇÃO DO RISCO FINANCEIRO: FALHAS ÉTICAS OU ERROS TÉCNICO COGNITIVOS?
Resumo de PAP1138 - A AVALIAÇÃO DO RISCO FINANCEIRO: FALHAS ÉTICAS OU ERROS TÉCNICO COGNITIVOS? 
PAP1138 - A AVALIAÇÃO DO RISCO FINANCEIRO: FALHAS ÉTICAS OU ERROS TÉCNICO COGNITIVOS?

O objectivo desta comunicação é reflectir sociologicamente sobre as supostas falhas morais e técnico-cognitivas relacionadas com a avaliação do risco financeiro, e que poderão estar na origem da actual crise económico-financeira. Como tal, esta reflexão é construída com recurso a certos conceitos teóricos elaborados por Norbert Elias. Estes conceitos permitem caracterizar o sistema financeiro mundial em termos de figuração global atravessada por três linhas de força: interdependência, concorrência e tensão heterocontrolo-autocontrolo. A partir desta caracterização, estaremos em condições de avaliar sociologicamente as teóricas carências éticas e cognitivas dos agentes financeiros, discutindo as habituais imputações que fazem destes uns dos principais responsáveis pela crise que actualmente vivemos. Mais especificamente, nesta comunicação essa discussão centra-se na dificuldade para atribuir, em termos de causa-efeito, tal responsabilidade a esses agentes tendo em conta a integração dos mesmos num sistema financeiro que é global e progressivamente mais complexo, além de possuir inúmeras ramificações nas quais as acções de um número indeterminado de actores aparecem interligadas entre si, gerando resultados agregados com um elevado nível de incerteza.
  • HARO, Fernando Ampudia de CV de HARO, Fernando Ampudia de
Fernando Ampudia de Haro

Professor Auxiliar Convidado (ISCSP-UTL)
Investigador integrado – Instituto de História Contemporânea (IHC-FCSH-UNL)

Licenciado e doutorado em Sociologia pela Universidade Complutense de Madrid
Interesses de investigação: processos civilizacionais e des-civilizacionais, pânico moral e construção social da crise

PAP0941 - A CONSTRUÇÃO SOCIAL DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR: as relações sociais existentes entre famílias, consumidores, governo, instituições públicas e privadas
Resumo de PAP0941 - A CONSTRUÇÃO SOCIAL DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR: as relações sociais existentes entre famílias, consumidores, governo, instituições públicas e privadas  PAP0941 - A CONSTRUÇÃO SOCIAL DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR: as relações sociais existentes entre famílias, consumidores, governo, instituições públicas e privadas
PAP0941 - A CONSTRUÇÃO SOCIAL DE MERCADOS PARA OS PRODUTOS DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR: as relações sociais existentes entre famílias, consumidores, governo, instituições públicas e privadas

A agricultura familiar adota o processo de agroindustrialização como alternativa produtiva da produção agrícola e como fonte de renda familiar. O desafio nesta atividade é a comercialização desses produtos, pois a maioria é feita na informalidade e a escala de produção é pequena, e um mercado consumidor em crescimento, assim a saída é destinar os produtos para o mercado local (feiras-livres, venda direta ao consumidor nas residências ou comercialização na propriedade rural) fugindo das grandes redes de comercialização. Assim, o escopo deste trabalho é analisar a construção social dos mercados para os produtos das agroindústrias familiares, caracterizando as relações sociais que as famílias mantêm com os diversos atores sociais (consumidores, governo, instituições públicas e privadas) nas ações de comercialização. Para tanto, utiliza-se a abordagem teórica da Sociologia Econômica, que permite a compreensão de que os mercados são construções sociais, ou seja, são o resultado de formas específicas de interação social, da capacidade dos indivíduos, das instituições e das organizações locais promoverem ligações dinâmicas, capazes de valorizar seus conhecimentos, suas tradições e a confiança que conseguiram, historicamente, construir. A relação mercantil gera um laço social mesmo sem implicar relações pessoais íntimas, na medida em que esse laço não se esgota no único ato da troca, mas se enraíza e participa do processo de reprodução das instituições sociais. Os municípios de Assis Chateaubriand, Jesuítas, Maripá e Palotina, localizados na região oeste do Estado do Paraná (Brasil), retrata bem esta realidade. Nestes se encontram a emergência de atores que buscam a cooperação (associações formais e informais) e a construção de uma rede de relações (sociais e econômicas) com engajamento das entidades públicas, e iniciativas privadas. O desafio para as agroindústrias é sua participação ativa na construção social dos mercados.
  • CARVALHEIRO, Elizângela Mara CV de CARVALHEIRO, Elizângela Mara
Elizângela Mara Carvalheiro
Professora Adjunta da Universidade Federal do Pampa - UNIPAMPA (Rio Grande do Sul-Brasil). Economista, mestre em Desenvolvimento Regional e Agronegócio e Doutora em Desenvolvimento Rural. Temas recentes estudados se relacionam com: a sociologia econômica na esfera que tange a construção social de mercados para agroindústrias familiares do Brasil, a economia criativa focando a relação entre o turismo e a cultura. Email: elizangelamara@hotmail.com

PAP1310 - A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO TURISMO RURAL: O PAPEL DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR COMO FONTE DA MOVIMENTAÇÃO TURÍSTICA NO ESPAÇO RURAL DA REGIÃO OESTE DO ESTADO DO PARANÁ
Resumo de PAP1310 - A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO TURISMO RURAL: O PAPEL DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR COMO FONTE DA MOVIMENTAÇÃO TURÍSTICA NO ESPAÇO RURAL DA REGIÃO OESTE DO ESTADO DO PARANÁ 
PAP1310 - A CONSTRUÇÃO SOCIAL DO TURISMO RURAL: O PAPEL DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR COMO FONTE DA MOVIMENTAÇÃO TURÍSTICA NO ESPAÇO RURAL DA REGIÃO OESTE DO ESTADO DO PARANÁ

O que se observa na realidade é que a concepção do turismo enquanto fenômeno social complexo adquire, cada vez mais, espaço nas arenas acadêmicas. Assim, a análise sistemática dos elementos e dimensões sociais que então presentes na atividade tem gerado uma série de discussões e problematizações acerca das transformações sociais e culturais geradas pelo turismo na comunidade receptora. Neste sentido, o escopo desta análise versará sobre como turismo influencia e é influenciado pelas construções das relações sociais entre os atores receptores e os turistas, tomando como base o meio rural na figura das agroindústrias familiares da região Oeste do Estado do Paraná (Brasil). No mundo rural, os agricultores familiares que desenvolveram agroindústrias geraram um processo de mudanças e diversificação nas propriedades que propiciaram o incremento da atividade do turismo. O turismo rural nas agroindústrias familiares leva os turistas a participarem das atividades de produção de pepinos, tomates, beterrabas, cenouras e cebolas orgânicas, o plantio da cana-de-açúcar, a criação de porcos, galinhas caipiras, vaca leiteira, peixe, entre outros. Elementos esses que muitas vezes não fazem parte do dia-a-dia das pessoas e que se tornam momentos únicos de aprendizado e vivências sobre a origem de muitos alimentos. Além disso, a própria participação do turista na colheita (produção vegetal), o abate (produção animal) e o tirar leite da vaca acabam por gerar momentos de interações e construção de relações fortes com os produtores das agroindústrias. Em alguns casos (produção de doces, geléias, pães, massas e conservas) o visitante da propriedade é convidado a participar da transformação e processamento dos produtos in natura, ou seja, cada um faz o produto que vai degustar. Em suma, o turismo tem forte impacto social

PAP1448 - A CONTRIBUIÇÃO DO FUNDO CONSTITUCIONAL DE FINANCIAMENTO DO NORDESTE (FNE), PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE JUAZEIRO DO NORTE/CE
Resumo de PAP1448 - A CONTRIBUIÇÃO DO FUNDO CONSTITUCIONAL DE FINANCIAMENTO DO NORDESTE (FNE), PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE JUAZEIRO DO NORTE/CE 
PAP1448 - A CONTRIBUIÇÃO DO FUNDO CONSTITUCIONAL DE FINANCIAMENTO DO NORDESTE (FNE), PARA O DESENVOLVIMENTO REGIONAL DE JUAZEIRO DO NORTE/CE

A busca pela eliminação das desigualdades é umas das metas para o alcance do desenvolvimento regional. Para tanto, o governo federal tem elaborado políticas públicas, criando órgãos e instrumentos públicos a fim de melhorara a inclusão social em todas as regiões do Brasil. Exemplo disto são os bancos de desenvolvimento e os Fundos Constitucionais de Financiamento para as regiões Centro-oeste, Norte e Nordeste, que têm a missão de fomentar as atividades produtivas locais e com isso gerar emprego e renda. Para testar a eficácia desses instrumentos públicos, é importante estudar os meios e formas de aplicação desse fundo na diminuição das diferenças tanto econômicas, quanto sociais de uma região, avaliando se estão em consonância com a Política Nacional de Desenvolvimento Regional. Assim, esse artigo objetiva identificar a contribuição do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste - FNE para o desenvolvimento regional do município Juazeiro do Norte, estado do Ceará, que se localiza na região Nordeste do Brasil. A metodologia adotada para alcançar tal objetivo, consistiu em buscar informações sobre a quantidade e os valores monetários de projetos e empreendimentos financiados com os recursos do FNE, tanto para o município de Juazeiro do Norte, quanto para o estado do Ceará, entre o período de 2001 e 2010 e relacioná-las com os indicadores econômicos e sociais da mesma região, utilizando o método de pesquisa comparativo. A fundamentação teórica está estruturada em dois sub-tópicos, o primeiro discorre sobre o conceito de desenvolvimento regional e suas aplicações e o segundo sobre os bancos de desenvolvimento e os Fundos Constitucionais de Financiamento e suas diretrizes. Os resultados desta pesquisa mostraram que é relevante a contribuição deste Fundo Constitucional na região, pois ele prioriza o financiamento tanto para o mini produtor rural, quanto para o micro e pequeno empresário, isso faz com que aumente o número de postos de trabalho a partir das empresas e produtores beneficiados e aumente a geração de renda local. A partir das análises efetuadas, fica evidente que o Estado do Ceará possui, em alguns indicadores, um nível social melhor do que a Região Nordeste e que vem, ao longo dos anos, avançando e reduzindo cada vez mais as disparidades em relação ao Brasil.
  •  CARVALHO, Karina Bruna de CV - Não disponível 
  • CHACON, Suely Salgueiro CV de CHACON, Suely Salgueiro
Suely Salgueiro Chacon
Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Ceará (1990), Mestrado em Economia Rural pela Universidade Federal do Ceará (1994) e Doutorado em Desenvolvimento Sustentável pela Universidade de Brasília (2005). Atualmente é professora e pesquisadora da Universidade Federal do Ceará (UFC)/Campus do Cariri, onde atua como Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional Sustentável (PRODER) e Vice-Diretora do Campus. É também Diretora Executiva da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica, Avaliadora Institucional do MEC/INEP, Líder do Grupo de Pesquisas Laboratório de Estudos Avançados em Desenvolvimento Regional do Semiárido - LEADERS, Bolsista de Produtividade do CNPq e Pesquisadora da Rede Clima (MCT-INPE-UnB-UFC).Tem experiência nas áreas de Economia, Socioeconomia, Meio Ambiente e Políticas Públicas, atuando principalmente nos seguintes temas: Semiárido, desenvolvimento regional, desenvolvimento sustentável, políticas públicas, organização social de pequenas comunidades, recursos hídricos, energia alternativa, gestão ambiental e economia.

PAP1546 - A Comparative Analysis of Intelligence and Security Studies: The Romanian Case
Resumo de PAP1546 - A Comparative Analysis of Intelligence and Security Studies: The Romanian Case 
PAP1546 - A Comparative Analysis of Intelligence and Security Studies: The Romanian Case

The way the domain of intelligence and security has evolved into a period as versatile as the one we are living today represents the main premise of my paper. Since 1949, the papers of Sherman Kent have stressed on accepting that intelligence studies are not designed solely for those who have high expertise in the field and that any citizen should be considered an appropriate target for this type of education. The recent developments have confirmed this approach: there is a rich variety of books, dictionaries, encyclopedias (including The Complete Idiot's Guide to Spies and Espionage), articles, magazines, movies, TV shows on this topic. The academics that are interested in this field are expected to ground the main theories of the field and to create the intellectual framework that allows all citizens to understand the nature and role of intelligence and security in every society including its mission and limits. From this perspective the present paper identifies intelligence and security educational programs in Romania and in other developed states and analyses how Romania is positioned in the western area, highlighting the ups and downs of these programs in international context.

PAP0516 - A Construção Discursiva do Conceito de Empregabilidade: um estudo em Recife e Belo Horizonte, Brasil.
Resumo de PAP0516 - A Construção Discursiva do Conceito de Empregabilidade: um estudo em Recife e Belo Horizonte, Brasil. 
PAP0516 - A Construção Discursiva do Conceito de Empregabilidade: um estudo em Recife e Belo Horizonte, Brasil.

A palavra empregabilidade ocupa posição de destaque na Academia, no mundo empresarial e na discussão sobre políticas públicas, no Brasil e em outros países. Seu surgimento é reflexo do agravamento da crise pela qual passa o mercado de trabalho em todo mundo, em função da diminuição do número de empregos formais e do aumento dos níveis de desemprego e trabalhos informais. Tal conceito tem sido construído a partir de duas posições: uma, presente no uso e difusão do termo empregabilidade, identifica-se com a construção discursiva acerca do trabalhador capaz de se adaptar frente às novas exigências do mundo do trabalho. Outra posição refere-se àquela que considera tal conceito (empregabilidade) uma transferência de responsabilidade pelo emprego, da sociedade e do Estado para o próprio trabalhador. Diante de tal debate, este estudo pretende entender e comparar como tem emergido e ganhado força o termo, entre estudantes e professores de jornalismo, em duas capitais brasileiras, Recife e Belo Horizonte. Para tanto, realizou-se uma pesquisa qualitativa, a partir de dados primários e secundários. Os primários foram obtidos a partir de entrevistas semi-estruturadas com professores e alunos do curso de jornalismo nas duas capitais. Os secundários referem-se a publicações acadêmicas e a jornais e revistas de grande circulação nacional. A análise dos dados secundários foi bibliométrica. Buscou-se identificar com que frequência (e de que maneira) o termo estudado aparecia nas publicações selecionadas. Utilizou-se, para tal, o mecanismo de busca por palavras-chave no site de cada uma das publicações. A análise dos dados primários foi a de discurso. Nos dados primários, buscou-se analisar se e de que modo o discurso presente na mídia sobre o tema aparece na formação dos jornalistas. O resultado indicou três grandes entendimentos sobre empregabilidade: a) empresarial – a empregabilidade é um atributo individual; b) crítica – a empregabilidade é um discurso que transfere a responsabilidade pelo emprego do Estado e sociedade, para o indivíduo; e c) híbrida – a empregabilidade depende do indivíduo, mas ações do Estado e sociedade são necessárias. Pode-se perceber a partir da análise que o conceito de empregabilidade está em construção e em conflito, já que se encontra pressionado pelas visões empresarial e crítica. Entretanto, a temática ainda é majoritariamente vista da perspectiva individual, em todos os grupos pesquisados. Na questão da empregabilidade, o poder da mídia perante o indivíduo cresce progressivamente, uma vez que ela acumula as funções de interpretar a realidade e de “regular” as relações dos indivíduos. É nesse ponto que os meios de comunicação se tornam importantes instrumentos para a difusão de ideias na população. Neste processo, o trabalhador passa a se sentir culpado e responsável pela obtenção do emprego.
  •  HELAL, Diogo CV - Não disponível 
  •  VIANA, Eliete CV - Não disponível 

PAP0352 - A Construção da Transnacionalização da Educação de Adultos no Contexto Comunitário Europeu – Impactos na Agenda Política Nacional para o Sector
Resumo de PAP0352 - A Construção da Transnacionalização da Educação de Adultos no Contexto Comunitário Europeu – Impactos na Agenda Política Nacional para o Sector PAP0352 - A Construção da Transnacionalização da Educação de Adultos no Contexto Comunitário Europeu – Impactos na Agenda Política Nacional para o Sector
PAP0352 - A Construção da Transnacionalização da Educação de Adultos no Contexto Comunitário Europeu – Impactos na Agenda Política Nacional para o Sector

Considera-se que as actuais dinâmicas de europeização das políticas públicas nacionais estão inscritas no processo histórico da construção europeia, impondo-se atender à relação entre a edificação deste bloco regional e a elaboração progressiva de um mandato europeu para a educação e formação de adultos. Teoricamente percepciona-se o campo educativo enquanto campo de transnacionalização, construído, como aponta Mendes, numa “dinâmica fluída e biunívoca de entrosamento e embaralhamento, entre as dinâmicas internacionais e as dinâmicas nacionais, não numa soma ou sobreposição de elementos justapostos, mas antes num processo de definição e redefinição constantes que conduz a tradutabilidades, a particularismos, a singularismos e a hibridismos” (Mendes, 2007: 4). Tomamos aqui o conceito de europeização como “um processo de articulação e interligação de referência muito estreita entre os sistemas políticos nacionais e o sistema político comunitário e entre as políticas e as prioridades nacionais e comunitárias” (Antunes, 2005: 463). Desta forma procura-se contextualizar o actual protagonismo da União Europeia, no âmbito da propagação do paradigma da aprendizagem ao longo da vida, num processo de europeização da educação que adquire hoje uma importância central para interpretar as diacríticas das novas instituições e processos educativos que emergem na realidade portuguesa actual do sector da educação e formação de adultos. O Texto enfatiza que o processo da transnacionalização da educação no contexto comunitário, tem vindo a decorrer numa sequência três fases principais. Num primeiro momento, de configuração da esfera política da educação, identificamos duas fases: uma que decorre entre 1971 e 1986, em que se dá a institucionalização da educação como área de cooperação e acção comunitárias; e outra, que decorre a dois tempos, entre 1986 e 1992 e depois acentuando-se entre 1992 e 1998/9, em que tem lugar a intervenção política comunitária no domínio da educação. No segundo momento assistimos, numa terceira fase que ainda decorre, à edificação da articulação sistemática de políticas e do espaço europeu de educação e formação, cuja emergência representa, a nosso ver, uma verdadeira viragem na elaboração de políticas públicas para o sector que, inovadoramente desde então, se inscrevem no âmbito de uma governação pluriescalar da educação (Barros, 2009) com lógicas diferentes para pontos diferentes do sistema da economia-mundo capitalista. Defende- se que no arranque do século XXI, as políticas nacionais de educação e formação de adultos aparecem imbricadas num novo contexto europeu de políticas coordenadas, configurando uma matriz de políticas pluriescalar cujas prioridades têm emanado, invariavelmente, da esfera económica.
  • BARROS, Rosanna CV de BARROS, Rosanna
Rosanna Barros é Professora Adjunta da Universidade do Algarve. É a Coordenadora da Área Científica de Educação Social desta Instituição. E é a Directora do Curso de Educação Social da ESEC (Regime Diurno e Pós-laboral). Étambém Membro da Comissão Coordenadora do Mestrado em Educação Social da ESEC. Tem experiência docente em diversas áreas das Ciências Sociais, com destaque para a Sociologia Crítica da Educação e as Políticas Públicas de Educação de Adultos.
Academicamente:
Rosanna Barros possui licenciatura em Antropologia Social e Cultural (1998). Mestrado em Sociologia do Desenvolvimento e da Transformação Social (2002, orientação de Boaventura de Sousa Santos) ambos pela Universidade de Coimbra. É pós-graduada em Direitos Humanos e Democratização pela Universidade de Coimbra (2000) e em Educação de Adultos e Desenvolvimento Comunitário pela Universidade de Sevilha (2003). É Doutora em Educação pela Universidade do Minho (2009, orientação de Licínio Lima).
Cientificamente:
Rosanna Barros tem em curso alguns projectos de investigação avançada, pertencendo ao CIEd (Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho) e ao CIEO (Centro de Investigação em Espaço e Organizações da Universidade do Algarve). Tem diversos Livros e Artigos publicados.

PAP1455 - A Contra-urbanização: paisagem e humanidade
Resumo de PAP1455 - A Contra-urbanização: paisagem e humanidade PAP1455 - A Contra-urbanização: paisagem e humanidade
PAP1455 - A Contra-urbanização: paisagem e humanidade

A contra urbanização é hoje uma realidade incontornável, prolixa e caracterizada por dinâmicas estruturantes de dimensão diversa. Este fenómeno, designado na linguagem anglosaxónica por population turnaround, consiste no declínio demográfico e industrial das áreas urbanas centrais em detrimento da revitalização populacional e industrial de espaços rurais do mundo desenvolvido. Por isso mesmo, como acabamos de afirmar, trata-se de um fenómeno prolixo, não generalizado, que coincide com o declínio das cidades industriais e define um novo marco de urbanização do espaço rural e/ou crescimento das periferias, contrariando os processos de urbanização e reurbanização, que transformaram as cidades em pólos aglutinadores de recursos. Surge como uma reacção à degradação física e social das cidades centrais, potenciada pelo rápido desenvolvimento tecnológico, com incidências directas ao nível das vias de comunicação, e o declínio das indústrias tradicionais, factores geradores de uma urbanização dispersa e difusa. Por isso, contrariamente à suburbanização, a contraurbanização marca uma ruptura simbólica com a cidade, iniciando-se com ela uma nova fase de produção do espaço e de relações. Assume particular relevância no contexto actual, onde se sente cada vez mais a necessidade de um desenvolvimento local que se quer homogéneo, integrado e sustentável. Neste sentido, porque tem a particularidade de descongestionar as cidades e revitalizar os espaços rurais, a contra urbanização afigura-se como um factor de que pode contribuir para o desenvolvimento equilibrado das regiões e, por isso mesmo, passível de ser planificado. Decidimos abordar esta temática a partir de uma metodologia tripartida: noção e enquadramento histórico do fenómeno da contra urbanização; a cidade e as suas metamorfoses ao longo do tempo e, por último, os fundamentos teóricos da contra urbanização e sua materialização. Numa primeira fase vamos tentar definir o conceito de contra urbanização, conceito este de difícil fixação. Por isso mesmo, depois de lermos as diversas abordagens metodológicas a esta temática, optamos por apresentar uma noção que sintetiza a panóplia de abordagens a que fizemos referência. No entanto, enquadramos a contra urbanização na sua génese histórica e nas dinâmicas que lhe deram origem. Por isso mesmo, lançamo-nos na tarefa de analisar a cidade e as suas metamorfoses ao longo do tempo, de modo a compreendermos a génese da contra urbanização e os pontos de encontro que esta tem com os próprios processos de urbanização. Na terceira parte explicitaremos os fundamentos teóricos da contra urbanização, designadamente as dinâmicas económicas e territoriais da sociedade pós-industrial e a revolução tecnológica ao nível da Sociedade do Conhecimento. Para além disso, abordaremos sinteticamente os factores que determinam a escolha do espaço rural como alternativo ao espaço urbano.
  • CALHEIROS, Antonio Almeida CV de CALHEIROS, Antonio Almeida
  • DUQUE, Eduardo Jorge CV de DUQUE, Eduardo Jorge
Nome: António Almeida Calheiros
Instituição: Centro Regional de Braga da Universidade Católica Portuguesa
Área de Formação: Doutorando em Planeamento e Organização do Espaço Territorial
Interesses de investigação: Glocalização; governança, cultura, política e cidades.
Professor da Faculdade de Ciências Sociais da UCP e Membro Integrado do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. Doutor em Sociologia pela Faculdade de Ciências Políticas e Sociologia da Universidade Complutense de Madrid (2008).
As áreas de investigação e atuação têm incidido sobre religião e valores na pós-modernidade, dinâmicas sociais, tendências socioculturais e metodologias.

PAP0541 - A Criminalidade de Rua e o Contexto Social
Resumo de PAP0541 - A Criminalidade de Rua e o Contexto Social PAP0541 - A Criminalidade de Rua e o Contexto Social
PAP0541 - A Criminalidade de Rua e o Contexto Social

No âmbito da investigação de doutoramento em curso, em sociologia com o título: “O Crime e o Contexto” pelo ISCTE, pretende-se apresentar resultados relativos à “criminalidade de rua” desde 1993 até 2010 agregadas à freguesia, e contextualizados com os dados provisórios dos sensos de 2011, particularmente em duas áreas da cidade de Lisboa: Benfica e Alta de Lisboa. Desde os anos 60 se tem tentado alertar para a existente relação do binómio: crime e meio, com a tradicional perspectiva com base na psicologia que procurava concentrar-se apenas nas motivações do delinquente. Desde Jane Jacobs e Elizabeth Wood, nos anos 60, a Ray Jeffery nos anos 70 com a denominação, pela primeira vez de crime prevention through environmental design desenvolvida mais tarde nos anos 90 por Tim Crowe, contando também com os contributos de Oscar Newman com o conceito de defensible space dos anos 70, se admite que o espaço induz efectivamente comportamentos. Existe um conjunto de orientações que conferem aos espaços maior segurança com menos oportunidades para a prática de comportamentos ilícitos ou indesejados que constituem o conceito de crime prevention through environmental design (CPTED) que devem ser divulgadas e implementadasem Portugal. Os projectos urbanísticos nacionais carecem dessas orientações e muitas vezes verifica-se que os profissionais enfrentam acrescidas dificuldades pela ausência destes conhecimentos, verificando-se que não integram nenhum módulo dos cursos universitários em Portugal. É sabido também que as características do meio não se esgotam nos aspectos físicos, essencialmente quando em Portugal estas orientações nunca foram implementadas de forma sistemática e com alguma estratégia. O “controlo social” assume particular importância pelas relações que se estabelecem no espaço. Neste sentido o contexto engloba: CPTED e “controlo social”. Importa perceber como o espaço tem sido ocupado e identificar as relações que nele se estabelecem, essencialmente nos locais a “criminalidade de rua” assume valores significativos. Os estudos que associam este tipo de criminalidade ao espaço e contexto social são omissos em Portugal. A análise deste fenómeno requer uma abordagem multidisciplinar, com particular ênfase na área da sociologia tentando analisar a relação dos comportamentos no espaço que podem dar origem as “crimes de rua”, como por exemplo: furtos ou roubo por esticão; furto de ou em veículo motorizado; furto por carteirista; furto em supermercado; roubo na via pública; entre outros. São crimes que ocorrem na via pública ou em espaço público, dos quais todos os indivíduos podem ser vítimas. São crimes que resultam em grande maioria, das oportunidades relativas às características físicas do local em que ocorrem que servem como facilitadores, que resultam da vulnerabilidade das vítimas e da necessidade do delinquente e geram um sentimento de insegurança generalizado.
  • NEVES, Ana Verónica CV de NEVES, Ana Verónica
"Ana Verónica Neves, licenciada em Sociologia e Planeamento, com mestrado em Estudos de Justiça Criminal pela Universidade de Portsmouth, RU, com tese sobre o medo e o sentimento de insegurança na cidade de Lisboa. Doutoranda em sociologia no ISCTE com investigação sobre a relação entre a "criminalidade de rua" e o contexto, orientada pelo professor Paulo Machado e com co-orientação da professora Helena Carreiras. Foi bolseira do CIES/FCT no projeto: "As Forças Armados Portuguesas após a Guerra Fria", da professora Helena Carreiras. Integra a coordenação da secção temática "Seguranç e Forças Armadas" da APS. Pertence ao MAI.
Principais publicações:
"Prevenção Criminal através do Espaço Construído - Guia de Boa Práticas", DGAI, no prelo
"Segurança Pública e Desenvolvimento Urbano: a preveção do crime através do espaço construído", na série Políticas de Cidades - 7, DGOTDU
100 Conselhos de Segurança”, Maio, 2010, Ministério da Administração Interna, Lisboa
DGAI. (2009), Manual de Diagnósticos Locais de Segurança: uma compilação de normas e práticas internacionais, Lisboa, Ministério da Administração Interna (Revisão técnica e adaptação para a versão portuguesa)
Neves, A. (2005), “Medo do Crime e Insegurança Urbana”, Polícia e Justiça, III Série, n.º5, Instituto Superior da Polícia Judiciária e Ciências Criminais, p.243
Cumprimentos, obrig

PAP0204 - A Cultura Organizacional das Empresas Agrícolas do Perímetro de Alqueva. Estudos de Caso.
Resumo de PAP0204 - A Cultura Organizacional das Empresas Agrícolas do Perímetro de Alqueva. Estudos de Caso. 
PAP0204 - A Cultura Organizacional das Empresas Agrícolas do Perímetro de Alqueva. Estudos de Caso.

A realização deste estudo subordinado ao tema "A Cultura Organizacional das Empresas Agrícolas do Perímetro de Alqueva. Estudos de Caso", destina-se à obtenção do grau de Mestre em Sociologia, na Universidade de Évora. A opção pelo tema resulta de motivações pessoais para tratar um assunto actual, de uma realidade económica e social emergente, que não foi ainda objecto de estudos com uma abordagem deste tipo. Nos últimos anos, o Baixo Alentejo e o concelho de Ferreira do Alentejo em particular, foram objecto de significativos investimentos públicos, decorrentes da expansão do regadio (Empreendimento Fins Múltiplos de Alqueva). Estes investimentos têm vindo a potenciar outros de natureza privada, nas actividades agrícola e agro-industrial, com impactos expressivos na economia local e nas relações sociais. O concelho de Ferreira do Alentejo, que é o beneficiário mais antigo das obras de expansão do regadio, regista já a instalação de diversas empresas nos sectores agrícola (Olival, Frutícolas, uva de mesa) e agro-industrial (Vinho, Azeite, Biomassa). O estudo apresenta como objectivo geral caracterizar a cultura organizacional de empresas agrícolas de regadio, que recentemente se instalaram no concelho de Ferreira do Alentejo (Perímetro de Alqueva). O conceito central tratado é a cultura organizacional de empresa, que será objecto de análise tendo em consideração uma dimensão externa (meio ambiente) e uma dimensão interna (gestão do negócio e gestão de recursos humanos). Em termos metodológicos, situa-se ao nível do estudo de caso (pretende estudar de forma aprofundada duas empresas). No final, com a realização deste estudo, é expectativa do autor obter um conhecimento mais concreto da cultura organizacional das empresas agrícolas de regadio do Perímetro de Alqueva e identificar novas pistas de trabalho que permitam aprofundar o conhecimento empírico da realidade em análise. Conceitos chave: Cultura Organizacional de Empresa. Meio Ambiente. Gestão de Negócio. Gestão de Recursos Humanos. Desenvolvimento de Recursos Humanos.
  •  GUERRA, José CV - Não disponível 

PAP1021 - A Cultura de Paz e de Não Violência: uma proposta de intervenção em escolas públicas na Restinga (Porto Alegre) e em Medianeira (Osório)
Resumo de PAP1021 - A Cultura de Paz e de Não Violência: uma proposta de intervenção em escolas públicas na Restinga (Porto Alegre) e em Medianeira (Osório) PAP1021 - A Cultura de Paz e de Não Violência: uma proposta de intervenção em escolas públicas na Restinga (Porto Alegre) e em Medianeira (Osório)
PAP1021 - A Cultura de Paz e de Não Violência: uma proposta de intervenção em escolas públicas na Restinga (Porto Alegre) e em Medianeira (Osório)

Esse projeto de pesquisa propõe uma intervenção em escolas públicas, a partir da perspectiva da Cultura de paz e da não violência em escolas na Restinga (em Porto Alegre) e em Medianeira (em Osório). A violência hoje é um assunto que faz parte das discussões do nosso cotidiano, em todas as esferas da nossa vida social e, principalmente, na escola. Uma das variáveis fundamentais para se compreender o crescente aumento da violência da sociedade brasileira não é apenas a desigualdade social, mas o fato desta ser acompanhada de um esvaziamento de conteúdos culturais, particularmente, os éticos e de cultura de paz, nos sistemas de relações sociais. A perspectiva metodológica a ser adotada é a Pesquisa Participante. Os sujeitos da pesquisa serão os respectivos membros dessas comunidades escolares como: os professores, alunos, equipe diretiva, pais e funcionários. Como resultados esperados, a partir do viés da Pesquisa Participante, pretendemos conhecer o processo de construção de uma cultura de paz e não-violência nas escolas proponentes, estabelecendo coletivamente estratégias que visam acabar ou coibir a violência no contexto escolar, e também, posteriormente, a partir dos resultados obtidos, promover cursos de extensão voltados para a formação continuada de professores na perspectiva da Cultura de Paz e Não-Violência. A pesquisa encontra-se em fase de coleta de dados. A Cultura de Paz está intrinsecamente relacionada à prevenção e à resolução não violenta dos conflitos. É uma cultura baseada em tolerância, solidariedade e compartilhamento em base cotidiana, uma cultura que respeita todos os direitos individuais - o princípio do pluralismo, que assegura e sustenta a liberdade de opinião - e que se empenha em prevenir conflitos resolvendo-os em suas fontes, que englobam novas ameaças não-militares para a paz e para a segurança como exclusão, pobreza extrema e degradação ambiental. A cultura de paz procura resolver os problemas por meio do diálogo, da negociação e da mediação, de forma a tornar a violência inviável. Tolerância, democracia e direitos humanos - em outras palavras, a observância desses direitos e o respeito pelo próximo - são os valores "sagrados" para a cultura de paz. A Cultura de Paz é uma iniciativa de longo prazo que deve levar em conta os contextos histórico, político, econômico, social e cultural de cada ser humano. É necessário aprendê-la, desenvolvê-la e colocá-la em prática no dia-a-dia familiar, regional ou nacional. Portanto, é no contexto das escolas, que os profissionais da educação passam a se constituir numa escuta privilegiada dos jovens e das famílias, muitas vezes, isolados de uma rede de solidariedade. Em meio à multiplicação das demandas por cuidados, é através destas questões essenciais, que precisamos refletir sobre o papel da escola frente a estes fenômenos.
  •  COSTA, Giseli Paim CV - Não disponível 
  • RODRIGUES, Stellen Giacomelli CV de RODRIGUES, Stellen Giacomelli
  • LOPES, Felipe Ferreira CV de LOPES, Felipe Ferreira
  •  COSTA, Zuleika Schimidt CV - Não disponível 
Nome: Stellen Giacomelli Rodrigues

Afiliação institucional: Faculdade Cenecista de Osório - FACOS/CNEC

Área de fomação: Psicologia

Interesse de Investigação: Psicologia Social Comunitária
Nome: Felipe Ferreira Lopes
Afiliação Institucional: Faculdade Cenecista de Osório/FACOS - Brasil
Área de formação: Graduando do curso Bacharelado de Psicologia da FACOS
Interesses de investigação: Psicologia Social Comunitária

PAP0513 - A Dimensão Tribal nos Clubes de Futebol
Resumo de PAP0513 - A Dimensão Tribal nos Clubes de Futebol    
PAP0513 - A Dimensão Tribal nos Clubes de Futebol

Vivemos na era da pós-modernidade, onde tudo está disponível para todos, podendo cada um escolher as suas interacções e traçar o seu caminho na sociedade. A par desta era e devido às inúmeras experiências e interacções existentes na vida do sujeito, surge uma fragmentação do self, dado que o indivíduo se vê obrigado a assumir estilos de vida e comportamentos diferentes consoante as ocasiões. A par desta era do pós-modernismo surgem as chamadas tribos pós-modernas. Uma tribo corresponde a um conjunto de indivíduos que partilham os mesmos desejos, interesses, necessidades e paixões. Ao contrário das tribos das sociedades arcaicas, estas tribos pós-modernas são instáveis, pois não se regem por nenhum padrão pré-estabelecido, mas sim por emoções e estilos de vida. Estas tribos surgem juntamente com o desejo profundo e inerente do indivíduo em criar relações interpessoais, conseguindo deste modo sentir-se como parte de um grupo com crenças, paixões e ideais idênticos. Nelas, os laços criados são muito fortes dada a sua possível efemeridade, pois a tribo apenas faz sentido quando existe um interesse em comum, e caso esse interesse deixe de existir a tribo desfaz-se. As tribos vieram revolucionar as sociedades contemporâneas, no sentido em que os indivíduos já não se focam tanto no sentimento de pertença ligado a aspectos racionais como a aquisição de produtos/serviços, virando-se antes para uma vertente irracional, arcaica ou até de religiosidade, onde o que importa são os rituais, havendo a necessidade de existir um suporte por trás, como locais de culto, objectos sagrados, roupas específicas ou palavras/cânticos próprios que identifiquem os indivíduos pertencentes àquela tribo. Ao longo dos séculos, o futebol tem vindo a ganhar cada vez mais importância enquanto modalidade desportiva, sendo hoje em dia unanimemente considerado como “O Desporto Rei”. Portugal não é excepção. Existe uma quase necessidade de ser adepto de um clube. Cada vez há mais adeptos e pessoas a ir aos estádios, formando assim o que se pode chamar de “tribos do futebol”. A experiência vivida num jogo de futebol é muito intensa e serve muitas vezes para aproximar os indivíduos, reforçando os laços sociais de cada um. Ser-se adepto de um clube é não só uma forma de identidade individual mas também de identidade colectiva. Através da observação dos movimentos e do modo de agir dos outros adeptos, o indivíduo aprende e replica esses comportamentos, seguindo assim as normas e rituais daquela tribo. Este fenómeno das tribos no mundo do futebol apenas começou a ser levado mais a sério há relativamente pouco tempo, sendo que as claques são a evidência máxima deste tipo de tribos. Ainda com muito para explorar, esta é uma área que atrai cada vez mais atenções e desperta cada vez mais interesse, dada a forma de interacção tão específica e a influência que ela pode ter num resultado desportivo.
  •  GARCIA, Cíntia CV - Não disponível 
  •  VASQUES, Inês CV - Não disponível 

PAP1195 - A EMERGÊNCIA DE UM NOVO CORPO: O CONTRIBUTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO
Resumo de PAP1195 - A EMERGÊNCIA DE UM NOVO CORPO: O CONTRIBUTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO PAP1195 - A EMERGÊNCIA DE UM NOVO CORPO: O CONTRIBUTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO
PAP1195 - A EMERGÊNCIA DE UM NOVO CORPO: O CONTRIBUTO DA EDUCAÇÃO FÍSICA E DESPORTO

Com esta comunicação pretendemos atingir os seguintes objectivos: 1 – Analisar o impacto que o discurso higienista teve na génese da Educação Física e Desporto; 2 – Discutir o papel que foi atribuído à Educação Física e Desporto no combate ao definhamento da raça. Métodos/resultados: para analisarmos o problema enunciado seguimos a análise do discurso seguindo a perspectiva de Michel Foucault. Do trabalho que realizámos verificámos que o discurso higienista trouxe uma nova racionalidade, servindo para fazer a fundamentação à protecção colectiva e individual. O exercício físico surgiu, com a higiene, legitimado pelo saber científico. Desde o século XVII que assistimos a um discurso que relaciona a importância do exercício com a conservação da saúde. A grande aspiração da higiene era governar, ultrapassando os parâmetros da fisiologia, querendo também abraçar a sociologia e a moral. A ignorância, a incúria, fomentavam o viver anti-higiénico. Face a esta realidade, considerou-se que a escola poderia servir de instrumento de mudança. O apelo feito pela higiene veio contribuir para dar relevância à educação física e ao desporto. As vítimas que a surménage provocava e os trabalhos que Mosso desenvolveu, vieram colocar a necessidade de as reformas cuidarem da saúde dos jovens. Os trabalhos de antropologia escolar apareceram para se tentar saber a correlação existente entre o desenvolvimento físico e o desenvolvimento da inteligência. Daí que a avaliação antropométrica dos alunos tivesse ganho tão elevado interesse. Como conclusão podemos dizer que a educação física e o desporto ganharam reconhecimento com o discurso higienista através do combate às doenças escolares. Foi num contexto de degenerescência da raça - como então se dizia - que se colocaram novas exigências à governação da população. Nesta viragem de mundividência, a população saudável passa a ser vista como uma riqueza. Para esta mundividência, foram muito importantes os contributos da política de saúde, da educação física e do desporto. Palavras-chave: saúde, corpo, educação física, desporto.
  • BRÁS, José Viegas CV de BRÁS, José Viegas
  • GONÇALVES, Maria Neves CV de GONÇALVES, Maria Neves
José Gregório Viegas Brás

Doutorado em História da Educação, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, Universidade de Lisboa (2006).
Mestre em Ciências da Educação, pela Faculdade de Motricidade de Humana, Universidade Técnica de Lisboa (1990).
Professor Associado na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT).
Coeditor da Revista Lusófona de Educação
Coeditor da revista electrónica Entretextos
Coordenador do Grupo de Investigação Memórias das Instituições Educativas e do Pensamento Pedagógico do Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF) da ULHT.
Autor de diversas comunicações ( em eventos nacionais e estrangeiros).

Autor de diversos artigos publicados em livros, revistas nacionais e estrangeiras.
Maria Neves Leal Gonçalves
Professora Auxiliar na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT) em Lisboa. Doutora em História da Educação, pela Universidade de Évora. É coeditora da Revista Lusófona de Educação. E co-coordenadora do Grupo de Investigação Memórias das Instituições Educativas e do Pensamento Pedagógico do Centro de Estudos e Intervenção em Educação e Formação (CeiEF) da ULHT. Áreas de interesse: Republicanismo, laicização do ensino; História do Currículo; Professores e Associativismo Docente.

PAP0343 - A EXPANSÃO DO ACESSO AO ENSINO JURÍDICO E AS DESIGUALDADES DE OPORTUNIDADES NAS PROFISSÕES JURÍDICAS NO BRASIL: UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA
Resumo de PAP0343 - A EXPANSÃO DO ACESSO AO ENSINO JURÍDICO E AS DESIGUALDADES DE OPORTUNIDADES NAS PROFISSÕES JURÍDICAS NO BRASIL: UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA 
PAP0343 - A EXPANSÃO DO ACESSO AO ENSINO JURÍDICO E AS DESIGUALDADES DE OPORTUNIDADES NAS PROFISSÕES JURÍDICAS NO BRASIL: UMA ANÁLISE SOCIOLÓGICA

No pós 1988, o Brasil passou por vasto processo de “democratização” do ensino superior, o que permitiu a pulverização de instituições de ensino superior e o acesso formal das classes economicamente menos favorecidas às faculdades de Direito. Considerados cursos baratos, muitos foram os pedidos de autorização para funcionamento dos bacharelados em Direito, acompanhando o aumento da demanda por esses cursos. A atuação daqueles que se graduam em Direito está diretamente relacionada com o poder estatal, com a possibilidade de ascensão profissional, aquisição de status e estabilidade econômica em uma sociedade consumerista. Esta pesquisa discute o acesso ao ensino do Direito, tendo por hipótese que o aumento do acesso às faculdades de Direito não modificou a desigualdade de oportunidades no acesso às profissões jurídicas, apenas modificou o seu locus. A desigualdade de acesso ao campo jurídico deixou de ser causada pelo ensino jurídico, tendo sido transferida para o acesso às carreiras jurídicas, o que implica em reconhecer que as desigualdades de oportunidades permanecem. As fontes teóricas que suscitaram as reflexões são: Max Weber, Pierre Bourdieu, Magali Larson, Richard L. Abel, Roberto Fragale Filho e Celi Scalon. Para as análises pretendidas serão utilizados dados e documentos obtidos, principalmente, junto ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo e do Polícia Civil do mesmo ente federativo. Será apresentada história da implementação dos cursos de Direito no Brasil e definido o papel desempenhado pelas faculdades de Direito para o ingresso nas profissões jurídicas para, em seguida, explicar o funcionamento do campo jurídico, demonstrando as desigualdades de oportunidades no acesso ao ensino jurídico e às profissões jurídicas.
  •  GOULART, Barbara Valentim CV - Não disponível 

PAP0379 - A Educação em Tempo de Mudança e a relação com “As Novas Oportunidades” – O Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) na Região Autónoma da Madeira.
Resumo de PAP0379 - A Educação em Tempo de Mudança e a relação com “As Novas Oportunidades” – O Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) na Região Autónoma da Madeira. PAP0379 - A Educação em Tempo de Mudança e a relação com “As Novas Oportunidades” – O Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) na Região Autónoma da Madeira.
PAP0379 - A Educação em Tempo de Mudança e a relação com “As Novas Oportunidades” – O Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) na Região Autónoma da Madeira.

Resumo: A presente comunicação centra-se na problemática do reconhecimento e validação das aprendizagens experienciais dos adultos (RVAE) numa perspetiva educativa-formativa. Estas novas práticas pedagógicas, resultantes do Processo de Reconhecimento, Certificação e Validação de Competências (RVCC), decorrem num período de mudanças muito significativas na dinâmica global. É inevitável que as diversas correntes do saber se esforcem para dar respostas aos novos desafios da humanidade, num período de crise e, em simultâneo, de luta pelas novas oportunidades. Vivemos, assim, num terreno de tensões e contradições, onde as crises e reconfigurações que atravessamos hoje na sociedade portuguesa necessitam de reflexão e de apostas em investimentos pessoais e necessidade de novas qualificações académicas. Os novos enquadramentos legislativos integrados no paradigma de Educação/Formação ao Longo da Vida valorizam as aprendizagens informais e não-formais dos adultos, decorrentes dos seus percursos pessoais, sociais e profissionais. A presente investigação tem como principal objetivo a análise do sistema de ação que enforma (cf. no sentido da sociologia formal de Simmel) as práticas de adultos que, não tendo concluído a Escolaridade Básica Obrigatória (3º Ciclo do Ensino Básico), recorrem às ofertas de educação e formação de compensação, mais concretamente as propostas a nível do Processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), nos Centros de Novas Oportunidades (CNOS= 5), na Região Autónoma da Madeira (R.A.M.) A referida investigação permite a identificação de dimensões de análise do nosso objeto de estudo e, ao mesmo tempo, faz emergir diversas pistas de investigação a desenvolver no futuro no campo da Educação e Formação de Adultos e a sua integração no Sistema Educativo. Palavras-Chave: Educação – Formação de Adultos; Sociedade; Novas Oportunidades; Processo de Reconhecimento Certificação e Validação de Competências.
  • PEREIRA, Maria Manuela Vieira Teixeira CV de PEREIRA, Maria Manuela Vieira Teixeira
Maria Manuela Vieira Teixeira Pereira

Afiliação institucional - Universidade Nova de Lisboa - Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
Àrea de formação - Ciências da Educação
Interesses de investigação - Educação/Formação de Adultos (Processo de Reconhecimento, Certificação e Validação de Competências)

PAP0968 - A Educação partilhada: a perspetiva de técnicos/as autárquicos da área da educação
Resumo de PAP0968 - A Educação partilhada: a perspetiva de técnicos/as autárquicos da área da educação 
PAP0968 - A Educação partilhada: a perspetiva de técnicos/as autárquicos da área da educação

Em Portugal, e nas últimas décadas, a escola tem vindo a contar com outros parceiros para a consecução da sua missão, entre eles, as autarquias. Concretizando os princípios de âmbito geral da descentralização administrativa e da autonomia do poder local, o papel das autarquias na esfera educativa tem vindo a ganhar expressão, a partir dos anos 80, mas com mais ênfase a partir da viragem do milénio. Os enquadramentos legislativos têm estabelecido os marcos e as regras para a atuação do poder local em diversos âmbitos, incluindo a educação. O poder autárquico tem vindo a ganhar, assim, um espaço de relevo na área educativa, no qual não estarão alheias as intervenções na promoção do sucesso educativo, entendido como desiderato, não apenas do sistema educativo, mas de todo um conjunto de atores sociais que se pressupõe desenvolvam o seu trabalho em alguma forma de cooperação. Neste contexto, as autarquias têm um papel significativo, pois passam a assumir, de formas mais ou menos contratualizadas, funções que vão desde a construção e manutenção de equipamentos, passando pela ação social escolar até à responsabilidade em ações especificamente educativas de colaboração na promoção do sucesso escolar. Através deste papel, acrescem os mecanismos de regulação local da educação com particularidades de natureza colaborativa, de acção indirecta e com vários actores intermédios. Neste quadro, importa perceber, então, quais são as perspetivas de atores diretamente implicados neste esforço coletivo que pretende, como é exposto num dos textos legislativos, promover o fortalecimento da coesão nacional e da solidariedade inter- regional, ao mesmo tempo que contribui para a eficiência e a eficácia da gestão pública. Esta comunicação insere-se num projeto de âmbito nacional que se centra na análise do comprometimento das autarquias locais na promoção do sucesso escolar no ensino básico. Trata-se do projeto “Trabalhar em Rede na Educação: discursos e estratégias do poder autárquico em torno do sucesso e abandono escolar”, financiado pela FCT, que envolve três equipas, Universidade do Porto, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e Universidade de Lisboa, e que estuda 13 distritos, cobrindo boa parte do território nacional. A presente comunicação tem como objetivo contribuir para a compreensão das perspetivas de técnicos/as autárquicos de educação sobre as atribuições, competências e ações das autarquias na área educativa, bem como sobre as formas de cooperação em que estão envolvidas. Salienta-se aqui o técnico autárquico como sendo um actor privilegiado no acompanhamento das diversas ações de carácter educativo cujo discurso aponta para a definição de um processo político em construção, materializado em instrumentos que reforçam estas políticas locais nas suas funções simbólicas, axiológicas e pragmáticas.
  • COSTA, Isabel CV de COSTA, Isabel
  • ARAÚJO, Helena C. CV de ARAÚJO, Helena C.
  • LOUREIRO, Armando CV de LOUREIRO, Armando
  •  SOUSA, Florbela CV - Não disponível 
  •  PORTELA, José CV - Não disponível 
  •  FONSECA, Laura CV - Não disponível 
  • SILVA, Sofia Marques da CV de SILVA, Sofia Marques da
  •  PINTO, Graça CV - Não disponível 
  •  MACEDO, Eunice CV - Não disponível 
  •  COUTINHO, Vanessa CV - Não disponível 
  •  ANDRADE, Diana CV - Não disponível 
  • OLIVEIRA, Alexandra Alves CV de OLIVEIRA, Alexandra Alves
(Maria Isabel Barros Morais Costa)
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Doutoramento em Ciências da educação
Áreas de interesse: Metodologias de investigação em educação; educação formal versus educação não formal; educação e turismo; pedagogia na universidade; e-learning; formação de profissionais de ciências sociais e humanas.
Helena Costa Araujo
hcgaraujo@mail.telepac.pt;
haraujo@fpce.up.pt
Professor of Sociology of Education
and Gender Studies
University of Porto/Faculty of Psychology and Education
and Director of the
Centre for Research in Education (CIIE)
tel. 351.22.6079700
fax. 351.22.6079725
http://www.fpce.up.pt/ciie/?q=researchers/helena-c-araújo
Armando Loureiro
É Professor Auxiliar de Sociologia da Educação e de Educação de Adultos na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – Departamento de Educação e Psicologia. É vice-presidente da Escola de Ciências Humanas e Sociais da mesma Universidade. É professor visitante na UNIMONTES/Brasil. É licenciado em Sociologia, mestre em Desenvolvimento Local e doutor em Educação. Tem investigado nas áreas da sociologia da educação de adultos e do conhecimento profissional. É autor ou co-autor de mais de dez capítulos de livros, três livros e mais de quinze artigos publicados em revistas científicas nestas áreas.
Sofia Marques da Silva
Afiliação institucional: Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da U.Porto (Docente)
Área de formação: Ciências da Educação
Interesses de investigação: Culturas Juvenis e educação, Metodologias de Investigação e Sociologia da Educação.
Alexandra Oliveira é professora da Universidade do Porto, na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação, onde exerce funções de docente e de investigadora na área da Psicologia do Comportamento Desviante e da Justiça. Os seus interesses relacionam-se com o género e a sexualidade; a norma, o desvio e a reação social, tendo vindo a dedicar as suas pesquisas ao trabalho sexual. Das suas publicações destaca o livro "Andar na vida: prostituição de rua e reacção social" (Almedina, 2011), uma adaptação da sua tese de doutoramento.

PAP0177 - A FESTA DE SANTA BÁRBARA: CORPOS MISCIGENADOS QUE SE “TRAMAM” E SE “CONTRACENAM” DE VERMELHO E BRANCO
Resumo de PAP0177 - A FESTA DE SANTA BÁRBARA: CORPOS MISCIGENADOS QUE SE “TRAMAM” E SE “CONTRACENAM” DE VERMELHO E BRANCO PAP0177 - A FESTA DE SANTA BÁRBARA: CORPOS MISCIGENADOS QUE SE “TRAMAM” E SE “CONTRACENAM” DE VERMELHO E BRANCO
PAP0177 - A FESTA DE SANTA BÁRBARA: CORPOS MISCIGENADOS QUE SE “TRAMAM” E SE “CONTRACENAM” DE VERMELHO E BRANCO

Este trabalho é um recorte mais amplo de uma pesquisa sobre as festas populares baianas que teve como proposta central descobrir e compreender os saberes que os corpos expressam utilizando-se de signos, tipos de linguagem e expressão próprias da cultura popular. Para esta análise, contextualizamos historicamente a Festa de Santa Bárbara que acontece todo dia 4 do mês de dezembro no Centro histórico da cidade de Salvador-Ba. O culto a Bárbara foi trazido de Portugal para a Bahia, ainda no período da colonização do Brasil, tendo como responsáveis os negros e comerciantes locais. Com o tempo a santa “alcançou” uma quantidade significativa de devotos, seja do Catolicismo, ou do Candomblé, pois a mesma no ‘sincretismo’ “afro-católico” representa o orixá Iansã, “senhora dos ventos, raios e tempestades” que se veste de vermelho. Para tanto, o nosso objetivo central consiste em compreender as relações societárias do corpo naquela celebração, a partir de estudos culturais, bem como identificar as estéticas corporais produzidas durante o folguedo. Assim, investimos na pesquisa etnografica, pois a mesma permitir-nos um envolvimento concreto com os atores sociais que compõem o exame, fator este facilitador para um maior entendimento e compreensão dos dados colhidos e observados no campo empiríco, seja acompanhando o culto à santa, na missa, na procisão ou até mesmo na festa de largo e ritos do candomblé, que acontecem no Mercado de Santa Bárbara. Se por um lado, na comemoração, há uma forte presença do catolicismo, por outro, encontramos elementos do candonblé, a “fusão” de ambos componentes gera a representação de inúmeras identidades. No que tange a estética corporal, identificamos formas de dançar, adorar e brincar nas quais os corpos “miscigenados”, vestidos de vermelho e branco, se “tramam” e se “contracenam” simbolizando a resistência da Cultura Afro-Baiana ligada ao cultivo das tradições advindas de fora do país. Assim, o culto a Santa Bárbara/Iansã se traduz num acontecimento religioso de matriz católica e ao mesmo tempo afro-descendente. Palavras-Chave: Bárbara, Miscigenados, Vermelho e Branco.
  • JÚNIOR, Flávio Cardoso dos Santos CV de JÚNIOR, Flávio Cardoso dos Santos
Flávio Cardoso dos Santos Júnior - Professor Pesquisador do GEPAC - Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão Artes do Corpo: Memória, Imagem e Imaginário da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) é Graduado em Educação Física e tem como foco de estudo o corpo dentro das manifestações culturais, principalmente as Festas Populares.

PAP0556 - A FORMAÇÃO PARA O TRABALHO EM SAÚDE E O DEBATE SOBRE AS NOVAS COMPETÊNCIAS
Resumo de PAP0556 - A FORMAÇÃO PARA O TRABALHO EM SAÚDE E O DEBATE SOBRE AS NOVAS COMPETÊNCIAS 
PAP0556 - A FORMAÇÃO PARA O TRABALHO EM SAÚDE E O DEBATE SOBRE AS NOVAS COMPETÊNCIAS

Os anos noventa do século XX configuram-se como espaço de ruptura do modelo de organização e institucionalização do sistema de saúde brasileiro. A saúde é entendida como um direito com base nos princípios da integralidade, universalidade e equidade. Em tempos de ajustes macro-econômicos e politicas neoliberais ocorreu, no pais, a reforma democrática consubstanciada na Constituição Federal de 1988, espaço privilegiado para o protagonismo de vários movimentos sociais. Neste espaço, o movimento sanitário, exerceu uma contra-hegemonia política e cultural, ensejando a implantação de um modelo de saúde baseado no ideais da Reforma Sanitária, conseguindo incorporar legalmente parte de sua proposta na legislação do Sistema Único de Saúde (SUS). Neste cenário de modificações, reorganização, reestruturação do trabalho em saúde e redefinição do seu objeto, novas exigências são postas para os trabalhadores em saúde, e amplia-se o debate em relação a uma formação voltada para a construção de novas competências que não se restrinja ao aspecto técnico-instrumental, mas que possibilite uma ampliação e construção de competências organizacionais, comunicativas, comportamentais sociais, intelectuais e técnicas. Adotando a perspectiva histórico/crítica e a visão de totalidade na abordagem da relação entre Educação, Trabalho e Saúde, esta pesquisa objetivou analisar o processo de formação dos enfermeiros participantes do Centro de Educação Permanente em Saúde (CEPS) em Aracaju/SE/Brasil, desenvolvido com base na reestruturação organizacional do modelo de saúde e da política de qualificação empreendida no período de 2002 a 2006, conforme princípios orientadores da Política de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde. A abordagem qualitativa por meio estudo de caso possibilitou a consulta de diferentes fontes bibliográficas (revisão da literatura) e documentais como: o relatório de gestão, projeto político pedagógico do Curso de Especialização Integrado em Saúde Coletiva (EISC). O acesso aos respondentes da pesquisa ocorreu com a realização de dezessete entrevistas semi-estruturadas com os enfermeiros que participaram da EISC. Especial destaque foi atribuído à pedagogia do fator de exposição, utilizada no CEPS, significando um modo de ver e intervir, uma possibilidade pedagógica real e coerente de se exercer uma ação educacional política problematizadora da realidade, visando à transformação das práticas com base nos conteúdos trabalhados. Os resultados descobr
  •  BORGES, J.Lusitânia de J CV - Não disponível 
  •  CRUZ, Maria Helena Santana CV - Não disponível 

PAP1372 - A Gestão do Risco, da Incerteza e da Ambivalência na Era da Biomedicina: As controvérsias sócio-técnicas em torno da Reprodução Medicalizada
Resumo de PAP1372 - A Gestão do Risco, da Incerteza e da Ambivalência na Era da Biomedicina: As controvérsias sócio-técnicas em torno da Reprodução Medicalizada 
PAP1372 - A Gestão do Risco, da Incerteza e da Ambivalência na Era da Biomedicina: As controvérsias sócio-técnicas em torno da Reprodução Medicalizada

Nesta comunicação pretendemos analisar as dimensões de incerteza e de ambivalência face ao desenvolvimento da Biomedicina nas sociedades da modernidade liberal alargada, nomeadamente no que concerne à reprodução humana, a fim de se identificar os desafios éticos e as controvérsias sócio-técnicas que dela emergem. Vivemos actualmente numa era de «ambivalência» permanente, na chamada «sociedade do risco», onde o progresso científico e técnico, apesar das promessas e possibilidades por ele criadas, por vezes é acompanhado concomitantemente por uma incapacidade de controlar ou prever certas consequências ou perigos associados, por exemplo, a nível da manipulação genética. Neste contexto, a gestão do risco implica não apenas a acção preventiva, quando é possível determinar a probabilidade de ocorrência desses efeitos ou ameaças, mas também medidas precaucionais, nos casos em que não é possível defini-los nem identificá-los. Assistiu-se recentemente a avanços e melhorias no quadro das tecnologias reprodutivas, mas que parecem estar imersos num ambiente de reflexividade e crítica, uma vez que permanece uma tensão entre a fé absoluta nas Tecno-ciências por parte dos mais entusiastas e uma desconfiança ou receio entre os mais cépticos e no seio de alguns grupos religiosos. Não se trata apenas do risco de aspirações eugénicas que está em jogo quando se discute a concepção artificial, mas também a falta de objectividade no diagnóstico clínico de infertilidade ou mesmo as falhas relativamente aos dispositivos terapêuticos para o seu tratamento. Consequentemente, a crescente sofisticação das tecnologias de reprodução assistida, ao invés de reduzirem os problemas, acabam por multiplicá-los, trazendo sintomas do transtorno e desconforto existencial. É este paradoxo e mal-estar que, de acordo com Zygmunt Bauman, caracteriza o processo civilizacional moderno nas sociedades ocidentais e que pretendemos abordar nesta comunicação, com base na análise de dados teóricos e empíricos, nomeadamente documentação específica (legislação e relatórios de Comissões de Ética) e entrevistas focalizadas com médicos, casais inférteis e peritos.
  • DELAUNAY, Catarina CV de DELAUNAY, Catarina
Catarina Delaunay. Pós-Doutoranda no CESNova – Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (Portugal) e no Groupe de Sociologie Politique et Morale-EHESS (França). Licenciada em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH-UNL); Mestre em Ciências Sociais, especialização em Famílias: Olhares Interdisciplinares, no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa; Doutorada em Sociologia, especialidade de Sociologia da Cultura, na FCSH-UNL. Bolseira de Doutoramento e Pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Interesses de investigação: Sociologia da Saúde e da Medicina, Sociologia da Ciência e Tecnologia, Sociologia Pragmática e Sociologia da Família.

PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE
Resumo de PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE
PAP0571 - A INCONTORNÁVEL SOCIOLOGIZAÇÃO DA INTELLIGENCE

Portugal tem vivido ao longo dos últimos trinta e cinco anos etapas diversas da construção da democracia. Percorremos um caminho de crença a um quotidiano de incerteza. A actualidade torna frágil a soberania. O quadro representado no tempo presente, permite constatar a projecção global dos interesses nacionais mas em contrapartida, deixa o país permeável a toda a gama de interesses exógenos. Antes como agora na nossa história como Nação, os portugueses têm encontrado e ultrapassado momentos de transição. A tecnologia, os mercados financeiros e a democratização de muitas sociedades aceleraram a globalização numa escala sem precedentes. Porém, a globalização também intensificou os perigos que nós encaramos como o terrorismo internacional e disseminação/propagação de tecnologias letais, perturbações económicas e a mudança climática. As modificações operadas na sociedade portuguesa reflectiram-se num sector sensível dos interesses nacionais – os Serviços de Informações. As diversas alterações de objectivos e os vários enquadramentos institucionais a que os Serviços de Informações têm sido sujeitos, e que resultaram na constituição do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), são os fiéis intérpretes do percurso sinuoso a que este sector da vida nacional tem sido sujeito e espelham as respostas às realidades distintas construídas desde o tempo das certezas ao tempo global do risco, da incerteza e da fragilidade. Nesta panóplia de alterações, firma-se um registo que desperta a nossa curiosidade: os Serviços de Informações Militares. No mesmo período em que as alterações de funções e estrutura organizacional se verificaram nos Serviços de Informações e particularmente nas Informações Militares, Portugal, através das Forças Armadas e enquanto membro de diversas Organizações Internacionais vem prestando o respectivo contributo ao esforço colectivo de promoção da paz e segurança numa perspectiva global, apresentando uma projecção de Forças Nacionais Destacadas (FND) sem paralelo histórico nacional. No entanto, a disseminação de FND ao invés de fortalecer a posição do sector das Informações Militares no conjunto do sistema de informações, correspondeu à diminuição da importância daquele sector, ou seja, num contexto de incerteza global, a necessidade de saber não só se mantém como deve crescer, mas esta não foi a leitura feita pelas entidades responsáveis. A interacção do país com realidades novas, por via da participação em acções mergulhadas na turbulência do risco e da incerteza, fenómenos decorrentes do processo de globalização, remete-nos para o estudo do sector das informações militares: a sua evolução, enquadramento institucional e funções na democracia em Portugal, ou seja, desde um tempo tradicional em que o país se encontrava quase retirado do cenário internacional até a actualidade em que não se pode descurar as influências da globalização.
  • FONSECA, Dinis Manuel Victória CV de FONSECA, Dinis Manuel Victória
Dinis Manuel Victória da Fonseca; Militar, atualmente a prestar serviço no Estado-Maior-General das Forças Armadas; Licenciatura em Sociologia (ISCTE); Mestrado em Sociologia da Família (Universidade de Évora); Doutorando em Sociologia (Universidade de Évora/Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA). Áreas de interesse: Sociologia Militar; Informações e Defesa; Condição militar; Relações civil-militares. Algumas publicações de referência: ADLER, Alexander (2009), O Novo Relatório da CIA, Lisboa, Editorial Bizâncio; BALTAZAR, Maria da Saudade (2002), As Forças Armadas Portuguesas, Desafios Numa Sociedade Em Mudança, Évora, Universidade de Évora (Dissertação de Doutoramento, polic.); CARDOSO, Pedro (2004). As Informações em Portugal, Lisboa, Gradiva/IDN; GIDDENS, Anthony (1997). Sociologia, Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian; GIDDENS, Anthony (2007). A Europa na Era Global, Lisboa, Editorial Presença; HUNTINGTON, Samuel (1972), The Soldier and the State: the theory and politics of civil-military relations, Cambridge, The Belknap Press of Harvard University Press; JANOWITZ, Morris, e LITTLE, Roger W. (1974), Sociology and Military Establishment, London, Sage Publications; KENT, Sherman (1966), Strategic Intelligence For American World Policy, Princeton, Princeton University Press; MOSKOS, Charles e WOOD, Frank (1988), The Military, more than a Job?, Great Britain, Pergamon-Brassey´s.

PAP0250 - A INTERCEPTAÇÃO AÉREA E O ABATE DE AERONAVES: ASPECTOS CONSTITUCIONAIS E PENAIS
Resumo de PAP0250 - A INTERCEPTAÇÃO AÉREA E O ABATE DE AERONAVES: ASPECTOS CONSTITUCIONAIS E PENAIS PAP0250 - A INTERCEPTAÇÃO AÉREA E O ABATE DE AERONAVES: ASPECTOS CONSTITUCIONAIS E PENAIS
PAP0250 - A INTERCEPTAÇÃO AÉREA E O ABATE DE AERONAVES: ASPECTOS CONSTITUCIONAIS E PENAIS

O presente artigo, baseado em pesquisa documental e bibliográfica, tem por objetivo proceder a um exame jurídico das ações militares endereçadas aos procedimentos de interceptação aérea. São analisadas a constitucionalidade e a responsabilidade penal do agente de defesa aérea, piloto militar cuja missão de interceptação aérea foi atribuída. Inicialmente, é verificada a constitucionalidade do tiro de destruição sob uma perspectiva pós-positvista, desmistificando algumas afirmações sobre a matéria. Posteriormente, foi evidenciado o choque entre dois Princípios Constitucionais, Soberania e Dignidade Humana, onde cada um deles sugere uma solução diversa. Para dirimir a controvérsia e a colisão de normas-princípios, utilizou-se a técnica da ponderação de valores. Como resultado da ponderação aludida, restou evidente não haver inconstitucionalidade da questão analisada. Dessarte, a Lei 9.614/98 e o Decreto 5.144/2004 é a escolha acertada. Não cai na tentação da Tirania da Soberania, nem da Tirania da Dignidade Humana, revela-se uma escolha madura de um Estado Democrático de Direito consolidado. A norma é verdadeira síntese, que sopesa ambos os princípios, preserva-os ao máximo e chega a uma conclusão equilibrada e democrática. Para além da constitucionalidade, verificou-se ainda a responsabilidade penal do agente de defesa aérea utilizando como paradigma a Teoria Constitucionalista do Delito. Dessa análise, constatou-se que, caso o piloto militar proceda em estrita observância ao procedimento legal, não há que se falar sequer em tipicidade penal, quiça em crime (delito). Como resultado final, o estudo atesta que as normas reguladoras da interceptação aérea estão em perfeita coadunância com a Constituição Federal de 1988, e o agente de defesa aérea que atua dentro de suas determinações não deve ser responsabilizado criminalmente, haja vista que cria risco permitido, atuando em estrito cumprimento de um dever legal, causa excludente da tipicidade material.
  •  FARIAS, Andrew Fernandes CV - Não disponível 
  • SOUSA JR, Afonso Farias CV de SOUSA JR, Afonso Farias
AFONSO FARIAS DE SOUSA JÚNIOR

PARTE ACADÊMICA - FORMAÇÃO
FORMAÇÃO INICIAL EM CIÊNCIAS DA LOGÍSTICA E POSTERIORMENTE EM ADMINISTRAÇÃO. TAMBÉM GRADUADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS. ESPECIALIZADO EM a) ADMINISTRAÇÃO MERCADOLÓGICA; b) EM ANÁLISE INTERNACIONAL/NEGÓCIOS; c) EM ESTUDOS DE POLÍTICA E ESTRATÉGIA; d) MESTRADO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA; e) DOUTORADO EM DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL.
PARTE PROFISSIONAL - EXECUTIVA
EXERCEU CARGOS NA GESTÃO PÚBLICA POR MAIS DE 20 ANOS NAS ÁREAS DE FINANÇAS, GESTÃO DE MATERIAL, PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO PÚBLICO E CONTABILIDADE ESTRATÉGICA GERENCIAL. ATUOU TAMBÉM EM PROGRAMAS DO GOVERNO FEDERAL DE APOIO A SOCIEDADE CIVIL.
PARTE PROFISSIONAL - DOCENTE
HÁ MAIS DE 15 ANOS LECIONA NO ENSINO SUPERIOR NAS ÁREAS DE PLANEJAMENTO E ORÇAMENTO PÚBLICO E GESTÃO SOCIOAMBIENTAL.
PESQUISADOR NAS ÁREAS DE SUSTENTABILIDADE E RESPONSABILIDADE SOCIOAMBIENTAL, TEMA QUE ESTÁ ATUALMENTE ENVOLVIDO EM 3 PROJETOS DE PESQUISA EM INSTITUIÇÕES FEDERAIS.
TEM PUBLICAÇÕES VOLTADAS PRINCIPALMENTE À SUSTENTABILIDADE, A GESTÃO SOCIOAMBIENTAL E À DEFESA NACIONAL.

PAP0433 - A Identidade e a Plasticidade Territorial e os Processos de Regeneração Urbana
Resumo de PAP0433 - A Identidade e a Plasticidade Territorial e os Processos de Regeneração Urbana  PAP0433 - A Identidade e a Plasticidade Territorial e os Processos de Regeneração Urbana
PAP0433 - A Identidade e a Plasticidade Territorial e os Processos de Regeneração Urbana

A regeneração urbana e a revitalização dos centros históricos, conjuntamente com as questões da sustentabilidade energética e da necessidade de redução de emissões poluentes, são hoje os principais desafios que se colocam ao planeamento das cidades. Desde logo em Portugal, dadas as condições de crescente abandono e degradação em que se encontram muitos dos edifícios dos centros históricos das cidades portuguesas, mas também na Europa, uma vez que, a maioria dos centros urbanos europeus são cidades históricas e, por isso mesmo, muito antigas. As cidades parecem estar a redescobrir o valor económico das indústrias criativas e da cultura e, muitas delas, começam a apostar fortemente nestes sectores como forma de dinamização económica e de regeneração de zonas particularmente sensíveis em termos patrimoniais e arquitectónicos. As indústrias criativas e da cultura são actividades que convivem bem com edifícios e zonas particularmente nobres das cidades. Exactamente por isso, assistimos ao surgimento de um conjunto de apostas na rentabilização das oportunidades de regeneração urbana associadas a este tipo de indústrias. De que são exemplo, as estratégias assentes na afirmação de unidades territoriais especializadas em actividades no âmbito das industrias criativas, nomeadamente os Design Districts (district entendido enquanto bairro, área, zona, quarteirão ou circuito urbano), os Fashion Districts, os Museum Districts, os Art Districts, os Antiques Districts, os Video & Cinema Districts, os Music Districts, que começam a ser concretizados em várias cidades em Portugal e no mundo. Muitas das soluções adoptadas têm fortes implicações na identidade e plasticidade dos territórios. Muitas delas, consolidam e tiram partido das identidades territoriais, mas em muitas outras, no esforço de reproduzir localmente soluções bem sucedidas noutros contextos territoriais, assistimos a uma crescente degeneração da identidade dos lugares bem como a alterações estruturais significativas da sua plasticidade que importa acautelar. Nesta comunicação será assim analisada a problemática dos processos de regeneração urbana no que respeita aos modos de se assegurar um justo equilíbrio entre a salvaguarda da identidade dos lugares, e a capacidade de construir condições que lhes possibilite o desempenho de novas funções urbanas e de novas soluções de modernidade.
  • NETO, Paulo CV de NETO, Paulo
  • SERRANO, Maria Manuel CV de SERRANO, Maria Manuel
Paulo Neto é Professor na Universidade de Évora, Departamento de Economia, tem Doutoramento e Agregação em Economia, e é autor de vários artigos e livros científicos publicados em Portugal e no estrangeiro. Foi Pró-Reitor para o Planeamento Estratégico e Director do Departamento de Economia desta Universidade, onde também coordenou vários cursos de licenciatura, pós-graduação e mestrado. É investigador colaborador do Centro de Estudos e Formação Avançada em Gestão e Economia da Universidade de Évora (CEFAGE-UE) e do Centro de Investigação sobre o Espaço e as Organizações da Universidade do Algarve (CIEO-UALG).
Maria Manuel Serrano é Doutorada em Sociologia Económica e das Organizações e Mestre em Sistemas Socio-Organizacionais da Atividade Económica, pelo ISEG/UTL e Licenciada em Sociologia pela Universidade de Évora.
É investigadora do SOCIUS – Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações do ISEG/UTL .
É Professora Auxiliar no Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e Diretora do 1.º Ciclo de Estudos em Sociologia desta Universidade, desde 2009.
É autora de diversas publicações científicas na área da Sociologia Económica e das Organizações.

PAP1406 - A Inclusão através do Desporto Adaptado: o Caso Português do Basquetebol em Cadeira de Rodas
Resumo de PAP1406 - A Inclusão através do Desporto Adaptado: o Caso Português do Basquetebol em Cadeira de Rodas 
PAP1406 - A Inclusão através do Desporto Adaptado: o Caso Português do Basquetebol em Cadeira de Rodas

A presente investigação pretende aprofundar a inclusão social dos praticantes de Basquetebol em cadeira de rodas (BCR) através do desporto adaptado. Assim, examinamos a relação entre e o desporto e o reconhecimento social, interacção social, auto-estima, condição física, imagem corporal e qualidade de vida de pessoas com deficiência motora, bem como as atitudes negativas e obstáculos. A nossa amostra é constituída por 80 praticantes de BCR que fizeram parte do Campeonato Nacional de BCR, na época de 2007/2008, em que 77 são do género masculino e 3 do género feminino, com idades compreendidas entre os 14 e os 63 anos. Através da aplicação de um inquérito por questionário, recolhemos a informação definida pelo nosso modelo de análise, tendo esta sido tratada nos programas informáticos de SPSS e Excel. De uma forma geral, podemos concluir que os praticantes de BCR apresentam uma auto-estima bastante elevada. A maioria considera não existir atitudes negativas, obstáculos ou comportamentos por parte de outras pessoas que possam servir como barreira à sua inclusão social. Da mesma forma, os praticantes de BCR têm uma representação positiva da sua inclusão social, pois consideram que esta modalidade contribui para o reconhecimento do seu valor e para a sua sociabilidade. Concluímos que a maioria dos praticantes de BCR afirma estar satisfeita com a sua imagem corporal (com excepção dos praticantes com menos de 18 anos e em menor grau pelos praticantes com sina bífida e paraplegia). Também, a maioria dos inquiridos dá grande importância à prática desportiva (PD) do BCR, assim como à sua condição física, e considera que esta modalidade lhes incrementa a sua qualidade de vida. Por fim, concluímos ainda, que a maioria dos praticantes teve como primeira PD o BCR, apresentando uma regularidade ao longo do tempo (excepto os praticantes entre os 41 e 60 anos). Actualmente, apresentam uma elevada intensidade da prática (excepto os praticantes com spina bífida e amputação), assim como uma elevada frequência. A maioria afirma estar satisfeita com o desempenho dos profissionais, contudo insatisfeita com a falta de apoio financeiro e logístico. Considera-se, no entanto, não existir obstáculos à acessibilidade desportiva (excepto o bar e as escadas).
  • FREIRE, Marta CV de FREIRE, Marta
Marta Fernandes Freire; Faculdade do Desporto e Educação Física -
Universidade de Coimbra; Desporto Adaptado; Sociologia do Desporto.

PAP1374 - A Infância na sociedade portuguesa: entre crise e reconfigurações.
Resumo de PAP1374 - A Infância na sociedade portuguesa: entre crise e reconfigurações. 
PAP1374 - A Infância na sociedade portuguesa: entre crise e reconfigurações.

A situação social da infância assume-se como um indicador muito pertinente na análise do estado de desenvolvimento humano de um país ou de uma região. Considerando as crianças no presente, e não apenas como uma projeção de futuro, elas representam a expressão viva dos modos como a sociedade está estruturada, como se definem as clivagens e as fraturas sociais, como se constroem a estratificação e as desigualdades, como operam as representações, os processos de reflexividade, a construção das referências, dos valores e das aspirações. Portugal é um país onde estes indicadores exprimem de uma forma poderosa a situação de transição e de confluência em que se encontra. Por um lado, os avanços no que diz respeito, por exemplo, a uma das mais baixas taxas de mortalidade infantil do mundo, às melhorias nas políticas de proteção das crianças em situação de risco ou ainda o decréscimo acentuado da exploração da mão-de-obra infantil, foram, ao longo das últimas décadas algumas conquistas muito significativas para a melhoria do bem-estar e a realização dos direitos das crianças. Por outro lado, persistem ainda indicadores preocupantes relacionados com índices de maus-tratos intrafamiliares significativamente elevados quando comparados com a realidade dos restantes países da OCDE, uma das mais baixas taxas de natalidade do mundo, a polarização social crescente da sociedade portuguesa, entre outros, que nos alertam para o facto de haver, ainda, um caminho longo a percorrer. Esta comunicação pretende, num contexto de aprofundamento da crise europeia, refletir sobre as implicações da crise na situação da infância e das crianças portuguesas. Num primeiro momento trataremos da demografia e das tendências que aí se encontram, confluentes na acelerada diminuição do número de crianças em Portugal. Detemo-nos, depois, nas transformações das estruturas familiares e nas práticas de educação familiares das crianças. Seguidamente analisaremos a evolução da legislação portuguesa caracterizando-a nos planos da educação, saúde e justiça e as suas implicações nas políticas de proteção das crianças ‘das margens’.
  •  NATÁLIA, Fernandes CV - Não disponível 
  • TOMÁS, Catarina CV de TOMÁS, Catarina
  •  SARMENTO, Manuel CV - Não disponível 
Catarina Tomás
Docente do Instituto Politécnico de Lisboa (Escola Superior de Educação de Lisboa)
Investigadora do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho,
Área de formação: Sociologia
Interesses de investigação: Direitos da Criança; Infância e Participação; Metodologias participativas com crianças.

PAP1231 - A Integração das Mulheres Imigrantes Grávidas nos Serviços de Saúde Materna
Resumo de PAP1231 - A Integração das Mulheres Imigrantes Grávidas nos Serviços de Saúde Materna  
PAP1231 - A Integração das Mulheres Imigrantes Grávidas nos Serviços de Saúde Materna

Atualmente é reconhecida a crescente desigualdade social e a crescente assimetria entre diferentes grupos de pessoas em quase todos os países e em diferentes domínios sociais, não sendo a saúde nenhuma exceção. Apesar de todos os cuidados de saúde terem como objetivos principais otimizar a saúde das populações, a realidade é que existe uma notória falta de conhecimento do acesso efetivo dos/as imigrantes aos cuidados de saúde (Fonseca, Silva, Esteves & McGarrigle, 2009) sendo este mais acentuado no que concerne às mulheres imigrantes. A presente comunicação tem como objetivo apresentar e discutir alguns resultados preliminares de uma investigação de cariz qualitativo (ainda em curso) realizada no âmbito de um projeto doutoral em Psicologia Social sobre Imigração Feminina, Maternidade e Saúde Materna. A partir da análise dos discursos de quinze mulheres imigrantes que foram mães em Portugal, procurar-se-á caracterizar as suas experiências ao nível da Saúde Materna, incidindo sobre os significados construídos em torno dos contatos estabelecidos com os serviços de saúde primários e com os/as seus/suas profissionais. Esta caracterização sobre os constrangimentos e/ou facilidades encontradas no acesso aos cuidados de saúde durante a gravidez e maternidade e estratégias utilizadas por estas mulheres no domínio da saúde pretende ser problematizada à luz da Teoria da Interseccionalidade. Só tendo em conta as várias pertenças identitárias das mulheres imigrantes poderemos compreender e analisar os sentidos e as implicações dos significados por elas construídos e as suas eventuais vivências de discriminação intersecional (Crenshaw, 1991) nos contextos de saúde. As evidências encontradas, com base em análises preliminares, apesar de apontarem para dificuldades díspares tendo em conta as diferentes nacionalidades, apontam no sentido da manutenção da tradicional de discursos claramente genderizados e classicistas que vão legitimando a sua submissão/inibição nos contextos de saúde e que se vão traduzindo em comportamentos de passividade face à reivindicação dos seus direitos quando se encontram em situações visivelmente discriminatórias. Esta comunicação pretende contribuir para um novo referencial de análise (Neves, Nogueira & Topa, no prelo) nos estudos sobre imigrações femininas.
  • TOPA, Joana CV de TOPA, Joana
  •  NOGUEIRA, Conceição CV - Não disponível 
  •  NEVES, Sofia CV - Não disponível 
Joana Bessa Topa
Licenciada em Psicologia e Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde pelo Instituto Superior da Maia. É pós-graduada em Intervenção Social pela Escola Superior de Paula Frassinetti. Neste momento frequenta o programa doutoral em Psicologia Social pela Universidade do Minho. Exerce funções profissionais como Mediadora Escolar e desempenha funções de professora assistente e investigadora no Instituto Superior da Maia (ISMAI), sendo membro integrante da Equipa de Investigação “Mulheres Imigrantes Grávidas em Portugal”, em curso no Instituto Superior da Maia (ISMAI), sob a coordenação da Prof. Doutora Sofia Neves. É ativista em prol dos Direitos Humanos e Igualdade de Género. Tem como interesses de pesquisa científica: estudos de género, feminismos e processos migratórios.

PAP0754 - A Interface Cidade-Porto em Vitória/Brasil a partir das Propostas de Revitalização Urbana para a Área Portuária
Resumo de PAP0754 - A Interface Cidade-Porto em Vitória/Brasil a partir das Propostas de Revitalização Urbana para a Área Portuária 
PAP0754 - A Interface Cidade-Porto em Vitória/Brasil a partir das Propostas de Revitalização Urbana para a Área Portuária

Verificamos duas tendências nas cidades portuárias no final do século XX: a obsolescência de áreas portuárias encaixadas nas zonas centrais de cidades e os projetos de revitalização dos centros urbanos. Neste cenário, ganha força o movimento dos waterfronts, que sugere que zonas portuárias em áreas urbanas sejam reconvertidas em espaços que valorizem o patrimônio histórico-portuário. Muitas das discussões sobre cidades portuárias passaram a acontecer dentro dos grandes projetos de revitalização urbana, como é o caso de Vitória/ES. O centro histórico e o porto de Vitória fazem parte da agenda do poder público no contexto de projetos de revitalização e recuperação de seu simbolismo histórico e potencial turístico. Vitória é uma cidade portuária de origem colonial. O porto está encravado no tecido urbano, localizado no centro histórico, na baía da ilha de Vitória. O porto ajudou a cidade a se consolidar como capital do Espírito Santo e teve papel ativo nos ciclos econômicos capixabas. Na década de 1990, acreditava-se que o porto havia chegado ao seu esgotamento. O poder público local enxergou como oportunidade de reconversão da área portuária urbana para usos de lazer, consumo e turismo. Através dos planos de revitalização, a Prefeitura Municipal de Vitória (PMV) formalizou a proposta de sua transformação em espaço de turismo e lazer aos moldes dos waterfronts. Tais idéias consolidaram o afastamento na interface cidade-porto e inviabilizaram o diálogo entre as partes. Situação que só vem a ser alterada com a troca de governos na Prefeitura. A nova gestão local apresentou propostas mais brandas para a zona portuária, conciliando a manutenção da atividade do porto com usos urbanos apenas dos espaços portuários ociosos. Retoma-se o diálogo cidade-porto e avança-se em projetos concretos que reaproximarão a população de seu porto, mas que ainda convivem com conflitos de interesse pontuais. Frente ao assunto e à mudança de posicionamento do governo local, surpreende a apatia da sociedade civil, que parece ter perdido o referencial de ser cidade portuária e não se manifesta ante a possibilidade de perder também seu patrimônio histórico.
  •  VASCONCELOS, Flavia Nico CV - Não disponível 

PAP1162 - A Mediação Penal em Portugal - do debate à implementação
Resumo de PAP1162 - A Mediação Penal em Portugal - do debate à implementação PAP1162 - A Mediação Penal em Portugal - do debate à implementação
PAP1162 - A Mediação Penal em Portugal - do debate à implementação

No âmbito da tese de mestrado Mediação Penal e Justiça restaurativa. O debate em Portugal, ISCTE-IUL, 2010, procurou-se compreender a recente implementação da Mediação Penal em Portugal. Esta comunicação servirá para apresentar e colocar à discussão os seus resultados. Primeiramente, desvendar o contexto internacional em que a mediação penal emergiu. Em seguida, dar conta do debate nacional promovido em torno da temática, desenvolvendo uma reflexão que evidencia os actores que mais se realçaram no espaço público nacional, onde se sobressaem intervenientes políticos, académicos e profissionais que intervêm directamente na sua implementação, como os Mediadores e Magistrados do Ministério Público. E, finalmente, procura-se enriquecer a exposição e a discussão com alguns dados empíricos relativos à implementação da Mediação Penal em Portugal, recolhidos no âmbito do estudo Monitorização da Mediação Penal (2008-2010, em resultado do protocolo celebrado entre o GRAL e a Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa. Dados que se prendem com os tipos de crimes remetidos para mediação, as forma de resolução encontradas e a satisfação das partes. A mediação inscreve-se num processo mais lato de desjudicialização e informalização do sistema de justiça. Este processo procura promover a participação dos cidadãos, destacar o papel da vítima e a ressocialização do infractor. Por outro lado, procura colmatar a crescente ineficiência do sistema de justiça formal. O debate nacional, particularmente centrado na noção de mediação penal sob o pano de fundo da justiça restaurativa, parece ser no essencial impelido pelas orientações internacionais, tanto mais que, cronologicamente, se inicia sob a forma de medidas políticas e reflexões teóricas, na sequência da directiva comunitária, Decisão-Quadro 2001/220/JAI. De facto, as últimas duas décadas do século XX são frutíferas num debate internacional sobre esta temática, facilmente verificável pela produção documental de nível político internacional. Contudo, em Portugal o debate despoletou apenas no início do século XXI que culmina com a implementação da Mediação Penal em 2007 sob a Lei n.º 21/2007, de 12 de Junho.
  •  COSTA, Sónia CV - Não disponível 

PAP0684 - A Mercadorização do Futebol e seus Impactos na Infância Pobre
Resumo de PAP0684 - A Mercadorização do Futebol e seus Impactos na Infância Pobre 
PAP0684 - A Mercadorização do Futebol e seus Impactos na Infância Pobre

O presente texto trata dos efeitos que a mercadorização do futebol produz nos processos de socialização de crianças moradoras da favela Pantanal na zona leste da cidade de São Paulo - Brasil. Para tanto, pretendemos aqui debater alguns aspectos que se relacionam com os papéis do brincar e do jogar na vida da criança e como esses fenômenos mercadológicos vividos no mundo do esporte (futebol) impactam no cotidiano desses sujeitos alterando a própria experiência infantil. Brincar e jogar são dois verbos que estão diretamente associados ao desenvolvimento psicossocial. Assimilar e construir regras, valores, negociá-los consigo mesmo e com o outro, etc., são aspectos estruturantes do desenvolvimento infantil. Porém, a questão que nos chama a atenção é a seguinte: Como impacta na vida de crianças a ‘mercadorização da infância’? Nas múltiplas possibilidades de mercadorização da infância, elegemos a mercadorização do futebol enquanto espetáculo e o impacto desta no desenvolvimento sócio-afetivo de meninos pobres entre 8 e 12 anos. O futebol é o esporte mais praticado no Brasil. Quem nunca foi ao estádio, ou nunca jogou uma partida, ou ainda, não esteve torcendo por algum time? Presenteia-se às crianças com bolas, camisas de clubes etc. e também com o time que deveriam torcer. E, por fim, na escola meninos jogam futebol, sem pensar se poderiam fazer outra atividade, visto que é o esporte de melhor aceitação e que desperta maior interesse nos alunos. A isso é preciso acrescer o fato de que a prática do futebol enquanto ‘brincar’ e ‘jogar’ pelo simples prazer de fazê-lo, já não é algo tão determinante no universo infantil. O que se apresenta como cada vez mais determinante é a idéia da competição, da concorrência e, por conseguinte, impregnada pela idéia de ser o esporte uma forma privilegiada de ascensão social. Com isso, muito da infância se esvai entre a rígida rotina dos treinos e a dos estudos. Jogar e brincar passam a ser palavras com significados distintos daquelas que conhecemos e das que elas mesmas teriam se não estivessem enquadradas em uma miniatura do mundo adulto, privadas da liberdade que caracteriza brincar e o jogar como bem recorda Huizinga (2002). Tais considerações nos levam à entender um pouco mais o peso que a ação externa dos meios de comunicação têm sobre a população e, em especial, sobre as crianças que estão em fase de socialização tanto primária quanto secundária (Berger e Luckmann, 2001). Estas atuações externas sobre as crianças servem para levá-las à internalizar os discursos da concorrência e da ascensão social tão presentes na sociedade ocidental conduzida pela lógica de mercado.
  •  SILVA, Alessandro CV - Não disponível 
  •  ALMEIDA, Marco CV - Não disponível 

PAP1262 - A Nazaré- Um Lugar na Tradição
Resumo de PAP1262 - A Nazaré- Um Lugar na Tradição 
PAP1262 - A Nazaré- Um Lugar na Tradição

A Nazaré é justamente conhecida como importante ícone no mosaico de culturas regionais que serviram à construção da Nação portuguesa. Num tempo em que o génio de cada povo, a sua singularidade, a língua, e sobretudo a cultura popular serviram para legitimar o direito de cada povo a existir enquanto entidade política organizada em Estado-Nação, a Nazaré, entre outros lugares tomados como genuínos representantes de uma portugalidade antiga, foram escolhidos como topos centrais para a afirmação da Nação portuguesa perante as outras nações. Desta forma, a cultura piscatória da Nazaré foi objeto de um trabalho de apropriação por parte das elites nacionais, políticas, artísticas e intelectuais. Este trabalho de apropriação da tradição local pelas elites levou a uma estilização e transformação tão grande de determinados elementos da cultura piscatória, como o vestuário, a música, que levou os folcloristas a falar de um apagamento do seu “verdadeiro folclore” e consequente substituição por um folclore inventado, e por isso não genuíno. Por outro lado, a pequena burguesia local do primeiro quartel do século vinte soube aproveitar a seu favor e da comunidade este interesse externo, quer por razões políticas quer económicas e tornou-se ela própria um ator importante neste processo de folclorização da cultura piscatória. Hoje a Nazaré, vista como um lugar de tradição é na verdade, para a maioria da sua classe média, de comerciantes e todos os setores de actividade ligados aos serviços, a que se juntaram os filhos dos pescadores, uma sociedade pós-tradicional, segundo a expressão de Giddens. Neste sentido, o modo de vida piscatório tradicional é apropriado como fonte de criação identitária servindo a todos para a afirmação de uma especificadade perante as forças homogeneizadoras da modernidade.
  •  TRINDADE, José Maria CV - Não disponível 

PAP0477 - A Pobreza e a Exclusão Social no Brasil e em Portugal: um estudo comparativo
Resumo de PAP0477 - A Pobreza e a Exclusão Social no Brasil e em Portugal: um estudo comparativo PAP0477 - A Pobreza e a Exclusão Social no Brasil e em Portugal: um estudo comparativo
PAP0477 - A Pobreza e a Exclusão Social no Brasil e em Portugal: um estudo comparativo

Nosso trabalho é resultado de pós doutoramento realizado na Universidade do Porto, que propôe- se a um estudo comparativo a fim de pensar as relações centro / periferia em dois países ( Brasil e Portugal), nas cidades de Ribeirão Preto (Brasil) e Porto ( Portugal ), em espaços sociais periféricos e violentos das duas cidades, o bairro periférico do Ipiranga ( Ribeirão Preto/Brasil ) e o bairro social do Lagarteiro (Porto/Portugal ), no intuito de analisar e compreender a organização desses espaços sociais, em suas características e imbricações, identidades e diversidades, especificidades e generalidades, abarcando a organização desses espaços econômicos, sociais e culturais internos, bem como em sua dinâmica interna / ampliada; entre centro e periferia do capitalismo mundial. No decorrer do trabalho, nos deparamos com as dinâmicas e formas de sociabilidade desses espaços, o que nos chamou a atenção para as relações de gênero alí estabelecidas. Enquanto espaços de segregação social, encontramos uma rearticulação entre formas de sociabilidade tradicional, capitalista e das/nas ruas, bem como a reorganização familiar predominantemente baseada na monoparentalidade materna. . Assim, ao pensarmos num espaço social periférico no Brasil, trabalhamos com a cidade de Ribeirão Preto, um espaço privilegiado dentro do Brasil, que possui uma dinâmica muito desenvolvida e tecnologicamente avançada em todos os setores da produção, distribuição e terceirização, porém isso não a livra dos espaços de pobreza e exclusão, como o bairro do Ipiranga. A fim de compararmos os espaços em estudo, em Portugal, trabalhamos com a cidade do Porto, cidade mais importante da industrializada zona do litoral norte de Portugal, no bairro social Lagarteiro, uma região do Complexo do Cerco, caracterizada como área de segregação/exclusão social. Os sujeitos, nesses espaços, denunciam, por meio de sua sociabilidade, pela força, pela violência e criminalidade, uma sociedade que os exclui e os segrega para longe dos grandes centros integrados. Encontramos então sujeitos, espaços e sociedades calcadas na contradição entre classes, entre trabalho e não trabalho, entre gêneros, etnias, gerações, espaços socias de inclusão e exclusão e toda a multiplicidade de contradições que caracterizam as nossas sociedades Dessa forma, nos propomos a tratar, nesse trabalho, de pensar nas diversas e rearticuladas formas de vivência familiar, em espaços sociais segregados/de exclusão, numa perspectica comparativa entre Brasil e Portugal, entre centro e periferia do capitalismo atual, considerando as diversas e significativas modificações, nesses espaços, no que concerne às suas vivências nessas famílias e espaços sociais.
  •  PAULA, Sandra Leila de CV - Não disponível 

PAP0519 - A Problemática da Política Educacional em Timor-Leste
Resumo de PAP0519 - A Problemática da Política Educacional em Timor-Leste 
PAP0519 - A Problemática da Política Educacional em Timor-Leste

Pretende-se, neste trabalho, questionar sobre o futuro da língua Portuguesa como língua de ensino em Timor-Leste, com o estatuto de língua oficial a par do Tétum, reconhecido pela Constituição do país. Torna-se igualmente pertinente inquirir sobre a política educacional do governo relativamente à intensificação da formação de professores de língua portuguesa, que se encontra numa fase ainda frágil, e parece estar mais fragilizada devido à nova política da introdução das línguas maternas no início da escolaridade básica. Neste sentido, é de extrema importância que, antes da sua implementação, tenha lugar uma formação intensiva de professores e formadores de forma que se possam alcançar os objectivos alvejados. Na falta da referida formação, esta política, embora seja uma sugestão da UNESCO e das agências financiadoras internacionais, é considerada uma política inviável e impraticável, não só pela existência do complexo quadro linguístico em Timor-Leste com pelo menos dezasseis línguas, mas também pela falta de condições em termos de materiais didácticos (manuais e outros materiais de apoio) e professores formados para o ensino de todas estas línguas.

PAP1334 - A Proteção Social no Brasil: a nova face dos cuidados
Resumo de PAP1334 - A Proteção Social no Brasil: a nova face dos cuidados 
PAP1334 - A Proteção Social no Brasil: a nova face dos cuidados

Ao analisar o desenvolvimento da proteção social no Brasil, a família se destaca como instituição fundamental na provisão dos recursos, mesmo a entendendo como lócus do desenvolvimento dos indivíduos, as características assumidas por ela é de total responsabilidade pelos proventos. Além da família outra instituição merece destaque neste contexto, a igreja, que com por meio de ações de filantropia, pautadas no humanismo cristão, desenvolveu e desenvolve ações de respostas imediatas as necessidades dos indivíduos. Ambas as instituições são movidas por sentimentos de afeto, afinidades, e solidariedade (SZYMANSKI, 2002). Nessa relação se manifesta as ações de cuidado mútuo pautado em motivações individuais, que estão fundamentadas no mérito, no favor e na graça e não no reconhecimento de direitos e na estabilidade e segurança da provisão. Tanto a família quanto a igreja fazem parte da comunidade próxima, que é aquela que reproduz a sociabilidade primária, um tipo de provisão pautada nas relações de cuidado com e para o próximo, sem exigir especialização da atenção destinada (CASTEL, 1998). No século XX, o Brasil tem um ganho, no que tange a proteção social, que é a inserção do Estado nas ações de provisão e cuidados aos necessitados, a princípio esta era destinada a um grupo seleto, os trabalhadores, em seguida ela foi ampliada aos seus dependentes e, em 1988, a Constituição Federal a promulga como dever do Estado ampliado a todos os cidadãos brasileiros. Mas nos anos 1990 emerge no contexto político do país um processo de reforma do Estado, que refletiu no desmonte de políticas sociais públicas e na negligência do Estado, na execução de seu papel como provedor (BEHRING, 2008). Neste contexto a comunidade próxima é evocada como elemento central para a produção dos cuidados e para a provisão das necessidades dos indivíduos, transformando o coletivo em problema individual tratado de forma solidária. Por outro lado o Estado promove ações de provisão fragmentadas e imediatas de forma seletiva, cuja finalidade é de estabelecer a desigualdade necessária para o bom desenvolvimento do capitalismo e ampliar o poder do mercado, que se utiliza de uma “face humanitária”, por meio de ações de “responsabilidade social” para transformar a pobreza e a questão social em palco de atuação de um só protagonista, o lucro, gerando fenômenos como a judicialização dos direitos, a mercantilização da pobreza, a refilantropização da assistência e a despolitização da questão social. R
  • SOARES, Maurício Caetano M. CV de SOARES, Maurício Caetano M.
Maurício Caetano Matias Soares
Graduado em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestre em Política socail pela Universidade Federal Fluminense atua como asssitente social na área da saúde há 9 anos e há 10 anos realiza pesquisas na área da súde voltadas para atuação profissional frente as políticas sociais de saúde brasileira e avaliação das políticas sociais brasileira frente ao acesso a elas como efetivação de direito através do Nucleo de Pesquisa de Questão Social, Serviço Social e Polítca Social da Escola de Serviço Social da UFRJ e faz parte como membro do corpo docente do centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM/RJ).

PAP0418 - A Punição do Sofrimento Psíquico no Brasil: Reflexões sobre os Impactos da Reforma Psiquiátrica no Sistema de Responsabilização Penal
Resumo de PAP0418 - A Punição do Sofrimento Psíquico no Brasil: Reflexões sobre os Impactos da Reforma Psiquiátrica no Sistema de Responsabilização Penal 
PAP0418 - A Punição do Sofrimento Psíquico no Brasil: Reflexões sobre os Impactos da Reforma Psiquiátrica no Sistema de Responsabilização Penal

Após duas décadas de lutas pela reforma do sistema de internação psiquiátrica no Brasil, em 2001 foi publicada a Lei Federal 10.216, que define os direitos e a proteção das pessoas acometidas de transtorno mental. A Lei que institucionaliza a reforma psiquiátrica brasileira, fortemente inspirada nos postulados teóricos da Antipsiquiatria e da Criminologia Crítica, foi explícita ao vedar a internação de pacientes portadores de transtornos mentais em instituições com características asilares, definindo formas não manicomiais de tratamento baseadas no princípio fundamental de respeito à dignidade e à autonomia do usuário do sistema de saúde mental. A dignidade e a autonomia do paciente são instrumentalizadas pelos direitos de informação sobre sua doença, direito de interagir na definição do tratamento, direito de aderir voluntariamente a terapêutica proposta, e, nos casos limites, o direito de ser comunicado, através de médico, sobre os motivos da hospitalização involuntária – nos casos de internação involuntária estabelece critérios de controle da medida pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário. A ideia fundamental da Lei foi proporcionar tratamentos adequados em ambientes terapêuticos menos invasivos possíveis, preferencialmente os serviços comunitários de saúde mental. No entanto, apesar de a Lei 10.216 não excluir portadores de sofrimento psíquico que praticaram delitos, após uma década de vigência os manicômios judiciais brasileiros seguem intactos, imunes dos preceitos da reforma psiquiátrica. Assim, o estudo pretende relatar o quadro atual da punição dos portadores de sofrimento psíquico no Brasil através da aplicação judicial de medidas de segurança em regime manicomial. A pesquisa se justifica não apenas em razão da injustificável incongruência da exclusão dos atores de delitos da incidência da Lei da Reforma Psiquiátrica, mas, sobretudo, pela evidente violação dos direitos humanos dos portadores de sofrimento psíquico submetidos à internação manicomial. A hipótese central do trabalho é a de que o rótulo criminoso cria uma espécie de justificativa metanormativa que legitima a imposição de regimes carcerários como forma de sanção, para além das vedações legais. O levantamento bibliográfico, a sistematização dos dados sobre as medidas de segurança e a pesquisa etnográfica nas instituições manicomiais do sul do Brasil, especificamente Porto Alegre, permitem evidenciar a criação, por parte dos experts do sistema punitivo, de um discurso híbrido, impregnado de metarregras, que tangencia a linguagem jurídica e psiquiátrica, e que é altamente eficaz na produção de sentidos legitimadores dos manicômios judiciários apesar da reforma.
  •  CARVALHO, Salo de CV - Não disponível 
  •  WEIGERT, Mariana de Assis Brasil e CV - Não disponível 

PAP0691 - A REPRESENTAÇÃO CONTEMPORÂNEA DA CAVERNA DE PLATÃO: NARRATIVAS DA AUSÊNCIA E DO PODER NA ESCRITA SARAMAGUIANA NA VIGÊNCIA DO CAPITALISMO TARDIO
Resumo de PAP0691 - A REPRESENTAÇÃO CONTEMPORÂNEA DA CAVERNA DE PLATÃO: NARRATIVAS DA AUSÊNCIA E DO PODER NA ESCRITA SARAMAGUIANA NA VIGÊNCIA DO CAPITALISMO TARDIO PAP0691 - A REPRESENTAÇÃO CONTEMPORÂNEA DA CAVERNA DE PLATÃO: NARRATIVAS DA AUSÊNCIA E DO PODER NA ESCRITA SARAMAGUIANA NA VIGÊNCIA DO CAPITALISMO TARDIO
PAP0691 - A REPRESENTAÇÃO CONTEMPORÂNEA DA CAVERNA DE PLATÃO: NARRATIVAS DA AUSÊNCIA E DO PODER NA ESCRITA SARAMAGUIANA NA VIGÊNCIA DO CAPITALISMO TARDIO

No roman à thèsè “A Caverna”, Saramago cria um artifício de representação que pondera a respeito da trajetória de um desacorrentado do mundo das sombras que desce ao mundo subterrâneo de um Centro Comercial para elucidar formas de domínio contemporâneas. O artigo é parte de uma Pesquisa de Doutorado que analisa o romance a partir da crítica ao funcionamento do princípio do mercado que confina o Estado e deslegitima formas de sociabilidade já propostas, seja pela fase liberal seja pela organizada do capitalismo tardio que, não obstante, desoculta outras sociabilidades, práticas e culturas que a modernidade subalternizou, revelando-as, ao mesmo tempo, como espaços politizados. Saramago critica a incapacidade do capitalismo de construir humanamente a conjuntura existencial do homem, cuja realidade é marcada pela nova divisão internacional do trabalho, pela dinâmica vertiginosa das transações bancárias, pelas novas formas de interrelacionamento das mídias, que são apenas manifestações visíveis do sistema econômico. Desse itinerário se depreende que o esmaecimento do sentido histórico, a substituição da categoria tempo enquanto dominante pelo espaço ou a transmutação das coisas em imagens no processo de reificação, mais do que características de uma dominante cultural, constituem traços estruturais do capitalismo tardio, que se legitima pela dissolução explosiva da autonomia da esfera cultural, descrita como uma prodigiosa expansão da cultura até o ponto em que tudo na vida social, do valor econômico e do poder do Estado à estrutura da psique, deve ser considerado como cultural. A colonização do real pela cultura surge como uma atualização, uma amplificação telescópica da indústria cultural, pratica-se o culturicídio advindo da incapacidade de se construir um sistema de relações que avoque a liberdade de culturas minoritárias e periféricas, restando o funcionalismo vazio de um sistema de produção/troca de informações/serviços cujo objetivo é a acelerada racionalização da produção. O artigo enfatiza como os discursos ético-políticos preenchem as condições comunicativas para um auto-entendimento hermenêutico de coletividades, porquanto devem possibilitar uma autocompreensão autêntica e conduzir para a crítica de um projeto de identidade, em que é necessário o preenchimento de certas condições de uma comunicação não- deformada sistematicamente, que proteja os participantes contra repressões, sem arrancá- los de seus genuínos contextos de experiências e interesses.
  •  BARBOSA, Ramsés Albertoni CV - Não disponível 

PAP0636 - A Reconfiguração da gestão universitária em Portugal
Resumo de PAP0636 - A Reconfiguração da gestão universitária em Portugal 
PAP0636 - A Reconfiguração da gestão universitária em Portugal

A partir de meados dos anos 1980, muitos países da Europa ocidental levaram a cabo reformas dos seus sistemas da administração pública. Por um lado, essas reformas procuraram responder à crise financeira e política dos estados providência e, por outro lado, promover o reposicionamento dos sistemas sociais regulados pelo Estado no contexto das pressões globais inspiradas, hegemonicamente, pelo pensamento e acção neoliberais. A partir dos anos 1990, partindo desde a inspiração da Nova Gestão Pública até aos modelos chamados de Nova Governação, para só nomear estes, foram elaborados propostas e planos de reconfiguração das instituições públicas e, consequentemente, da regulação estatal dos sistemas sociais. Da transformação do estado regulador até ao estado promotor do mercado como forma de regulação, passando pelo estado supervisor, resultaram reformas que afectaram a gestão das universidades públicas na Europa. Portugal e o sistema de ensino superior também se reconfiguraram neste contexto, articulando a necessidade de responder ao fluxo político global de ideias e de acção sobre a sua gestão e a especificidade dos problemas nacionais relacionados com a gestão das universidades públicas. A reforma da gestão universitária iniciada em 2007 com o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior veiculou os três vectores de reforma comuns ao discurso e práticas reformadores: autonomia, qualidade do serviço prestado e prestação de contas. Esta comunicação visa analisar o modo como três universidades portuguesas reagiram a esses estímulos políticos e reconfiguraram a sua gestão. Com base nos dados recolhidos no projecto europeu, Transforming Universities in Europe, foi ministrado um questionário em 24 universidades públicas europeias, de 8 países (Alemanha, França, Itália, Noruega, Países Baixos, Portugal, Reino Unido e Suíça). Este questionário recolheu as percepções de Reitores, de Administradores, de membros do Conselho Geral, do Senado e dos Directores de Faculdade/Escola sobre as dimensões política dos seus instrumentos e do papel e função dos órgãos na governação e gestão das instituições. As três universidades seleccionadas para este artigo, não sendo representativas do sistema público, pelas suas características permitem conclusões relevantes sobre as transformações da governação e gestão universitárias em Portugal.
  •  MAGALHÃES, António M CV - Não disponível 
  •  VEIGA, Amélia CV - Não disponível 
  •  SOUSA, Sofia CV - Não disponível 
  •  RIBEIRO, Filipa M. CV - Não disponível 

PAP1212 - A Revitalização da Lapa: Consumo e Patrimônio na Construção Social do Espaço Público no Rio de Janeiro.
Resumo de PAP1212 - A Revitalização da Lapa: Consumo e Patrimônio na Construção Social do Espaço Público no Rio de Janeiro. PAP1212 - A Revitalização da Lapa: Consumo e Patrimônio na Construção Social do Espaço Público no Rio de Janeiro.
PAP1212 - A Revitalização da Lapa: Consumo e Patrimônio na Construção Social do Espaço Público no Rio de Janeiro.

Este projeto pretende tratar da revitalização da Lapa, região no centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. A revitalização da Lapa inicia-se com a valorização do patrimônio local pela legislação do Corredor Cultural no final de década de 1970, a implantação, em 1982, do Circo Voador e, posteriormente, da Fundição Progresso. Na década de 90, o projeto Quadra da Cultura destinou sobrados na Avenida Mém de Sá, de propriedade estadual e, antes ocupados por pequenos negócios, para instituições artísticas e culturais o que deu início a um circuito de festas, bailes e espetáculos. Posteriormente, surgiu uma nova área de atividades boêmias composta de restaurantes e bares que aumentou o número de usuários e ambulantes, principalmente, à noite. Essas atividades expandiram-se para novas áreas da região com a abertura de várias casas de show e bares. A inauguração da restauração da Rua do Lavradio em maio de 2002, a implementação de novas políticas públicas para a área (Distrito Cultural da Lapa, Lapa Legal) e a construção e sucesso de vendas do Condomínio Cores da Lapa apontam para a radicalização nas mudanças da área. Nessa época, a Lapa começou a atrair, de forma continuada, a atenção da mídia, dos planejadores, de empresários e do mercado imobiliário aumentando a força de certos agentes na regeneração da área. Desse modo, busca-se se o caso da Lapa implica a reinvenção de tradições e patrimônios paralelamente a melhoria de infra-estrutura urbana, restauração e refuncionalização de edificações históricas, de forma a criar uma nova imagem da cidade e promover a reapropriação dessas áreas por novas camadas da população e pelo capital, com o desenvolvimento de um circuito de cultura, lazer, entretenimento e turismo, de forma a potencializar sua valorização econômica e inserção no mercado global. A ênfase do trabalho recai, sobretudo, nas práticas de consumo do patrimônio cultural e no papel dos novos intermediários culturais nesses processos e na formação de espaços públicos fragmentados.
  • BRANDÃO, Joseane Paiva Macedo CV de BRANDÃO, Joseane Paiva Macedo
Possui graduação em ciências sociais (1999) e mestrado em ciências sociais (2003) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Desde 2009, é doutoranda em sociologia do Núcleo do Pós Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais da Universidade Federal de Sergipe com realização de doutorado sanduíche (2009-2010) no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. É também técnica em ciências sociais do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e tem experiência de pesquisa na área de sociologia urbana, sociologia da cultura e patrimônio cultural.

PAP1397 - A Serra da Estrela e a Blogosfera: contributo para o estudo da imagem da Serra construída pelos seus habitantes na «rede»
Resumo de PAP1397 - A Serra da Estrela e a Blogosfera: contributo para o estudo da imagem da Serra construída pelos seus habitantes na «rede» PAP1397 - A Serra da Estrela e a Blogosfera: contributo para o estudo da imagem da Serra construída pelos seus habitantes na «rede»
PAP1397 - A Serra da Estrela e a Blogosfera: contributo para o estudo da imagem da Serra construída pelos seus habitantes na «rede»

A imagem da Serra transmitida pelos meios de comunicação tradicional indicia que os meios de comunicação tradicionais continuam a reproduzir a imagem da região da Serra da Estrela construída durante o Estado Novo muito colada à imagem da neve, do frio, de ícones turísticos e dos desportos de inverno onde já não se revêem muitos dos seus habitantes. O advento da internet, o número crescente de utilizadores e os serviços, por ela, disponibilizados vieram tornar o espaço virtual como uma incontornável agência de socialização, ainda que mediada pela tecnologia. A massificação da blogosfera que sucedeu na viragem do século veio permitir novas formas de intervenção no espaço público e dar voz inclusive às comunidades que se encontram mais distantes dos centros de decisão. Diversos estudos referem que os Blogues são o espaço, por excelência, onde se podem expressar aqueles que têm mais dificuldade em fazer-se ouvir, quer o pretendam fazer com objectivos pessoais, promocionais ou institucionais. Neste estudo, que teve como objecto um conjunto de blogues da responsabilidade de habitantes desta região e cujo tema é explicitamente a Serra da Estrela pretendeu-se, à luz de metodologias de cariz qualitativo, analisar as temáticas mais recorrentemente discutidas e que, por essa razão, dão sentido a quem vive nestes territórios de montanha. Palavras-chave: blogs, blogosfera, estudos sobre blogues, imagem das regiões, Serra da Estrela.
  •  OLIVEIRA, Nelson Clemente Santos Dias CV - Não disponível 

PAP0350 - A Sociedade Bíblica em Portugal no século XIX: a difusão da Bíblia em português como motor de diversificação sociocultural
Resumo de PAP0350 - A Sociedade Bíblica em Portugal no século XIX: a difusão da Bíblia em português como motor de diversificação sociocultural 
PAP0350 - A Sociedade Bíblica em Portugal no século XIX: a difusão da Bíblia em português como motor de diversificação sociocultural

A Sociedade Bíblica desenvolveu-se ao longo do século XIX em Portugal com base num objectivo fundamental de difusão da Bíblia, participando dum movimento de grande escala, iniciado na Grã-Bretanha, em 1804, com a criação da British and Foreign Bible Society (BFBS). Originária de um ambiente protestante e formatada por esse mesmo ambiente, colocou, em Portugal, os problemas essenciais da pluralidade das traduções da Bíblia e da vulgarização dos textos bíblicos com todas as questões de legitimação e fundamentação que as mesmas colocam, donde resultou um importante impacto cultural na sociedade portuguesa. Pretende-se analisar esse processo de estruturação da Sociedade Bíblica em Portugal enquanto movimento de natureza não-denominacional e gerador de um espaço próprio no seio da larga escala da reconfiguração missionária oitocentista e, num sentido mais estrito, no interior da sociedade portuguesa. Organizando-se na transição do século XIX para o século XX como uma plataforma de encontro entre todos os grupos protestantes, consensualmente unidos em torno da centralidade conferida à Bíblia, a análise da história da Sociedade Bíblica em Portugal conduz também à reflexão sobre o modo como esse movimento se desenvolveu enquanto experiência de diversificação sociocultural num ambiente religioso (e cultural) maioritariamente católico romano, onde a relação com a Bíblia é substancialmente distinta da do universo protestante.
  • LEITE, Rita Mendonça CV de LEITE, Rita Mendonça
Rita Mendonça Leite é licenciada em História e Mestre em História Contemporânea pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É investigadora integrada do Centro de Estudos de História Religiosa -da Universidade Católica Portuguesa. Trabalha na área da História Religiosa e das correntes cristãs na época moderna e contemporânea, com destaque para as questões do Protestantismo e da pluralidade religiosa no Portugal Contemporâneo. Actualmente encontra-se a fazer o seu doutoramento em História e Cultura das Religiões (CEHR-UCP e FL-UL) em torno da temática: “A Sociedade Bíblica em Portugal como experiência de diversificação sociocultural e religiosa no século XIX: o debate entre texto e autoridade”. É Bolseira da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

PAP1339 - A Sociologia das Emoções e a acção social em contextos de risco e incerteza: interrogações sociológicas e evidências empíricas sobre a violência de género
Resumo de PAP1339 - A Sociologia das Emoções e a acção social em contextos de risco e incerteza: interrogações sociológicas e evidências empíricas sobre a violência de género 
PAP1339 - A Sociologia das Emoções e a acção social em contextos de risco e incerteza: interrogações sociológicas e evidências empíricas sobre a violência de género

Esta comunicação tem como objectivo reflectir sobre várias interrogações suscitadas a partir de investigações sociológicas feitas em Portugal, onde os actores sociais são condicionados a agir em contextos de risco e incerteza; de algum modo, tais preocupações teóricas e metodológicas estão na origem da organização da recente secção temática da APS sobre as emoções. Ela resulta em muito da insatisfação teórica que uma equipa da Universidade Nova de Lisboa foi sentindo em várias investigações empíricas, que tem realizado nos últimos 15 anos, em diferentes domínios do social. O caso do estudo sociológico da violência de género é disso paradigmático. A acção dos actores sociais envolvidos, vítimas ou agressores, particularmente nos contextos limite da interacção violenta, não pode ser compreendida sem se ter em consideração as várias dimensões emocionais e sentimentais que emergem e condicionam essa mesma acção. Algumas delas são mesmo determinantes na produção e reprodução da violência. De facto, as velhas teorias das ciências sociais, por mais importantes que ainda o sejam, parecem já não dar resposta a um conjunto amplo de problemas das sociedades actuais, pelo que, talvez, sejam necessárias rupturas epistemológicas que permitam construir novos objectos de estudo e produzir novas metodologias de pesquisa. A Sociologia das Emoções pode a esse nível dar um contributo significativo: chamando a si uma área que tradicionalmente tinha sido deixada à Psicologia e abrindo portas à articulação com outras ciências numa perspectiva interdisciplinar.
  •  LISBOA, Manuel CV - Não disponível 

PAP1117 - A Tragédia de Entre-os-Rios: Estado, comunidade e a gestão moral de um desastre
Resumo de PAP1117 - A Tragédia de Entre-os-Rios: Estado, comunidade e a gestão moral de um desastre 
PAP1117 - A Tragédia de Entre-os-Rios: Estado, comunidade e a gestão moral de um desastre

Em Março de 2001, a ponte Hintze Ribeiro, em Castelo de Paiva, colapsa. Cinquenta e nove pessoas perdem a vida naquele que se tornará, à data, o mais grave acidente rodoviário em Portugal. Na sequência da queda da ponte Hintze Ribeiro, a Tragédia de Entre-os-Rios, como ficou significativamente conhecida, o concelho de Castelo de Paiva não voltará a ser o mesmo. Na sequência da fracção de segundos necessária à perpetuação do acidente, Castelo de Paiva passa de uma pequena vila desconhecida ao palco de uma das mais intensas e prolongadas operações mediáticas que deixa o País cativo perante as operações de socorro e os sobressaltos políticos. Volvida mais de uma década, propomo-nos regressar ao acontecimento de 4 de Março. A análise que nos propomos realizar toma como ponto de partida a tradição da sociologia dos desastres, iniciada nos anos 40, nos Estados Unidos, retomando as inquietações que animaram estes estudos pioneiros, a saber, o modo como reage, responde, se reergue, se organiza colectivamente e sobrevive uma comunidade atingida por um desastre. Complementarmente, pretende-se igualmente evidenciar o modo como os desastres ou as catástrofes representam momentos em que são as instituições, nomeadamente do Estado, que são postas à prova, podendo determinados acontecimentos conduzir à quebra de expectativas ou mesmo à ruptura na confiança nessas instituições. Assim, os acontecimentos extremos, variáveis nas suas causas, são-no igualmente nos efeitos, a curto e longo prazo, nas comunidades que atingem e nos impactos nas instituições públicas e nos representantes políticos, o que os torna objectos heurísticos de grande valor para evidenciar o potencial de transformação social de que são portadores. Partindo, assim, de um acontecimento singular, a queda da ponte Hintze Ribeiro o objectivo do estudo é o de compreender a reacção da comunidade ao acidente na sua dupla condição de alvo de um trabalho de interpretação e gestão política do acontecimento e na origem de uma interpretação e gestão moral do acontecimento. A partir das interpretações conflituantes do acontecimento, pretende-se pôr em evidência e analisar duas dimensões: a primeira, debruçar-se-á sobre o trabalho político e institucional empreendido para gerir a crise aberta pelo colapso da ponte; enquanto que a segunda, incidirá sobre o modo como este trabalho se confronta com interferências por parte da comunidade local — no sentido lato, num primeiro tempo, e das vítimas, num segundo — apostada em fornecer uma interpretação moral do acontecimento e em transformar o sofrimento em acção. Subjacente ao estudo encontra-se a questão de saber se as tragédias serão portadoras de uma força moral susceptível de ser mobilizada por uma comunidade de vítimas para a busca da verdade, para a obtenção de justiça e reparação, para a associação e a acção colectiva, ou seja, saber se as tragédias portadoras de um capital de cidadania?
  • ARAÚJO, Pedro CV de ARAÚJO, Pedro
Pedro Araújo é Mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e licenciado pela mesma Faculdade. É investigador e doutorando do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e membro do Centro de Trauma. Os seus interesses de investigação centram-se em questões relacionadas com a sociologia dos desastres e a cidadania.

PAP0661 - A Universidade Católica Portuguesa é uma Universidade Católica?
Resumo de PAP0661 - A Universidade Católica Portuguesa é uma Universidade Católica? PAP0661 - A Universidade Católica Portuguesa é uma Universidade Católica?
PAP0661 - A Universidade Católica Portuguesa é uma Universidade Católica?

A doutrina da Igreja estabelece, em vários documentos, o que deve ser uma universidade católica. A Constituição Apostólica Ex corde ecclesiae é, talvez, o mais importante desses documentos actualmente, mas existem outros. E as próprias universidades católicas têm Estatutos, aprovados superiormente, que definem a sua identidade. Da documentação vaticana resultam obrigações genéricas mas claras. Exemplos: tanto na formação como na investigação deve existir interdisciplinaridade, a qual conterá uma perspectiva teológica e filosófica; os alunos deverão, tanto quanto possível, tornar-se “homens verdadeiramente eminentes pela doutrina” e pelo testemunho da fé; promover a justiça social e a Doutrina Social da Igreja; integrar razão e fé. Os Estatutos da Universidade Católica Portuguesa (U.C.P.) reafirmam a submissão às orientações da Santa Sé e especificam vários objectivos de que destaco dois: empreender os diálogos fé/razão e ciências/teologia, com presença de disciplinas de teologia nos planos de estudos; formar quadros inspirados na Doutrina Social da Igreja. Numa Faculdade de Teologia ou de Filosofia, estas orientações não deverão ser de aplicação muito difícil. Já nos cursos de ciências e tecnologias, sujeitos a intensa concorrência no mercado de ensino, a questão assume outros contornos, dado o peso esmagador que a qualidade técnica profana da formação alcança na procura. No âmbito das ciências (sociais), as Faculdades de Economia e Gestão são um caso muito sensível: os seus cursos, tendo uma forte componente técnica, abrangem temática tratada na Doutrina Social da Igreja. É precisamente sobre estas Faculdades da U.C.P. que se debruça o presente estudo. Divididas por três centros, apresentam consideráveis diferenças entre si e também em relação a congéneres estrangeiras. As diferenças dizem respeito ao ensino, à investigação e à extensão universitária. Os dados ainda são preliminares mas permitem algumas conclusões: uma Faculdade (ou um Departamento, se se tratar do Centro das Beiras) pode apoiar dezenas de projectos de economia social por todo o país e outra não; os percursos de formação também são variados e, em certos casos, é possível ter todo um trajecto académico da licenciatura ao doutoramento sem cursar uma única disciplina de teologia nem de Doutrina Social da Igreja. Pode-se, nalgumas circunstâncias, falar de um ensino secularizado na U.C.P.?
  • COSTA, Joaquim CV de COSTA, Joaquim
Joaquim Costa (Funchal, 1960), licenciado em Sociologia pela U. Évora (1989), doutorado em Sociologia pela U. Minho (2005), professor auxiliar do Deptº Sociologia do ICS/U. Minho, investigador do CICS (U. Minho). Tem publicados trabalhos sobretudo na área da Sociologia da Religião, de que se destacam:
Sociologia dos Novos Movimentos Eclesiais - focolares, carismáticos e neocatecumenais em Braga (Porto, Afrontamento, 2006); Sociologia da Religião - uma breve introdução (Aparecida - São Paulo, Editora Santuário, 2009); "Sentido da Vida, Desespero e Transcendência" (Revista Lusófona de Ciências da Religião, 2009, nº 12);
"O Zapping do Cristão" (in A. M. Brandão e E. R. Araújo (org.), Intersecções Identitárias, Famalicão, Húmus, 2011).
Grato pela atenção,
Joaquim Costa.

PAP0794 - A União Europeia sem Portugal - [GT-Pensar a Europa – os paradoxos e desafios de um projecto em mudança].
Resumo de PAP0794 - A União Europeia sem Portugal - [GT-Pensar a Europa – os paradoxos e desafios de um projecto em mudança]. PAP0794 - A União Europeia sem Portugal - [GT-Pensar a Europa – os paradoxos e desafios de um projecto em mudança].
PAP0794 - A União Europeia sem Portugal - [GT-Pensar a Europa – os paradoxos e desafios de um projecto em mudança].

Quando a crise financeira de alguns países da zona euro ameaça a coesão da União Europeia (UE) e Portugal está entre os incumpridores do pacto de estabilidade e crescimento, parece-nos pertinente questionar se Lisboa representará um fardo ou uma mais-valia para UE. Cingindo-nos a uma análise meramente geopolítica, concluímos que sem Portugal a UE perdia uma vasta área marítima atlântica que para além de beneficiar a política comum de pescas é cruzada por um intenso tráfego mercantil tendo o Velho Continente como destino ou ponto de partida. Para além disso, a UE deixava de ter uma ponte privilegiada com os mercados da lusofonia, entre os quais se contam as potências regionais emergentes Brasil (inserido no Mercado Comum do Sul) e Angola (parte da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral). Não foi por acaso que as duas cimeiras UE-África e a primeira UE-Brasil coincidiram com a presidência portuguesa do Conselho. Por seu turno, a diáspora lusa, vasta e dispersa, representa também ela, pelos valores culturais que exporta, uma mais-valia para uma Europa cada vez menos influente face a um mundo crescentemente centrado na Ásia-Pacífico. Nenhum outro Estado, membro ou candidato, pode pois substituir Portugal nestas tarefas. Contudo, em tempos de incertezas e medos, a consciência política sobre esta evidência pode não ser um dado adquirido, seja na Europa, seja mesmo em Portugal.
  • PALMEIRA, José CV de PALMEIRA, José
José António de Passos Palmeira é natural de Braga (1959) e Professor Auxiliar no Departamento de Relações Internacionais e Administração Pública da Escola de Economia e Gestão, na Universidade do Minho (UM). Doutorou-se em Ciência Política e Relações Internacionais, na mesma universidade, em 2003, onde também concluiu o Mestrado em Estudos Europeus (1995) e a Licenciatura em Relações Internacionais (1991). É membro do Núcleo de Investigação em Ciência Política e Relações Internacionais, sediado na UM, estando a sua investigação orientada para os domínios do sistema político e da geopolítica portugueses. É autor do livro O Poder de Portugal nas Relações Internacionais, editado em 2006, pela Prefácio (Lisboa).

PAP0802 - A União Europeia sem Portugal - [GT-Pensar a Europa – os paradoxos e desafios de um projecto em mudança].
Resumo de PAP0802 - A União Europeia sem Portugal - [GT-Pensar a Europa – os paradoxos e desafios de um projecto em mudança]. 
PAP0802 - A União Europeia sem Portugal - [GT-Pensar a Europa – os paradoxos e desafios de um projecto em mudança].

Quando a crise financeira de alguns países da zona euro ameaça a coesão da União Europeia (UE) e Portugal está entre os incumpridores do pacto de estabilidade e crescimento, parece-nos pertinente questionar se Lisboa representará um fardo ou uma mais-valia para UE. Cingindo-nos a uma análise meramente geopolítica, concluímos que sem Portugal a UE perdia uma vasta área marítima atlântica que para além de beneficiar a política comum de pescas é cruzada por um intenso tráfego mercantil tendo o Velho Continente como destino ou ponto de partida. Para além disso, a UE deixava de ter uma ponte privilegiada com os mercados da lusofonia, entre os quais se contam as potências regionais emergentes Brasil (inserido no Mercado Comum do Sul) e Angola (parte da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral). Não foi por acaso que as duas cimeiras UE-África e a primeira UE-Brasil coincidiram com a presidência portuguesa do Conselho. Por seu turno, a diáspora lusa, vasta e dispersa, representa também ela, pelos valores culturais que exporta, uma mais-valia para uma Europa cada vez menos influente face a um mundo crescentemente centrado na Ásia-Pacífico. Nenhum outro Estado, membro ou candidato, pode pois substituir Portugal nestas tarefas. Contudo, em tempos de incertezas e medos, a consciência política sobre esta evidência pode não ser um dado adquirido, seja na Europa, seja mesmo em Portugal.
  • PALMEIRA, José CV de PALMEIRA, José
José António de Passos Palmeira é natural de Braga (1959) e Professor Auxiliar no Departamento de Relações Internacionais e Administração Pública da Escola de Economia e Gestão, na Universidade do Minho (UM). Doutorou-se em Ciência Política e Relações Internacionais, na mesma universidade, em 2003, onde também concluiu o Mestrado em Estudos Europeus (1995) e a Licenciatura em Relações Internacionais (1991). É membro do Núcleo de Investigação em Ciência Política e Relações Internacionais, sediado na UM, estando a sua investigação orientada para os domínios do sistema político e da geopolítica portugueses. É autor do livro O Poder de Portugal nas Relações Internacionais, editado em 2006, pela Prefácio (Lisboa).

PAP1287 - A abordagem interdisciplinar na avaliação de tecnologia
Resumo de PAP1287 - A abordagem interdisciplinar na avaliação de tecnologia 
PAP1287 - A abordagem interdisciplinar na avaliação de tecnologia

Nesta comunicação pretendemos detalhar o processo de desenvolvimento da avaliação de tecnologia em Portugal e sobretudo compreendê-lo na sua articulação com as actividades a nível internacional. Surgem novos projectos, novas iniciativas, novos os trabalhos científicos estão a ser desenvolvidos, e a afirmação desta área de intervenção e de análise científica começa a revelar o interesse de diferentes actores. As actividades potenciais podem ser explicitas por este recente aumento de interesse da comunidade científica internacional, e traduzem-se num envolvimento directo com as instâncias parlamentares e de decisão a nível empresarial. A tomada de decisão em torno das opções tecnológicas é um instrumento que carece de especialização e do apoio do conhecimento interdisciplinar. Podemos dizer então que este desenvolvimento é muito relevante pelo facto de ter uma forte base disciplinar no domínio da Sociologia da Ciência e da Tecnologia, embora não se restrinja apenas a este domínio. Antes pelo contrário, as colaborações interdisciplinares têm vindo a aumentar com outros domínios das ciências humanas e sociais e também das ciências naturais. O que apenas prova o seu interesse específico. A criação e desenvolvimento de um grupo de estudos em avaliação de tecnologia em Portgal é também uma ferramenta dessa abordagem interdisciplinar.
  •  MONIZ, António Brandão CV - Não disponível 
  •  MAIA, Maria João CV - Não disponível 
  • BOAVIDA, Nuno CV de BOAVIDA, Nuno
  •  MORETTO, Susana CV - Não disponível 
Biografia profissional do Nuno Boavida

Nascido em 1974, Nuno Boavida terminou a licenciatura em Engenharia de Produção Industrial (5 anos) na Universidade Nova de Lisboa em 1999, com um estágio profissional na REFER, E.P.

Desde de 2009 encontra-se a trabalharnoDoutoramento em Avaliação de Tecnologia na Universidade Nova de Lisboa,tendo recentemente obtido uma bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, para elaborar a respectiva tese no Institute of Technology Assessment and System Analysisdo Karlsruhe Institute of Technology,sobre “O papel dos indicadores de inovação na tomada de decisão tecnológica”.

Neste contexto, os seus temas de interesse incidem sobre a sociologia da tecnologia, os processos de tomada de decisão tecnológica, as políticas científicas, tecnológicas e de inovação, os indicadores e os sistemas de indicadores ligados à tomada de decisão, os mecanismos de prospectiva tecnológica e os sistemas de relações industriais.

PAP0895 - A abordagem sistémica qualitativa:perspectivas metodológicas
Resumo de PAP0895 - A abordagem sistémica qualitativa:perspectivas metodológicas 
PAP0895 - A abordagem sistémica qualitativa:perspectivas metodológicas

A abordagem sistémica qualitativa desenvolvida por Alex Mucchielli abre novas perspectivas para a compreensão da interacção social e permite uma nova abordagem dos fenómenos comunicacionais tanto ao nível micro como macrossociológico. A partir de uma análise crítica dos principais autores da Escola de Palo Alto (Watzlawick, Helmick Beavin, Jackson…) Alex Mucchielli construiu uma metodologia de observação e de análise psicossociológica fundamentada em diversas pesquisas empíricas e em referências teóricas, que procuraremos sistematizar nesta comunicação. Com efeito, Mucchielli através da modelização das categorias de trocas presentes nos múltiplos enquadramentos da interacção social permite novas modalidades interpretativas dos jogos dos actores em contextos de situação. As diferentes etapas e dimensões analíticas presentes na sua metodologia qualitativa (Mucchielli,2004,pp.44-46), associados à construção de níveis de observação (“cadrage”) dos factos observados num determinado contexto, permitem abrir novas pistas na interpretação dos fenómenos comunicacionais associados a diversas modalidades da interacção social e lógicas globais que constituem a força da sua reprodução. Para Mucchielli as regras da modelização dos sistemas de comunicação devem ser precisas e concretas e desenvolvem-se em três níveis: o nível da observação ( comunicações concretas) , o nível da generalização das observações (formas das interacções) e o nível da interpretação (significações) (Mucchielli,2004:66) Como afirma o autor “o contexto sistémico pelo qual passa a modelização das relações…é um contexto construído e em relação a este que se faz a leitura do significado das diferentes trocas recorrentes” (Mucchielli,2004:108) Este método conduz à compreensão do funcionamento interno de um sistema de comunicação e põe em evidência uma lógica interna que é a chave de uma possível intervenção. Nesta perspectiva a metodologia sistémica qualitativa permite compreender as dinâmicas sociais de permanência e de mudança em determinados contextos e ultrapassa velhas dicotomias entre uma micro ou uma macrossociologia. O paradigma sistémico construtivista que Mucchielli sistematizou na sua escola do CERIC da Universidade de Montpellier, pela sua singularidade, tem vindo a constituir polo de reflexão em diversas associações internacionais no domínio da pesquisa qualitativa onde destacarei a ARQ (Association pour la Recherche Qualitative) que no Canada desenvolve um vasto trabalho na afirmação das metodologias qualitativas.
  •  LALANDA-GONÇALVES, Rolando Lima CV - Não disponível 

PAP0048 - A aprendizagem na era da sociedade de informação
Resumo de PAP0048 - A aprendizagem na era da sociedade de informação 
PAP0048 - A aprendizagem na era da sociedade de informação

O sistema de ensino está em constante mutação acompanhando os ritmos da sociedade. Nos últimos anos surge um novo e complexo desafio, a construção de uma relação entre educação e meios de comunicação. Em particular, emerge uma necessidade de não excluir a Internet e de tentar integrá-la da melhor forma na educação, capitalizando as suas vantagens. Porém, surge também um impacto negativo ao qual o sistema de ensino ainda não conseguiu responder de forma eficiente: o plágio proporcionado pela Internet. Surge uma tendência de utilizar este mecanismo como um mero reprodutor de informações, com os estudantes a cederem à tentação de copiar e colar informação, desinvestindo na produção da sua própria informação. As dificuldades de lidar com o plágio acrescem se considerarmos ainda as dificuldades que por vezes surgem em detectá-lo numa sociedade da informação e do conhecimento, e a própria subjectividade desse conceito. Esta investigação propõe-se a realizar uma análise qualitativa e quantitativa aos recursos que a Universidade do Porto disponibiliza para informar e educar os alunos relativamente à questão do plágio, considerando seminários, palestras ou unidades curriculares que sejam versadas aos temas de estruturação de trabalhos, construção de referências bibliográficas, entre outros. Por outro lado, pretende-se analisar directamente com os estudantes um exercício compreensivo sobre as suas motivações para cometer ou não cometer plágio. Espera-se com esta investigação propostas de reforços qualitativos e quantitativos de recursos que a Universidade do Porto possa disponibilizar para os estudantes, seja por via de meios de formação dos estudantes, seja pelo incremento de documentos informativos nas plataformas digitais desta instituição.
  •  MARQUES, Gonçalo CV - Não disponível 
  •  LOPO, Priscila CV - Não disponível 

PAP1102 - A articulação entre métodos intensivos e extensivos de pesquisa. Reflexão com base num exemplo de análise do insucesso escolar.
Resumo de PAP1102 - A articulação entre métodos intensivos e extensivos de pesquisa. Reflexão com base num exemplo de análise do insucesso escolar. 
PAP1102 - A articulação entre métodos intensivos e extensivos de pesquisa. Reflexão com base num exemplo de análise do insucesso escolar.

Face à complexidade dos fenómenos sociais que, a exemplo do insucesso escolar, parecem resistir a múltiplas análises sociológicas, defende-se a necessidade de uma reflexão específica sobre duas questões críticas na metodologia da pesquisa empírica. Uma diz respeito às regras do “método de articulação” entre diferentes métodos de análise empírica. Não se trata simplesmente de justapor ou combinar dados qualitativos com dados quantitativos – o que, frequentemente, fazemos já – mas sim, a montante da recolha e da análise dos dados, de definir, no desenho de pesquisa, a relação entre o que, de forma simplificada, podemos designar como métodos “comparativo-extensivo”, “comparativo-intensivo” e “intensivo-de caso”. Mais se defende que os “vícios” positivistas ou subjectivistas tradicionalmente associados, respectivamente, aos métodos extensivo e intensivo só podem ser ultrapassados num quadro de pesquisa que verdadeiramente integre dados de diferentes naturezas e relativos a diferentes níveis de “funcionamento” da realidade social. O que nos remete para a segunda questão. Esta diz respeito à necessária articulação entre os métodos accionados num desenho de pesquisa e a teorização do fenómeno social a analisar, em particular em termos das “unidades de análise” consideradas ou dos níveis de produção de informação empírica, tradicionalmente e genericamente definidos como níveis micro, meso e macro de análise. Aproximamo-nos aqui do que J. Ferreira de Almeida e Madureira Pinto, retomando a proposta de Blalock, designaram de teorias auxiliares de pesquisa. Integramos nesta designação, não só a reflexão sobre as “relações sociais de observação”, – a que poderíamos chamar teorias auxiliares “externas” –, mas também a reflexão sobre os níveis ou “patamares” analíticos em que necessariamente segmentamos os fenómenos sociais no acto de observação – a que poderíamos chamar teorias auxiliares “internas”. Algumas das questões assim levantadas serão ilustradas com exemplos retirados de um estudo sobre o fenómeno do insucesso escolar.
  •  MATOS, Madalena CV - Não disponível 

PAP0946 - A avaliação dominantemente positiva da situação profissional: ensaio sobre um enigma sociológico
Resumo de PAP0946 - A avaliação dominantemente positiva da situação profissional: ensaio sobre um enigma sociológico 
PAP0946 - A avaliação dominantemente positiva da situação profissional: ensaio sobre um enigma sociológico

Destinada ao GT proposto: GT “Inserção de diplomados do ensino superior: relações objectivas e subjectivas com o trabalho” Estudos de carácter extensivo acerca da inserção profissional de diplomados do ensino superior tanto internacionais (caso do projecto REFLEX), quanto nacionais (casos do ODES, dos apuramentos de Alves na Universidade de Lisboa, de Geraldes e Santos em estabelecimentos do ensino superior algarvios, de Martins, Arroteia e Gonçalves na Universidade de Aveiro, de Chaves e Morais na FCSH/UNL, etc.) têm vindo, com persistência, a assinalar que as avaliações de síntese que os diplomados, recém-incorporados no mercado de trabalho, fazem da sua situação profissional é francamente positiva e que, inversamente, é reduzido e até residual o peso daqueles que manifestam insatisfação. Trata-se de dado surpreendente, uma vez que colide com teses dominantes (sociológicas e outras) acerca da relação dos diplomados com a sua actividade profissional, teses que oportunamente apelidámos “do desalento generalizado”. O enigma da “avaliação positiva” adensa-se se tomarmos em conta que parte dos apuramentos recentes aconteceu já na era da precariedade contratual, dos baixos rendimentos e do defraudar das expectativas de mobilidade social, factores a que facilmente se atribui um efeito demolidor na avaliação da situação profissional. Sem descurar a crítica das metodologias utilizadas neste tipo de apuramentos, em particular o efeito “deformador” que terão na qualidade dos dados gerados, esta comunicação pretende esclarecer as razões que subjazem à notada “avaliação positiva” e, de um modo mais geral, aclarar os factores responsáveis pelas avaliações positivas e negativas da situação profissional que se registam entre graduados do ensino superior. Dois estudos – ambos dedicados a conhecer os percursos de inserção profissional dos diplomados do ensino superior; em ambos, uma vez mais, se confirmou a tendência para avaliar positivamente de modo vincado a situação profissional vivida – informarão este duplo desígnio. Um primeiro intitula-se “Percursos de inserção dos licenciados: relações objectivas e subjectivas com o trabalho” (PTDC/CS-SOC/098459/ 2008), e utiliza dados de um inquérito realizado a uma amostra representativa de licenciados da Universidade de Lisboa e da Universidade Nova de Lisboa (UNL). O segundo agrega dados produzidos pelo Observatório de Inserção da UNL. Restringe-se a diplomados da UNL, abarcando, além de licenciados, mestres e doutores. Ambos incidem na coorte que concluiu a sua formação no ano lectivo de 2004/05, inquirindo-a 5 anos após a obtenção do diploma.
  • CHAVES, Miguel CV de CHAVES, Miguel
  • NUNES, João Sedas CV de NUNES, João Sedas
Miguel Chaves é professor na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e investigador do CESNOVA. Enquanto investigador dedicou parte do seu percurso ao estudo da exclusão social, do desvio e da marginalidade, tendo produzido vários textos sobre estas matérias, dos quais se destaca o livro Casal Ventoso: da Gandaia ao Narcotráfico. Actualmente, desenvolve e coordena vários estudos centrados na inserção profissional e nos estilos de vida de jovens altamente qualificados, tendo neste âmbito publicado o livro Confrontos com o Trabalho entre Jovens Advogados: as Novas configurações da Inserção Profissional, bem como diversos artigos.
João Sedas Nunes, doutorou-se em Sociologia da Cultura em 2008 com uma tese sobre Culturas Adeptas do Futebol. É docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, investigador do CESNOVA e director da revista Forum Sociológico. As suas áreas de especialização recobrem diferentes polaridades empíricas: sociologia da inserção profissional e do trabalho; sociologia do futebol; sociologia da juventude e sociologia da cultura.

PAP0827 - A avaliação no contexto da Governança
Resumo de PAP0827 - A avaliação no contexto da Governança PAP0827 - A avaliação no contexto da Governança
PAP0827 - A avaliação no contexto da Governança

A avaliação de políticas públicas é desde há alguns anos uma preocupação central dos governos dos países industrializados e aparece ligada a aspectos sociais e de transparência democrática, em estreita relação com a participação plural dos atores que entram em jogo, apontando para um novo tipo de controlo político-democrático em consonância com os princípios da Nova Governança. A globalização, e o contexto europeu em particular, são fundamentais para a compreensão da complexidade das decisões públicas e respostas para os problemas. Para os países da UE, o locos de tomada de decisão política mudou em grande parte para Bruxelas, pelo que a análise contextual das políticas não pode ignorar essa dimensão. Na Europa, o impulso para a afirmação do paradigma da Governança encontra-se plasmado no Livro Branco da Governança, cujos princípios se baseiam na "abertura, participação, responsabilidade, eficiência e consistência, propondo-se também os da legitimidade democrática e da subsidiariedade". Todavia, até ao momento, a incorporação deste marco referencial na avaliação de políticas públicas, que seria o ponto de partida para a valorização da ação pública que se quer considerar dentro do bom governo, não tem sido frequente. Em todo o caso, a integração europeia terá funcionado como um motor de desenvolvimento no que diz respeito à Avaliação de Políticas Públicas, ao obrigar os Estados Membros, como seja Portugal, ao modificar as suas estruturas e procedimentos administrativos, ainda que a extensão da efetividade desta influência seja questionada por diversos/as autores/as. Por outro lado, num contexto de crise económica pareceria razoável um investimento acrescido na avaliação dada a maior escassez e competição pelos recursos. Nesta comunicação, que tem por base a reflexão conduzida no âmbito de uma dissertação de Doutoramento em curso, pretendo contextualizar a avaliação de políticas públicas no marco da Nova Governança, discorrendo brevemente sobre as origens da avaliação e os debates que tem suscitado, assim como sobre o panorama atual e as tendências de desenvolvimento da prática de avaliação de políticas públicas em Portugal. Por fim, pretendo discutir e levantar questões sobre o impacto da crise na procura e na qualidade dos processos de avaliação de políticas e programas públicos.
  • LOPES, Mónica Catarina do Adro CV de LOPES, Mónica Catarina do Adro
Mónica Lopes é Mestre em Sociologia pela Faculdade de Economia da
Universidade de Coimbra e frequenta, actualmente, o programa de
doutoramento em Sociologia pela mesma Faculdade. Enquanto
investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES), tem participado em
diversos projectos de investigação/avaliação relacionados com
políticas e práticas de igualdade entre mulheres e homens,
responsabilidade social das organizações e organizações da sociedade
civil. Os seus interesses de investigação incluem avaliação de
políticas públicas, terceiro sector, políticas sociais e relações
sociais de sexo, políticas de conciliação trabalho/família, mercado de
trabalho e maternidade/paternidade.

PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde
Resumo de PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde
PAP0990 - A burguesia tradicional feminina na sociedade de S. Vicente, Cabo-Verde

Debates, conferências, publicações, cartas, histórias de vidas geograficamente recortadas, contam e recontam a diáspora cabo-verdiana pelo mundo. Nasce-se a pensar que se emigra, morre-se a pensar que se regressa. Porém, há quem fique. Fala-se aqui daqueloutros que, posicionados no topo da estrutura social, poderiam em terras estrangeiras, facilmente acumular capital económico e angariar modos de vida a ele ajustados. Foram estes também que dobraram tempos históricos diversos configurados por entre ideologias mais ou menos favoráveis, mais ou menos hostis aos valores sociais e individuais de que cada um é portador. A pesquisa realizada tem, assim, como objectivos obter, através da narração, vivências que preenchem uma vida que cresceu ao longo de tempos históricos diferentes, por sua vez configurados por dimensões políticas, económicas, sociais e culturais específicas. Com efeito, as narrativas acompanham o zoom dos olhares: da macro esfera, em que as histórias se contam tendo por referência os acontecimentos que marcam a História de Cabo Verde durante aproximadamente 80 anos, à micro esfera em que o olhar se escapa pela fechadura da porta das “casas de família”. Estas histórias povoam-se também de estórias que a memória perpetua ainda que, representadas agora num tempo longínquo e, por isso mesmo, distorcidas pela subjectividade de quem as produz, mas que nunca tiveram lugar no palco da academia. Porém, a linha temporal e espacial que organiza estas vidas não é contínua: Portugal é um destino obrigatório no percurso académico destas gentes – Coimbra deixa-se eleger pelo elevado prestígio que atravessa fronteiras; no percurso profissional ainda que em estadias curtas; nas intervenções na área da saúde em situações de maior cuidado; e, na “graciosa” gozada, por direito, na Metrópole. Alguns marcos históricos servem de fio condutor à produção das narrativas sem, contudo, esgotá-los ad initium. O investigador procura também ser surpreendido nesta pesquisa e a este nível a que agora se reporta: o dos acontecimentos e épocas que teceram a história do povo cabo-verdiano. Quer-se circunscrever as narrativas às mulheres que fazem parte de uma certa elite cabo-verdiana, diríamos até aristocrática, residentes em S. Vicente. Queremos falar, das senhoras, por exemplo, que ainda tomam o chá das cinco, herança da presença inglesa no Barlavento cabo-verdiano. O trabalho é assumidamente exploratório e de cariz etnográfico sem a pretensão de alcançar generalizações de natureza explicativa e sem se deixar sufocar pelas margens apertadas de uma teoria à priori estabelecida. Assim, fluirá na medida exacta dos ritmos das histórias contadas.
  • SAINT- MAURICE, Ana CV de SAINT- MAURICE, Ana
Ana de Saint-Maurice, professora no ISCTE desde 1981, tem leccionado ao longo destes anos, as cadeiras de Métodos e Técnicas de Investigação. Fez o doutoramento em Sociologia (1994) no ISCTE: “ A Reconstrução das Identidades: a população cabo-verdiana residente em Portugal” .
Interesses de investigação: Sociologia das Relação Étnicas e Rácicas e Sociologia das Migrações.

PAP0173 - A cidade contemporânea e os “não-lugares”
Resumo de PAP0173 - A cidade contemporânea e os “não-lugares” PAP0173 - A cidade contemporânea e os “não-lugares”
PAP0173 - A cidade contemporânea e os “não-lugares”

Partimos das noções de “não-lugares” (Marc Augé) e “espaços de fluxos” (Manuel Castells) para pensar a cidade contemporânea. Seguindo Marc Augé a cidade hoje convive com uma série de “riscos”: de uniformidade (semelhança entre espaços), extensão (generalização do urbano) e de implosão (guetização dos bairros). O seu crescimento, associado ao aumento de circulação, da comunicação e do consumo, implica cada vez mais a construção de “não-lugares”: auto-estradas, grandes supermercados, centros comerciais, aeroportos, etc. Trata-se, segundo Augé, de espaços físicos que vão modelar novas formas de interacção assentes numa “contratualidade solitária”. Manuel Castells no seu livro A sociedade em rede, vai analisar a nova lógica espacial, resultante da interacção entre tecnologia, sociedade e espaço, denominando-a o "espaço de fluxos" (que se constitui a partir de um conjunto de serviços avançados: finanças, seguros, bens imobiliários, projectos, marketing, e inovação científica, etc.). Esse "espaço de fluxos" opõe-se à organização espacial historicamente enraizada, a que Castells chamou o "espaço dos lugares". Aproximando o “espaço de fluxos” dos “não-lugares”, procuraremos pensar a forma como uma certa organização espacial, determina ou não, o processo de interacções sociais. Como último ponto analisaremos o papel da arquitectura na construção dos “lugares” e não-lugares” na cidade contemporânea. Segundo Josep Maria Montaner a sensibilidade da arquitectura contemporânea em relação ao lugar (enquanto um espaço empírico, concreto, existencial e delimitado) é um fenómeno recente. A relação da arquitectura com o lugar tem a ver com a cultura organicista desenvolvida na obra de Frank Lloyd Wright e as propostas dos arquitectos nórdicos encabeçados por Alvar Aalto. Para os autores mencionados: Marc Augé, Manuel Castells e Josep Montaner, a arquitectura contemporânea é uma arquitectura não-histórica e não-cultural. Castells chama a esta arquitectura "arquitectura da nudez" – "a sua mensagem é o silêncio", Marc Augé uma arquitectura dos não-lugares” e Montaner refere que ela se enquadra numa multiplicidade de espaços (mediáticos, não-lugares, ciberespaço), representando um espaço de solidão de incomunicação entre os indivíduos. No entanto, os três autores mantêm presente a possibilidade de outras dinâmicas.
  • SÁ, Teresa CV de SÁ, Teresa
Teresa Vasconcelos e Sá, licenciada em Sociologia (ISCTE), mestre em Planeamento Regional e Urbano pela Universidade Técnica de Lisboa e doutorada na área de Sociologia do trabalho pelo ISCTE. Lecciona actualmente na Faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa as disciplinas “Antropologia do Espaço”, “Sociologia da Cidade e do Território” e “Sociologia da Moda”.
Desenvolve investigação nas áreas da sociologia do trabalho e do território.

PAP0584 - A ciência em Belo Monte: controvérsia, expertise e Direito.
Resumo de PAP0584 - A ciência em Belo Monte: controvérsia, expertise e Direito. PAP0584 - A ciência em Belo Monte: controvérsia, expertise e Direito.
PAP0584 - A ciência em Belo Monte: controvérsia, expertise e Direito.

Belo Monte é um projeto que vem se estendendo desde o governo militar, para a construção de uma usina hidrelétrica no Rio Xingu, no Pará, o qual vem trazendo consigo como características a falta de transparência nas informações oficiais, decorrente de sua classificação como “empreendimento estratégico” para o desenvolvimento nacional, e a desordem nos processos de aprovação junto aos órgãos de governo. Os movimentos sociais e lideranças indígenas da região são contrários à obra porque consideram que os impactos socioambientais não estão suficientemente dimensionados. Entre muitas idas e vindas, a hidrelétrica de Belo Monte, considerada a maior e mais cara obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, vem sendo muito questionado, principalmente a partir de 2009, quando foi apresentado o novo Estudo de Impacto Ambiental (EIA) intensificando-se a partir de fevereiro de 2010, quando foi concedida a licença ambiental prévia para sua construção, pelo Ministério do Meio Ambiente. Em razão de toda a polêmica que a construção da hidrelétrica vem ocasionando, o Ministério Público Federal do Pará já ajuizou onze ações na justiça, visando questionar diversas irregularidades que cercam o projeto da obra, tendo por base um “Painel de Especialistas”, elaborado por cerca de trezentos cientistas das principais universidades brasileiras, o qual consiste em uma análise crítica do Estudo de Impacto Ambiental do aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte. O presente trabalho irá selecionar os experts mais citados e utilizados nas petições do MPF de acordo com a tabela de expertises proposta por Harry Collins, de modo a identificar que tipo de expertise esses atores possuem, de acordo com a tabela de expertises de Harry Collins, a qual especifica que existem expertises especializadas (como o conhecimento tácito ubíquo e o conhecimento tácito especializado), que são tipos de expertise que não advém de livros, mas de habilidades adquiridas ao longo da vida e adquirido por meio de práticas, bem como existem metaexpertises e metacritérios demandam um conhecimento mais aprofundado, geralmente acadêmico sobre determinado assunto. O presente trabalho busca, então, compreender e classificar dentro desses tipos de expertise quem são os atores que estão sendo ouvidos na polêmica de Belo Monte, ou seja, quem está produzindo a ciência que está movimentando os processos que culminarão no futuro de Belo Monte, bem como se esses atores realmente sabem do que estão falando.
  • RODRIGUES, Luciana Rosa CV de RODRIGUES, Luciana Rosa
Luciana Rosa Rodrigues é advogada e mestranda em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Santa Maria – RS- Brasil. Formada em Direito pela mesma instituição em 2008, atuou como Assessora de Juiz de Direito entre 2008 e 2011, tendo atuado também como conciliadora e juíza leiga do Juizado Especial Cível da Comarca de São Sepé – RS- Brasil. No momento, a mestranda está dedicada ao estudo da sociologia do conhecimento, mais especificamente ao estudo da tradução da ciência pelo Direito, ou seja, como o Direito interpreta e utiliza informações técnicas e científicas em seus julgados. A autora teve trabalho aprovado para apresentação no 36º Encontro Anual da ANPOCS, que será realizado em Outubro de 2012.

PAP0485 - A comunicação e a reconfiguração do mundo
Resumo de PAP0485 - A comunicação e a reconfiguração do mundo PAP0485 - A comunicação e a reconfiguração do mundo
PAP0485 - A comunicação e a reconfiguração do mundo

Mais de trinta anos após a divulgação das recomendações de que a comunicação fosse um instrumento para a instauração da paz, da democracia e do desenvolvimento para todos os povos, não devendo ser utilizada de forma vertical, a comunidade internacional ainda mantém esse debate em aberto. O intuito de ampliar de forma irrestrita e imediata a concepção do direito à informação para direito à comunicação - ambos integrantes dos direitos humanos - e assim dar voz às pessoas em todo o mundo por meio da Comunicação, ainda está por se fazer. A busca do acesso às tecnologias da informação e do acesso à comunicação irrestrita para alavancar o desenvolvimento humano e a construção permanente de cidadania, traz em si a complexidade do inacabado. Por isso é sempre é necessária a afirmação e a reafirmação e o apoio internacional a esse direito frente às sociedades autoritárias. As rebeliões no mundo iniciadas no norte da África, nessa segunda década do século XXI, desnudaram aos olhos do mundo, em tempo real, o conflito latente por anos de subjugo, pela falta de liberdade, pelo desrespeito aos direitos humanos, pela inexistência de garantias individuais e sociais, pelo cerceamento do direito à informação, à comunicação e à liberdade de imprensa. Tais como se apresentam nas sociedades pós-conflito. E contra o que se pronunciou o lendário Relatório MacBride. Mas, apesar de tudo, como um rastilho de pólvora o levante se espalhou pela região, levando o povo às ruas em diversos países, sucessivamente, mostrando imagens que valeram mais do que mil palavras. O mundo viu representantes ditatoriais, há décadas no poder, ruírem um a um em efeito dominó ameaçados e vencidos pelo povo, pela Comunicação e pelas Mídias Sociais. Apesar do cerceamento do trabalho da imprensa internacional, ditadores quase vitalícios despencaram sob a ameaça da comunicação. Mostrando que, talvez, a preconizada Nova Ordem Mundial da Informação e da Comunicação tenha se instalado naquela parte do mundo. E iniciado um processo para que, finalmente, a Comunicação assuma a complexidade e o poder de iniciar mudanças sócio-políticas e de vencer conflitos. Ou assuma o significado descrito por MacBride de que o princípio da liberdade de expressão, aplicável a todos os povos do mundo, não admite exceção por ser inerente a dignidade humana . Por ser um direito humano fundamental. Texto relacionado: Art II da Declaração sobre os princípios fundamentais em relação à contribuição dos meios de comunicação de massas para o fortalecimento da paz e da compreensão internacional, para a promoção dos direitos humanos e para a luta contra o racismo e o apartheid e a incitação à guerra. Unesco (1978) declara: “ o exercício da liberdade de opinião, da liberdade de expressão e da liberdade de informação, reconhecido como parte integrante dos direitos humanos e das liberdades fundamentais, constitui um fator essencial do fortalecimento da paz e da compreensão internacional”
  • PUGNALONI, Clara Maria CV de PUGNALONI, Clara Maria
Clara Maria Pugnaloni
Universidade de Sao Paulo, investigadora de pos-doutorado
Jornalista,Doutora em Ciencias Sociais
Areas de interesse: Comunicacao para o Desenvolvimento, Ajuda humanitaria, Midias Sociais.


PAP1488 - A condição liminar dos trabalhadores com deficiência mental.
Resumo de PAP1488 - A condição liminar dos trabalhadores com deficiência mental.  
PAP1488 - A condição liminar dos trabalhadores com deficiência mental.

Com esta comunicação pretende-se mostrar como a entrada e permanência de trabalhadores com deficiência mental no mercado de trabalho é um processo complexo e multidimensional. Nesse processo actuam mecanismos de inclusão e de exclusão que, ao mesmo tempo e à vez, influenciam de forma determinante a situação vivida por esses trabalhadores, moldando a sua identidade profissional e determinando o seu futuro nas organizações onde exercem a actividade profissional.

PAP0081 - A condição masculina na vivência com o transtorno mental
Resumo de PAP0081 - A condição masculina na vivência com o transtorno mental PAP0081 - A condição masculina na vivência com o transtorno mental
PAP0081 - A condição masculina na vivência com o transtorno mental

Desde a década de 1960, quando cresceu a produção científica sobre gênero, a maioria dos estudos na área era sobre as mulheres. Certos autores consideram que uma das falhas mais frequentes nesta literatura é a insuficiência de estudos mais sistematizados sobre a condição masculina. Na saúde mental, a questão de gênero ainda é abordada restritamente, já que muitos dos estudos dedicam-se apenas à saúde mental da mulher. Mas certos trabalhos consideram as diferenças sexuais como fatores relacionados ao início, prevalência e evolução de alguns transtornos mentais. Este trabalho tem como tema a questão de gênero presente no quotidiano da saúde mental a partir da experiência de homens portadores de transtorno mental. Considera-se que determinantes sociais podem estar associados ao surgimento de um transtorno mental e aos impactos do sofrimento psíquico causado por aquele. A pergunta de partida do estudo é “O que é ser homem com transtorno mental?”. A partir do que Goffman (1996: 112) diz sobre “carreira moral do doente mental”, pretende-se analisar de que maneira o homem, em tal “carreira”, vê a si mesmo e como esta provoca mudanças no “eu da pessoa e em seu esquema de imagens para julgar a si mesma e aos outros”? Pretende-se analisar, com base numa perspectiva sociológica de gênero, a identidade de homens portadores de transtorno mental através da vivência de usuários internados em instituição psiquiátrica. Pretende-se especificamente: identificar/analisar as representações dos homens portadores de transtorno mental sobre as “causas” de seu transtorno; identificar/analisar, através da representação dos homens, os impactos do transtorno nas esferas da família, das amizades e do trabalho. O campo empírico é a ala psiquiátrica do hospital São Marcos, em Braga-Portugal. Pode se verificar, até o momento, que há uma relação entre a construção da identidade de gênero e a eclosão e continuidade do transtorno destes homens; e que há uma forma predominante - baseada na masculinidade hegemônica de Connell(1997) - de vivência para estes homens.
  • ALVES, Tahiana Meneses CV de ALVES, Tahiana Meneses
Tahiana Meneses Alves. Mestranda em Sociologia pela Universidade do Minho. Bacharel em Serviço pela Universidade Federal do Piauí. Mestranda em Políticas Públicas (actualmente interrompido) também pela Universidade do Piauí. Tem interesses principalmente nas seguintes temáticas de investigação: serviço social, políticas públicas, saúde mental, sociologia da saúde, identidades, masculinidades, mulheres e relações de gênero.

PAP1540 - A consciência ambiental nas Empresas
Resumo de PAP1540 - A consciência ambiental nas Empresas 
PAP1540 - A consciência ambiental nas Empresas

Até que ponto a intervenção humana, na área da produção, está a ter em conta a problemática do ambiente? Na verdade, a ação humana sobre o ambiente é cada vez maior, gerando maior interesse no empenho dos atores sociais na implementação de um desenvolvimento sustentável. Este desenvolvimento já não é apenas uma bandeira dos ecologistas. De facto, as empresas têm preocupações com ambiente, tendo como base o uso racional dos recursos naturais. Sendo a reciclagem de resíduos, próprios ou gerados pelos consumidores, a grande tendência para a diminuição do impacto ambiental destas. O presente estudo revelou que as empresas reconhecem a importância da inclusão das práticas ambientais nas suas atividades produtivas e afirmam-se comprometidas com a melhoria do seu desempenho ambiental. Porém, estas preocupações ambientais incidem essencialmente na sobrevivência empresarial, a questão ambiental nas empresas já não é apenas um altruísmo ligado à biosfera, mas também um requisito aos novos moldes de produção. A formação da sensibilidade para as questões ambientais no caso destas empresas assenta nas representações que estas têm do problema ambiental como ameaça ou como oportunidade à sua condição. Hoje em dia no meio empresarial, tornou-se quase consensual a perceção de que o sucesso e os benefícios duradouros para os agentes e seus associados não se obtém apenas através da tónica na maximização de lucros a curto prazo mas através de comportamentos orientados para o mercado cada vez mais responsável. Assim, algumas indústrias, para maximizar o uso de recursos naturais e por carecer de avaliação, prevenção e controle dos seus impactos ambientais, já elaboram sistemas de gestão ambiental com procedimentos para a conversão e manutenção do meio ambiente. Palavras-chave: Representação social, ambiente, ecologia, normas ambientais, empresário, empresa.
  •  MASCARENHAS, Maria Paula de Vilhena CV - Não disponível 
  • COSTA, Cristiana dos A. Fernandes CV de COSTA, Cristiana dos A. Fernandes
Cristiana dos Anjos Fernandes da Costa, 27 anos, Mestre em Sociologia das Organizações pela Universidade do Minho. No presente a exercer funções de Directora Técnica da ARPVC. A Sociologia do Ambiente tem sido um tema recorrente em trabalhos académicos e científicos, destacando-se a tese de mestrado:" Verdes são os campos – A questão ambiental nas empresas", dissertação apresentada e defendida publicamente à Universidade do Minho .

PAP1316 - A construção da (in) visibilidade da infância quilombola: o papel do Estado e do movimento social
Resumo de PAP1316 - A construção da (in) visibilidade da infância quilombola: o papel do Estado e do movimento social PAP1316 - A construção da (in) visibilidade da infância quilombola: o papel do Estado e do movimento social
PAP1316 - A construção da (in) visibilidade da infância quilombola: o papel do Estado e do movimento social

A “diáspora negra” e as diferentes configurações identitárias dela resultantes, como os quilombos no Brasil, carecem de reflexões sobre a tendência de homogeneização de identidades amplamente heterogéneas, de não – reconhecimento de suas singularidades e de discriminação negativa configurada nas inúmeras formas de racismo e exclusão de comunidades negras que vivem no meio rural. O presente trabalho retoma a trajetória das conceções sobre a infância nas teorias sociais, a partir de uma abordagem interdisciplinar no sentido de deslocar as fronteiras entre as diversas ciências humanas. A proposta é compreender a visibilidade da infância quilombola no Brasil a partir do reconhecimento das singularidades identitárias nas políticas públicas. A análise recai sobre os factores internos de socialização das crianças e da relação da comunidade com o Estado na definição das políticas. O trabalho parte do pressuposto de um modelo de (in) visibilidade da criança quilombola baseado: na sociologia das ausências e a infância quilombola; nos direitos humanos e os limites no que concerne a diversidade cultural no mundo; na espacialização de políticas distributivas em vez de sinergias entre redistribuição e reconhecimento; e na homogeneização das comunidades e da criança quilombola. Em relação aos aspectos metodológicos, como método de coleta de dados, utilizaram-se algumas técnicas da etnografia, orientada pela definição de Geertz sobre coleta de dados. Optamos por entrevistas semi-directivas e em paralelo como complemento aos dados recolhidos, a observação participante. A opção metodológica pelas comunidades quilombolas do estado de São Paulo/Brasil e Pernambuco/Brasil, comunidade Ivaporunduva e comunidade Conceição das Crioulas, respetivamente, recaiu sobre duas questões fundamentais: a primeira mais substantiva pelo facto de que tais comunidades possuem números populacionais e localizações geográficas distintas, o que permitiu compreender o universo das comunidades do modo mais abrangente possível; a segunda, de cariz operacional, pela proximidade com as associações quilombolas presentes nestas comunidades, o que permitiu a entrada nas comunidades e a comunicação na fase de preparação, embora houvesse alguns constrangimentos na fase inicial do trabalho de campo.
  •  DA SILVA, Beatriz Caitana CV - Não disponível 

PAP1350 - A construção da Identidade Profissional no decurso do Estágio Profissional: Um estudo com estudantes-estagiários de Educação Física
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PAP1350 - A construção da Identidade Profissional no decurso do Estágio Profissional: Um estudo com estudantes-estagiários de Educação Física

O estágio profissional, no âmbito da formação de professores, é entendido como uma etapa fundamental no processo de construção da Identidade Profissional (IP). Deste modo, o propósito deste estudo foi percepcionar os traços da IP que emergem nos Estudantes-Estagiários (EE) durante o Estágio Profissional. Adicionalmente procurou-se identificar as características em que estes se distinguem enquanto professores e as características que os aproximam enquanto elementos de uma mesma classe, a de professores. Participaram neste estudo 12 EE (6 do sexo feminino e 6 do sexo masculino) da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), do ano letivo 2010/2011, pertencentes a 4 núcleos de estágio de escolas do Distrito do Porto. Para a recolha dos dados foram realizados 4 Focus Grupo com todos os EE subordinados às seguintes temáticas: i) partilha de experiências acerca do percurso formativo enquanto alunos; ii) construção do diário de bordo; iii) aprendizagens mais significativas em resultado da elaboração do diário de bordo; iv) conceções do que é ser professor e professor de educação física. As sessões foram gravadas em aúdio e transcritas verbatim. Na análise dos dados recorreu-se à análise temática com temas definidos a priori. Da análise efetuada ficou evidente que: i) a maioria dos EE refere que sempre quis seguir o curso de educação física, reconhecendo uma identidade distinta à sua faculdade, materializada em aspetos como a indumentária, a atitude e o vocabulário específico; ii) os EE descrevem aspetos positivos (conquista, vitória) e negativos (medo, receio) relacionados com o estágio. Os registos relacionam-se com a condução das aulas, sendo estas os elementos referidos como mais relevantes na construção da IP; iii) o registo no diário de bordo evoluiu para reflexões mais interpretativas e estratégicas, sendo que o foco que inicialmente era pedagógico, passou a incluir aspetos relacionais. Deu-se um alargamento da tipologia dos episódios relatados, por exemplo o desporto escolar e conselhos de turma, demonstrando uma maior consciencialização acerca da diversidade de papéis/funções do professor. O diário de bordo foi entendido como um veículo promotor da reflexão e da atribuição de significado às vivências na escola e aos episódios marcantes na construção da sua IP; iv) os EE referem que o professor não atua somente no espaço da sala de aula e que as suas responsabilidades transcendem o espaço da escola e o da su
  • FERREIRA, Ana CV de FERREIRA, Ana
  •  PEREIRA, Ana CV - Não disponível 
  •  GRAÇA, Amândio CV - Não disponível 
  •  BATISTA, Paula CV - Não disponível 
Ana Margarida Alves Ferreira

Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico eDoutoranda em Ciências do Desporto na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.Tema de investigação: construção da Identidade Profissional em professores de Educação Física.
Últimas publicações: Ferreira, A.; Pereira, A.; Silveira, G.; Batista, P. (2012). Discursos de professores cooperantes iniciantes e experientes acerca da função de orientação: um estudo com professores cooperantes da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. R. Min. Educ. Fís., Viçosa, Edição Especial, 1, 188-200.
Alves, M.; Pereira, A.; Graça, A.; Batista, P. (2012). Practicum as a space and time of transformation: self-narrative of a Physical Education pre-service teacher. US-China Education Review. [In Press]

PAP0430 - A construção da identidade : jovens em busca do reconhecimento
Resumo de PAP0430 - A construção da identidade : jovens em busca do reconhecimento PAP0430 - A construção da identidade : jovens em busca do reconhecimento
PAP0430 - A construção da identidade : jovens em busca do reconhecimento

A construção da identidade: jovens em busca do reconhecimento Ana Lúcia Hazin Alencar e Sueli Pereira Guimarães O Estado brasileiro vem investindo, nos últimos anos, elevados recursos em programas de desenvolvimento de ações que contemplem a diversidade cultural do seu povo. Justifica-se assim a realização de uma pesquisa que objetivou verificar de que forma os jovens participantes dos projetos governamentais se apropriam ou ressignificam a cultura. A investigação contemplou ações desenvolvidas em 3 municípios de Pernambuco que serviram como estudos de caso: utilizou-se a pesquisa documental e entrevistas semi-estruturadas para a coleta de dados. O objetivo deste paper é fazer uma reflexão sobre a construção da identidade do jovem a partir do seu consumo cultural. Para Bourdieu, a identidade se afirma na diferença. Parte-se, aqui, do princípio da diversidade, uma vez que se entende que a juventude é uma categoria socialmente construída, cujos valores, hábitos e comportamentos dependem e variam segundo o momento histórico em que se vive e a inserção em determinada sociedade e/ou grupos sociais específicos. O conhecimento da própria identidade é um processo difícil para o jovem que ainda está em processo de formação. O espaço social em que está inserido é relevante, uma vez que a identidade é constituída tanto por experiências passadas, embasadas em valores e normas – podendo ser claramente apreendidas através do conceito de habitus de Bourdieu – quanto pelo contato com o novo, através dos meios de comunicação ou da convivência com pessoas que servem muitas vezes de espelho ou referência. Portanto, a maneira como as pessoas constroem sua identidade decorre não só de condições objetivas, mas também, do ser percebido por si mesmo ou pelos outros. Tal assertiva pode ser percebida em depoimentos dos jovens entrevistados, a maioria oriunda de famílias de baixa renda. A condição econômica é um fator limitante para o acesso a atividades culturais e de lazer. A rua pode, então, ser um atrativo para o jovem que adentra o perigoso mundo das drogas e outros vícios. Entretanto, a possibilidade de participar de atividades culturais permite aos jovens, através do aprendizado da música, por exemplo, a redefinição de suas identidades, pela valorização do eu.
  •  ALENCAR, Ana Lúcia Hazin CV - Não disponível 
  •  GUIMARÃES Sueli Maria Pereira CV - Não disponível 

PAP0455 - A construção social do género nas crianças: formas de habitar um corpo sexualizado
Resumo de PAP0455 - A construção social do género nas crianças: formas de habitar um corpo sexualizado 
PAP0455 - A construção social do género nas crianças: formas de habitar um corpo sexualizado

A apresentação baseia-se no projecto de doutoramento intitulado “Processos de construção social das identidades de género nas crianças: um estudo de caso com um grupo de pré-adolescentes em Viseu”, o qual teve o objectivo de compreender a construção social das identidades de género nas crianças, a partir dos processos que participam na construção do ser (ou percepcionar-se como) rapaz/rapariga, homem/mulher. Poderemos sintetizar as grandes hipóteses e/ou perspectivas de partida nas seguintes ideias: a) num contexto de modernidade reflexiva as crianças percepcionam e constroem as suas identidades de género de forma individualizada; e b) existem lógicas e mecanismos inscritos nos processos dessa construção. A partir da análise das entrevistas aos sujeitos – crianças, pais e professores – e do que se observou no terreno, realçou a coexistência de mecanismos que propiciam, ora uma diferenciação, ora uma igualização, revelando-se, a par de uma lógica predominante de oposição de género, alguma transversalidade, a partir da interpenetração de atributos e gostos tradicionalmente vistos como femininos ou masculinos. No contexto da modernidade reflexiva marcado pela individualização e pela possibilidade dum projecto identitário do self, notou-se então um limitado espaço para a performatividade de género, experienciando os sujeitos ambiguidades e tensões ao habitarem um corpo sexualizado, habitado por um sexo naturalizado. Ainda assim, foi possível observar alguma transversalidade de género na construção identitária das crianças, incluindo os projectos de género projectos do corpo. O corpo constitui-se pois como território privilegiado de significados de género, tornando-se este uma das partes fundamentais do projecto de identidade sempre inacabado do self (Giddens, 1991). Este trabalho de investigação evidenciou então uma diversidade de processos e lógicas de construção identitária, a partir de representações e de práticas que anunciam tendências, quer para o “doing gender”, quer para o “undoing gender”, perspectivando-se as ambiguidades inscritas na individualização do corpo sexualizado. Mostrou ainda que as masculinidades e as feminilidades não existem previamente ao comportamento social, como estados de corpo ou personalidades fixas; apenas existem na medida em que os indivíduos as fazem (doing gender) e constroem activamente nas suas práticas sociais quotidianas (Connel, 1996). O(s) género(s) não é pois uma entidade biológica que existe antes da sociedade; constitui-se precisamente nas formas através das quais as sociedades (e os sujeitos sociais) interpretam e usam os corpos.
  • MIRANDA, Patrícia Isabel Martins CV de MIRANDA, Patrícia Isabel Martins
Patrícia Miranda é doutorada em Sociologia da Família e da Vida Quotidiana pelo ISCTE-IUL (2010). Os seus interesses actuais de investigação em Sociologia são o Género, o Corpo e a Sexualidade.

Patrícia Miranda graduated in Sociology by ISCTE-IUL (Lisbon) in 2003 and completed a PhD degree in ISCTE-IUL in 2010. Since obtaining the PhD degree P Miranda has worked as a social worker in a public institution. She published a paper based on her thesis: “Habitar um corpo sexualizado: Identidades de género construídas numa modernidade ambígua”, Ex aequo (2010).
Concerning her research project in Sociology of Family, Gender and Sexuality, Patrícia Miranda made also multiple presentations at conferences.

PAP0484 - A construção social do género no desporto
Resumo de PAP0484 - A construção social do género no desporto 
PAP0484 - A construção social do género no desporto

O género, sendo um dos principais organizadores das relações sociais, é diferente em cada sociedade, tempo ou lugar, existindo diferentes formas de representação e de performatividade da masculinidade e da feminilidade (Butler, 1999). Este facto revela que as concepções de género, os papéis sociais e os estereótipos associados a homens e mulheres não são biologicamente determinados mas resultam antes de uma construção social sobre o que se entende por masculino e feminino, a qual é, por sua vez, baseada em relações de poder desiguais entre homens e mulheres que, sistematicamente privilegiam o sujeito masculino (Scott, 1990). A construção de género no desporto está fortemente relacionada com a história do desporto moderno, espaço onde o entendimento de que as diferenças de género são biológicas e que a superioridade desportiva masculina pertence à ordem “natural” das coisas, tem sido difícil de ultrapassar (Hargreaves, 1994). O desporto é um espaço criado, nos finais do séc. XIX e início do séc. XX, por homens e para homens, espaço de confrontação física masculina no qual são simbolicamente expressos traços que se exigem ao “verdadeiro homem” - o homem viril, homem que deve demonstrar força física, agressividade, protagonismo e liderança, e em que a participação das mulheres, atendendo à sua primeira responsabilidade – a função reprodutora, foi logo considerada inapropriada à “natureza da mulher” e encontrou enorme rejeição. As mulheres foram assim excluídas Jogos Olímpicos da era moderna, em 1896, e a sua participação no desporto ao longo do séc. XX foi alvo de grande rejeição, com uma integração minoritária, lenta e muito desigual, a partir de determinados grupos de mulheres (particularmente, as das classes mais altas) e de acordo com o tipo de desporto (desportos estéticos, não violentos, que não pusessem em perigo o estereótipo feminino). Os estereótipos sexistas converteram o desporto numa prática de orientação masculina, inibindo a participação das mulheres ao considera-la como inapropriada, e deram origem a uma série de mitos como os que diriam: o desporto masculiniza as mulheres; o desporto prejudica a saúde das mulheres; as mulheres não têm capacidades para o desporto ou as mulheres não têm interesse no desporto. A identificação histórica do desporto com um modelo específico da identidade masculina e com o papel social adstrito aos homens teve como consequência a consideração do homem como único sujeito desportivo, ou pelo menos, como o sujeito mais valorizado.
  • ALMEIDA, Cristina Matos CV de ALMEIDA, Cristina Matos
Nome: Cristina Matos ALMEIDA
Afiliação institucional: Técnica superior no Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ, IP) e Doutoranda em Sociologia no ISCTE-IUL
Área de formação: Licenciada em Sociologia e frequência do Mestrado de Comunicação, Cultura e Tecnologias de Informação no ISCTE-IUL
Interesses de investigação: Desporto e género

PAP0351 - A contribuição de práticas socializadoras de famílias populares para o bom desempenho escolar de seus filhos e os impactos da inserção dos mesmos em escolas de alto prestígio acadêmico
Resumo de PAP0351 - A contribuição de práticas socializadoras de famílias populares para o bom desempenho escolar de seus filhos e os impactos da inserção dos mesmos em escolas de alto prestígio acadêmico 
PAP0351 - A contribuição de práticas socializadoras de famílias populares para o bom desempenho escolar de seus filhos e os impactos da inserção dos mesmos em escolas de alto prestígio acadêmico

A CONTRIBUIÇÃO DE PRÁTICAS SOCIALIZADORAS DE FAMÍLIAS POPULARES PARA O BOM DESEMPENHO ESCOLAR DE SEUS FILHOS E OS IMPACTOS DA INSERÇÃO DOS MESMOS EM ESCOLAS DE ALTO PRESTÍGIO ACADÊMICO Maria José Braga Viana Ana Beatriz Ratton Ferreira Gontijo Faculdade de Educação (UFMG) - Minas Gerais/ Brasil Apresenta-se nesse trabalho os resultados de duas pesquisas que tomaram o “Programa Bom Aluno de Belo Horizonte”, Minas Gerais - Brasil (patrocinado por uma ONG, o Instituto Severino Ballesteros) campo empírico. Esse Programa seleciona alunos(as) na rede pública de ensino a partir do final do ensino fundamental - oriundos dos meios populares e que apresentam bom desempenho escolar -, oferecendo as condições materiais e psico-pedagógicas para o seu encaminhamento para escolas da rede privada de grande prestígio acadêmico, como bolsistas. Esse trabalho apresenta resultados dois estudos autônomos, embora ligados pelo campo empírico comum e por uma abordagem também comum no campo teórico da Sociologia da Educação. O primeiro estudo buscou identificar elementos nas práticas socializadoras das famílias que pudessem elucidar o bom desempenho escolar em pauta, estatisticamente improvável para os meios populares no Brasil. Um dado reiterado que emergiu desse estudo, por exemplo, é o do sentido positivo atribuído à escolarização e à escola pelos filhos/alunos, construído no contexto socializador familiar, sentido que vem acompanhado de uma forte disposição à autonomia em relação aos estudos. O segundo estudo identificou e analisou impactos sobre os mesmos jovens, e suas famílias, advindos da inserção em um novo ambiente escolar de alto nível acadêmico, impactos que foram observados: na rede de sociabilidade do aluno, em sua experiência escolar mais geral, em suas práticas e disposições culturais, bem como nas práticas socializadoras de suas famílias. Esses trabalhos contribuem, à sua maneira, para dar visibilidade à excepcionalidade das trajetórias escolares investigadas, inovando no campo de estudos sobre sucesso/longevidade escolar em meios populares. Essa inovação se localiza no fato de investigar alunos bolsistas em escolas de renome social e acadêmico, isto é, fora do espaço que lhes é mais “natural”, o das escolas públicas. Palavras-chave: excelência escola famílias populares práticas socializadoras familiares; fronteiras sociais experimentadas
  •  VIANA, Maria José Braga CV - Não disponível 
  •  GONTIJO, Ana Beatriz Ratton Ferreira CV - Não disponível 

PAP0005 - A corrupção policial no Rio de Janeiro: quando o crime vira mercadoria
Resumo de PAP0005 - A corrupção policial no Rio de Janeiro: quando o crime vira mercadoria PAP0005 - A corrupção policial no Rio de Janeiro: quando o crime vira mercadoria
PAP0005 - A corrupção policial no Rio de Janeiro: quando o crime vira mercadoria

A corrupção policial é um fenômeno de crescente visibilidade em todo o Brasil. No entanto, o contexto do Rio de Janeiro em geral tem um destaque maior que outros estados quando o assunto é não só a atuação policial, mas também o julgamento de determinadas práticas policiais que ocorrem no dia a dia, dentre elas a corrupção. Os policiais possuem uma moralidade muito própria que orienta suas ações e que julga suas práticas. Essa moralidade pode ou não guardar uma conexão direta com uma moralidade legal e social que julga e condena determinadas práticas. Nesse sentido, a corrupção é interpretada pelos policiais de acordo com o contexto e com a moralidade que ele possui. Através de entrevistas com policiais civis e militares e do trabalho de campo desenvolvido na Corregedoria Geral Unificada, identificar quais as percepções que esses agentes têm da prática de corrupção policial em suas diferentes possibilidades, internas e externas. Além desses agentes, serão consideradas também reportagens e notícias divulgadas em jornais, revistas ou internet sobre a corrupção policial.
  •  NASCIMENTO, Andréa Ana do CV - Não disponível 

PAP0199 - A criação do discurso sobre
Resumo de PAP0199 - A criação do discurso sobre  
PAP0199 - A criação do discurso sobre

Nesta comunicação pretendemos contribuir para a compreensão da problemática das migrações ambientais, e particularmente da construção dos discursos que a enquadram, partindo de uma perspectiva interdisciplinar alicerçada na ecologia humana. Esta proposta surge como um aprofundamento do problema sob estudo no projecto de Doutoramento, que pretende explorar as narrativas biográficas de imigrantes ambientais africanos no contexto sul europeu, destacando os traços de vulnerabilidade e de capacidade de adaptação humana face às alterações do ambiente. Este projecto enquadra-se no Doutoramento em Ecologia Humana da FCSH-UNL, sob a orientação da Prof. Doutora Iva Pires e a co-orientação do Prof. Doutor Luís Baptista. Após o enquadramento da problemática no campo da ecologia humana, o foco será colocado na construção da figura "refugiado ambiental" na imprensa escrita portuguesa. Nesse sentido, analisam-se excertos noticiosos de três jornais portugueses – Jornal de Notícias, Público (diários) e Expresso (semanário) – entre 2004 e 2010. Procuramos analisar o seu conteúdo tendo por especial atenção os eventos que motivaram a saída de notícias, os protagonistas referenciados, os principais tópicos abordados e suas associações, as atribuições geográficas e os termos/expressões utilizados para definir quem migra como resposta a situações de degradação ou desastre ambiental. Procurar-se-á, por fim, contextualizar a análise das notícias ao nível dos diferentes discursos sobre migrações e alterações ambientais, destacando a criação do "fantasma dos refugiados ambientais" e dos discursos securitários sobre estas migrações enquanto possíveis externalidades negativas da intenção discursiva dos que defendem o ambiente e as suas "vítimas" humanas.
  • VIEIRA, Inês CV de VIEIRA, Inês
Inês Vieira
CesNova, a frequentar o doutoramento em Ecologia Humana na FCSH-UNL
Licenciatura em Educação de Infância (ESE-IPP), mestrado em Ecologia
Humana e Problemas Sociais Contemporâneos (FCSH-UNL)
Interesses de investigação:
1. Actualmente foco em migrações e ambiente (PhD);
2. Participação prévia: educação de jovens e cidadania (protocolo
CesNova-MDN sobre o Dia da Defesa Nacional), atitudes ambientais de
estudantes universitários ("Making Science Work in Society", Acção
Integrada Luso-Britânica, FCSH-UNL e Universidade de Glasgow, frequência
enquanto opção livre do Curso de Doutoramento em Ecologia Humana),
dinâmicas territoriais e mobilidade humana (no âmbito do grupo de
trabalho do CesNova).

PAP0838 - A criação e disseminação de vídeo online como estratégia argumentativa: um estudo de caso do YouTube
Resumo de PAP0838 - A criação e disseminação de vídeo online como estratégia argumentativa: um estudo de caso do YouTube 
PAP0838 - A criação e disseminação de vídeo online como estratégia argumentativa: um estudo de caso do YouTube

O crescimento exponencial da largura de banda, a quase ubiquidade e maior qualidade das máquinas fotográficas (hoje em dia presentes em quase todos os telemóveis) e a simplificação das ferramentas de edição vídeo permitiram que cada vez mais pessoas se tornassem produtores de vídeos e partilhassem as suas criações com uma audiência mais vasta. O vídeo online é visto como tendo um papel importante no regresso a uma cultura de “Leitura/Escrita”, como definida por Lawrence Lessig (2008), ou na ascensão de uma “cultura participativa”, nas palavras de Henry Jenkins (2006). Tanto relatórios de instituições como a Comissão Europeia ou a OCDE, como abordagens teóricas (Benkler 2006; Bruns 2008; Leadbeater 2009; Shirky 2010; Flichy 2010) reconhecem o vídeo online como um exemplo central do aumento do conteúdo criado por utilizadores, e neste sentido objecto de interesse crescente. Com a digitalização, os recursos audiovisuais gerados pelas empresas de conteúdos tornaram-se mais maleáveis para os consumidores de media, servindo assim de matéria prima para a produção criativa, envolvendo práticas de selecção, transformação e redistribuição. Nesta apresentação procede-se a uma análise de vídeos criados pelos utilizadores, carregados no YouTube e que se destinam a fomentar a discussão em torno de temas políticos para isso recorrendo a técnicas de remistura. A presente comunicação pretende assim demonstrar como práticas de remistura inspiradas em tradições como o detournement situacionista, os scratch videos britânicos ou o culture jamming de artistas de vídeo norte-americanos, inspiram toda uma geração de youtubers, aumentando assim o seu repertório comunicativo de debate político. Esta comunicação resulta de investigação realizada no âmbito do projecto financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia “Mutação dos Media: Transformações da comunicação pública e científica” (PTDC/CCI-COM/100765/2008, investigador responsável: José Luís Garcia, ICS-UL).
  • SILVA, Patrícia Dias da CV de SILVA, Patrícia Dias da
Doutoranda em Ciências Sociais no Instituto de Ciências Sociais, a
terminar a dissertação sobre vídeo online e discussão política, UL.
Bolseira de investigação do projecto "Mutações dos Media:
transformações da comunicação pública e científica" na mesma
instituição.
Docente de Sociologia da Comunicação na Escola Superior de Comunicação
Social, IPL.
Interesses de investigação: vídeo online, cultura visual digital,
humor e comunicação política, reconfigurações do espaço público,
democracia electrónica e novas formas de participação,

PAP1259 - A crise económica e os problemas do discurso “globalista” e/ou “europeísta”: oportunidade para um regresso à democracia?
Resumo de PAP1259 - A crise económica e os problemas do discurso “globalista” e/ou “europeísta”: oportunidade para um regresso à democracia? PAP1259 - A crise económica e os problemas do discurso “globalista” e/ou “europeísta”: oportunidade para um regresso à democracia?
PAP1259 - A crise económica e os problemas do discurso “globalista” e/ou “europeísta”: oportunidade para um regresso à democracia?

Num contexto em que o discurso “globalista” se tornou largamente hegemónico, quer na versão “optimista” oficial e dominante, quer em versão subalterna e “alter-globalista”, é importante começar por destacar o carácter largamente mítico do mencionado discurso, o qual se reporta de facto muito mais às realidades culturais e políticas do que às económicas, e de resto assumindo em geral uma validade estritamente “performativa”: trata-se de um discurso “verdadeiro” na medida e apenas na medida em que os agentes se convençam da sua “verdade”, comportando-se em conformidade com essa convicção e “fazendo-o” nesse sentido verdadeiro. Uma das consequências políticas da hegemonia do discurso “globalista” é, entretanto, a inegável crise do Estado-nação e o nadir atravessado pelo próprio conceito regulador de soberania. Este nadir da soberania corresponde obviamente a um processo de marcada des-emancipação política, no qual as instituições políticas democráticas são tendencialmente esvaziadas de conteúdo, seja em nome da alegadamente inevitável race to the bottom da fiscalidade, dos salários e da intervenção económica estatal em ambiente de “economia aberta”, seja em nome duma putativa “sociedade civil global”, à qual manifestamente não corresponde qualquer expressão política própria directa, mas que seria de acordo com algumas narrativas o veículo de universalização da “liberdade negativa”, ou “liberdade dos modernos”, ou seja, a liberdade relativamente à interferência de qualquer instância estatal. Este discurso constitui obviamente uma enorme tartufferie, entre outras razões porque a perda de “liberdade positiva” em nada contribui para o reforço da “liberdade negativa”, mas também porque as tendências “globalistas” veiculam agendas marcadamente imperiais… e imperiais não num sentido “negri-hardtiano”, supostamente “abstracto”, mas imperiais com uma base marcadamente nacional: norte-americana, ou europeia ocidental. Entretanto, as populações europeias tornaram-se elas próprias, através do intento “public choice” de fabricação duma moeda única, vítimas duma colossal engenharia política destinada à constituição de um centro decisório unificado e “livre de ciclo eleitoral”, que é o que desde a origem subjaz ao “projecto Euro”. A crise posterior a 2008, entretanto, parece estar a contribuir para acordar os povos europeus do sono profundo (ou da hibernação política) em que o ópio “europeísta” as tinha mergulhado…
  • GRAÇA, João Carlos CV de GRAÇA, João Carlos
Nome completo: João Carlos de Andrade Marques Graça
Filiações institucionais: Professor auxiliar com agregação do ISEG-UTL, Instituto Superior de Economia e Gestão, Universidade Técnica de Lisboa; investigador do SOCIUS, Centro de Investigação em Sociologia Económica e das Organizações, ISEG-UTL.
Áreas de Interesse: sociologia económica, sociologia política, sociologia histórica, teoria social.

PAP1345 - A crítica musical na imprensa lisboeta nos últimos anos da ditadura em Portugal (1970-1974): o caso do Teatro de São Carlos
Resumo de PAP1345 - A crítica musical na imprensa lisboeta nos últimos anos da ditadura em Portugal (1970-1974): o caso do Teatro de São Carlos 
PAP1345 - A crítica musical na imprensa lisboeta nos últimos anos da ditadura em Portugal (1970-1974): o caso do Teatro de São Carlos

Através de um estudo comparativo dos textos de crítica musical referentes ao Teatro de São Carlos - presentes nos periódicos lisboetas dos primeiros anos da década de 70, do século XX -, é o objectivo central desta comunicação interpretar as diferentes perspectivas dos agentes da crítica musical - críticos, compositores e músicos -, tendo em conta a conjuntura social, política e da imprensa. Partindo do pressuposto que o consumo de arte por parte de um grupo em particular tende a homogeneizar-se, servindo assim, muitas vezes, como denominador de distinção e/ou de integração (Bourdieu, 1979), o posicionamento dos agentes da crítica de arte, tende a reflectir o seu posicionamento ideológico relativamente ao mercado e à forma como o mesmo integra ou exclui os agentes de produção artística. Neste sentido, as reflexões por parte dos agentes da crítica musical tendem, por um lado, a defender e, por outro, a excluir, determinados repertórios, práticas performativas e posicionamentos de instituições no panorama artístico português.
  • ROMÃO, João CV de ROMÃO, João
Nome: João Romão
Afiliação institucional: CESEM / FCSH-UNL (Centro de Estudos de Sociologia e Estética Musical / Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa)
Área de Formação: Mestrando em Ciências Musicais, Variante de Musicologia Histórica; Licenciatura em Ciências Musicais
Interesses de investigação: Sociologia da Música; Estudos de recepção; Estudos de instituições culturais; Relações entre estética e poder

João Romão é Mestrando em “Ciências Musicais – Variante de Musicologia Histórica” (FCSH-UNL), tendo concluído a licenciatura em “Ciências Musicais” (FCSH-UNL) em 2010. Desde esse ano que é colaborador interno do CESEM, na área de Sociologia da Música.

A tese de mestrado que se encontra a desenvolver, sob orientação da Professora Doutora Paula Gomes Ribeiro, abordará – por um lado - a forma como os conceitos de recepção, gosto, ideologia, arte e mercado, entre outros, se relacionam com a conjuntura social e artística da década de 70, em Lisboa – e por outro -, como a crítica musical os integra e articula.

PAP0184 - A crítica reflexiva, sexualizada e genderizada como ponte para a diversidade e para a justiça social
Resumo de PAP0184 - A crítica reflexiva, sexualizada e genderizada como ponte para a diversidade e para a justiça social 
PAP0184 - A crítica reflexiva, sexualizada e genderizada como ponte para a diversidade e para a justiça social

Partindo dos limites e das potencialidades de um projecto de leitura crítica sobre os géneros e as sexualidades, esta comunicação pretende interrogar as implicações dos conceitos de diversidade e de justiça social para o situar epistémico da investigação que se queira inscrita naquela leitura. Num momento sócio-histórico que permanece frágil para a afirmação não-normativa dos géneros e das sexualidades, trata-se de questionar numa lógica transdisciplinar as intenções ora reguladoras, ora emancipatórias da diversidade e da justiça social. Três questões ocuparão lugar central neste trabalho: quais as tradições de abordagem da diversidade e da justiça social nas ciências sociais?; quais os efeitos reguladores versus emancipatórios dessas tradições e o que fazer em torno da sua re-construção epistémica e teórico-conceptual?; que luzes são potencialmente trazidas por esta re-construção para o sombrio caminho de identidades de género e sexuais silenciadas? Por último, interessa abordar o papel fulcral da reflexividade na construção de projectos de investigação, apelando à necessidade do comprometimento presente e futuro com vivências e expressões genuinamente diversas e socialmente (mais) justas de nos irmos fazendo nos géneros e nas sexualidades.
  •  CARNEIRO, Nuno Santos CV - Não disponível 

PAP1323 - A decisão tecnológica nos Serviços de Radiologia - o que nos revela afinal?
Resumo de PAP1323 - A decisão tecnológica nos Serviços de Radiologia - o que nos revela afinal? 
PAP1323 - A decisão tecnológica nos Serviços de Radiologia - o que nos revela afinal?

O Sist. de Saúde Português enfrenta na actualidade inúmeras pressões para a contenção de custos, permanecendo no entanto as despesas elevadas. De um modo geral, as exigências no sector da saúde excedem os recursos disponíveis para o financiar. As alterações e reformas existentes na área da saúde são constantes, no entanto, ao longo dos tempos um factor permanece inalterável - a tecnologia continua a ser o cerne e o suporte dos cuidados e ganhos em saúde. A área da Radiologia é um claro exemplo da aplicação da tecnologia, para a obtenção de imagens, necessárias para o diagnóstico e terapêutica de patologias. A Ressonância Magnética (RM) é talvez a tecnologia que mais se destaca dentro das demais tecnologias imagiológicas, dado ser uma tecnologia recente, com horizontes de aplicabilidade ainda por desvendar e que não recorre a radiação X na obtenção das imagens. A OCDE 1, num estudo levado a cabo em 2005, verificou que o processo de decisões relacionadas com o financiamento, investimento e planeamento das tecnologias de saúde não era claro, pelo que, a falta de clareza no processo de tomada de decisão (TD), ou a falta de conhecimento acerca do processo poderiam levar a uma ausência de transparência. Verifica-se assim a necessidade da adopção de um processo claro e transparente de decisão, nos processos de regulação, incorporação e utilização das tecnologia, onde todos os decisores deverão estar envolvidos no processo e deverão ter por base informação credível e baseada na evidência, que reflicta a pertinência e a necessidade diária dos serviços de saúde. A identificação destes decisores deverá ser a etapa prioritária, uma vez que são estes os que irão actuar no processo de avaliação, nas diferentes fases do ciclo de vida da tecnologia. A Análise de Decisores é uma técnica importante que permite a sua identificação e a análise das suas necessidades. É utilizada para identificar todos os decisores chave, bem como os decisores primários e os secundários, uma vez que no sistema de saúde existem não apenas uma grande diversidade de actores com capacidade de decisão, mas também porque existem múltiplos níveis de decisão associados à Radiologia . Considerando a RM, nas diferentes fases do seu ciclo de vida, este trabalho pretende para além de identificar os actores chave 2, perceber como é feito o processo de TD no que concerne a esta tecnologia. Deste modo, interessa perceber a relação que pode eventualmente existir a partir de uma análise que revela diferentes tipos de decisores que interferem no processo de decisão e que podem ou não ser os formais. Coloca-se a hipótese de o processo de TD e a relação de poderes nas organizações de saúde ser mais complexo e não se restringir apenas ao nível formal. 1 OECD Health Project. 2005. Decision Making and Implementation: an analysis of survey results. In Health Technology and Decision Making, 71-94. 2 WHO. Health Service Planning and Policy - Making:Mod 2 - Skateholder Analysis and Networks
  •  MAIA, Maria João CV - Não disponível 

PAP1550 - A descontinuidade geracional em Portugal. Revisitação do conceito à luz dos Censos de 2011
Resumo de PAP1550 - A descontinuidade geracional em Portugal. Revisitação do conceito à luz dos Censos de 2011 
PAP1550 - A descontinuidade geracional em Portugal. Revisitação do conceito à luz dos Censos de 2011

A análise micro-demográfica do território Português, efectuada à escala das Secções Estatísticas, com base em dados dos Censos de 2001, pôs em evidência o que designámos por descontinuidade geracional (proponente, 2004). Este conceito expressa a fragmentação da estrutura populacional ao atingir valores de índice de envelhecimento (IE) superiores a 530 (idosos por 100 jovens), fragmentação refletida em contextos físicos e sociais nos quais a interação entre velhos e novos será muito pouco frequente ou mesmo inexistente (porque virtualmente improvável). Esta descontinuidade geracional instalou-se em grandes manchas do território nacional, sendo essas manchas relativamente extensas nas serranias algarvias (com extensão parcial ao Baixo Alentejo) e na Beira Interior Sul. Mas, para além destas grandes manchas, cujo perímetro não reconhece divisões administrativas regionais, municipais e mesmo de freguesia – revelando-se deste modo o potencial da análise que recorre à unidade territorial “secção estatística” - a descontinuidade geracional apresenta-se em bolsas na faixa raiana que se estende ao longo da Beira Interior Norte até ao Alto Trás-os-Montes, mas também na zona raiana do Minho-Lima e, já no Interior do País, na sub-região do Pinhal Norte e Sul. Os dados cotejados e que vimos trabalhando indicam-nos que um dos traços mais salientes da mudança social ocorrida na sociedade portuguesa nas últimas décadas respeita ao despovoamento do Interior, em proveito do Litoral, fragmentando a estrutura populacional dos lugarejos, das aldeias e das vilas, expondo grande parte do território nacional a índices de envelhecimento (IE) inéditos - por falta de crianças e jovens em idade ativa, e pelo número absoluto e peso relativo dos mais velhos que foram ficando -, que se projetam indelevelmente no curto e no longo prazos. Com efeito, os dados dos Censos de 2011 põem em evidência a acentuação deste fenómeno de descontinuidade geracional e permitem empreender e consolidar uma reflexão sociológica sobre o significado da perda de diversidade geracional em contextos comunitários marcados por forte isolamento geográfico e precaridade social. Nesta reflexão cabem argumentos de natureza científica, ligados a uma sociologia do envelhecimento populacional, mas também argumentos do foro humanista, que põem em evidência a perda de coesão social suscitada pelo despovoamento e o risco de viver só
  • MACHADO, Paulo CV de MACHADO, Paulo
Paulo Filipe de Sousa Figueiredo Machado
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Doutorado em Sociologia, especialidade de Sociologia do Desenvolvimento e da Mudança Social, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Investigador integrado do CESNOVA.
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Professor Auxiliar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde leciona Sociologia Urbana, Teoria e Análise Demográfica e Análise e Prospectiva Demográfica na licenciatura em Sociologia.
Coordenador do Mestrado de Ecologia Humana e e Problemas Sociais Contemporâneos e professor de Teoria e Metodologia no doutoramento em Ecologia Humana desta mesma Faculdade.
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Áreas de investigação: demografia social, sociologia criminal e teoria e prática sócio-ecológica

PAP0686 - A desinstitucionalização da doença mental em Portugal: um olhar a partir das instituições
Resumo de PAP0686 - A desinstitucionalização da doença mental em Portugal: um olhar a partir das instituições 
PAP0686 - A desinstitucionalização da doença mental em Portugal: um olhar a partir das instituições

A filosofia desinstitucionalizadora que marcou as reformas psiquiátricas que ocorreram em muitos países desde os anos 1960 exige, para ser eficaz, um conjunto de condições que nem sempre as reformas conseguem assegurar e, por isso, corre o risco de fracassar. Dentre essas condições incluem-se a descentralização dos cuidados, a integração dos cuidados de saúde mental nos restantes cuidados de saúde, o reconhecimento da natureza complexa da doença mental (entre o biológico e o social) e da necessária multidisciplinaridade das respostas, a manutenção sempre que possível das pessoas com perturbação mental no seu meio e o envolvimento dos cuidadores informais no processo terapêutico. Um estudo realizado, em Portugal, a partir de um hospital psiquiátrico revelou as dificuldades com que as reformas estão a ser levadas à prática e o tipo de obstáculos que se levantam relativamente a cada uma dessas condições. Seguindo as trajetórias de um conjunto de pessoas com perturbações mentais graves que passaram pelos serviços do hospital foi possível aprofundar o modo como estas interagem com as instituições e com a comunidade, a visão que têm dos profissionais e dos cuidadores que as acompanham e as estratégias que desenvolvem para minimizar os efeitos mais negativos da institucionalização. Abordam-se sucessivamente as reformas psiquiátricas em Portugal, a progressiva abertura do hospital psiquiátrico estudado à filosofia descentralizadora e desinstitucionalizadora, e a receptividade e impacto das políticas de saúde mental, incluindo a reforma atualmente em curso, na instituição. A visão dos dirigentes e profissionais cruzam-se com as dos doentes e suas famílias, para analisar questões como o desenraizamento social, o modelo terapêutico, a disciplina e a autonomia dos doentes, a relação terapêutica e a confiança, o consentimento informado e a reserva de informação, as representações e os medos, o risco da dependência institucional.
  • HESPANHA, Pedro CV de HESPANHA, Pedro
  •  PEREIRA, José Morgado CV - Não disponível 
Pedro Hespanha
Sociólogo. Professor da Faculdade de Economia de Coimbra e Membro Fundador do Centro de Estudos Sociais.
Coordenador do Programa de Mestrado “Políticas Locais e Descentralização".
Tem investigado e publicado nas áreas dos estudos rurais, políticas sociais, sociologia da medicina, pobreza e exclusão social
Coordena o Grupo de Estudos sobre Economia Solidária (ECOSOL/CES)

PAP0871 - A dinâmica relacional de uma rede futebolística: uma etnografia da formação de jogadores em São Paulo - Brasil
Resumo de PAP0871 - A dinâmica relacional de uma rede futebolística: uma etnografia da formação de jogadores em São Paulo - Brasil 
PAP0871 - A dinâmica relacional de uma rede futebolística: uma etnografia da formação de jogadores em São Paulo - Brasil

Este artigo tem como objetivo traçar redes futebolísticas, entre outras tantas possíveis, que se desdobram a partir de Guaianases (bairro periférico da Zona Leste de São Paulo), para assim analisar o processo de formação e profissionalização de jovens jogadores. A partir da etnografia que vem sendo realizada no Grêmio Botafogo de Guaianases, clube amador que mantém uma escolinha de futebol em paralelo com o time que disputa as partidas e campeonatos de ‘futebol de várzea’, proponho acompanhar a pluralidade de atores, situações e questões conectados ao processo de formação de jogadores de futebol em São Paulo. Temas como ‘peneiras’, famílias, empresários de futebol e práticas políticas, quando entrelaçados na etnografia, mostram-se decisivos para um maior entendimento da pluralidade de práticas e representações do fenômeno futebolístico. Pluralidade que permite, ainda, problematizar e compreender algumas das inúmeras mudanças estruturais que o futebol brasileiro vem sofrendo. Este paper parte de uma estratégia relacionada aos métodos etnográficos adotados em pesquisas sobre processos sociais que envolvem múltiplos locais e conexões, aproximando-se, assim, de temáticas já conhecidas no debate antropológico. Para dar conta do meu objeto, proponho uma articulação entre diferentes abordagens, uma vez que, para aproximar-se da experiência urbana contemporânea, é preciso tecer uma multiplicidade de contextos interligados. Realizar uma etnografia inspirada pelo delineamento de conexões possibilita uma análise antropológica que pode ser feita por meio de distintas propostas metodológicas, tal como as pautadas pela idéia de redes ou as que pensam a conexão etnográfica em diferentes espaços. Portanto, a partir das redes de relações e conexões, tenho procurado evidenciar as inúmeras articulações que marcam o universo futebolístico e, também, a dinâmica da cidade. Acionadas não só no bairro de Guaianases, como também para além dele, alcançando outros planos citadinos, tais articulações são essenciais para a compreensão do universo futebolístico. Nesse sentido, uma análise sistemática e abrangente das relações entre os diversos atores permitirá um maior entendimento de um quadro extenso de questões e negociações envolvendo múltiplas esferas sociais, aqui interligadas pela prática futebolística.
  •  SPAGGIARI, Enrico CV - Não disponível 

PAP0043 - A dominação no continente: dominação pessoal e patrimonialismo analisados com base nas primeiras páginas de “O Tempo e o Vento”
Resumo de PAP0043 - A dominação no continente: dominação pessoal e patrimonialismo analisados com base nas primeiras páginas de “O Tempo e o Vento” 
PAP0043 - A dominação no continente: dominação pessoal e patrimonialismo analisados com base nas primeiras páginas de “O Tempo e o Vento”

As origens da dominação pessoal, fenômeno sociológico do qual se propõe a análise no seguinte trabalho, se fundamentam na gênese do Estado português, onde a ascendência do rei deu origem a um domesticamento do povo sem o aniquilamento da pobreza, sendo essa uma importante característica que se imprime na sociedade portuguesa. A propriedade do rei, composta de terras e tesouros acaba, desde já, confundindo os aspectos público e particular do Estado. A riqueza do titular é perpétua e eminente, prendendo os servidores a uma rede patriarcal onde os mesmos representam a extensão da casa do soberano. O Estado patrimonial atravessa séculos, não respeitando privilégios ou antigas linhagens, segundo diz o autor de Os donos do poder . Tais fatores se reúnem na formação do estado patrimonial português, o que virá causar reflexos na sociedade brasileira formada a partir da colonização. É tal herança, enraizada no fenômeno da dominação pessoal que se pretende analisar em "O Continente", livro primeiro que compõe a trilogia em que o escritor Érico Veríssimo conta a história do Rio Grande do Sul, região brasileira marcada por caracetrísticas decididamente Ibéricas.

PAP0687 - A economia solidária de raíz popular. Alguns aspectos teóricos e conceituais sobre o futuro da pequena produção independente
Resumo de PAP0687 - A economia solidária de raíz popular. Alguns aspectos teóricos e conceituais sobre o futuro da pequena produção independente  
PAP0687 - A economia solidária de raíz popular. Alguns aspectos teóricos e conceituais sobre o futuro da pequena produção independente

A persistência da pequena produção desafia o capitalismo. Esta afirmação, feita de tal forma redonda e direta, abrange um conjunto muito complexo de questões que foram objecto de aceso debate e de reflexão teórica ao longo de décadas. Entre elas incluem-se a conceituação da racionalidade particular da pequena produção independente, bem como sua relação com o sistema capitalista. As práticas de resistência, tanto ativa quanto passiva, da pequena produção independente e a estranheza desta última para um sistema económico que a força a competir em um mercado não personalizado são algumas questões repetidamente invocadas na literatura. Neste mundo de práticas e representações, a natureza distinta das motivações de pequenos produtores independentes é bastante evidente. O que os move não é a busca cega e incessante do lucro, mas sim a melhoria das condições de vida através de uma utilização prudente de recursos próprios e da cooperação com os parentes e vizinhos. Não só para garantir a sobrevivência, mas para viver melhor. Dentre os vários os indicadores empíricos que permitem reconhecer esta modalidade de economia incluem-se o recurso a trabalho exterior à família, usando as redes de solidariedades primárias; a informalidade total ou parcial nas relações com o mercado, as instituições e a comunidade; a relativa indistinção entre a economia doméstica e a economia do empreendimento; o recúo autárcico em períodos de crise; a ambição limitada como motivação e o primado da segurança como atitude. Discute-se a persistência de formas económicas não capitalistas, como as da economia popular, e o modo como elas se relacionam com o capitalismo em diferentes contextos. Analisa-se o surgimento de novos movimentos sociais e de iniciativas de base solidária provenientes da economia popular, particularmente em contextos de crise ou de necessidade, a fim de questionar a sua contribuição para uma mudança paradigmática, no sentido de um sistema económico mais equitativo, que permita uma melhor adequação dos recursos às necessidades e um aumento do bem-estar económico e social.
  • HESPANHA, Pedro CV de HESPANHA, Pedro
Pedro Hespanha
Sociólogo. Professor da Faculdade de Economia de Coimbra e Membro Fundador do Centro de Estudos Sociais.
Coordenador do Programa de Mestrado “Políticas Locais e Descentralização".
Tem investigado e publicado nas áreas dos estudos rurais, políticas sociais, sociologia da medicina, pobreza e exclusão social
Coordena o Grupo de Estudos sobre Economia Solidária (ECOSOL/CES)

PAP1078 - A empresa como emprego. Diversidade de contextos e de percursos de acesso à empresarialidade.
Resumo de PAP1078 - A empresa como emprego. Diversidade de contextos e de percursos de acesso à empresarialidade. 
PAP1078 - A empresa como emprego. Diversidade de contextos e de percursos de acesso à empresarialidade.

Face ao contexto socioeconómico nacional caracterizado por dificuldades agravadas de inserção no mercado de trabalho por conta de outrem, a criação do próprio negócio ou empresa afigura-se como uma potencial fonte de emprego para muitos não activos, jovens que finalizam os seus estudos, ou mesmo assalariados. São diversos os factores e os agentes que se conjugam neste processo. O papel do Estado - através das políticas activas de emprego, de promoção do empreendedorismo ou das políticas de fomento à criação e desenvolvimento de PME - e de outros actores, como sejam o do sistema de ensino, o da família ou o das redes sociais, devem aqui ser discutidos. A presente comunicação enquadra-se na tese de doutoramento que o/a autor/a se encontra a desenvolver sobre as pequenas e médias empresas (PME) portuguesas e os seus empresários. Os principais objectivos da pesquisa são (i) identificar as modalidades relevantes de percursos sócio-profissionais de dirigentes de empresas de micro, pequena e média dimensão, (ii) determinar as constelações de factores explicativos que se combinam na produção desses percursos-tipo (iii) e compreender as condições sociais de acesso à empresarialidade, numa perspectiva que coloque a tónica em dois tempos: no passado (os “velhos” empresários) e na actualidade (os “jovens” empresários), sem perder de vista o objectivo último de interrogar e captar mudanças sociais mais vastas que atravessam a sociedade portuguesa no decurso das últimas décadas. O desenho metodológico, accionado para a pesquisa inclui a realização de um conjunto de entrevistas de cariz biográfico a um grupo limitado, mas diversificado, de dirigentes de empresas de micro, pequena e média dimensão. Com base, portanto, em pesquisa recente sobre a criação de empresas por indivíduos com níveis de escolarização distintos, isto é, mais e menos e escolarizados, e pertencentes a grupos etários igualmente distintos, procura-se desenvolver uma análise motivacional para a criação do próprio negócio ou empresa e privilegia-se, para discussão no âmbito da presente comunicação, dimensões analíticas como os obstáculos, as condições facilitadoras e as principais modalidades de acesso à empresarialidade. Através de uma abordagem qualitativa, pretende-se reconstruir alguns “retratos” de acesso e vivência da empresarialidade, atendendo, para além de variáveis chave de diferenciação social, como sejam o sexo, a idade e o nível de escolaridade dos entrevistados, às características organizacionais específicas das empresas criadas.
  • COUTO, Ana Isabel CV de COUTO, Ana Isabel
Ana Isabel Couto, assistente de investigação no CIES-IUL e doutoranda em Sociologia pelo ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa. Licenciada em Sociologia pela FLUP e investigadora associada do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (ISFLUP). Interesses de investigação:sociologia do trabalho e das organizações, PME, empreendedorismo e género.

PAP1097 - A escola dos indivíduos: a singularidade e a vulnerabilidade na reconfiguração das políticas educativas
Resumo de PAP1097 - A escola dos indivíduos:  a singularidade e a vulnerabilidade na reconfiguração das políticas educativas 
PAP1097 - A escola dos indivíduos: a singularidade e a vulnerabilidade na reconfiguração das políticas educativas

A escola tem vindo a constituir-se como uma das promessas centrais que as políticas públicas contemporâneas têm posto em marcha na prevenção, administração e reparação do risco, da vulnerabilidade e da exclusão social. As medidas, dispositivos e programas de educação compensatória ou prioritária, que têm sido implementados nas últimas décadas, especialmente em territórios onde os problemas sociais são mais agudos, espelham essas preocupações. A entrada dos profissionais do social (assistentes sociais, mediadores, animadores, educadores sociais…) na escola resulta, em parte, da crescente visibilidade e reconhecimento políticos que os problemas educativos apresentam na arena pública. Mas estes novos profissionais da escola não deixam de enfrentar problemas e desafios muito significativos no trabalho social que procuram dinamizar: por um lado, o reconhecimento da singularidade do seu lugar e do seu papel no interior das escolas (o problema da autonomia profissional, do trabalho em equipa e do ajustamento a lógicas organizacionais e institucionais diversas, etc.); por outro lado, o trabalho junto dos públicos a que dirigem a sua intervenção (a dificuldade de definição das estratégias mais adequadas à mobilização dos alunos, famílias e comunidade para a causa escolar, os dilemas quanto às modalidades mais ajustadas de se envolver e de se relacionar com os alunos, os dilemas quanto à melhor forma de diagnosticar, sinalizar, administrar e resolver os problemas particulares de cada aluno, etc.). Esta comunicação pretende mapear as principais reconfigurações ideológicas nas políticas de educação prioritária e de luta contra os handicaps, detetando as diferenças nas várias gerações de programas implementados a nível transnacional (Rochex). Privilegia-se depois o enfoque em dois programas implementados nas últimas décadas no sistema educativo português: os territórios educativos de intervenção prioritária (teip) e os programas integrados de educação e formação (pief). Problematiza-se, enfim, a deslocação do debate político sobre as desigualdades socioeconómicas para as novas reconfigurações que estes programas parecem sofrer e que trazem novas controvérsias académicas e políticas sobre o que é uma «escola justa» (Dubet) ou uma «escola decente» (Payet). O trabalho de terreno que nos últimos dois anos tenho desenvolvido junto de agrupamentos de escolas com projetos teip e turmas pief fornecerão, por sua vez, algumas ilustrações empíricas quanto à forma como a intervenção prioritária tem vindo a gerar um processo de individualização das políticas educativas, alicerçada numa grandeza do indivíduo e no envolvimento da escola na categorização, prevenção e reparação das situações vulneráveis a partir de uma lógica singularizada.
  • DIONÍSIO, Bruno CV de DIONÍSIO, Bruno
Bruno Dionísio é professor da área científica de Sociologia e Mediação Social na Escola Superior de Educação de Portalegre. É investigador integrado do Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (cesnova) e do Centro Interdisciplinar de Investigação e Inovação do Instituto Politécnico de Portalegre (c3i). Tem publicado e participado em projectos de investigação sobre políticas de orientação escolar e profissional, cidadania e justiça escolar, fenómenos de humilhação nas escolas, processos de (in)visibilidade pública e de participação política numa perspectiva comparada Portugal/Brasil. O seu projecto de pós-doutoramento centra-se nos processos de reconhecimento político e de administração institucional da vulnerabilidade de crianças e jovens em situações de alta complexidade social.
Endereço electrónico bmdionisio@gmail.com

PAP1181 - A escola e as (des)igualdades educativas face à pluralidade dos seus públicos: da desigualdade de sucessos aos sucessos de valor social igual
Resumo de PAP1181 - A escola e as (des)igualdades educativas face à pluralidade dos seus públicos: da desigualdade de sucessos aos sucessos de valor social igual 
PAP1181 - A escola e as (des)igualdades educativas face à pluralidade dos seus públicos: da desigualdade de sucessos aos sucessos de valor social igual

Com base em autores como Michael Young e Pierre Bourdieu, a presente comunicação desenvolve uma reflexão sociológica acerca dos conhecimentos escolarmente transmitidos e das suas centralidades ou periferialidades face ao valor social que lhes é atribuído. Tendo em atenção a pluralidade de públicos e a diversificação da oferta escolar a que se assistiu em Portugal nos últimos anos, argumenta-se que esta diversificação contribui, não para a construção de sucessos iguais, mas de sucessos centrais e de sucessos periféricos, estes últimos obtidos através da frequência de um tipo de currículo não desafiador do currículo-padrão por parte de jovens maioritariamente provenientes de classes de menor estatuto social. Estes sucessos periféricos, que mais não são do que outra forma de insucesso, apesar de possibilitarem a diversificação de saídas profissionais, não permitem uma mobilidade social ascendente, perpetuando a classe (e posição de classe) de origem destes jovens. Importa, por isso, pensar a educação escolar de forma a que a mesma proporcione, à totalidade do seu público, o acesso ao conhecimento produzido pelas diversas ciências, democratizando assim esse conhecimento e possibilitando oportunidades de igualdade de sucessos. Argumenta-se que a atribuição de valor igual a diferentes tipos de inteligência (desde a matemático-dedutiva, à emocional e artística) com a consequente atribuição de valor social igual ao tipo de conhecimento que algumas destas inteligências, actualmente periféricas, privilegiariam, daria lugar a um tipo de igualdade de oportunidades escolares e de vida que, ultrapassando o conceito clássico de igualdade, promoveria a construção de sociedades estruturalmente menos hierarquizadas e hierarquizantes.

PAP0130 - A escola pública no olhar dos jovens herdeiros
Resumo de PAP0130 - A escola pública no olhar dos jovens herdeiros PAP0130 - A escola pública no olhar dos jovens herdeiros
PAP0130 - A escola pública no olhar dos jovens herdeiros

Num momento em que a escola pública enfrenta múltiplos e complexos desafios e se vê no centro de inúmeros debates políticos e investigações científicas, pretendemos reflectir sobre ela a partir não do (tradicional) olhar de quem nela vive e de quem a constrói, mas do olhar distanciado de quem se sente membro de um sistema de ensino “à parte”: os alunos das escolas privadas. Os dados apresentados resultam de uma investigação de doutoramento sobre o sucesso educativo em duas escolas privadas frequentadas pelas classes dominantes. Apesar de esta pesquisa não ter como foco analítico as representações sobre a escola pública, foram muitos os momentos em que os discursos dos alunos nos reenviaram para o universo do ensino estatal. Dissociado da complexidade e diversidade que o carateriza, ele surge representado pelos alunos como uma realidade homogénea e desqualificante que tem por “contraponto qualificante” o ensino privado, também falaciosamente associado a um todo social e escolarmente homogéneo. Tomando por base apenas umas das técnicas de recolha de dados acionada nesta investigação – o grupo de discussão focal -, analisamos, num diálogo entre o “nós” (escola privada) e o “eles” (escola pública), os principais eixos em que, na opinião destes jovens, assenta a dicotomia entre os dois sistemas de ensino: excelência académica; valorização do mérito; vivências e dinâmicas de (in)disciplina; noções de “identidade de escola”, de “família educativa”, de “educação em valores” e de “educação na/para a diversidade sócio- cultural”. Estes indicadores permitem-nos não só uma reflexão em torno das lógicas de distinção – escolar e social – presentes no discurso dos herdeiros, mas também um reequacionar crítico da polarização entre ensino público e privado: o primeiro, percecionado como espelho da “crise” da escola; o segundo, como miragem para um ensino de qualidade. Escutando os herdeiros de hoje, estaremos (pre) vendo as políticas educativas de amanhã…
  • QUARESMA, Maria Luísa CV de QUARESMA, Maria Luísa
Identificação: Maria Luísa da Rocha Vasconcelos Quaresma
Filiação:Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto / Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto
Habilitações Literárias: Doutoramento em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (Bolsa FCT - SFRH / BD/ 39952/ 2007)
Investigação/docência: Investigadora Integrada do Instituto de Sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto/Assistente convidada na Escola Superior de Educação do IPP.
Áreas de interesse: Sociologia da Educação, Sociologia da Juventude, Sociologia das Classes Sociais
Principais Publicações: QUARESMA, Maria Luísa (2010) – Da escola pública ao colégio privado: entre a homogeneidade perdida e a homogeneidade reivindicada. Revista Luso-Brasileira “Sociologia da Educação”, nr.2; QUARESMA, Maria Luísa; LOPES, João Miguel (2011) – Os TEIP pela perspetiva de pais e alunos. Revista de Sociologia, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, vol XX; QUARESMA, Maria Luísa (2010) – Interação, disciplina e indisciplina. In ABRANTES, Pedro, org. – Tendências e controvérsias em Sociologia da Educação. Lisboa: Editora Mundos Sociais; QUARESMA, Maria Luísa (2011) – Democratização escolar: percursos e percalços. In LIMA, Francisca [et al.] – Democratização e educação pública: sendas e veredas. São Luís: EDUFMA --

PAP0265 - A esfera privada na agenda pública: a aceleração das mudanças na família nos últimos anos em Portugal
Resumo de PAP0265 - A esfera privada na agenda pública: a aceleração das mudanças na família nos últimos anos em Portugal 
PAP0265 - A esfera privada na agenda pública: a aceleração das mudanças na família nos últimos anos em Portugal

O objectivo desta comunicação é identificar, explorar e reflectir sobre as rápidas mudanças que têm vindo a ocorrer na vida familiar em Portugal, particularmente na primeira década do século XXI. Na realidade, vários indicadores demográficos mudaram radicalmente. A título de exemplo, entre 2000 e 2009 os casamentos católicos sofreram um decréscimo equivalente àquele observado nos 30 anos anteriores (de 86,6% em 1970 para 64,8% em 2000, e 43,1% em 2009) e os nascimentos fora do casamento subiram tanto em 9 anos como nos últimos 30 (de 7,3% em 1970 para 22,2% em 2000, e 38,1% em 2009). De igual modo, a média de idade no nascimento do primeiro filho subiu tanto em 10 como em 30 anos. Paralelamente, a taxa bruta de casamentos desceu consideravelmente, assim como a taxa bruta de fertilidade, ao mesmo tempo que houve um aumento importante do número de divórcios, de famílias recompostas, de famílias monoparentais e daquelas com modos de vida alternativos. A par destas mudanças foram aprovadas várias leis: a lei da igualdade entre homens e mulheres na política (2007), a lei da procriação medicamente assistida (2006), uma nova lei do divórcio (2008), a lei a conceder mais direitos aos casais em união de facto (2009), o direito ao aborto a pedido da mulher referendado pela maioria da população portuguesa (2009) e, finalmente, a aprovação dos casamentos entre pessoas do mesmo sexo (2010). Não deixa de ser surpreendente que em Portugal, um país em que a maioria se afirma como católica, estas leis tenham sido aprovadas. Será que estas mudanças na legislação estão relacionadas com as transformações dos indicadores demográficos acima mencionados? Será que, na actualidade, as dinâmicas sociais, familiares e conjugais estão a tomar novos contornos? Ou será que, com uma maioria parlamentar de diferente orientação ideológica, estas leis serão objecto de revisão? As investigações existentes centradas nesta problemática tendem a analisar e explicar um longo movimento iniciado nos anos 60 e 70 sem considerarem as transformações extraordinárias ocorridas nos valores e práticas familiares e conjugais na primeira década do século XXI. Esta comunicação procurará centrar-se em certas dimensões menos exploradas e identificar, analisar e compreender os processos sociais que em Portugal motivaram e suportaram a aceleração intensa dos indicadores sociais mencionados anteriormente. Neste sentido, a nossa ambição é contribuir para preencher uma lacuna na investigação sociológica da família e nas mudanças profundas nela ocorridas na última década.
  •  TORRES, Anália CV - Não disponível 
  • CASIMIRO, Cláudia CV de CASIMIRO, Cláudia
  •  GASPAR, Sofia CV - Não disponível 
Nome: Cláudia Casimiro
Afiliação Institucional: Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL), Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-IUL), Lisboa, Portugal.

Área de Formação: Licenciatura em Antropologia (FCSH-UNL), Mestrado em Ciências Sociais na especialidade de "Família: Olhares Interdisciplinares) (ICS-UL), Doutoramento em Ciências Sociais, especialidade em Sociologia Geral (ICS-UL)

Interesses de Investigação: Sociologia da Família; Violência na conjugalidade; Encontros e Relações Online (ciberconjugalidades); Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC); Métodos de Investigação Qualitativa.

PAP1198 - A experiência da adolescência, parentalidade e vida familiar: a reformulação de um sistema de relações sociais?
Resumo de PAP1198 - A experiência da adolescência, parentalidade e vida familiar: a reformulação de um sistema de relações sociais? 
PAP1198 - A experiência da adolescência, parentalidade e vida familiar: a reformulação de um sistema de relações sociais?

A adolescência enquanto experiência tem sido, grosso modo, um objecto arredado dos olhares da Sociologia. por razões históricas que se prendem com o carácter psico-fisiológico na base da própria construção do conceito. No entanto, se é verdade que se trata de uma experiência eminentemente individual (de crescimento do corpo e construção de uma identidade), o facto é que se trata de um processo igualmente familiar e social (Marcelli, 2008:23). Com efeito, os sistemas de relações sociais que as famílias (independentemente da sua configuração) construíram para acomodar os seus filhos crianças vêm-se confrontados com um sujeito que procura reclamar o seu lugar no mundo enquanto indivíduo, ainda que de forma hesitante e dubitativa (breviglieri, 2007). Ao fazê-lo reporta a modelos de reivindicação social e culturalmente partilhados, a que não são alheios recursos, espaços e posições sociais. O que se passa e como se vivem estes processos, olhando para as dinâmicas ocorridas no espaço doméstico familiar são, pois algumas questões que se procurarão responder nesta comunicação, onde se procurará dar destaque, justamente, aos aspectos processuais e dinâmicos que decorrem da passagem do tempo. Como fazem os jovens simultaneamente parte e como se colocam (ou não) à parte da dinâmica familiar? Que tensões e conflitos surgem relacionados com temas como o «direito» à autonomia, a liberdade e a privacidade dos jovens filhos? Como gerem os jovens, por um lado, e os pais, por outro, as relações familiares que se transformam à medida que o jovem cresce e reivindica (ou é-lhe atribuído) um novo estatuto na família? Nesta comunicação propomos abordar estas questões com recurso a uma pesquisa qualitativa, envolvendo 19 famílias (díades compostas por jovem e um dos progenitores) distribuídas por três localizações distintas: capital, zona suburbana e zona rural. Os jovens foram entrevistados no limiar da maioridade, sendo posteriormente solicitada a colaboração dos pais. O trabalho de campo decorreu entre 2005 e 2006. Esta pesquisa deu lugar a uma dissertação de doutoramento defendida e aprovada em Fevereiro de 2010 no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
  •  PAPPÁMIKAIL, Lia CV - Não disponível 

PAP0128 - A experiência da gravidez na adolescência. “Pensa que é uma bonequinha de farrapos o menino! Ela depois é que vai ver!”
Resumo de PAP0128 - A experiência da gravidez na adolescência. “Pensa que é uma bonequinha de farrapos o menino! Ela depois é que vai ver!” 
PAP0128 - A experiência da gravidez na adolescência. “Pensa que é uma bonequinha de farrapos o menino! Ela depois é que vai ver!”

A investigação que esteve na base deste estudo reflecte e incide sobre as experiências da gravidez na adolescência. O facto de a gravidez precoce constituir um desafio ao desenvolvimento das jovens que pode abrir percursos de vida não imaginados para estas, e o facto de a gravidez na adolescência ser um fenómeno com grande expressão em Portugal estão na origem da definição do objecto desta investigação. Interessou-nos analisar as vivências das jovens/futuras mães e dos pais dos bebés. Dado que a gravidez na adolescência tem sido vista como uma questão envolvendo sobretudo o universo feminino, sendo poucos os estudos que descrevem experiências de pais adolescentes, procurámos, incluir na investigação as vivências dos jovens pais. As narrativas de vida que serviram de base a este estudo foram recolhidas em unidades hospitalares – nos distritos de Vila Real e Braga –, nomeadamente nas Consultas Externas dos Serviços de Obstetrícia. Abrange um grupo de adolescentes com idades compreendidas entre os 13 e 19 anos (com 12 ou mais semanas de gestação) e, nos casos em que tal foi possível, os seus companheiros. Esta investigação procura explorar temas que não são geralmente abordados em estudos sobre a gravidez na adolescência, e que exigem a atenção à voz dos actores e a escuta desta. Analisámos em detalhe as narrativas construídas a partir de 70 entrevistas, procurando, num primeiro momento, definir as categorias que pareciam mais relevantes para o estudo. Seleccionámos e examinámos em pormenor trajectórias associadas à experiência da gravidez adolescente, num exercício próximo do que Boltanski & Thévenot (1991) chamaram montée en généralité. Quando começámos a esboçar as primeiras linhas desta comunicação fomos assaltados por intensas recordações da nossa primeira ida ao hospital. Íamos entrevistar meninas que viriam a ser mães muito brevemente. Recordações que permanecem no nosso imaginário. Relembrámos… estávamos sentados na sala de espera, a primeira menina que entrevistámos tinha 15 anos e deveria tornar-se mãe naquele dia ou no dia a seguir. Ouvimos o primeiro relato de uma vivência e uma primeira história reveladora de incertezas e medos quanto ao futuro daquela menina e do seu bebé. Ouvimos os primeiros medos… Essa teia de desejos, recusas, pânicos, angústias, fizeram-nos ter uma imensa vontade de continuar e de ouvir a voz destas adolescentes, facto que nos levou a uma escuta atenta de 70 jovens. Sendo um período de mudanças e descobertas, a gravidez representa uma experiência única para estas adolescentes. Os meses que se seguem à descoberta da gravidez determinam novas experiências a partir das quais, pouco a pouco, se edificam determinados comportamentos, cheios de receios e medos, mas a partir dos quais as adolescentes começam a construir a representação da sua própria gravidez.Esta fase vai permitir a incorporação existencial de um filho na identidade da mãe.
  • CARVALHO, Dina de Jesus Peixoto de CV de CARVALHO, Dina de Jesus Peixoto de
Graus académicos (do mais recente ao mais antigo)
Grau Doutor – aprovada com distinção.
Área/ especialidade Sociologia do Conhecimento, da Cultura e da Comunicação.
Concessão do grau Universidade Universidade de Coimbra
Faculdade: Faculdade de Economia

Grau Mestre
Área/ especialidade Sociologia da Saúde
Concessão do grau Universidade Universidade do Minho

Grau Licenciatura
Área/ especialidade Sociologia das Organizações
Concessão do grau Universidade Universidade do Minho


Filiação Institucional:
Investigadora integrada do CICS e Docente convidada da Escola Superior de Educação do Porto.

Interesse de Investigação: Sociologia da Saúde e das Desigualdades sociais e Sociologia do Consumo.

PAP0837 - A experiência geracional na fala de adolescentes de escolas públicas: relações intergeracionais
Resumo de PAP0837 - A experiência geracional na fala de adolescentes de escolas públicas: relações intergeracionais 
PAP0837 - A experiência geracional na fala de adolescentes de escolas públicas: relações intergeracionais

Agência financiadora: FAPEMIG (Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de Minas Gerais) Desde a segunda metade do século XX, ganha visibilidade a busca crescente do adolescente do mundo ocidental pela sua autoafirmação como sujeito. No interior desse processo social, esses sujeitos devem manejar possíveis dilemas entre as expectativas advindas dos familiares, professores e aquelas dos grupos de pares, pois na contemporaneidade, os grupos juvenis se apresentam como referenciais muito significativos para o adolescente refletir sobre as suas escolhas e seu lugar no mundo social. Neste artigo, a relação intergeracional será problematizada a partir das falas de adolescentes de escolas públicas de São João del-Rei, Minas Gerais, que estavam entrando na adolescência (sujeitos de 13 e 14 anos de idade), entre 2008 e 2010, e que, por viverem a moratória do mundo do trabalho, apresentam como principal dever social o exercício do “oficio do aluno”. Por meio de dinâmicas grupais e entrevistas individuais, discutimos as relações intergeracionais vividas pelos sujeitos pesquisados, na família e na escola. Desse modo, a pergunta que mobiliza o autor deste artigo é a seguinte. Que papéis jogam a família e a escola no percurso biográfico dos adolescentes na contemporaneidade? O segmento sobre o qual incidiu a pesquisa mostra um declínio do autoritarismo adulto, mais acentuado no interior da família do que na escola. Os adolescentes falam de pais dialógicos, principalmente as mães, que se esforçam para administrar a tensão entre o movimento de autonomia dos filhos adolescentes e as cuidados ligados à proteção dos mesmos, nesse momento de suas biografias. Não identificamos, então, uma ruptura intergeracional entre os adolescentes e seus pais. Estes que são vistos como cumpridores legítimos da função educativa delegada socialmente à família. Descontinuidades na experiência geracional existem, pois a possibilidade de uma escolarização mais alongada, em meio a mudanças tecnológicas e demográficas facilitou o acesso a recursos simbólicos e materiais promotores de novas identidades sociais para as novas gerações. Porém, não há uma ruptura geracional concebida como uma redefinição radical dos valores e práticas familiares. A relação com a escola envolve duas dimensões: o da afirmação identitária e o da obtenção do diploma. Entre o professor democrático que não consegue ensinar, por causa da “bagunça” e o professor autoritário que cala a boca de todos através de mecanismos de controle muito coercitivos, os alunos oscilam muito, ora mostrando preferência pelo primeiro, ora pelo segundo. O motivo principal da oscilação está na balança que pende ora para a expressividade identitária, ligada a imediaticidade da interação social, ora para o sucesso da escolarização, do ponto de vista do que ela acena para o futuro.
  •  SANTANA, Ruth Bernardes de CV - Não disponível 

PAP1304 - A fabricação da entrada em Medicina: tensões, dilemas e suportes
Resumo de PAP1304 - A fabricação da entrada em Medicina: tensões, dilemas e suportes 
PAP1304 - A fabricação da entrada em Medicina: tensões, dilemas e suportes

A imposição de um sistema de numerus clausus no acesso ao ensino superior público em Portugal, desde meados dos anos setenta do século passado, contribuiu decisivamente para o reforço de uma hierarquia de excelência escolar no sistema. A relação mercantil doravante instaurada entre oferta e procura de lugares nos vários cursos e instituições parece ter feito disparar o grau de selectividade académica, que determinadas áreas de estudo ostentam à entrada, para níveis antes verdadeiramente impensáveis. Em simultâneo, este fenómeno tem contribuído também para alimentar controvérsias públicas em torno da noção do “mérito”. O caso dos cursos de Medicina tem sido a este respeito paradigmático. Como se sabe, a sua elevada procura tem fixado, duradouramente, médias de candidatura bastante elevadas. Ora, sabendo que a nota de candidatura vai-se construindo no tempo, num processo de longa duração – durante os três anos do ensino secundário – e não apenas num único momento – o calendário dos exames nacionais – é de supor que essa fabricação envolva previsíveis tensões e dilemas no jovem-aluno. Tensões que decorrem, nomeadamente, da gestão entre temporalidades de investimento nos estudos em regime de “alta competição” e temporalidades de investimento nas sociabilidades juvenis em regime de “alta pressão”. Dilemas, por sua vez, que emergem da constante auto-confrontação com a imagem que o julgamento escolar (por via das classificações obtidas) dá de si como aluno, mas também como pessoa (“serei capaz? é isto mesmo que eu quero?”). Nesta prova biográfica que é a fabricação da entrada em Medicina, os suportes de que se dispõe podem revelar-se decisivos para o seu desfecho. Nesta comunicação pretende-se aprofundar as tensões, dilemas e suportes vivenciados durante o ensino secundário por estudantes que entraram em Medicina e apurar os processos estiveram na base dessa decisão vocacional. A análise irá socorrer-se de material empírico apurado no âmbito do projecto “Insucesso e abandono escolar na Universidade de Lisboa: cenários e trajectórias” (Projecto FCT nº PTDC/ESC/64875/2006), recentemente concluído. Em particular, serão explorados dados referentes a entrevistas realizadas no ano lectivo de 2009/2010 a alunos que, no ano lectivo anterior, tinham entrado no 1º ano do curso de Medicina da Universidade de Lisboa.
  •  VIEIRA, Maria Manuel CV - Não disponível 

PAP0303 - A festa do Acorda Povo no Recife - Brasil: história, cotidiano e religiosidades. (1950-1980)
Resumo de PAP0303 - A festa do Acorda Povo no Recife - Brasil: história, cotidiano e religiosidades. (1950-1980) 
PAP0303 - A festa do Acorda Povo no Recife - Brasil: história, cotidiano e religiosidades. (1950-1980)

As festas juninas no Recife - Brasil serão tratadas nesse estudo como um problema histórico relevante, considerando as especificidades como cada grupo social se apropria dessas práticas culturais e as representam, reorganizando-as de acordo com os seus interesses particulares. Chamamos atenção para as experiências religiosas que se estabelecem no cotidiano da cidade, especialmente as comemorações do Acorda Povo. Nesta festa, os encontros e desencontros, mesclam traços marcantes do intercâmbio entre as culturas religiosas católicas e afro-brasileiras, representados de diferentes maneiras, seja pela cor das roupas e indumentárias, nos cânticos e louvores, no banquete peculiar, entre outras experiências. O Acorda Povo consiste numa procissão festiva, que sai pelas ruas de algumas comunidades da cidade, durante a madrugada do dia 24 de junho. Em geral, é organizada em sinal de agradecimento por uma graça alcançada, seja por algum devoto de São João ou filhos de santo da religião dos orixás, popularmente, conhecida como Candomblé ou Xangô. As ruas é o principal cenário de realização dessa celebração. Nesse espaço de sociabilidade, o sagrado e o profano se conectam e se misturam, assumindo diferentes temporalidades. Durante o estudo, iremos nos debruçar nas diferentes formas de representação da religiosidade vivenciada no momento da festa, analisando os rituais públicos e privados, o momento festivo do coco, a ornamentação das ruas por onde o cortejo passa, das casas onde a procissão faz as paradas, entre outros elementos, que nos possibilita identificar uma prática cultural criadora de diferentes territórios, acompanhados de novos significados, que demarcam simbolicamente o espaço de vivência da festa. Por se tratar de um assunto relacionado às práticas populares, a documentação referente ao assunto registrada em bibliografia e na imprensa escrita é praticamente inexistente, o que nos leva a fazer uso como suporte metodológico, dos relatos de memórias e dos acervos familiares, sobretudo, álbuns fotográficos, dos seguidores das manifestações analisadas.
  •  SANTOS, Mário Ribeiro dos CV - Não disponível 

PAP0067 - A formação profissional nas políticas públicas de esporte e lazer no Brasil
Resumo de PAP0067 - A formação profissional nas políticas públicas de esporte e lazer no Brasil 
PAP0067 - A formação profissional nas políticas públicas de esporte e lazer no Brasil

A descentralização das políticas sociais brasileiras no início da década de 90 foi cercada de estratégias para que o Governo Federal mantivesse certa influência política nos municípios e estados. Os Programas sociais foram as principais formas de descentralizar orçamento e influenciar os municípios a executarem políticas públicas de cunho social, entre essas as políticas públicas de esporte e lazer. Como direito constitucional brasileiro, o esporte e lazer encontram obstáculos que impedem a sua concretização. Assim, para contemplar os objetivos de cidadania e acesso aos direitos sociais, os programas governamentais tentam ampliar seu atendimento nacional de forma qualificada. Esta qualificação perpassa por processos de formação profissional que se preocupa com a intervenção dos recursos humanos nas atividades esportivas, pois, quando o esporte é convocado a educar para a cidadania a atuação profissional precisa de um novo foco. Este trabalho é uma reflexão sobre a identidade desse profissional do esporte que também educa para a cidadania. Pela sua relevância social, o profissional de educação física é um dos profissionais requisitados no segmento do lazer e esporte. A “educação física é resultante da estreita relação entre pesquisa científica e reflexão filosófica, propiciando a constituição de novas formas de compreender e transformar a prática pedagógica cotidiana, que também pode ser encaminhada vislumbrando o lazer um campo possível de aplicação para os profissionais formados na área” (ISAYAMA, 2003). Logo, as discussões acerca da formação desse profissional interferem nas ideias em relação ao lazer. Contudo, essa nova demanda de formação cidadã exige novos caminhos nem sempre ofertados nos cursos de Educação Física. As demandas sociais exigem um profissional diferente para essa atuação e baseado em estudos brasileiros sobre a formação profissional nas políticas públicas de esporte e lazer, construiremos reflexões acerca da formação desse profissional.
  • RIBEIRO, Sheylazarth CV de RIBEIRO, Sheylazarth
  • ISAYAMA, Hélder CV de ISAYAMA, Hélder
Nome: Sheylazarth Ribeiro
Afiliação Institucional: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Área de Formação: Graduação em Educação Física pela UFMG, Especialista em Educação Física Escolar pela Universidade Gama Filho e Mestre em Lazer pela UFMG.
Interesses de investigação: Lazer, Formação profissional, políticas públicas de esporte e lazer.
Hélder Ferreira Isayama

Possui graduação em Educação Física pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1993), mestrado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (1997) e doutorado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (2002). Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais, Docente do Programa de Mestrado em Lazer da UFMG (área Interdisciplinar - Câmara de Ciências Humanas e Sociais) e Líder do grupo de pesquisa Oricolé - Laboratório de Pesquisas sobre Formação e Atuação Profissional em Lazer da UFMG. Membro do Grupo de Pesquisa em Lazer (GPL) da Unimep. Editor da Revista Licere. Tem experiência na área de Educação Física com ênfase na perspectiva interdisciplinar, atuando principalmente nos seguintes temas: lazer, educação física, recreação, políticas públicas, formação e atuação profissional.

PAP0239 - A fronteira do Guadiana: Porta do Céu ou Portão do Inferno? A experiência dos refugiados espanhóis da Guerra Civil de Espanha (1936/1939)
Resumo de PAP0239 - A fronteira do Guadiana: Porta do Céu ou Portão do Inferno? A experiência dos refugiados espanhóis da Guerra Civil de Espanha (1936/1939) PAP0239 - A fronteira do Guadiana: Porta do Céu ou Portão do Inferno? A experiência dos refugiados espanhóis da Guerra Civil de Espanha (1936/1939)
PAP0239 - A fronteira do Guadiana: Porta do Céu ou Portão do Inferno? A experiência dos refugiados espanhóis da Guerra Civil de Espanha (1936/1939)

Nos anos mais recentes têm-se assistido a progressos significativos no campo da preservação da memória histórica e das experiências individuais/colectivas, nomeadamente no período relacionado com a Guerra Civil de Espanha (1936/1939). Este renovado interesse por esse período turbulento explica-se por uma vontade de conhecer melhor as migrações forçadas e traumáticas impostas pela guerra a comunidades que viviam nas zonas fronteiriças e que procuraram salvar as suas vidas, migrações estas que têm sido objecto de menor investigação, ao invés do esforço de investigação feito quando se tratam de outros tipos de migrações, como por exemplo,as de carácter económico ou laboral. Foram utilizadas na fuga as antigas rotas de contrabando, beneficiando dos laços sociais e das redes de relações fronteiriças pré-existentes, como via para escapar à perseguição movida por qualquer um dos bandos em conflito. A memória desses episódios ainda é traumática para muitos residentes da raia, e seus descendentes, criando-se formas de amnésia e de silêncio. Os refugiados espanhóis (os "fugidos") entraram nas casas dos portugueses, procurando salvar as vidas. Muitos foram escondidos e salvos, mas outros foram denunciados, capturados e entregues às autoridades, que os devolveram ao outro lado da fronteira, o que significou, na maioria das vezes, a morte por fuzilamento. A Guerra Civil de Espanha e estes fluxos de migração forçada mudaram a fronteira do Guadiana e as vidas das comunidades, portuguesas e espanholas, que aí residiam. Todas estas actividades tiveram implicações no quotidiano desses lugares, criando níveis de risco, instabilidade, insegurança, alterando as perspectivas identitárias e as estruturas sociais, mudando a constelação do poder até então existente e visível.Procura-se nesta investigação uma aproximação ao processo de construção e preservação das memórias, colectivas e individuais,analisando-se os fluxos de migração forçada desse período, os papéis dos actores e suas estratégias, os ciclos e as razões usadas pelas novas gerações para esquecer ou para recordar esse passado. A abordagem metodológica adoptada é de cariz qualitativo, cruzando pesquisa documental e entrevistas biográficas semi-directivas profundas, tentando recriar histórias de vida que destaquem as relações complexas, os sentimentos de pertença, as identidades, as características únicas da zona raiana e das comunidades aí residentes, a cultura de fronteira, a contestação/oposição, a integração ou o regresso, enfim, procurando analisar o impacto que estas migrações forçadas causaram na sociedade portuguesa da época através de um maior conhecimento dos papéis dos actores sociais envolvidos.
  • SILVA, Joaquim CV de SILVA, Joaquim
JOAQUIM DE ASSUNÇÃO MEALHA DA SILVA
Licenciatura em Sociologia (Universidade Lusófona – Lisboa), Mestrado em Sociologia – área de especialização em Recursos Humanos e Desenvolvimento Sustentável (Univ. de Évora), doutorando em Sociologia – área de especialização Migrações Forçadas (Univ. de Évora).
Foi técnico superior na Divisão de Acção Social da Câmara Municipal de Portimão e desde 1998 é docente no INUAF- Instituto Superior Dom Afonso III, em Loulé, leccionando as disciplinas de Sociologia das Actividades Físicas, Sociologia do Turismo e Métodos e Técnicas de Investigação.
Como temas de investigação em que se encontra envolvido destacam-se as Migrações Forçadas, a identidade das populações raianas, a memória da fronteira e dos refugiados, nomeadamente o impacto causado na população portuguesa pelo afluxo de refugiados espanhóis em fuga à Guerra Civil de Espanha (1936/1939). Sob estas temáticas tem apresentado diversas comunicações e colaborado com fóruns espanhóis de preservação da memória (Huelva, Málaga, Guadalajara e Madrid).

PAP0767 - A gaguez enquanto objecto de fronteira: reflexões em torno da constituição de um dispositivo de colaboração
Resumo de PAP0767 - A gaguez enquanto objecto de fronteira: reflexões em torno da constituição de um dispositivo de colaboração 
PAP0767 - A gaguez enquanto objecto de fronteira: reflexões em torno da constituição de um dispositivo de colaboração

Os estudos de ciência e tecnologia têm apontado os méritos na mudança de um modelo de Entendimento Público da Ciência para um modelo de Participação Pública na Ciência, com ênfase em processos de co-produção de conhecimento. Destes, as experiências de investigação colaborativa, baseadas num paradigma de community based participatory research,revelam algumas das complexidades das relações entre ciência, sociedade e democracia. Estas experiências definem-se como procedimentos de co-produção de conhecimento caracterizados pela participação de múltiplos actores epistémicos, oriundos não só do universo dos diversos saberes académicos, mas também dos colectivos emergentes da sociedade civil, partindo do reconhecimento da sua igual capacidade de produção de conhecimento tentando, para tal promover relações igualitárias e não hierárquicas entre os actores envolvidos (Boavida e Pontes, 2002). Esta comunicação procurará apresentar algumas reflexões resultantes da colaboração desenvolvida entre o Centro de Estudos Sociais e a Associação Portuguesa de Gagos no âmbito do projecto Biosense e analisada no projecto de doutoramento “Diálogos e traduções epistémicas nas práticas de investigação colaborativa: um estudo comparado”. Este visa analisar o modo como distintos dispositivos de colaboração entre epistemologias científicas e leigas conseguem promover a integração de saberes não científicos em processos de produção de conhecimento. A gaguez surge como uma entidade complexa, não estabilizada, cujas causas não foram totalmente identificadas e cujos tratamentos carecem ainda de consenso quanto à sua eficácia. No panorama português esta discussão surge num estado incipiente e dependente da tradição anglo-saxónica. Esta colaboração procurará fomentar um conjunto de diálogos entre gagos, terapeutas da fala, juristas, psicólogos, especialistas nas neurociências, na linguística, entre outras, com o objectivo de fomentar uma reflexão sobre a gaguez, as suas causas, formas de enfrentamento e diferentes enquadramentos jurídicos e clínicos. O objectivo assumido nesta comunicação será o de reflectir sobre a capacidade do dispositivo colaborativo criado em promover um diálogo entre os distintos actores epistémicos que supere o modelo do défice e as dinâmicas de saber/poder que surgem associadas às relações cidadãos/cientistas. Desde modo, o que se procura analisar é a capacidade de nestas colaborações os cidadãos emergirem não como objectos de investigação, mas enquanto sujeitos activos de conhecimento. Para tal, o horizonte da promoção de uma ecologia de saberes (Santos, 2006) surge como central na construção destes dispositivos, através dos quais se busca fomentar a emergência de um mais democrático e efectivo conhecimento científico, que incorpore as preocupações, éticas, morais e culturais dos cidadãos.
  •  NEVES, Daniel CV - Não disponível 

PAP0867 - A gestão do dinheiro no seio da família. Entre o que continua e o que se inova
Resumo de PAP0867 - A gestão do dinheiro no seio da família. Entre o que continua e o que se inova 
PAP0867 - A gestão do dinheiro no seio da família. Entre o que continua e o que se inova

Falar de dinheiro, do que ganha cada um, da sua gestão e significado é assunto muito comum nas famílias migrantes. Nos anos 1960-1970, muitos portugueses partiram para França animados por um projecto onde o dinheiro era fulcral. Muitos partiram sós, procedendo rapidamente à reunificação familiar, por vezes de maneira fragmentada: primeiro a esposa e depois os filhos. Uma vez chegada, a mulher, entrando rapidamente no mercado de emprego, chega até a ganhar mais dinheiro do que o homem, participando, assim, na realização dos projectos migratórios e na melhoria da situação familiar. Daqui decorrem vários efeitos repercutindo-se de sobremaneira nas novas concepções acerca do dinheiro, da sua circulação no espaço familiar, não deixando indemnes as tradicionais hierarquias familiares. Por sua vez, o acesso ao dinheiro e a novas racionalidades económicas permite a cada um destes actores familiares satisfazer, ao mesmo tempo, os seus objectivos ou as suas preferências individuais, sem contudo, abandonar um projeto familiar comum. Numa perspectiva comparativa, apoiando-nos num trabalho de campo à base de entrevistas semi-diretivas junto de famílias portuguesas a viverem na região parisiense, mas também no concelho de Braga, propomo-nos estudar quatro questões cruciais: de que modo o contexto migratório e o prolongamento da estadia influenciam a circulação do dinheiro no seio destas famílias? Haverá lógicas distintas entre famílias migrantes e as que sempre ficaram no torrão natal? Que coerências presidem à gestão da conta em comum ou à das contas individuais? De que forma as relações de género regulam/influenciam a gestão do dinheiro no espaço familiar?
  •  LEANDRO, Maria Engrácia CV - Não disponível 
  • ESTEVES, Alexandra Patrícia Lopes CV de ESTEVES, Alexandra Patrícia Lopes
  •  LEANDRO, Ana Sofia da Silva CV - Não disponível 
Alexandra Esteves é doutorada em História Contemporânea pela Universidade do Minho e investigadora do CITCEM. Atualmente, leciona na Universidade Católica Portuguesa. A sua investigação insere-se no campo da História Social, muito particularmente nos domínios da história da marginalidade, violência e prisões nos séculos XVIII e XIX, e da saúde nos séculos XIX e XX. Autora de vários trabalhos científicos, tem apresentado os resultados da sua investigação em vários congressos e em revistas da especialidade nacionais e estrangeiras.

PAP0482 - A historicidade do Sutiã
Resumo de PAP0482 - A historicidade do Sutiã  
PAP0482 - A historicidade do Sutiã

O sutiã ou soutien (do francês soutien: suporte) é peça componente da indumentária feminina que tem como objetivo sustentar e proteger o seio. Antigamente o sutiã serviria para a sustentação (lado prático) ou então para a ostentação de poder economico e social (lado emocional), sendo a beleza e a feminilidade constituíam-se aqui pela idealização das divindades. De 1893 até 1912 foram várias tentativas fracassadas para colocar o sutiã no mercado que foi recusado pelas próprias mulheres. O espartilho só caiu em desuso após a patente do sutiã com o nome de brassière, em 1914 feita pela americana Mary Phelps Jacob. Por razão do vestido decotado com lenços e faixas amarrou seus seios para assim sustentá-los e moldá-los. Foi o primeiro grande passo característico da mulher. Na década de 60 o sutiã passaria novamente por uma crise, o Bra Burning. Na data de 7 de setembro de 1968 em Atlantic City, no Atlantic City Convention Hall, logo após a Convenção Nacional dos Democratas, aconteceu uma manifestação com cerca de 400 mulheres do WLM (Women’s Liberation Movement) contra a realização do Concurso Miss America, o eco "Ain't she sweet; making profits off her meat." estourou nos ouvidos das autoridades. A atitude foi de grande impacto, protestavam a crueldade com que era tratada a beleza e seu poder de comércio. A reação das ativistas foi jogar no chão seus sapatos, cílios postiços, sprays, maquiagens, sutiãs para assim contestar tal idealização. Apesar da queima do sutiã nunca realmente ter acontecido nesta manifestação, estimulou esse ato em outras localidades. O simbolismo do sutiã constituído pelas ativistas era de objeto anti-sexista da liberação da mulher, um momento indubitável para a situação do gênero.A afirmação concreta da mulher com seu poder social foi o estímulo para os movimentos feministas. Elas, naquela situação, notaram a força conjunta do gênero perante as repressões da sociedade, fazendo disso, o marco histórico para a mulher que não era vista com funções políticas. O incômodo do espartilho claustrofóbico foi liberto pela própria mulher que investiu no seu bem sem prejudicar seu lado feminino, uma ação da mulher para a mulher. A grande distinção entre o espartilho e o sutiã se coloca na visão da usuária, foi de um problema para uma resolução ergonômica e estética feita pelo seu próprio público alvo. A mulher começa a tomar as impor suas necessidades perante a sociedade, a se colocar no patamar de exigência. No Bra Burning, a única vestimenta que tem seu uso exclusivo da mulher, o sutiã, se tornou alvo de agressões pelas próprias por alegações anti-sexistas. Porém a origem do objeto criado, por uma usuária quando se deparou com um problema, e nem seus primórdios com objetivos práticos de proteção e sustentação foram colocados na mesa. Este projeto tentará executar um histórico do sutiã, bem como, sua atual imagem perante a sociedade, que está extremamente influenciada pelo Bra-Burning.

PAP0578 - A identificação criminal e a identidade do criminoso
Resumo de PAP0578 - A identificação criminal e a identidade do criminoso  PAP0578 - A identificação criminal e a identidade do criminoso
PAP0578 - A identificação criminal e a identidade do criminoso

Este trabalho insere-se num projeto de doutoramento iniciado em setembro de 2011 intitulado “A identificação criminal e a identidade do criminoso: perceções de reclusos e agentes de controlo sobre as práticas de vigilância e classificação do corpo delinquente”. Com este projeto visa-se analisar os impactos criados pelas práticas de identificação criminal, procurando perceber, do ponto de vista dos condenados por crime, guardas prisionais e agentes policiais, as representações e as interações sociais que emergem da construção de uma identidade criminal. A metodologia será eminentemente qualitativa, sendo que se prevê a realização de entrevistas semiestruturadas aos referidos atores, para assim se conhecer as suas representações e práticas em torno de modalidades de identificação criminal. Um dos objetivos deste trabalho é situar em Portugal estas modalidades de identificação criminal não apenas no presente mas também no passado, traçando o trajeto e a evolução histórica das práticas policiais e estatais neste domínio. Uma vez que o projeto se encontra ainda numa fase inicial, pretende-se com este poster sistematizar informação sobre a evolução destas práticas. Apesar de sempre ter havido uma preocupação com a identificação dos criminosos, é apenas por volta do século XIX que se desenvolvem os primeiros métodos de identificação criminal com recurso à ciência e à tecnologia. Desde então, o manuseamento de informação sobre indivíduos suspeitos e/ou condenados pela prática de crime representa uma das modalidades de vigilância burocrático-estatal que mais convoca instrumentos científico-tecnológicos. O Estado recorre assim a saberes científicos para utilizar determinadas técnicas de vigilância e as teorias científicas passam a assumir-se como técnicas instrumentais das autoridades. Surge desde logo a antropometria que pretende medir os corpos e registar sinaléticas particulares. Em Portugal foram adotados métodos antropométricos como forma de identificação, sendo que essas mensurações foram inicialmente efetuadas em postos anexos às cadeias do Porto e Lisboa, laboratórios antropológicos por excelência. As listas de medições do corpo e descrições físicas (cor dos olhos, cabelo, pele) são complementadas com a fotografia bertilloniana e desenvolve-se entretanto a dactiloscopia, isto é, a possibilidade de identificar indivíduos pela impressão digital. No início do século XX Portugal tinha já um sistema que combinava as impressões digitais e a informação antropométrica. Mais recentemente ganham relevância métodos de identificação baseados na genética e biometria. Atualmente a bioinformação pode pois ser decisiva no que diz respeito à identificação criminal e a base de dados forense de perfis de DNA criada em 2008 (lei n.º5/2008) surge como exemplo de uma modalidade de biovigilância que ao reduzir a identidade pessoal à genética, produz uma identidade “genético-criminal”.
  • MIRANDA, Diana CV de MIRANDA, Diana
  • MACHADO, Helena CV de MACHADO, Helena
Diana Miranda - Licenciada em Sociologia (Universidade do Minho) e pós-graduada em Criminologia (Faculdade de Direito da Universidade do Porto). Desenvolve atualmente o seu doutoramento em Sociologia na Universidade do Minho com o projeto “A identificação criminal e a identidade do criminoso: perceções de reclusos e agentes de controlo sobre as práticas de vigilância e classificação do corpo delinquente”.
Helena Machado
hmachado@ics.uminho.pt

Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.

PAP0844 - A identificação de comportamentos de género em crianças do 1º ciclo: um estudo etnográfico no âmbito das Atividades Físicas e Desportivas
Resumo de PAP0844 - A identificação de comportamentos de género em crianças do 1º ciclo: um estudo etnográfico no âmbito das Atividades Físicas e Desportivas PAP0844 - A identificação de comportamentos de género em crianças do 1º ciclo: um estudo etnográfico no âmbito das Atividades Físicas e Desportivas
PAP0844 - A identificação de comportamentos de género em crianças do 1º ciclo: um estudo etnográfico no âmbito das Atividades Físicas e Desportivas

A corporalidade e a motricidade sofrem influências ao ponto de tornar susceptível que um sexo se torne mais hábil do que o outro em termos motores, uma vez que o movimento é influenciado por estereótipos de género (Mello e Romero, 2003). No contexto escolar, parece existir uma constante vigilância de habilidades, de comportamentos, de desempenhos que, entre outros aspectos, é regida pelas questões de género. Os estudos de análise da observação de comportamentos de género em crianças são escassos. A presente investigação teve como objectivo conhecer as percepções de género de 28 crianças (16 meninas e 12 meninos) com idades entre os 9 e os 10 anos que frequentavam o 4º ano de uma Escola Básica do 1º Ciclo localizada na cidade do Porto. A pesquisa desenvolveu-se numa perspectiva etnográfica, com abordagem qualitativa, através da observação de comportamentos das crianças e dos professores no contexto de aulas de enriquecimento curricular de Actividades Físicas e Desportivas. Este trabalho permitiu um contacto prévio com o objecto de estudo a que se seguiu a aplicação de focus groups com as crianças e entrevistas semi-estruturadas a dois professores de Educação Física. Os dados obtidos foram tratados pela técnica de análise de conteúdo, depois de processados pelo programa QSRNVivo7. Os principais resultados sugerem que: (i) o modo como se constituem os grupos influencia os comportamentos e desempenhos de meninos e meninas nas actividades desportivas; foram os meninos que mais expressaram reacções de subvalorização relativamente ao desempenho feminino; (ii) entre os meninos, a pressão para os pares serem do mesmo sexo é bastante evidente, relevando-se situações em que o fraco desempenho masculino é alvo de desprezo e equiparação ao desempenho feminino; (iii) nas actividades de grupo e naquelas que implicam maior competitividade, as meninas têm notoriamente menos oportunidades de participarem; (iv) a intervenção do professor reforça a separação entre alunos e alunas ao conceder o poder de escolherem os elementos que compõem as equipas nas várias actividades, sendo notória a tendência para a exclusão das meninas. Em suma, ao longo deste trabalho tornou-se notório o quanto as crianças identificam e reproduzem comportamentos de género, patente no modo como interagem e atuam nas aulas de AFD. A superioridade dos rapazes no desempenho de actividades desportivas é aceite por todos/as como natural e esperada e a participação das meninas é dificultada e subvalorizada. Todos estes factores conjugam-se para uma normalização dos aspectos culturais na aprendizagem da identidade de género. Mas a escola, como as demais instâncias sociais, culturais e políticas (ex: a família, os meios de comunicação), pelas quais circulamos pode auxiliar, de forma ampla, na reconfiguração das desigualdades de género. Este estudo foi financiado no âmbito do projecto FCT/FCOMP -01-0124-FEDER-009573/PTDC/DES/099018/2008.
  • NOVAIS, Carina CV de NOVAIS, Carina
  • SILVA, Paula CV de SILVA, Paula
  •  CARRAPATOSO, Susana CV - Não disponível 
  •  QUEIRÓS, Paula CV - Não disponível 
  •  SANTOS, Maria Paula CV - Não disponível 
Carina Novais, mestre em sociologia pela Faculdade de Letras desenvolve o seu percurso profissional em investigação científica tendo desenvolvido trabalhos diversos resultantes da pesquisa sobre o género e o desporto na área da infância e adolescência e também no âmbito do envelhecimento ativo participando nos projetos "Iniquidades sociais, ambientais e de género na prática de actividade física e desportiva de adolescentes" e atualmente no projecto "Actividade física objectivamente avaliada e obesidade em adolescentes: Estudo dos determinantes pessoais, sociais e ambientais" no Centro de Investigação em Atividade Física e Lazer da Faculdade do Desporto da Universidade do Porto. Tem também contributos enquanto investigadora na organização "Movimento Democrático de Mulheres" participando num projeto "Uma vida de Trabalhos? Trajetórias Profissionais de Mulheres e Participação cívica" onde desenvolveu o seu projeto de mestrado em torno da temática,"género, família e trabalho" e com a publicação "Percursos de Mulheres: Trabalho e Participação Política de Mulheres na área Metropolitana do Porto".
Paula Silva nasceu no Porto, Portugal, e é doutorada em Ciências do Desporto pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto onde exerce funções de docência e de investigação no CIAFEL. Desenvolve estudos e projetos de investigação no domínio dos Estudos de Género e Desporto. É autora de vários livros e artigos nacionais e internacionais. Foi distinguida com o Prémio Investigação “Carolina Michaelis de Vasconcelos”, (ex-aequo) em 2007. Vice-presidente da Associação Portuguesa Mulheres e Desporto.

PAP0151 - A idéia de exterminismo em E. P. Thompson como mediação entre razão e utopia
Resumo de PAP0151 - A idéia de exterminismo em E. P. Thompson como mediação entre razão e utopia 
PAP0151 - A idéia de exterminismo em E. P. Thompson como mediação entre razão e utopia

No contexto da guerra fria, a Grã-Bretanha assumiu o papel de base avançada da OTAN. Frente a um eventual ataque da então União Soviética, o objetivo era o de diversificar os alvos e evitar um ataque concentrado nos Estados Unidos. Nesse cenário, o povo britânico (como o russo) seria a principal vítima do conflito. A subserviência aos Estados Unidos constituía o principal compromisso britânico com a OTAN, e os que se opunham eram considerados rebeldes e opositores do consenso. Nesse período, a retórica da guerra fria reafirma a tônica da perseguição ao inimigo interno. Como a Europa era o ponto de tensão do sistema básico da guerra fria, em resposta a esse cenário, no início da década de 1980, muitos militantes na Europa, ativos na campanha pelo desarmamento unilateral, concluíram que havia um problema central no balanço de poder criado pela guerra fria. Entre outros aspectos, a evidência demonstrava que nenhum dos blocos em antagonismo (Estados Unidos e União Soviética) poderia “ganhar uma guerra”. Como ainda se acreditava que uma razão democrática e popular pudesse prevalecer, a luta seria definida em outro patamar, concentrando-se no questionamento e enfraquecimento do processo e de suas premissas ideológicas. Um dos militantes mais importantes desses grupos era justamente E. P. Thompson. Os argumentos do artigo se baseiam fundamentalmente em suas reflexões e proposições. Sua obra reafirma a importância de um diálogo permanente entre teoria e empiria e, nesse movimento, efetiva uma mediação entre as tendências teóricas das Ciências Sociais e outros temas polêmicos do cenário político atual: questões associadas às tendências neopragmáticas e neoconservadoras e sua influência sobre o cenário contemporâneo das relações internacionais; noções como “ataques preventivos”, programados e/ou realizados; terrorismo (questões pragmáticas e conceituais); regionalização de guerras e conflitos; diferentes sensações e formas de violência; relação entre idéia e expectativa de segurança, e a redefinição da relação entre cidadania e segurança pública; crise de modelos e práticas democráticas; alianças e cisões políticas (em especial as partidárias); relações entre as noções de império e imperialismo, e suas tensões, etc. Considerando as relações entre esses problemas, e suas potenciais contradições, o artigo sustenta que esse debate é relevante e pertinente e defende a importância e a atualidade da categoria exterminismo, proposta por Thompson. Como supõe ao mesmo tempo uma dialética de princípios (a ameaça de exterminismo e ações antiexterministas), essa categoria opera elementos úteis para reavaliar possibilidades teóricas e analisar a dinâmica social e aspectos do cenário político contemporâneo. Oferece também um amplo campo de mediações entre esses temas, favorecendo diferentes abordagens no campo da teoria social e alternativas de pesquisa.
  • MULLER, Ricardo CV de MULLER, Ricardo
Ricardo Gaspar Müller: professor associado do Departamento deSociologia e Ciência Política e Coordenador do Programa de Pós-graduação emSociologia Política (PPGSP) – gestão 2012/2014 – da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), Florianópolis, Brasil. Coordenador epesquisador do Núcleo de Estudos das Transformações do Mundodo Trabalho (TMT/CFH/UFSC). Linhas de pesquisa em que atua: Ideias,Instituições e Práticas Políticas; Mundos do Trabalho. Membrodo comitê editorial de Política e Sociedade: revista de SociologiaPolítica (PPGSP/UFSC).Professor do Departamento de ComunicaçãoSocial da Universidade Federal Fluminense (UFF), de 1980 a 1997.Visiting Scholar naUniversidade de Nottingham (1993/1994 e 2001). Pós-doutorado em Sociologia pela UniversidadeFederal do Rio de Janeiro (UFRJ).Doutor em História Social pela Universidade de SãoPaulo (USP). Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG).

PAP0881 - A imigração Africana em Portugal nos últimos vinte anos: oportunidades e ameaças no mercado de trabalho
Resumo de PAP0881 - A imigração Africana em Portugal nos últimos vinte anos: oportunidades e ameaças no mercado de trabalho PAP0881 - A imigração Africana em Portugal nos últimos vinte anos: oportunidades e ameaças no mercado de trabalho
PAP0881 - A imigração Africana em Portugal nos últimos vinte anos: oportunidades e ameaças no mercado de trabalho

GT A imigração Africana na Europa nos últimos vinte anos: desafios e constrangimentos No âmbito da temática em referência, propomo-nos efectuar uma breve caracterização da Imigração Africana para Portugal desde o início dos anos noventa aos nossos dias; Privilegiamos nesta análise a imigração africana originária dos Países de Língua Oficial Portuguesa (Cabo Verde, Angola, Guiné Bissau, S. Tomé e Príncipe e Moçambique) com o objetivo de melhorar o conhecimento relativo a estes imigrantes, identificando os países de que são originários, quantificando ainda estes imigrantes e caracterizando-os em função do sexo, grupo etário, qualificações e actividades exercidas. A análise a apresentar alicerça-se nos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Permite evidenciar uma progressiva diminuição do número de imigrantes africanos dos países em referência, devendo-se este facto por um lado à naturalização de um número muito substancial destes imigrantes no período em análise e por outro lado ao facto de se viver em Portugal um período muito conturbado e difícil consubstanciado em elevadas taxas de desemprego sobretudo nos grupos mais vulneráveis da população em idade ativa (jovens, mulheres e trabalhadores pouco qualificados, integrando-se neste último grupo a maior parte dos imigrantes de origem africana); ao mesmo tempo, nalguns destes Países Africanos assiste-se a um período de crescimento sem precedentes (evidenciando-se o caso de Angola). Não obstante os Imigrantes Africanos oriundos de Países de Língua Oficial Portuguesa correspondem no seu conjunto a cerca de cento e quinze mil indivíduos (correspondendo a aproximadamente 25% do total de imigrantes em Portugal). As comunidades de Cabo Verde e de Angola são as que assumem maior expressão, seguindo-se respetivamente Guiné Bissau, S. Tomé e Príncipe e Moçambique. A nível de estrutura do trabalho apresentado, após contextualizar os movimentos migratórios na dinâmica demográfica portuguesa, identificamos algumas especificidades da Imigração Africana em Portugal no âmbito dos aspetos já referidos. Palavras-chave: Imigrantes Africanos, mercado de trabalho.
  •  SANTOS, José Rebelo dos CV - Não disponível 
  • MENDES, Maria Filomena CV de MENDES, Maria Filomena
  •  REGO, Conceição CV - Não disponível 
Maria Filomena Mendes, licenciada em Economia e doutorada em Sociologia na especialidade de Demografia pela Universidade de Évora é Professora Associada no Departamento de Sociologia desta Universidade.
Publicou recentemente, entre outras, as seguintes publicações:
2010, “A diferença de esperança de vida entre homens e mulheres: Portugal de 1940 a 2007” (com I. T. de Oliveira) in Análise Social, Vol. XLV (1.º), 2010 (n.º 194), 115-138.
2010, “Perfil dos imigrantes em Portugal: dos países de origem às regiões de destino” (com C. Rego, J. R. dos Santos e M. G. Magalhães), in Revista Portuguesa de Estudos Regionais, RPER, nº 24-2º Quadrimestre, artigo 7, APDR, Coimbra, pp. 17-39.

PAP1182 - A indústria do medo e o consumo da segurança - impactos sobre a vida urbana
Resumo de PAP1182 - A indústria do medo e o consumo da segurança -  impactos sobre a vida urbana PAP1182 - A indústria do medo e o consumo da segurança -  impactos sobre a vida urbana
PAP1182 - A indústria do medo e o consumo da segurança - impactos sobre a vida urbana

O medo e a sensação de insegurança têm sido a tônica das cidades contemporâneas, sobretudo das metrópoles, tornando-se sentimentos que independem do confronto real com algum ato de violência. Potencializados pelo individualismo, pela impessoalidade, pela crescente competitividade, acabam por transformar a urbe em espaço hostil e fragmentado. Instalado o medo, instalam-se os seus especuladores, o que faz da indústria e do mercado da segurança investimentos extremamente lucrativos, em contextos em que o Estado se mostra incapaz de garantir a segurança pública e onde defesa face à violência urbana torna-se uma tarefa de cada indivíduo. Por outro lado, não há como negarmos a grande influência da mídia tanto na promoção dos medos, quanto dos dispositivos para enfrentá-los. Verifica-se, por assim ser, uma crescente ampliação e sofisticação dos mecanismos de segurança, mais e mais transformados em ícones de consumo e utilizados como elementos de distinção social. Tais aparatos que, até bem pouco tempo, pareciam privilégio dos segmentos médios residentes nos “enclaves fortificados”, começam a ganhar adesão por parte dos segmentos mais pobres, conforme demonstrado através da investigação que realizamos num bairro popular do Rio de Janeiro. As análises de Bauman (2008) nos ajudam a compreender tal fenômeno. Segundo o autor, não há na “modernidade líquida” sinais ou fronteiras claramente definidos que nos tornem aptos a identificar ou separar o bem do mal, identificar amigos e inimigos. O mal se apresenta a partir de qualquer lugar, a qualquer momento. Por isto vivemos numa era de crise de confiança, o que ameaça as relações humanas e os vínculos sociais e torna a cidade fonte de perigo constante. Assim, também os moradores dos bairros populares passam a depositar na tecnologia a esperança de uma vida melhor e mais segura, mesmo que isto implique no rompimento de tradicionais formas de sociabilidade e proteção, antes ancoradas em estreitos laços comunitários. Fica, assim, comprometida a vivência, por cada cidadão, do espaço público enquanto locus de sociabilidade, de exercício de liberdade e de prática política. Seria o fim da urbe?
  •  MAIA, Rosemere Santos CV - Não disponível 
  •  FEITOSA, Clarisse Lopes Leão CV - Não disponível 

PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante
Resumo de PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante
PAP0615 - A inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica da Universidade do Minho e no contexto social circundante

Este artigo reporta os resultados de uma investigação realizada no âmbito da licenciatura em Sociologia na Universidade do Minho. A partir das experiências de convívio numa residência universitária, onde residimos durante três anos, foi possível obter muitos contactos com estudantes estrangeiros de mobilidade universitária. Nesta convivência permanente percebemos que a inserção destes estudantes dentro da comunidade académica local, bem com o meio social envolvente da universidade, era uma questão pertinente. A partir desse ponto, observamos um certo distanciamento dentro da própria sala de aula entre os estudantes portugueses e os estrangeiros que frequentavam as nossas unidades curriculares. Um afastamento que, na nossa óptica, ia para além da sala de aula. Se por um lado os rituais de acolhimento têm os objectivos de inserir principalmente os estudantes portugueses que se matriculam para completar a licenciatura na Universidade do Minho, por outro, os estudantes estrangeiros têm o seu próprio espaço de acolhimento e constroem os seus próprios eventos e celebrações, como festas e passeios. Todos estes factores de complexidade, mas igualmente de distaciamento dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitário com a comunidade académica local e no meio social da Universidade do Minho, integram o nosso objecto de estudo. Para compreender tais aspectos, foi fundamental enquadrar teoricamente o estudante universitário da academia minhota a partir de estudos realizados por Almeida et all (2002). Com base nestas investigações, partimos para uma observação empírica sobre os percursos de inserção dos estudantes estrangeiros englobados em programas de mobilidade universitária na comunidade académica local, bem no meio social que rodeia a Universidade do Minho. Esta observação foi apoiada em entrevistas semi-estruturadas realizadas a estes estudantes, que partilharam suas experiências e representações durante o intercâmbio que fizeram em Portugal. Experiências estas marcadas por um certo distaciamento em relação aos colegas portugueses, por falta de reciprocidade por parte destes últimos. Este distanciamento não se verifica no que toca ao meio social da cidade de Braga, onde os estudantes demonstram um sentimento de pertença quando se fala da cidade.
  • FERREIRA, Filipe CV de FERREIRA, Filipe
Filipe André Von Nordeck Sousa Ferreira
Universidade do Minho
Mestrando de Sociologia - Desenvolvimento e Políticas Sociais

Cultura e Estilos de vida
Mobilidade e dinamicas sociais
Desenvolvimento e Políticas Sociais

PAP0106 - A inserção dos portugueses no mercado de trabalho brasileiro nos últimos 50 anos.
Resumo de PAP0106 - A inserção dos portugueses no mercado de trabalho brasileiro nos últimos 50 anos. PAP0106 - A inserção dos portugueses no mercado de trabalho brasileiro nos últimos 50 anos.
PAP0106 - A inserção dos portugueses no mercado de trabalho brasileiro nos últimos 50 anos.

A inserção dos portugueses no mercado de trabalho brasileiro nos últimos 50 anos. Resumo No Brasil, muitos estudos buscam analisar a questão da migração. Alguns temas apresentam-se como centrais em diversas pesquisas, como, por exemplo, a questão das relações de etnicidade, os conflitos étnicos, o processo de imigração. Outros são menos abordados, tais como a inserção dos imigrantes no mercado de trabalho, a questão dos refugiados e dos autorizados. Quanto às metodologias, a predominância é de trabalhos de cunho qualitativo. Há um número bem menor de trabalhos quantitativos, quando comparados aos qualitativos. A cifra de pesquisadores que trabalham integrando as duas metodologias é ainda mais reduzida. Com o intuito de sanar tais falhas, a proposta geral desse artigo é apresentar uma análise cross-section da inserção de imigrantes portugueses no mercado de trabalho brasileiro, durante o período de 1960 a 2010. Os objetivos específicos são: identificar as características sóciodemográficas de tais imigrantes; verificar as regiões e os estados de destino de maior concentração de portugueses; e analisar as situações deles no país hospedeiro a partir dos tipos de autorizações de trabalho a eles concedidas, os ramos de atividades e as ocupações. Para isso, utilizo os dados da RAIS (Relatório Anual de Informações Sociais), os censos demográficos de 1960 a 2000 e os dados da Coordenação Geral de Imigração do Ministério do Trabalho e Emprego e, no que se refere à discussão teórica, o debate gira em torno da Sociologia econômica da migração. O intuito é de mostrar as controvérsias, mas, principalmente, a complementaridade entre as abordagens de cunho mais estrutural e as de mais individual. O estudo está dividido em quatro seções, além da introdução, das considerações finais e das referências bibliográficas. Na primeira seção, introduzo o debate teórico que busca explicar os modos de integração dos imigrantes na sociedade de destino. Nele, apresento as diferentes formas possíveis de integração no mercado de trabalho em que os imigrantes internacionais podem, em alguns casos, devem experimentar. Na segunda seção, o fim é apresentar os dados e a metodologia de análise. Na terceira, identifico a distribuição espacial dos imigrantes ao longo do tempo, bem como o perfil sócio-demográfico desses imigrantes. A intenção é identificar as variáveis estruturais (mais ligadas ao tempo e ao espaço) e as individuais (mais ligadas aos perfis) que afetam a inserção dos imigrantes no mercado de trabalho e suas alteração (ou não) no tempo. A quarta e última seção refere-se análise dos dados, buscando compreender a situação dos portugueses no mercado de trabalho brasileiro ao longo das últimas 5 décadas.
  • VILELA, Elaine M. CV de VILELA, Elaine M.
Elaine Meire Vilela é professora de Sociologia do Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Seus temas de pesquisa são, principalmente: imigração internacional, mercado de trabalho e estratificação social. Seus estudos tem como foco métodos quantitativos, especialmente, e qualitativos de análise.

Elaine Meire Vilela
Professora Adjunta - UFMG
Departamento de Sociologia e Antropologia
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Tel: ++ 55 31 3409 6302
elainevilela@fafich.ufmg.br

PAP0912 - A inserção profissional de recém-graduados do ensino superior: uma realidade heterogénea.
Resumo de PAP0912 - A inserção profissional de recém-graduados do ensino superior: uma realidade heterogénea. PAP0912 - A inserção profissional de recém-graduados do ensino superior: uma realidade heterogénea.
PAP0912 - A inserção profissional de recém-graduados do ensino superior: uma realidade heterogénea.

Grupo de trabalho em que se inscreve a comunicação: “Inserção de diplomados do ensino superior: relações objectivas e subjectivas com o trabalho”. A inserção profissional dos recém-graduados do ensino superior assumiu, nos últimos anos, um papel central no debate público em torno do emprego e da empregabilidade. Regra geral, os mediáticos discursos produzidos nesse contexto traçam um cenário catastrófico, onde o desemprego ou a precariedade se assumem como um destino provável para a maioria dos finalistas universitários, o que os leva a questionar o valor do investimento escolar realizado. Estes discursos proliferam, ainda que recentes investigações sociológicas demonstrem que a realidade profissional dos graduados do ensino superior é bastante mais auspiciosa do que tais discursos nos podem levar a crer. Numa sociedade actualmente enredada num ciclo económico negativo, a compreensão dos processos de inserção no mercado de trabalho assume um papel fulcral na elaboração de estratégias pessoais, académicas e políticas, assim como para informar o debate público sobre o emprego e empregabilidade. Esta comunicação parte da análise de dados quantitativos que ilustram as experiências profissionais de graduados do ensino superior em diversas áreas de formação académica, cinco anos após a finalização do curso. Apresenta-se uma proposta de interpretação sociológica dos distintos percursos e situações profissionais, assim como se procura aferir a amplitude dessas desigualdades face às distintas áreas de formação académica. Os dados empíricos apresentados resultam do projecto de investigação “Percursos de inserção dos licenciados: relações objectivas e subjectivas com o trabalho”, sediado no Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa (CESNOVA) e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT). O universo em análise incluiu dois dos principais pólos do ensino superior público Português – a Universidade de Lisboa (UL) e a Universidade Nova de Lisboa (UNL) – e observou graduados de 1º ciclo em seis áreas de formação académica.
  •  MORAIS, César CV - Não disponível 

PAP0673 - A inserção profissional dos diplomados da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa: Regularidades e singularidades
Resumo de PAP0673 - A inserção profissional dos diplomados da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa: Regularidades e singularidades 
PAP0673 - A inserção profissional dos diplomados da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa: Regularidades e singularidades

GT “Inserção de diplomados do ensino superior: relações objectivas e subjectivas com o trabalho É hoje cada vez mais frequente a constatação relativa ao modo como várias alterações ao nível da estrutura económica dos países desenvolvidos têm vindo a subverter e a inviabilizar as tradicionais lógicas de interpretação da realidade que tendiam a pôr a tónica na existência de uma transição linear entre escola e o mercado de trabalho. Factores como a massificação do ensino superior ou as novas dinâmicas das economias globalizadas em que paralelamente aos novos imperativos de competitividade, flexibilização e (des) regulação dos mercados se configuram ciclos de crescimento económico mais curtos e voláteis, impõem agora novas leituras que têm como pano de fundo a incerteza e a imprevisibilidade na vida individual e colectiva. Também em Portugal, sobretudo a partir de finais da década de 80, se têm vindo a acentuar algumas dificuldades, não só ao nível da empregabilidade dos diplomados do ensino superior, mas também ao nível da sua inserção profissional no âmbito das diferentes áreas científicas de formação. Apesar de se poder sustentar que a ressonância deste problema social surge simplificadamente empolada por alguns discursos e visões catastróficas acerca da perda de importância do ensino superior e da crescente desadequação da sua oferta formativa, este não deixa de se constituir como um fenómeno estrutural cada vez mais complexo e problemático, nomeadamente porque os períodos de inserção se tornaram mais longos e as posições no mercado de trabalho se diversificaram consideravelmente. Com efeito, também no campo das tecnologias da saúde se verificaram alterações profundas nos cenários de empregabilidade, por via da alteração da relação entre a oferta formativa e a oferta de trabalho/emprego. Até ao início desta década, o desemprego não constituía um problema nas diferentes áreas funcionais das Tecnologias da Saúde. Existia, pelo contrário, uma oferta de trabalho superior à procura, o mercado absorvia os diplomados e criou a possibilidade de acumulação do exercício profissional para grande parte destes profissionais. Com esta comunicação, pretende-se explorar a problemática teórica da inserção profissional dos diplomados do ensino superior a partir de um trabalho de investigação empírica levado a cabo no âmbito da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa. Para além das preocupações de comparabilidade
  • RAPOSO, Hélder CV de RAPOSO, Hélder
  • MEDEIROS, Nuno CV de MEDEIROS, Nuno
  • TAVARES, David CV de TAVARES, David
Hélder Raposo; Prof. Adjunto na Área Científica de Sociologia das Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (ESTeSL –IPL); Licenciatura e Mestrado em Sociologia; Interesses de investigação em áreas como Sociologia do Conhecimento, Sociologia da Saúde, Sociologia da Ciência, Sociologia das Profissões.
Nuno Medeiros é investigador no CesNova - Centro de Estudos de Sociologia da Universidade Nova de Lisboa e na Númena - Centro de Investigação em Ciências Sociais e Humanas. Sociólogo e mestre em sociologia histórica, encontra-se a terminar a redacção de tese de doutoramento em Sociologia Histórica da Cultura. É professor da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa do Instituto Politécnico de Lisboa. Os seus actuais interesses de investigação centram-se na sociologia e história do livro, da edição, da leitura e da livraria, e na sociologia e história da alimentação. Em 2010 publicou Edição e editores: o mundo do livro em Portugal, 1940-1970 (Lisboa: Imprensa de Ciências Sociais).
David Tavares é Professor Coordenador da Área Científica de Sociologia
da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Lisboa (Instituto
Politécnico de Lisboa), onde é actualmente Presidente do Conselho
Técnico-Científico e lecciona as unidades curriculares de Sociologia das
Profissões e de Sociologia da Saúde. É licenciado em Sociologia pelo
Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), mestre
em Sociologia Aprofundada e Realidade Portuguesa pela Universidade Nova
de Lisboa e doutorado em Ciências da Educação - Especialidade de
Sociologia da Educação pela Universidade de Lisboa. É autor do livro
«Escola e identidade profissional - o caso dos técnicos de
cardiopneumologia» e de diversos artigos científicos publicados em
livros e revistas. É investigador do Centro de Investigação e Estudos em
Sociologia (CIES) do ISCTE/IUL - Instituto Universitário de Lisboa e
olaborador da Unidade de Investigação e Desenvolvimento em Educação e
Formação (UIDEF) do Instituto de Educação da Universidade de Lisboa.

PAP1147 - A inserção profissional pela via do empreendedorismo
Resumo de PAP1147 - A inserção profissional pela via do empreendedorismo PAP1147 - A inserção profissional pela via do empreendedorismo
PAP1147 - A inserção profissional pela via do empreendedorismo

GT “Inserção de diplomados do ensino superior: relações objectivas e subjectivas com o trabalho” As recentes orientações em termos de políticas públicas de ensino no âmbito europeu privilegiam recomendações concernentes à “educação empreendedora”, disseminando no sistema educativo, desde o primeiro ciclo do ensino básico até à universidade, iniciativas dedicadas ao desenvolvimento de atributos e competências empreendedoras. Tais competências, nessas perspectivas, são consideradas essenciais tanto para a aprendizagem ao longo da vida quanto para a empregabilidade como para fomentar a satisfação pessoal, a inclusão social e a cidadania ativa. Uma vez que essa orientação política tem sido apresentada como alternativa para o processo de transição para a vida ativa, este estudo pretende analisar os percursos de inserção profissional de um grupo específico de jovens diplomados nas diversas áreas científicas: aqueles se distinguem por protagonizarem trajetórias empreendedoras. Este artigo mobiliza os dados quantitativos de uma pesquisa realizada pelo Observatório da Inserção Profissional dos Diplomados da Universidade Nova de Lisboa com alunos que concluíram licenciatura, mestrado e doutorado em 2004/05 e em 2008/09, visando predominantemente a caracterização da situação da inserção profissional um ano após a conclusão dos graus. Pretende-se descrever as principais dimensões (origens sociais, sexo, posições alcançadas, percurso de formação escolar e acadêmica, rede de relações familiares) que permitem a caracterização e a diferenciação daqueles que percorrem trajetórias empreendedoras. Tendo em vista que boa parte das tendências recentes observadas no ensino superior são inspiradas em processos políticos concertados em escala supra-nacional, cumpre investigar, em um nível micro, o modo como as agendas dos organismos multilaterais e as políticas de ensino são retraduzidas no universo das instituições de ensino superior bem como as complexas relações existentes entre determinadas orientações e os diversos aspectos, objetivos e subjetivos, inerentes ao processo de inserção profissional.
  •  ALMEIDA, Rachel de Castro CV - Não disponível 

PAP1478 - A integração produtiva no campo no Brasil e as possibilidades de promoção do desenvolvimento de áreas rurais
Resumo de PAP1478 - A integração produtiva no campo no Brasil e as possibilidades de promoção do desenvolvimento de áreas rurais 
PAP1478 - A integração produtiva no campo no Brasil e as possibilidades de promoção do desenvolvimento de áreas rurais

A integração produtiva ou agroindustrial trata- se de um sistema muito utilizado no campo no Brasil, fundamentado em um arranjo contratual entre uma indústria, cooperativa, etc., (chamada de integradora) e o agricultor (Ziebert e Shikida, 2004: 73). A idéia de integração compreende um vasto leque de situações. Todavia, de modo geral, este termo refere-se à exclusividade da garantia de compra da produção de determinados agricultores por parte de uma indústria. Às vezes, este compromisso de compra e venda é estabelecido por meio de contratos, em outras não. Em alguns casos as indústrias interessadas na matéria- prima produzida no campo interferem diretamente na produção dos agricultores, através do fornecimento de insumos, equipamentos e assistência técnica (Payés, 1993). Este sistema consiste em uma alternativa utilizada por grandes empresas agroindustriais brasileiras, com o objetivo de garantir uma parcela da matéria-prima necessária para manter o processo produtivo em funcionamento, na medida em que, apenas em casos muito específicos, uma empresa produz toda a sua matéria-prima agropecuária (Farina, 1997). No Brasil, as integrações agroindustriais mais conhecidas são as de aves e suínos, tabaco, sementes, hortaliças, seda e flores, localizadas principalmente nas Regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste dom país que, quando introduzidas mudam a dinâmica e a organização da vida e da produção no campo. No Brasil, a integração produtiva vem sendo estudada há décadas. Contudo, a maior parte dos estudos a respeito dos impactos deste sistema para o campo brasileiro, bem como para os agricultores, concentra-se na década de 1980, momento em que surgem vários questionamentos sobre a relação entre agricultor e indústria. Dito isso, este trabalho tem o objetivo de estabelecer um olhar a respeito da integração produtiva de forma diferente do debate realizado nos anos 1980. Assim, procura realizar uma discussão acerca das possibilidades de promoção do desenvolvimento no campo brasileiro a partir desse sistema. Para tanto, nos fundamentamos na reflexão a respeito do desenvolvimento construída por Amartya Sen, cuja ideia de expansão das liberdades torna-se central. Posteriormente, relacionamos este debate com quatro perspectivas, comumente, utilizadas para se pensar o desenvolvimento no mundo rural, quais sejam, a perspectiva da multifuncionalidade, do desenvolvimento territorial, da segurança alimentar e do desenvolvimento sustentável. E, por fim, a partir desse debate, analisamos as possibilidades de promoção do desenvolvimento no campo em regiões que abrigam duas atividades que fazem uso da integração produtiva: a produção de tabaco no Rio Grande do Sul e o cultivo de eucalipto no Espírito Santo.
  •  DE AQUINO, Silvia Lima CV - Não disponível 
  •  MENGEL, Alex Alexandre CV - Não disponível 

PAP0583 - A interação entre Ciência e Arte vista pelos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia: análise de resultados e proposta de uma agenda de pesquisa
Resumo de PAP0583 - A interação entre Ciência e Arte vista pelos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia: análise de resultados e proposta de uma agenda de pesquisa PAP0583 - A interação entre Ciência e Arte vista pelos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia: análise de resultados e proposta de uma agenda de pesquisa
PAP0583 - A interação entre Ciência e Arte vista pelos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia: análise de resultados e proposta de uma agenda de pesquisa

É fato que Ciência e Arte, entendidas como realizações tipicamente humanas, há muito fazem parte da história das civilizações. Ambas passaram por um longo processo até alcançarem sua institucionalização e, hoje, é possível reconhecer a particularização destes dois campos, cada qual orientado por um conjunto de referências teóricas e práticas, caracterizadas por controvérsias epistemológicas e conflitos internos. Deste modo, tanto a Ciência quanto a Arte podem ser consideradas como campos sociais visto que, segundo Pierre Bourdieu, em ambas reconhecemos a existência de atores sociais em permanente disputa, movimentando-se no sentido de acumular “capitais” (institucionais, científicos, artísticos). Estes agentes passam a internalizar disposições específicas (habitus) levando a formação das estruturas objetivas de cada campo. Todavia, a fronteira que demarca a separação entre os campos científico e artístico nem sempre foi delimitada. Em épocas como a Renascença, ainda que a Ciência e a Arte não estivessem institucionalizadas, os conhecimentos tidos como científicos e artísticos conviviam de maneira muito próxima. Na atualidade, com o advento das novas tecnologias, verificamos que a aproximação entre os dois campos tem se intensificado de maneira que é possível reconhecer diferentes níveis de interação, desde a apropriação de conceitos e técnicas por ambos os campos até a construção conjunta de conhecimento. O aumento do número de projetos voltados para divulgação científica que tem buscado na interação entre Ciência e Arte o fundamento de suas atividades demonstra esta hipótese. A partir do desenvolvimento de propostas interdisciplinares e transdisciplinares, tais projetos representam uma modificação na concepção estritamente disciplinar que justificava o afastamento entre Ciência e Arte. Dessa forma, pautado nos conceitos de campo social de Bourdieu e nos Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia, o presente trabalho tem como principal objetivo a análise e discussão de projetos de divulgação científica desenvolvidos no Brasil, que tem como fundamento a fertilização cruzada entre estes dois campos sociais – Ciência e Arte. São analisados como as inscrições científicas (a exemplo de fotografias) são apresentados como objetos artísticos e como a linguagem artística é utilizada para representar a Ciência e seus artefatos. Ao final da análise, as autoras apresentam a proposição de uma agenda de pesquisa voltada para a investigação da interação entre Ciência e Arte.
  •  SANTOS, Rojanira Roque dos CV - Não disponível 
  •  RIGOLIN, Camila Carneiro Dias CV - Não disponível 

PAP1340 - A intervenção sociológica nas estratégias locais de saúde
Resumo de PAP1340 - A intervenção sociológica nas estratégias locais de saúde 
PAP1340 - A intervenção sociológica nas estratégias locais de saúde

A profissionalização dos licenciados em sociologia tem sido, ao longo do tempo, alvo de debates, de reflexões e até de produção científica, motivada não só pelas dificuldades de definição objectiva do campo de actuação, mas também pela multiplicidade de áreas de intervenção que estes profissionais têm vindo a assumir no mercado de trabalho e que, consequentemente, acarretam constrangimentos na afirmação da profissão. Alguns estudos demonstram que é na administração pública, nomeadamente nas autarquias locais, que os sociólogos têm vindo a afirmar a sua identidade profissional, bem como a sua capacidade interventora em diversos domínios, sobretudo nas áreas social, cultural, de recursos humanos e de planeamento, entre outras. Mais recentemente tem-se assistido à intervenção de sociólogos na área da saúde, não só em instituições ou organizações que lhe estão directamente ligadas, como também e, sobretudo, nas próprias autarquias locais, que aparecem como palco privilegiado na aplicação das estratégias locais de saúde e que actuam sobretudo ao nível dos determinantes sociais de saúde. As autarquias têm vindo gradualmente a assumir, no quadro das suas competências, políticas de promoção de saúde em meio urbano que resultam de algumas estratégias locais de saúde, lançadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e Direcção-Geral da Saúde (DGS), como é o caso do movimento das cidades saudáveis da OMS, que surge no final dos anos oitenta e que, actualmente, conta com mais de um milhar de cidades aderentes em toda a Europa. Em Portugal, são trinta as cidades que assumiram o compromisso de aplicar os princípios de promoção da saúde propostos por este movimento, e que contam com técnicos de diversas áreas profissionais, sobretudo da área das ciências sociais, com um peso evidente dos licenciados em sociologia. Neste contexto, com esta comunicação viso apresentar um relato sobre a minha experiência na área da promoção da saúde e prevenção da doença, enquanto socióloga inserida na autarquia de Viana do Castelo, que assumiu a promoção da saúde como uma das suas prioridades de intervenção. Pretendo demonstrar as potencialidades da prática sociológica no campo da saúde, bem como as dificuldades e desafios que se colocam nos processos relacionais que se estabelecem na articulação entre a intervenção de âmbito social e a área da saúde.
  •  TORRES, Margarida CV - Não disponível 

PAP1227 - A magia do cinema na praça: apropriação do espaço e sociabilidade em Salvador-Ba
Resumo de PAP1227 - A magia do cinema na praça: apropriação do espaço e sociabilidade em Salvador-Ba PAP1227 - A magia do cinema na praça: apropriação do espaço e sociabilidade em Salvador-Ba
PAP1227 - A magia do cinema na praça: apropriação do espaço e sociabilidade em Salvador-Ba

São nos espaços da cidade, moldados a partir dos usos e apropriações cotidianos que a vida se efetiva, como produto das relações sociais, da acumulação histórica e da tecedura realizada no presente. Nessa relação, o “velho” e o “novo” são elementos que constituem esse cenário, resultante das construções das sucessivas gerações. A praça é vista como exemplo dessa relação, pois consiste em um espaço fértil de possibilidades de convivência urbana. No rastro dessas considerações, surge o presente estudo sobre a apropriação e sociabilidade na Praça Tomé de Sousa, localizada na cidade de Salvador-Ba, tendo como enfoque precípuo a relação especial entre o cinema e a praça, no que diz respeito ao espaço das práticas de exibição da arte cinematográfica. As exibições de filmes em praças viabilizam um modo peculiar de apropriação que ocorre desde os primórdios do cinema. Atualmente no Brasil pululam projetos dessa natureza, que visam a apresentação da sétima arte à grande parcela da população que não tem acesso às salas convencionais de projeção. Nesse particular o Projeto Cinema na Praça, realizado em Salvador, torna-se a referência empírica desse trabalho. Esse caminhar revela o fascínio que essa grande arte vem tecendo ao longo dos tempos, atraindo e encantando multidões. O cinema toca de modo especial as pessoas, despertando afetos e isso se reverbera em múltiplas práticas sociais. No tocante a esse trabalho, destaca-se mormente as projeções em praças, iniciativas que tornam possíveis assistir a filmes coletivamente. Para realização do trabalho levou-se em consideração os relatos dos freqüentadores das sessões de cinema na Praça, das pessoas envolvidas da equipe dos projetos de cinema e cineastas. Para a feitura do trabalho, afora a revisão bibliográfica, realizou-se observações participantes na Praça Tomé de Sousa, entrevistas semi-estruturadas com pessoas envolvidas com projetos de exibição e freqüentadores das sessões de cinema na Praça. Também investigação em jornais e revistas impressos e na Internet, além de fontes documentais e iconográficas. O registro fotográfico apresenta-se como importante contributo ao trabalho de campo. A pesquisa desenvolve-se, portanto, a partir da compreensão de que são as práticas sociais, que tornam possíveis os usos e apropriações dos espaços. Nessa perspectiva a praça surge como um locus privilegiado onde afloram-se possibilidades de múltiplas manifestações que as práticas sociais podem engendrar.
  •  SILVA, Alzilene Ferreira da CV - Não disponível 

PAP1582 - A medicina e o individuo com patologia rara – que visão do SER Doente?
Resumo de PAP1582 - A medicina e o individuo com patologia rara – que visão do SER Doente? 
PAP1582 - A medicina e o individuo com patologia rara – que visão do SER Doente?

Uma vivência clinica longa com o individuo/ família com patologias crónicas, hereditárias, raras e possivelmente de elevada morbilidade e mortalidade, conduz de forma imperiosa à busca de entendimento e enquadramento de todos os condicionantes que actuam na vivência do SER Doente. Como integrar o cidadão, indivíduo doente /família, numa visão global, compreensiva e informada, englobando perspectivas aparentemente tão dispares mas interligadas, como a base etiológica do processo específico, do erro genético, dos mecanismos patológicos, da história natural da doença, da evolução até aos problemas de funcionalidade, da restrição à adequação de abordagens e de comportamentos, da participação/inserção em programas exigentes, de elevado custo - percepcionando-o sujeito e envolvido em condicionantes culturais, morais, éticas, sociais, politicas, colocando-o sempre como O Indivíduo? O dia-a-dia aponta a necessidade de pensar a pessoa doente - e de uma forma mais lata a população com a mesma característica biológica -, numa abordagem abrangente, ética, que promova a vivência da doença, de uma forma “optimizada”, evitando limitações adicionais, tendo em conta a participação individual e os factores contextuais que afectam a vida e o ambiente do individuo, promovendo o conhecimento dos seus direitos e deveres, e da própria capacidade individual de efectuar escolhas informadas, com a segurança de que se encontrará no centro de abordagem multiprofissional, com boas práticas, com experiência, com capacidade de disseminação de conhecimento e de intervenção, que resultem no bem-estar do individuo e na sua participação social e vocacional, olhando para e perante si mesmo. O mesmo dia-a-dia aponta as enormes dificuldades a ultrapassar.
  •  Teles, Elisa Leão CV - Não disponível 

PAP1364 - A memória dos mortos na era digital: quando os mortos se encontram à distância de um clique.
Resumo de PAP1364 - A memória dos mortos na era digital: quando os mortos se  encontram à distância de um clique. PAP1364 - A memória dos mortos na era digital: quando os mortos se  encontram à distância de um clique.
PAP1364 - A memória dos mortos na era digital: quando os mortos se encontram à distância de um clique.

A morte, ou mais precisamente, a consciência da morte, constitui fundamento essencial para o fundamento da vida. Se o homem não tivesse consciência da morte, se não concebesse a ideia da sua finitude, a vida (e logo a vida social também), perderiam muito do seu significado. Surgindo como forma do homem alcançar e atribuir alguma ordem e sentido à força caótica da natureza, a cultura humana toma, no que se refere às atitudes face à morte e à memória dos mortos, um forma especial. É na certeza da sua morte física que o homem desenvolve as mais diversas formas culturais, simbólicas e materiais, que procuram impedir que um dia, sendo morto, os ainda vivos se esqueçam dele. É através da memória que o homem mantém presentes aqueles que já morreram, dando forma à concepção conteana de humanidade, que contemplava não só aqueles que estão vivos como aqueles que já morreram e todos os que hão-de vir. Mas à semelhança do que acontece nas restantes esferas sociais, os regimes de memória vão sendo alterados. Numa longa história que se materializou em obeliscos, pilares, pirâmides, monumentos, túmulos, estátuas, jazigos, capelas, nos quais os seres humanos também quiseram geralmente inscrever palavras, informações e mensagens, e que o mundo moderno acrescentou técnicas de comunicação como os jornais, notícias e anúncios, assiste-se agora a uma outra sequência estimulada pelas novas tecnologias da informação. Estas têm feito irromper novos rituais, formas cerimoniais, códigos de rememoração e inclusivamente modalidades de reunião dos mortos no mundo dos vivos através do manto da “tele-presença” e de um impedimento aparente do corte da comunicação. No mundo virtual, através das redes sociais, memoriais on-line, blogs e cemitérios virtuais, os novos suportes de memória suscitam questões variadas, uma vez que permitem, como nenhum outro, a perpetuação da ilusão da presença daquele que já morreu. Através de dispositivos de imagem, movimento e som, através da manutenção e dinamização das suas páginas no facebook, o encontro com os mortos faz-se, já não por meio da tradicional visita aos cemitérios (muitos dos corpos são hoje cremados e as cinzas volatilizadas), mas no espaço virtual, através do écran do computador.
  • MENDES, Ana Celeste CV de MENDES, Ana Celeste
Ana Celeste Mendes é licenciada em Comunicação Social e Cultural pela
Universidade Católica Portuguesa, Pós Graduada em Jornalismo pelo
ISCTE, Mestre em Comunicação Cultura e Tecnologias da Informação pelo
ISCTE e Doutoranda em Sociologia no CIES-ISCTE. Bolseira da FCT,
tem-se dedicado, sobretudo, ao estudo das questões sociais ligadas à
morte e ao morrer na sociedade contemporânea. Lecciona Sociologia da
Saúde da Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha Portuguesa.

PAP0335 - A mobilização de saberes profissionais em uma empresa do setor químico-petroquímico no Brasil.
Resumo de PAP0335 - A mobilização de saberes profissionais em uma empresa do setor químico-petroquímico no Brasil.   
PAP0335 - A mobilização de saberes profissionais em uma empresa do setor químico-petroquímico no Brasil.

A pesquisa procurou compreender como trabalhadores técnicos de nível médio, encarregados de controlar processos de automação industrial em uma empresa do setor químico-petroquímico no estado da Bahia,Brasil, mobilizam e recontextualizam seus conhecimentos formais e tácitos em situação de trabalho, considerando sua inserção numa comunidade de práticas. Principais questões de pesquisa: i) como os trabalhadores mobilizam os conhecimentos construídos na escola e nos demais espaços de aprendizagem (meios de comunicação/mídias diversas, relações societais em geral) e os recontextualizam na prática profissional? ii) que significados atribuem a essas aprendizagens? iii) que papel jogam a autonomia e a reflexividade dos trabalhadores frente às rotinas específicas, representadas pelas normas e instruções para a execução do trabalho? iv) como enfrentam as situações imprevistas no exercício de suas funções e como mobilizam sua experiência acumulada e partilhada? A pesquisa apoiou-se na modalidade qualiquantitativa, do tipo estudo de caso, por considerarmos que se tratava do estudo de uma realidade específica, com características peculiares, tanto no que refere ao setor produtivo escolhido – o químico-petroquímico, quanto às atividades profissionais dos sujeitos da pesquisa – trabalhadores técnicos de nível médio, com formação e exercício profissional na área de processos industriais, com foco nos técnicos em refrigeração. O levantamento das informações efetivou-se através de documentos (normas, rotinas de trabalho, etc), questionários e entrevistas. De um universo de 33 (trinta e três) trabalhadores, dentro de uma mesma empresa, contamos com uma amostra de vinte e dois sujeitos. Dentre outros resultados destacam-se fortemente os elementos diferenciadores, ou seja, a mediação das relações que ocorrem no trabalho coletivo como resultado de vários determinantes subjetivos e objetivos, como a natureza das relações sociais vividas e suas articulações com a escolaridade, o acesso a informações, a duração e profundidade das experiências vivenciadas, tanto laborais quanto sociais. Na pesquisa isto se revelou na heterogeneidade de respostas quanto ao modo de reação às situações de imprevisto surgidas e enfrentadas no trabalho. Tais aspectos, em nossa avaliação, ainda merecem receber a devida atenção em pesquisas posteriores.
  •  FARTES, Vera Lúcia Bueno CV - Não disponível 

PAP0124 - A moda contra a tirania: elucubrações dos costumbristas argentinos do XIX
Resumo de PAP0124 - A moda contra a tirania: elucubrações dos costumbristas argentinos do XIX 
PAP0124 - A moda contra a tirania: elucubrações dos costumbristas argentinos do XIX

Nobert Elias (1994) estabelece uma questão importante ao pensar na sociogênese dos conceitos de civilização e cultura. Esse debate ocorreu, com muito afinco e em debates conflituosos, na Argentina do século XIX. Podemos selecionar os dois personagens mais importantes: Juan Alberdi (1810-1884) e Domingo Sarmiento (1811-1888). Sarmiento, um defensor inveterado da implantação da civilização européia em solo argentino para destituição do atraso promovido pelos nativos da terra; e Alberdi, figura mais cautelosa em suas posições e, em diversos momentos, considerado oscilante. Oscilou basicamente entre o seu escrito de 1852, Bases y puntos de partida para la organización política de La República Argentina, em que foi o liberal convicto, da mesma maneira que Sarmiento, e estabelecia uma sociedade pautada política e economicamente em valores europeus em que, também, os nativos estariam excluídos. Já o Alberdi que encontramos em Fragmento preliminar al estudio del derecho (1837) e em Cartas sobre la prensa y la política militante de la República Argentina, mais conhecidas como Cartas quillotanas, (1853) é um analista mais empírico ao propor um diagnóstico menos moral para estabelecer antídotos eficazes. Alberdi fez parte da Generación de 1837 ou Asociación de mayo, grupo argentino formado à época da ditadura de Juan Manuel de Rosas (1793-1877). O nome era inspirado no mês de maio de 1810, quando houve o movimento de independência. Pensava-se em deixar claro que os erros do passado devem ser compreendidos para que uma Argentina promissora possa ser exeqüível após os estragos da ditadura de Rosas. La moda foi o primeiro periódico publicado pela Asociación de mayo. Encabeçou o projeto o próprio Alberdi. Tal importância dada aos costumes europeus se dá por uma questão bastante argentina: “escolheremos a civilização ou a barbárie?” Por um lado, existe o governo policial de Juan Manuel de Rosas (1793-1877), que possui apoio popular e, de outro, a aposta liberal dos homens de 1837. Contudo, segundo Alberdi, a democracia não é o início, mas o fim, ou melhor, a finalidade da organização política. Portanto, para ser livre não basta o desejo, é necessário ser digno da liberdade. Como remédio à situação, encontra a imigração e a cultivação de bons hábitos: os costumes são a chave-mestra da organização sócio-política e econômica. A conversão de maus costumes em bons costumes é a possibilidade de conversão da tirania em democracia. Para os costumbristas, a exterioridade do ser é linguagem legítima de diferenças e conflitos. Daí a importância de modos de falar, trajes e trejeitos que podem figurar e permitir a adoção de um estilo de governo. Entender estas relações na Argentina do século XIX é o objetivo desta comunicação.
  •  MANTOVANI, Rafael Leite CV - Não disponível 

PAP0207 - A negociação colectiva em Portugal: dinâmicas de investigação e resultados empíricos
Resumo de PAP0207 - A negociação colectiva em Portugal: dinâmicas de investigação e resultados empíricos PAP0207 - A negociação colectiva em Portugal: dinâmicas de investigação e resultados empíricos
PAP0207 - A negociação colectiva em Portugal: dinâmicas de investigação e resultados empíricos

A partir da condução do presente trabalho de investigação pretendeu-se interrogar e reconstituir os processos de negociação colectiva em Portugal, bem como as alterações que têm ocorrido ao longo dos últimos anos - decorrentes das mudanças que têm acontecido em termos de relações profissionais – as quais parecem reflectir as alterações ocorrida em termos de peso que alguns sectores de actividade têm ganho. Procura-se também verificar se os modelos negociais adoptados têm influenciado os resultados ou se as estratégias que os actores mobilizam acabam por ser mais decisivas que estes modelos para os conteúdos resultantes da negociação. A negociação colectiva enquanto objecto empírico tem um conjunto de dimensões que lhe estão associadas e que foram analisadas ao longo desta investigação. Em primeiro lugar podemos considerar o papel regulador que esta tem, já que estabelece um conjunto de regras e princípios para determinados grupos profissionais ou sectores. A entrevista foi um dos instrumentos de recolha de informação utilizado para sustentar e perceber aspectos mais profundos, sendo que o alvo, neste caso foram os actores chave que desempenham o papel central nestes processos e que por vezes poderão não estar presentes ou actores que tenham estado presentes em situações particulares, durante estes processos, onde a necessidade por características do processo negocial ou dos próprios negociadores o tenha justificado. Os sectores que serviram de objecto a esta investigação foram determinados a partir de três critérios: a contribuição do cada sector em volume de emprego; a exposição do sector à concorrência internacional (sectores competitivos, sectores sensíveis) e a modernização tecnológica e organizacional que estes sectores têm realizado ou estão a realizar.
  • FERNANDES, Paulo CV de FERNANDES, Paulo
Paulo Jorge Martins Fernandes, docente na ESCE do Instituto Politécnico de Setúbal, Sociologia e com um Mestrado em sociologia do Trabalho, Organizações e Emprego, áreas de investigação/trabalho negociação colectiva, relações laborais, sindicalismo, etc.
Saudações académicas.

PAP1140 - A negociação coletiva e a regulação das matérias relativas à segurança e saúde no trabalho
Resumo de PAP1140 - A negociação coletiva e a regulação das matérias relativas à segurança e saúde no trabalho PAP1140 - A negociação coletiva e a regulação das matérias relativas à segurança e saúde no trabalho
PAP1140 - A negociação coletiva e a regulação das matérias relativas à segurança e saúde no trabalho

Os dados do EUROSTAT(http://appsso.eurostat.ec.europa.eu) evidenciam que Portugal é um dos países europeus onde se regista uma maior incidência da sinistralidade laboral. Isto significa que trabalhar em Portugal é uma actividade que envolve inúmeros riscos (Areosa, 2011). No entanto, alguns progressos inegáveis foram alcançados ao longo da última década, principalmente no atinente aos acidentes mortais, que decresceram acentuadamente, passando de 368 em 2000 para 231 em 2008 (www.gep.mtss.gov.pt). Esta redução traduzirá os esforços empreendidos a partir dos anos 90, quando se começaram a delinear verdadeiras políticas públicas no domínio da saúde e segurança no trabalho, às quais os parceiros sociais se associaram. Aliás, este revela-se como um campo em que é possível um amplo consenso, pelo menos entre as organizações de cúpula com assento na Comissão Permanente de Concertação Social (CPCS), o que permitiu a subscrição unânime de dois acordos específicos, um em 1991 e outro em 2001. Outro espaço negocial privilegiado é a negociação coletiva, fator de superação da individualização das relações de trabalho e de regulação destas relações e fonte de definição de direitos laborais e sociais, ao conferir aos trabalhadores um determinado estatuto e ao libertá-los do arbítrio patronal (Flanders, 1968, 1970). Uma das características do sistema português de relações de trabalho reside na ausência de articulação entre os diversos níveis negociais (Alves, 2000; Barreto e Naumann, 1998; Campos Lima et al, 2000). Isto significa que o resultado do diálogo ao nível macrossocial nem sempre tem tradução no normativo produzido na negociação coletiva, situação que se agudiza quando esta se encontra substancialmente bloqueada, como sucede atualmente. Importa então analisar o modo como a regulação das matérias relativas à segurança e saúde no trabalho tem vindo a ser efectuada ao nível da negociação coletiva, até atendendo a que o Código do Trabalho e a Lei do Regime Jurídico da Promoção da Segurança e Saúde no Trabalho outorgaram, nomeadamente, a possibilidade de por esta via serem criadas comissões de segurança e saúde no trabalho de composição paritária. Na base desta comunicação encontra-se uma análise de carácter extensivo realizada às convenções colectivas de trabalho, novas ou revistas na íntegra, publicadas durante 2010 e 2011. Conclui-se que um número muito significativo de convenções se limitam a acolher o que se encontra estipulado na legislação, sendo em número bastante reduzido as que apresentam alguma inovação neste domínio.
  • ALVES, Paulo Marques CV de ALVES, Paulo Marques
  •  AREOSA, João CV - Não disponível 
  •  POÇAS, Luís CV - Não disponível 
  • GONÇALVES, Luís CV de GONÇALVES, Luís
  • FIDALGO, Fernando CV de FIDALGO, Fernando
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.
Esta comunicação é o resultado de um trabalho colectivo envolvendo cinco sociólogos (Manuel Correia, Paulo Marques Alves, Ulisses Garrido, Luís Gonçalves e Fernando Fidalgo), cujos interesses de investigação incidem sobre o sindicalismo, as tecnologias da informação e da comunicação e as relações laborais e será apresentada por Ulisses Garrido, director do Departamento de Educação do ETUI – European Trade Union Institute.

PAP0013 - A nova condição de reprodução do trabalho precário no Brasil: Um estudo sobre os trabalhadores de moto-t-axi
Resumo de PAP0013 - A nova condição de reprodução do trabalho precário no Brasil: Um estudo sobre os trabalhadores de moto-t-axi 
PAP0013 - A nova condição de reprodução do trabalho precário no Brasil: Um estudo sobre os trabalhadores de moto-t-axi

A presente comunicação se baseia em nosso estudo de doutorado intitulado O trabalho reconfigurado e a nova condição do trabalho informal e precário: a saga dos trabalhadores de mototáxi em Campina Grande, realizado no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal de Campina Grande, sob a orientação de Roberto Véras de Oliveira. A tese trata da constituição do segmento de mototaxistas de Campina Grande, Paraíba, assim como da sua condição de trabalhadores informais e precários. Consideramos essa situação uma expressão da resposta dos trabalhadores e da sociedade, por meio de estratégias diversas, à crise contemporânea do trabalho, de magnitude global e com expressões diferenciadas nos contextos recentes do país. As relações de trabalho no Brasil, nos anos 1990, estiveram fortemente marcadas pelo desemprego e por processos de informalização, desassalariamento e precarização do trabalho (Pochmann, 2001), assim como, do ponto de vista da ação governamental, por medidas diversas de desregulamentação das relações de trabalho (Oliveira, 2002; Krein, 2009). Mas se na década seguinte os níveis de emprego subiram, as taxas de assalariamento se expandiram, os processos de informalização do trabalho sofreram certa reversão e a ação governamental já não se orientou por um propósito desregulamentador, a condição precária do trabalho no país, sobretudo nas regiões periféricas, como a Paraíba, ainda está longe de ser revertida em sentido mais estrutural. Esta comunicação se propõe a uma caracterização das relações de trabalho e formas de sociabilidade presentes nesse novo segmento de trabalhadores em Campina Grande. Centra sua atenção nas práticas e percepções sociais, em construção, em conflito, entre os atores sociais envolvidos na atividade do mototaxismo, como se veem e são vistos, e como dialogam (conformando-se, resistindo e reinventando-se) com as condições que lhes são impostas por tal situação.
  •  LUNA, Jucelino Pereira CV - Não disponível 

PAP1468 - A nova reprodução da informalidade e da precariedade nas relações de trabalho e os camelôs de tecnologia no município de João Pessoa e Campina Grande – Paraíba
Resumo de PAP1468 - A nova reprodução da informalidade e da precariedade nas relações de trabalho e os camelôs de tecnologia no município de João Pessoa e Campina Grande – Paraíba 
PAP1468 - A nova reprodução da informalidade e da precariedade nas relações de trabalho e os camelôs de tecnologia no município de João Pessoa e Campina Grande – Paraíba

A presente comunicação se baseia em nosso projeto de pesquisa intitulado: A nova reprodução da informalidade e da precariedade nas relações de trabalho dos camelôs de tecnologia no município de João Pessoa e Campina Grande – Paraíba. As relações de trabalho no Brasil, nos anos 1990, estiveram fortemente marcadas pelo desemprego e por processos de informalização, desassalariamento e precarização do trabalho (Pochmann, 2001), assim como, do ponto de vista da ação governamental, por medidas diversas de desregulamentação das relações de trabalho (Oliveira, 2002; Krein, 2009). Mas se na década seguinte os níveis de emprego subiram, as taxas de assalariamento se expandiram, os processos de informalização do trabalho sofreram certa reversão e a ação governamental já não se orientou por um propósito desregulamentador, a condição precária do trabalho no país, sobretudo nas regiões periféricas, como a Paraíba, ainda está longe de ser revertida em sentido mais estrutural. A pesquisa procura entender a constituição do segmento dos camelôs de tecnologia no município de João Pessoa e Campina Grande, Paraíba. Procura realçar sua condição de trabalhadores informais e precários. Consideramos os camelôs de tecnologia um tipo de resposta que os trabalhadores e a sociedade vêm dando à crise contemporânea do trabalho e do emprego, particularmente nas cidades do interior do país. Ainda procura explorar com especial atenção as práticas e percepções sociais, em construção, em conflito, nesse segmento de trabalhadores. Discute como tais segmentos se vêem, como são vistos e sobre como dialogam (conformando-se, resistindo e reinventando-se) com as condições que lhes são impostas por tal situação.
  •  LUNA, Jucelino Pereira CV - Não disponível 
  •  SOUSA, Steffany Pereira de CV - Não disponível 
  •  RODRIGUES, Lidiane CV - Não disponível 
  •  GOMES, Kelly CV - Não disponível 
  •  GARCIA, Fábio CV - Não disponível 

PAP1387 - A noção de mediação parental no âmbito do uso da Internet no contexto familiar - reflexão sobre a realidade portuguesa
Resumo de PAP1387 - A noção de mediação parental no âmbito do uso da Internet no contexto familiar -  reflexão sobre a realidade portuguesa 
PAP1387 - A noção de mediação parental no âmbito do uso da Internet no contexto familiar - reflexão sobre a realidade portuguesa

A ideia de “mediação parental” tem vindo a longo dos tempos a acompanhar as sucessivas vagas de interacção dos mais jovens com diferentes media. O presente artigo centra o seu olhar na mediação parental dos usos online de crianças e jovens. Partindo de considerações teóricas mais amplas, pretende-se em concreto aqui dar enfoque a esta problemática no contexto português, estabelecendo, sempre que possível, termos de comparação com a realidade internacional. Os desafios da mediação parental face às TIC, as mudanças que vêm ocorrendo no paradigma de família ocidental tendendo para a democratização das relações entre gerações; as estratégias de mediação aplicadas aos vários media e as especificidades desta acção em relação à internet; os efeitos das estratégias de mediação para o online já implementadas e o que os pais dizem saber acerca das competências dos filhos com a Web, são as linhas estruturantes desta reflexão essencialmente teórica que se integra numa investigação de doutoramento subordinada à questão da domesticação da internet no contexto familiar português. Nos nossos dias, no âmbito da vida familiar e por influência dos seus vários membros, o espaço doméstico tende a transformar-se num cenário onde velhos e novos media convivem com manifesto privilégio. A difusão maciça das TIC em particular, envolvendo um uso cada vez mais individualizado por parte dos vários membros da família, levanta possíveis cenários de recomposição do agregado em função do tipo de uso que estes dispensam aos meios digitais. Neste contexto contemporâneo, em que o ambiente media rich dos lares tende a padronizar-se, multiplicam-se sobretudo os desafios dos progenitores relativamente a esta relação de simbiose dos mais jovens com os media. Como regulá-la? Como encontrar e promover o equilíbrio entre as suas vantagens e os aspectos negativos que envolvem? Historicamente a emergência de um novo meio de comunicação provocou recorrentemente este dualismo de reacções: encarado como motivo de atracção inevitável para crianças e jovens, invariavelmente era ao mesmo tempo acompanhado pelos receios de pais, responsáveis pela educação, religião ou vida pública, figurando como críticos, quando não mesmo dando azo a inevitáveis ondas de pânico moral. Com efeito, gerir a regulação doméstica do uso do online pelos mais jovens revela-se para os pais como algo desafiante e frustrante: estes se por um lado não hesitam em adquirir os computadores com ligações à Internet em nome da promoção educativa das suas crianças, por outro receiam que os filhos se isolem, ponham em risco a sua privacidade, segurança ou lidem com conteúdos negativos, entre outras situações. Tanto para pais como para os filhos este processo de integração do online nos respectivos lares e quotidianos envolve exigências e competências de várias ordem sobre as quais nos propomos a reflectir neste espaço.
  • NEVES, Marta CV de NEVES, Marta
nome: Marta Dias Neves.
Sou doutoranda do 3º ano de Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, a investigar questões relativas às crianças e Internet (presentemente a matrícula está temporariamente suspensa).
Interesses de investigação: questões relacionadas com mediação parental, literacia digital, riscos online, redes sociais.
Sou licenciada em Direito pela Universidade de Coimbra, Mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Comunicação pelo ISCTE.
Actualmente também colaboro como investigadora em projectos do Observatório de Comunicação.

PAP0317 - A noção de “saúde mental” e a funcionalidade político-científica da psiquiatria contemporânea: uma problematização
Resumo de PAP0317 - A noção de “saúde mental” e a funcionalidade político-científica da psiquiatria contemporânea: uma problematização PAP0317 - A noção de “saúde mental” e a funcionalidade político-científica da psiquiatria contemporânea: uma problematização
PAP0317 - A noção de “saúde mental” e a funcionalidade político-científica da psiquiatria contemporânea: uma problematização

Esta comunicação, diretamente relacionada à minha pesquisa de doutorado em curso, tem como objetivo questionar a funcionalidade político-científica da psiquiatria de orientação biológica contemporânea. Em um primeiro momento, a partir da reflexão de Michel Foucault no curso "Os Anormais" [1974-1975], trata-se de evidenciar como o poder médico-psiquiátrico alcançou, ainda no século XIX, a noção de virtualidade da patologia. Examina-se, desse modo, como a psiquiatria, em seu processo de “desalienização”, pôde tornar patológicas diversas condutas sem referir-se à alienação propriamente dita. Assim, com a difusão do poder médico-psiquiátrico sobre o não patológico, ressaltamos, por meio da noção foucaultiana de biopolítica, a importância da vida biológica e da saúde dos indivíduos e da população como problemas de poder e governo. Considerado então o valor político do dado biológico, trata-se de problematizar e questionar como – e de acordo com quais mecanismos de poder – a psiquiatria contemporânea de orientação biológica e a Organização Mundial da Saúde (OMS) podem operar uma significativa mudança de paradigma com a incorporação do elemento mental no conceito de saúde. Essa expressiva transformação de paradigma destinada à incitação da “saúde mental” – de fundamental importância para essa comunicação – encontra-se oficializada no Relatório Mundial da Saúde de 2001, da OMS, e sublinhada já no título do documento, a saber: "Saúde Mental: nova concepção, nova esperança". A partir da indicação a respeito da substituição do conceito moderno de “doença mental” pelo contemporâneo de “saúde mental”, a finalidade dessa comunicação é problematizar o poder médico-psiquiátrico contemporâneo da seguinte forma: i) qual pode ser a lógica de um paradoxo que amplia a nomenclatura do patológico (como atesta o DSM-IV [1994] – "Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais", da Associação Americana de Psiquiatria) e reforça simultaneamente a necessidade de “saúde mental”; ii) de que maneira a intensificação da saúde e a eliminação do sofrimento podem afetar, modular e moldar a experiência do indivíduo contemporâneo; iii) como, por meio da noção de saúde e a pretexto de incentivá-la, a vigilância e o controle científicos da psiquiatria podem criar formas de subjetivação dos indivíduos, determinando o modo de se viver em sociedade.
  • CORBANEZI, Elton Rogério CV de CORBANEZI, Elton Rogério
Elton Rogério Corbanezi. Possui Graduação em Ciências Sociais (bacharelado e licenciatura) pela Faculdade de Filosofia e Ciências da Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (FFC/Unesp) e Mestrado em Sociologia pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Estadual de Campinas (IFCH/Unicamp). Foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em Iniciação Científica e no Mestrado, com pesquisa em Michel Foucault, Friedrich Nietzsche e Machado de Assis, em relação aos seguintes temas: racionalidade médica, psiquiatria, loucura, razão, modernidade, literatura e sociedade. Atualmente é doutorando em Sociologia pelo IFCH/Unicamp e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), com pesquisa sobre a depressão e os processos de subjetivação provocados pelos dispositivos psiquiátricos contemporâneos.

PAP0536 - A oferta científica sobre Economia Política da Comunicação para a formação de jovens jornalistas
Resumo de PAP0536 - A oferta científica sobre Economia Política da Comunicação para a formação de jovens jornalistas PAP0536 - A oferta científica sobre Economia Política da Comunicação para a formação de jovens jornalistas
PAP0536 - A oferta científica sobre Economia Política da Comunicação para a formação de jovens jornalistas

GT Comunicação Social Esta comunicação identifica a oferta científica especializada na Economia Política da Comunicação, nomeadamente sobre a propriedade e as estratégias de gestão das empresas jornalísticas portuguesas. Ter-se-á como objecto de estudo a estrutura curricular dos cursos de licenciatura do ensino superior português, mas também os de formação profissional e a produção científica publicada em publicações de Universidades e organizações profissionais ligadas ao jornalismo. Dar-se-á destaque aos conteúdos dirigidos à formação de futuros ou actuais jovens jornalistas. Num contexto de crise e reconfiguração das estratégias dos media, parte-se da definição da Economia Política da Comunicação feita por Nicholas Garnham como o âmbito de estudo das formas institucionais e do poder social das empresas capitalistas, entre elas as jornalísticas, a comunicação procura analisar as condições de formação dos jovens jornalistas na área. De seguida, procurar-se-á interpretar o potencial de mobilização de competências dos jovens jornalistas sobre a gestão da produção e da distribuição do jornalismo nas actuais condições de mercado. O objectivo é concluir acerca do possível horizonte de representação do seu lugar enquanto jovens jornalistas e das suas carreiras neste campo profissional e empresarial.
  • FERREIRA, Vanda CV de FERREIRA, Vanda
FERREIRA, Vanda
Licenciada em Ciências da Comunicação, variante Jornalismo, pós-graduada em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação e em Análise de Dados em Ciências Sociais
ISCTE/CIES – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
ferrvanda@gmail.com

PAP1001 - A paridade no parlamento: itinerário de um paradigma
Resumo de PAP1001 - A paridade no parlamento: itinerário de um paradigma 
PAP1001 - A paridade no parlamento: itinerário de um paradigma

A igualdade de género tem estado nos últimos anos no centro de um amplo debate sobre o alargamento das condições de participação e do acesso à esfera política por parte de actores sociais tradicionalmente afastados desta. A crescente complexificação dos papéis sociais das mulheres, a sua entrada no mercado de trabalho e a sua emancipação política representam processos contínuos de mudança cujos resultados nem sempre são imediatos e/ou evidentes. Todavia, a consciência política da resistência e da inflexibilidade de certas estruturas de dominação de género tem sido responsável pela produção de diferentes enquadramentos legais, assentes em consensos mais ou menos alargados, com o objectivo de eliminar os obstáculos à participação equitativa de homens e mulheres em todas as dimensões da vida social. Face ao alargado conjunto de arenas no interior das quais as mulheres aparecem historicamente como protagonistas subalternizados o exercício do poder representativo não é excepção. O défice participativo das mulheres nos fóruns políticos é uma realidade inegável das assembleias e locais de decisão pública nacionais. Vários trabalhos têm, nas últimas três décadas, confirmado continuamente este afastamento. E não obstante as dinâmicas transformadoras que atravessaram a sociedade portuguesa no pós-74 e reconhecendo alguns sinais de mudança neste plano atestados por um aumento global da percentagem de mulheres presentes em cargos eleitos os números têm aumentado demasiado lentamente e por vezes de modo irregular. O debate parlamentar em torno das desigualdades de género na participação política começou por marcar presença na Assembleia da República de modo relativamente intermitente. De maneira a podermos compreender o caminho percorrido e os múltiplos enquadramentos políticos e sociais que que conduziram à aprovação da Lei da Paridade é necessário primeiro conhecer a história complexa e descontínua da questão da presença, ou ausência, das mulheres na vida política na circunstância da própria discussão parlamentar. Para esse efeito analisámos a informação contida nos Diários da Assembleia da República (DAR) dos debates nos quais a questão da participação das mulheres e/ou da paridade é abordada directa ou indirectamente e é com base nesse levantamento que procurámos construir uma leitura, naturalmente admitindo a possibilidade de outras, sobre um processo político e histórico em permanente desenvolvimento.
  •  DIAS, Nuno CV - Não disponível 

PAP1233 - A participaçao dos cidadãos nos cuidado primario de saude. A experiencia dos Conselhos de Comunidade.
Resumo de PAP1233 - A participaçao dos cidadãos nos cuidado primario de saude.  A experiencia dos Conselhos de Comunidade. PAP1233 - A participaçao dos cidadãos nos cuidado primario de saude.  A experiencia dos Conselhos de Comunidade.
PAP1233 - A participaçao dos cidadãos nos cuidado primario de saude. A experiencia dos Conselhos de Comunidade.

Os temas da participação e da governance têm assumido grande relevância no âmbito das democracias ocidentais, tendo-se multiplicado, nos últimos anos, as iniciativas de participação provenientes da sociedade civil. Esse debate, muito intenso entre os cientistas sociais a partir dos anos 80, aplica-se com grande vitalidade à discussão sobre participação nos sistemas de saúde. De facto, um dos temas centrais dos processos de reforma sanitária dos últimos vinte anos tem sido o reconhecimento da centralidade do utente e da importância da sua voz e da sua perspectiva de análise. Em Portugal, o Plano Nacional de Saúde 2004-2010 tem atribuído muita importância à participação dos cidadãos e tem reafirmado o compromisso do Ministério da Saúde em apoiar o desenvolvimento de diversos mecanismos para envolver pacientes, utentes e comunidades. O Decreto-Lei n.º 28/2008 instituiu os Conselhos de Comunidades (CC) nos Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) com o objectivo de aumentar a ligação dos cuidados primários aos cidadãos e incentivar, portanto, a participação dos diferentes atores. Depois de algumas dificuldades iniciais, a partir de 2010 acelerou-se o processo de constituição dos CC nas cinco Administrações Regionais de Saúde. Numa pesquisa exploratória, a nível nacional, realizada pelo Centro de Estudos Sociais e Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra foi possível analisar com detalhe o processo de constituição dos CC e reunir informações sobre o seu funcionamento, a sua composição e os principais obstáculos que se lhe interpuseram na primeira fase de implantação. A maioria dos ACES (quase 80% dos que responderam ao inquérito) já criaram os respetivos CC, embora seja ainda limitada a avaliação da sua atividade devido às poucas reuniões realizadas até ao momento em que foi aplicado o inquérito. Entre as barreiras identificadas durante o processo de constituição e de desenvolvimento dos Conselhos, cabe destacar as seguintes: i) Inércia das entidades na nomeação dos representantes; ii) Dispersão geográfica entre os elementos constituintes do CC; iii) Influência excessiva das autarquias; iv) Falta de associações de utentes para constituir o CC. Sem dúvida, o ponto mais crítico, pelo menos nesta primeira fase de implantação dos CC, é a limitada presença de associações de utentes nas áreas de atuação dos ACES. De facto, o estudo desenvolvido revelou que cerca de metade dos CC não incluem entre as entidades representadas na sua constituição os representantes das associações de utentes. Para além disso, questiona-se se a atual composição dos CC é realmente adequada para dar voz aos utentes dos cuidados de saúde primários. Ou seja, face a uma ampla presença de porta-vozes das câmaras municipais e de outras instituições (sindicatos, hospitais, escolas, etc.), não se poderá considerar insuficiente a representação dos utentes na constituição do CC?
  • SERAPIONI, Mauro CV de SERAPIONI, Mauro
  • FERREIRA, Pedro Lopes CV de FERREIRA, Pedro Lopes
  • ANTUNES, Patrícia CV de ANTUNES, Patrícia
Mauro Serapioni é licenciado em Ciências Políticas e Sociais pela Universidade de Bolonha (1983), obteve o mestrado em Gestão dos Sistemas Locais de Saúde pelo Instituto Superior de Saúde de Roma (1994) e possui o doutorado em Ciências Sociais e Saúde pela Universidade de Barcelona (2003). Atualmente é investigador do Centro de Estudos Sociais e docente do Doutorado “Democracia no Século XXI” da Universidade de Coimbra. Anteriormente foi Visiting Fellow da Universidade de Bolonha, professor da Universidade Estadual do Ceará, consultor da Organização Pan-Americana de Saúde e do Ministério de Saúde do Brasil, docente da Universidade de Bolonha (UNIBO) e da Universidade de Modena e Reggio Emilia (UNIMORE). Principais áreas de investigação: Participação dos cidadãos no sistema de saúde, Desigualdades sociais e saúde, Avaliação de serviços e políticas de saúde, Processo de reforma do sistema de saúde. É autor de vários trabalhos publicados em Brasil, Itália, Portugal e França, sobre essas temáticas.
Pedro Lopes Ferreira licenciou-se em Matemática Aplicada pela FCTUC (1976), obteve o Mestrado em Ciências da Computação (1987) pela mesma Universidade e possui o PhD Industrial Engineering (Decision theory – Health systems) pela Universidade de Wisconsin-Madison, EUA (1990). É atualmente Professor Associado com Agregação da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, onde tem lecionado unidades curriculares de Economia da Saúde, Medição em Saúde, Políticas e Sistemas de Saúde e Estatística. É Diretor do Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC), Coordenador do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS), Membro fundador do Capítulo IberoAmericano da International Society of Quality of Life (ISOQOL) e Coordenador do Mestrado em Gestão e Economia da Saúde e da Pós-graduação em Economia e Gestão nas Organizações de Saúde da FEUC. Tem diversos trabalhos publicados em revistas científicas nacionais e internacionais, assim como alguns livros.
Patrícia Antunes licenciou-se em Economia pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (2006), realizou a Pós-Graduação em Gestão e Organização dos Cuidados de Saúde Primários na Escola Nacional de Saúde Pública – Universidade Nova de Lisboa (2008) e obteve o Mestrado em Gestão e Economia da Saúde pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (2010). Exerce funções como Técnica Superior no Departamento de Contratualização – Cuidados de Saúde Primários da Administração Regional de Saúde do Centro. É investigadora no Centro de Estudos e Investigação em Saúde da Universidade de Coimbra (CEISUC) e colaboradora, desde 2008, do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS). Tem um livro publicado na área da avaliação da satisfação dos utilizadores dos cuidados de saúde primários.

PAP0581 - A participação política de organizações da sociedade civil de Salvador-Bahia: possibilidades e barreiras para a articulação entre democracia respresentativa e democracia participativa
Resumo de PAP0581 - A participação política de organizações da sociedade civil de Salvador-Bahia: possibilidades e barreiras para a articulação entre democracia respresentativa e democracia participativa 
PAP0581 - A participação política de organizações da sociedade civil de Salvador-Bahia: possibilidades e barreiras para a articulação entre democracia respresentativa e democracia participativa

A compreensão de participação política vem sendo pressionada tanto por discussões teóricas, que defendem o desenvolvimento da democracia pelo aprofundamento da participação, quanto por deficiências crescentes dos poderes públicos no atendimento das necessidades sociais. Em decorrência, práticas participativas que buscam articular a democracia representativa e a democracia participativa têm estado cada vez mais presentes na atuação de organizações da sociedade civil, embora persistam barreiras para essa articulação. Como um agir eminentemente coletivo, a política democrática tem encontrado em associações voluntárias da sociedade espaços privilegiados para a interlocução, discussão e apoio para causas de interesse público. A partir desse contexto, este trabalho é norteado pelos seguintes objetivos: 1) Conhecer as formas de participação política praticadas por organizações da sociedade civil de Salvador-Bahia-Brasil; 2) Verificar se essas formas de participação procuram articular-se com procedimentos da democracia representativa. Os procedimentos metodológicos envolvem levantamento bibliográfico sobre os temas que permeiam o trabalho e entrevistas com gestores de 44 organizações da sociedade civil em Salvador. Os principais resultados apontam que: (a) dentre as principais formas de participação política encontram-se aquelas alinhadas com os conceitos da chamada democracia deliberativa; (b) há mudanças nas formas de participação política das organizações, principalmente no sentido do incremento e variedade com que se manifestam; (c) as organizações procuram um trabalho separado dos políticos, mas não defendem a supremacia da participação direta; antes, pretendem o aprimoramento da representação, a qualificação dos representantes e do eleitorado. Participação política hoje, portanto, é um conceito em evolução, que passa pela escolha de representantes, mas que vem aglutinando novas e variadas formas de participação.
  •  BORGES, Jussara CV - Não disponível 

PAP0565 - A participação política dos evangélicos brasileiros
Resumo de PAP0565 - A participação política dos evangélicos brasileiros PAP0565 - A participação política dos evangélicos brasileiros
PAP0565 - A participação política dos evangélicos brasileiros

A presente comunicação busca analisar a presença políticas dos evangélicos brasileiros, algo facilmente perceptível depois do período de redemocratização do país, ocorrida após 1985. Dentro da perspectiva de análise, a ampliação da representatividade política do referido grupo religioso está dentro da ótica do chamado “voto evangélico”, dentro da ideia de que “irmão vota em irmão”, instrumentalizando-o como uma estratégia de angariar votos dentro desse segmento. Além disso, o uso de lideranças carismáticas que ofereçam candidaturas, o uso do púlpito para o apoio oficial de algumas denominações evangélicas em prol de um determinado candidato escolhido pela cúpula eclesiástica, a possibilidade de conseguir novas concessões públicas de rádios e TV, a participação de colocarem as propostas morais para a sociedade em temáticas como homossexualismo, eutanásia e aborto, a busca de ocupação dos espaços públicos, como por exemplo, a “Marcha para Jesus” organizada pela Igreja Renascer em Cristo, o aumento tanto em números absolutos quanto percentuais dos evangélicos nas duas últimas décadas (fenômeno chamado por Magaldi Cunha de “explosão gospel”) formam um conjunto de fatores que trouxeram os evangélicos para dentro da cenário político. Rompe-se assim, ao menos em parte, a mentalidade de que o evangélico ou o crente não se mete em política porque isso faz parte “do mundo”, ou seja do pecado, e como os cristãos são separados por Deus, nessa teologia, as preocupações do cristianismo seriam apenas no mundo transcendental ou espiritual e não no mundo terreno. A expressão “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” reforça essa ideia. Neste sentido, a influência dos grupos pentecostais e principalmente dos neopentecostais com a teologia da prosperidade com a ênfase na prosperidade financeira e na saúde está fazendo uma leitura que a prosperidade do Brasil enquanto nação passa pela ocupação da maior quantidade de cargos públicos como forma de cristianizar o seu povo e as esferas estatais.
  • PAEGLE, Eduardo Guilherme de Moura CV de PAEGLE, Eduardo Guilherme de Moura
Eduardo Guilherme de Moura Paegle é graduado e mestre em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), na qual, atualmente é doutorando por esta universidade no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas. Atualmente tem uma bolsa de estudo da CAPES (governo brasileiro) no ISCTE\IUL por quatro meses em Lisboa. Sua área de interesse é sobre os evangélicos brasileiros, relações da religião com a política e mercado, o trânsito e o transnacionalismo religioso, e as interfaces entre fé e performance. Seu tema de tese de doutorado é "A 'mcdonaldizaçã' da fé. O culto como espetáculo entre os evangélicos brasileiros." Estuda em Portugal, igrejas neopentecostais de origem brasileira para verificar o fenômeno de transnacionalismo religioso, de como as igrejas brasileiras se adaptam em contextos diferentes das suas origens.

PAP0931 - A política ambiental brasileira e a Amazônia: contradições e interesses
Resumo de PAP0931 - A política ambiental brasileira e a Amazônia: contradições e interesses 
PAP0931 - A política ambiental brasileira e a Amazônia: contradições e interesses

A crescente demanda por politicas de proteção ambiental é uma decorrência das alterações climáticas e dos recursos limitados existentes no planeta. Porém, o dinamismo industrial exige uma vertiginosa demanda de matérias primas para alimentar sua produção. Neste cenário, regiões com vastas riquezas tornam-se alvo direto de predações do capital econômico. Por outro lado, a Amazônia centra-se como recurso único da humanidade e fator de equilíbrio ecológico de todo o globo e uma degradação de tal sistema poderia trazer impactos devastadores a diversas regiões do globo. Acima disto, não se trata somente de falar sobre a floresta em si, mas de todo um ecossistema único e que esconde recursos dos mais diversos para a humanidade. É afetada também toda uma população que reside nessa área, seja ela nativa ou ribeirinha, que depende diretamente do extrativismo para a sobrevivência. Esse conflito entre interesses e a garantia dos direitos do cidadão que vive na floresta tem como resultado o desmando, a ingerência e mesmo o massacre de povos e comunidades que além de viverem na Amazônia, sempre foram seus guardiões indiretos. Em alguns anos, pode mostrar claramente qual o real detentor de decisões nessa área no Brasil, se o governo público que deve zelar pelo patrimônio natural e pelos cidadãos, ou as empresas e seus proprietários que buscam explorar da forma que melhor lhe convier tais riquezas.
  •  CAMPOS, Rogério Pereira de CV - Não disponível 

PAP0660 - A prescrição de antidepressivos e calmantes: um estudo de caso sobre ideologias terapêuticas na prática clínica de Médicos de Família e Psiquiatras
Resumo de PAP0660 - A prescrição de antidepressivos e calmantes: um estudo de caso sobre ideologias terapêuticas na prática clínica de Médicos de Família e Psiquiatras 
PAP0660 - A prescrição de antidepressivos e calmantes: um estudo de caso sobre ideologias terapêuticas na prática clínica de Médicos de Família e Psiquiatras

A depressão é apontada como uma das principais causas de adoecimento nas sociedades ocidentais, prevendo-se que, em 2020, constitua a principal causa de morbilidade nos países desenvolvidos. O aumento da incidência desta patologia é acompanhado pela larga prescrição de psicofármacos em todo o mundo, sendo que em Portugal foram o 2º subgrupo farmacoterapêutico com maiores encargos financeiros para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), em 2009. Levantam-se então questões prementes em termos de saúde pública, da prestação de cuidados de saúde e da sustentabilidade do SNS. Assim, realizou-se um estudo de caso, com recurso a entrevistas em profundidade, da prescrição de antidepressivos e calmantes na prática clínica de médicos de família e psiquiatras, especialidades que assistem este tipo de condições e de cujos discursos emergirá uma narrativa social sobre o modo como as sociedades contemporâneas gerem o sofrimento mental comum e sobre o lugar que os médicos ocupam neste processo de gestão. É a nossa tese de que estaremos perante uma expansão do fenómeno da medicalização às dimensões psicológicas do indivíduo, através da farmacologização de situações de sofrimento mental que antes não constituíam objecto de gestão médica - como a tristeza ou o nervosismo. Esta psicomedicalização do indivíduo prender-se-á com a manutenção de ideologias terapêuticas centradas na biologização e normalização do comportamento individual, culminando no desenvolvimento da farmacologia como principal meio de gestão e tratamento da doença. Esta matriz cultural coloca igualmente um grande enfoque na prevenção e controle da doença, o que legitimará a medicalização e farmacologização destas situações “de fronteira” sob pena de que evoluam para estados verdadeiramente patológicos, e justificando o papel emergente dos médicos de família na manutenção da saúde mental e a incrementação do papel tradicional dos psiquiatras enquanto especialistas dedicados à doença mental. Esta comunicação tem assim como objectivo divulgar os principais resultados deste estudo de caso, discutindo os contributos possíveis a uma reflexão teórica, sociologicamente fundada, sobre a prescrição de antidepressivos e calmantes pelos médicos que as prescrevem e, como tal, principais agentes das ideologias que sustentam o consumo deste tipo de fármacos na gestão de um determinado tipo de sofrimento psicológico.
  • ZÓZIMO, Joana CV de ZÓZIMO, Joana
Joana Zózimo, membro do SOCIUS-ISEG e assistente de investigação no CIES-ISCTE, Licenciada em Sociologia e Mestre em Sociologia da Saúde pelo ISCTE-IUL, interessa-se pelos fenómenos de farmacologização e medicalização da sociedade, especialmente no que se refere às suas implicações no tratamento de doenças psiquiátricas.

PAP0257 - A presença do dialeto de contacto nas migrações entre Portugal e França: análise de uma seleção de obras literárias contemporâneas
Resumo de PAP0257 - A presença do dialeto de contacto nas migrações entre Portugal e França: análise de uma seleção de obras literárias contemporâneas 
PAP0257 - A presença do dialeto de contacto nas migrações entre Portugal e França: análise de uma seleção de obras literárias contemporâneas

Estudaremos, a partir de uma seleção de obras literárias portuguesas, as manifestações bilingues das personagens, todas emigrantes em França. Debruçar-nos-emos sobre as interferências e influências presentes nos seus discursos, não só na segunda língua (o francês) como também na primeira língua (o português). Interessar-nos-emos nas repercussões que estes emigrantes, locutores de língua portuguesa, sofreram ao entrar em contacto com outro país e outra língua. De facto, a voz das personagens, emigrantes portuguesas em França, caracteriza-se através de uma linguagem única, misturando e/ou alternando elementos morfo-sintácticos, semânticos e lexicais das línguas portuguesa e francesa. Segundo Grosjean & Py (1991), existe uma reestruturação da competência da primeira língua quando os emigrantes estão em contacto prolongado com a língua do país de acolhimento. A primeira língua dos emigrantes é influenciada pela segunda língua a todos os níveis. Os estudos relativos ao contacto das línguas reforçam a hipótese de que estas mudanças não são idiossincrásicas mas sim marcas constitutivas desta comunidade, as variações acabando por integrar a língua dos emigrantes. As manifestações que caracterizam o que se pode chamar de “interlíngua dos imigrantes”, “immigrant speech” ou “dialeto de contacto” (segundo as várias teorias) são de ordem distinta. O indivíduo bilingue dispõe de dois sistemas morfo-sintácicos que pode empregar de maneira alternada ou misturada no seu discurso. O contexto do nosso corpus relaciona-se portanto, com o contacto das línguas através da emigração das personagens, emigração que se opera a vários níveis: geográfico, social e linguístico. Tendo em conta que a sua produção linguística é fortemente híbrida, identidade e alteridade coabitam no seu discurso. Sustentaremos a nossa análise a partir de estudos e conceitos desenvolvidos, entre outros, por Milroy & Muysken (1995), Heine (2005) e Bhatia & Ritchie (2006). CLÍMACO, Nita (1967): A salto. Lisboa: edição da autora. GONÇALVES, Olga (1978): Este verão o emigrante là-bas. Lisboa: Livraria Bertrand. LEHNING, Maria João (2003): D’acordo. Lisboa: Editorial Presença. FERREIRA, José Pardete (2007): Paris – ir e voltar. Lisboa: Prefácio.
  •  SIMÕES, Isabelle CV - Não disponível 

PAP0325 - A produção de conhecimento nos think tanks brasileiros: ciência, tecnologia e inovação segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (1994-2010)
Resumo de PAP0325 - A produção de conhecimento nos think tanks brasileiros: ciência, tecnologia e inovação segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (1994-2010) 
PAP0325 - A produção de conhecimento nos think tanks brasileiros: ciência, tecnologia e inovação segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (1994-2010)

Investigar a expertise como instrumento balizador do planejamento é explorar a dimensão da autoridade epistemológica na definição de políticas públicas. No campo da Sociologia da Ciência, tais estudos investigam os desdobramentos da tecnização sobre a política e exploram questões relativas à natureza e impactos da autoridade delegada aos peritos em situações de controvérsia científico-tecnológica, assessoramento na avaliação e comunicação de riscos, construção de marcos regulatórios para tecnologias emergentes etc. Porém, são escassos os estudos sobre a expertise que legitima a construção da política quando esta advêm das Ciências Humanas ou Sociais e não das Ciências “Duras”. Neste sentido, justifica-se a proposição de estudos que tenham por objetivo a investigação da natureza e impactos da atuação dos think tanks, instituições que operam na fronteira entre o mundo acadêmico e a esfera governamental, praticando uma complexa mistura entre pesquisa e advocacy. Trata-se de um lócus privilegiado de fazer política, em que a disputa pelo poder se dá no campo das idéias. Se as ideias importam, o estudo dos think tanks é igualmente importante porque estas são as instituições que ajudam a propagá-las. Este trabalho explora a relação entre expertise, planejamento e políticas públicas, através da análise de textos produzidos por um think tank brasileiro em atividade há 47 anos, o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (IPEA), fundação vinculada à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República. Como tal, guiou-se pelas seguintes questões: quais o elementos que caracterizam o conhecimento institucionalizado do IPEA no campo da política de ciência, tecnologia e inovação? O que a análise retrospectiva desta produção bibliográfica revela sobre a trajetória do pensamento econômico e social do instituto, neste domínio? A escolha do IPEA relaciona-se a três razões. A primeira refere-se à natureza desta organização, que confere ao instituto uma posição singular em sua atuação tanto acadêmica, quanto de Estado. A segunda razão deriva da primeira: como instituição que esteve organicamente vinculada ao poder desde seu nascimento, o IPEA revela em suas páginas grande parte da história das concepções de desenvolvimento que nortearam a formulação de políticas no Brasil. A terceira razão é o caráter contínuo e sistemático da sua geração de produtos de pesquisas. O referencial teórico apoia-se na articulação de conceitos da Sociologia da Ciência e da Teoria Política. A metodologia combinou pesquisa de campo e a análise bibliométrica da produção bibliográfica do IPEA na área de Ciência, Tecnologia e Inovação, publicada entre 1994 e 2010. O exame das publicações revelou: a continuidade e descontinuidade de temas; prioridades de pesquisa; referenciais teóricos e abordagens diciplinares hegemônicas; tipos de estudo mais frequentes e perfil dos autores.
  •  DIAS RIGOLIN, Camila CV - Não disponível 
  •  HAYASHI, Maria Cristina. CV - Não disponível 

PAP0707 - A profissionalidade docente e as reformas no ensino público: discursos sindicais e associativos
Resumo de PAP0707 - A profissionalidade docente e as reformas no ensino público: discursos sindicais e associativos PAP0707 - A profissionalidade docente e as reformas no ensino público: discursos sindicais e associativos
PAP0707 - A profissionalidade docente e as reformas no ensino público: discursos sindicais e associativos

Desde 2006 até ao presente, o sistema público de ensino português transfigurou-se em resultado de medidas de reforma implementadas por sucessivos governos: a revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD) e o novo Modelo de Gestão Escolar constituem, por excelência, as medidas de política neste domínio que mais conflitos geraram, uma vez que introduziram mudanças profundas nas relações de emprego e na carreira dos professores, bem como nos poderes da profissão docente relativos às direcções escolares. A recente proposta de Reforma Curricular, surgida agora num contexto de austeridade, promete também despertar novos conflitos. Nesta comunicação, tratamos os sindicatos e associações profissionais como veículos de discurso identitário. Nesta linha, procuramos identificar os modelos de profissionalidade docente veiculados, implícita ou explicitamente, nos discursos ideológicos e estratégicos das associações sindicais e profissionais dos professores através da análise das suas reacções às medidas de reforma referidas. O trabalho basear-se-á numa leitura compreensiva e criteriosa e análise de conteúdo de várias formas de comunicação discursiva (comunicados, pareceres, notas de imprensa) de uma amostra das principais associações sindicais e profissionais dos professores (Federação Nacional dos Professores, Federação Nacional da Educação e a Associação Nacional de Professores) com o objectivo de deslindar elementos de discurso identitário revelados pelas tomadas de posição formais aos três momentos de reforma educativa elencados e de reconstruir os eixos e dimensões dos modelos de profissionalidade docente veiculados. Procurar-se-á em adição demonstrar a continuidade e descontinuidade dos discursos internos destas associações e a convergência e divergência entre elas em relação aos diversos momentos de reforma. Assim o trabalho conclui-se com uma reflexão sobre a especificidade funcional dos tipos de associação laboral e profissional dos professores em relação à construção de modelos de identidade profissional.
  •  STOLEROFF, Alan CV - Não disponível 
  •  RODRIGUES, Daniel Alves e Leila CV - Não disponível 

PAP0908 - A proximidade institucionalizada? O serviço social hospitalar com seropositivos
Resumo de PAP0908 - A proximidade institucionalizada? O serviço social hospitalar com seropositivos 
PAP0908 - A proximidade institucionalizada? O serviço social hospitalar com seropositivos

O texto que apresentamos espelha o início de uma pesquisa sobre o serviço social hospitalar, especificamente sobre o serviço social no departamento das doenças infecto-contagiosas, isto é, no VIH/SIDA. O serviço social emerge enquanto medida de apoio e suporte em várias áreas, desde a saúde à educação, sem que para tal exista uma formação académica que suporte a diversidade deste perfil profissional. É com base nesta diversidade profissional que nos debruçamos sobre o VIH/SIDA. O assistente social integra uma equipa composta por diversos profissionais, desde médicos, fisioterapeutas ou nutricionistas, desempenhando o papel do profissional mais próximo do seropositivo. Para estudarmos esta relação entre o assistente social e o seropositivo, baseamo-nos na teoria interaccionista de Erving Goffman, em particular sobre os quadros de interacção descritos pelo autor. A interacção é estudada segundo as formas de identificação do seropositivo, pelo assistente social, caracterizando assim, o grau de proximidade. Abordamos a identificação individual e a identificação categorial, tendo em consideração os normativos que regulam a prática dos assistentes sociais na área do VIH/SIDA. É nestes normativos que surgem os indícios duma proximidade institucional, criada pelo assistente social. A nossa pesquisa atende à acção do assistente social como meio de caracterização da proximidade instituída entre este e o seropositivo. Uma acção instrumental caracterizada pela influência das decisões médicas, onde a biomedicina prevalece sobre a singularidade de cada seropositivo e uma acção baseada nos problemas sociais, retratando as particularidades de cada indivíduo. Estas duas formas de envolvimento na acção e por conseguinte, de interacção, segundo os quadros de Erving Goffman, permitem-nos descrever, um tipo de proximidade que se caracteriza pelas directrizes de saúde pública, e em particular, sobre a prevenção do VIH/SIDA. A pesquisa é desenvolvida em dois hospitais públicos, na região de Lisboa e Vale do Tejo. A metodologia de investigação que suporta este artigo conciste nas entrevistas realizadas aos assistentes sociais destes hospitais, bem como nas políticas de saúde, sobre a prevenção e controlo do VIH/SIDA

PAP0466 - A reconfiguração da proteção do conhecimento na Era da Sociedade da Informação: debates no cenário internacional
Resumo de PAP0466 - A reconfiguração da proteção do conhecimento na Era da Sociedade da Informação: debates no cenário internacional 
PAP0466 - A reconfiguração da proteção do conhecimento na Era da Sociedade da Informação: debates no cenário internacional

Este trabalho tem por objetivo analisar os debates e controvérsias sobre o sistema de proteção do conhecimento observados nos foros de discussões de organizações internacionais tais como a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Organização das Nações Unidas para Educação Ciência e Cultura (UNESCO). O sistema de proteção do conhecimento, baseado no direito da propriedade intelectual, vem passando por uma crise de significado no contexto da sociedade da informação. As novas tecnologias de informação e comunicação permitem novas formas de produzir e difundir o conhecimento, desafiando os mecanismos tradicionais de proteção e difusão da produção intelectual. O movimento Open Access é um exemplo da busca pela adaptação da difusão e proteção do conhecimento às estas novas tecnologias. O tema torna-se mais controverso na medida em que o conhecimento e a criatividade tornam-se o centro da economia global. Desta forma, a economia do conhecimento está relacionada com o capitalismo informacional. Os desdobramentos desta nova economia influenciam tanto as políticas públicas dos países quanto a política internacional, tornando-se um tema estratégico nas agendas de discussões e negociações entre os Estados. A proposta teórica do trabalho é analisar o desenvolvimento da chamada economia da informação, sob a visão da Sociologia do Conhecimento. Autores como Bourdieu, que analisa a contradição existente entre o campo de produção intelectual e artístico e a lógica da economia capitalista, oferecem visões que auxiliam na compreensão deste momento de transição e reconstrução. O estudo utilizará o método de direito comparado para realizar uma análise dos diferentes documentos normativos internacionais sobre a proteção da propriedade intelectual. Após esta análise será realizada uma contraposição entre o quadro normativo das organizações internacionais selecionadas e os atuais debates sobre a proteção da propriedade intelectual, com o objetivo de analisar seus efeitos para a proteção, circulação e acesso ao conhecimento. Embora o momento seja de crise de significado e muitas perguntas estão em suspenso, é importante a observação destes debates que podem influenciar a elaboração de um novo sistema de proteção do conhecimento. Esta crise reflete diretamente nos campos da construção do conhecimento e inovação, que também levantam questionamentos e, assim, passam por momentos de reflexão importantes para os desdobramentos futuros.
  •  BARACAT, Alyssa Cecilia CV - Não disponível 

PAP0425 - A reconfiguração do ensino secundário: a introdução dos cursos profissionais nas escolas públicas e a diversificação de públicos escolares
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PAP0425 - A reconfiguração do ensino secundário: a introdução dos cursos profissionais nas escolas públicas e a diversificação de públicos escolares

O presente texto surge no âmbito da tese de doutoramento, em início, sobre a introdução do ensino profissional nas escolas públicas. Num contexto de um ensino secundário caracterizado por vários problemas e bloqueios, como sucedeu, em Portugal, durante todo o século XX e nos primeiros anos do século XXI, importa identificar e compreender o contributo desta medida para a reconfiguração do sistema de ensino e para a resolução desses problemas, designadamente para a melhoria do aproveitamento escolar e para a maior diversificação da oferta educativa, aspecto há muito identificado pelas instituições internacionais como um dos principais bloqueios ao aumento de alunos a frequentar e concluir o ensino secundário, respondendo desse modo às expectativas e aspirações de públicos escolares diferenciados, promovendo maior igualdade de oportunidades. Em Portugal a expansão do ensino instituiu-se apenas nos anos 70, com a reforma Veiga Simão. O aumento de alunos a frequentar o sistema educativo, a partir de então, resultou num quadro de uma acentuada desigualdade escolar. Por essa razão, realizaram-se estudos empíricos que apontavam a escola como uma instituição que, ao contrário de esbater as desigualdades sociais, as reforçava. É neste contexto que surge o papel da escola como elemento reprodutor das estruturas sociais (Bourdieu e Passeron, 1970; Sebastião, 2009; Seabra, 2009), sendo o ensino técnico-profissional um exemplo crítico dessa realidade, pelo facto de os alunos que o frequentam estarem associados a trajectórias escolares e sociais desfavoráveis (Grácio, 1986; Martins et. al, 2005; Madeira, 2006; Cruzeiro e Antunes, 1978; Silva 1999). Se a dualização do ensino secundário foi sendo proclamada como a geradora das desigualdades escolares, a sua posterior unificação não resultou em diferenças substanciais. Traduziu-se antes, numa licealização do ensino secundário, promotora do abandono e insucesso escolares, prejudicando fortemente os alunos de origens sociais populares (Azevedo, 1994; Amado, 1998). Neste quadro, e tendo por base a medida de política pública em estudo pretende-se fazer uma reflexão preliminar acerca do impacto da generalização dos cursos profissionais nas escolas secundárias, na promoção de uma maior diversidade de públicos escolares, considerando a hipótese de que o aumento do ensino profissional poderá resultar numa maior heterogeneidade de perfis de procura desses cursos. Para tal mobiliza-se uma metodologia extensiva, analisando os dados resultantes de um inquérito por questionário aplicado a uma amostra representativa de alunos de onze escolas secundárias, no ano lectivo 2010/2011, situadas em diferentes regiões do país, permitindo analisar a trajectória escolar e a origem social desses alunos, comparando-os com a realidade do ensino profissional a nível nacional, designadamente com recurso aos dados estatísticos disponibilizados pelo GEPE.
  • DUARTE, Alexandra CV de DUARTE, Alexandra
Alexandra Duarte é licenciada e mestre em Sociologia e doutoranda em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Recentemente obteve bolsa de doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia, sendo o CIES-IUL a sua instituição de acolhimento. Tem participado em vários projectos de investigação no mesmo centro de investigação nas temáticas do trabalho, emprego, sociedade da informação e conhecimento e mais recentemente em educação e políticas públicas.

PAP0646 - A reconstrução identitária nos jovens institucionalizados em Centro Educativo
Resumo de PAP0646 - A reconstrução identitária nos jovens institucionalizados em Centro Educativo PAP0646 - A reconstrução identitária nos jovens institucionalizados em Centro Educativo
PAP0646 - A reconstrução identitária nos jovens institucionalizados em Centro Educativo

A delinquência juvenil e as questões sobre reinserção social têm assumido um papel de destaque nas agendas políticas de vários governos, ao longo dos tempos, tanto em Portugal como em vários outros países. Esta investigação, resultante de um trabalho de mestrado, aborda o fenómeno da delinquência juvenil e as questões da reconstrução identitária, incidindo sobre os jovens institucionalizados no Centro Educativo de Santo António. A investigação foi desenvolvida em duas fases: numa primeira fase exploratória, procedeu-se à consulta dos dossiers tutelares de forma a aceder ao perfil biográfico dos jovens institucionalizados; numa segunda fase analisaram-se os discursos dos próprios jovens delinquentes, através da realização de entrevistas semi-estruturadas. O objectivo principal foi perceber as continuidades e as descontinuidades entre as visões projetadas pela instituição e as representações sociais construídas pelos próprios indivíduos que são alvo dos processos de normalização e de educação para o direito. Uma vez que o objectivo da medida de internamento é atingir a normalização, apagando as dissemelhanças entre o mundo “normal” e o mundo da delinquência, importa perceber se de facto os jovens adquiriram normas, valores e comportamentos em moldes considerados aceitáveis pelo sistema de justiça. Pela análise dos discursos obtidos pelos jovens em situação de entrevista, fica aqui uma interrogação: se de facto eles construíram mesmo as mudanças previstas na lei e operacionalizadas pelos programas “terapunitivos” das instituições ou se apenas as referem numa atitude de conformidade “temporária”. Por agora o que se sabe é que os jovens manifestam o desejo de deixar o Centro Educativo. Assim, procuram comportar-se no dia-a-dia de modo a não atrasar o momento da saída. Após este período fica tudo em aberto admitindo-se a hipótese de regresso a uma carreira delinquente.
  • SILVA, Adriana CV de SILVA, Adriana
  • MACHADO, Helena CV de MACHADO, Helena
Adriana Silva é licenciada e mestre em Sociologia pela Universidade do Minho desde 2009. Entre 2010 e 2011 foi bolseira de investigação em dois projetos de investigação coordenados pela Doutora Helena Machado. Desde janeiro é doutoranda no Centro de Investigação em Ciências Sociais na Universidade do Minho com um projeto de doutoramento intitulado “Envelhecer na Prisão: Processos identitários, vivências prisionais e expectativas de reinserção por reclusos idosos”, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Os seus interesses de investigação incidem principalmente sobre os estudos prisionais, envelhecimento e género.
Helena Machado
hmachado@ics.uminho.pt

Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.

PAP1175 - A reestruturação dos anos 1990 e o perfil do trabalhador bancário no Banco do Brasil
Resumo de PAP1175 - A reestruturação dos anos 1990 e o perfil do trabalhador bancário no Banco do Brasil PAP1175 - A reestruturação dos anos 1990 e o perfil do trabalhador bancário no Banco do Brasil
PAP1175 - A reestruturação dos anos 1990 e o perfil do trabalhador bancário no Banco do Brasil

Durante os anos 1990, os bancos públicos brasileiros sofreram processos complexos e intensos de reestruturação capitalista, com profundas conseqüências para os processos e os espaços de trabalho, afetando particularmente o perfil da categoria bancária. No Banco do Brasil a reestruturação teve seu momento decisivo entre 1994 e 1997, envolvendo inovações e mudanças tecnológicas, institucionais, organizacionais, discursivas, no perfil bancário e nos modos de gestão e contratação da força de trabalho. As análises aqui desenvolvidas foram geradas a partir de observação direta e participante, da análise de documentos bancários e sindicais e da realização de entrevistas semi-estruturadas e coleta de depoimentos informais. O foco do texto é o debate sobre a reconfiguração do perfil do trabalhador bancário no Banco do Brasil a partir da reestruturação. Para tanto, apresenta-se a evolução do capital e do trabalho no Banco do Brasil, evidenciando a transição do trabalho de ofício para o taylorismo, a emergência do fordismo como forma de regulação do trabalho e a industrialização do trabalho bancário. Em seguida, expondo a transição da estabilidade para a empregabilidade, discutem-se a heterogeneização e fragmentação do trabalhador, a emergência do bancário-vendedor, a multifuncionalidade, a competitividade e a segmentação no atendimento aos clientes. Para finalizar, avaliando que as mudanças recriaram as formas de exploração e subordinação do trabalho ao capital e os modos de equacionamento dos conflitos nos processos e locais de trabalho, são apresentadas duas conclusões sobre os significados da reestruturação. Em primeiro lugar, a partir de referenciais de Antonio Gramsci, caracterizando a reestruturação como parte de um longo processo de evolução das relações, processos e tecnologias capitalistas no Banco do Brasil, evidencia-se o seu sentido de recriação da hegemonia do capital sobre o trabalho. Para tanto, apresentam-se dimensões materiais e imateriais e reflete-se sobre as articulações entre coerção e consenso que compõem diferentes momentos e faces da reestruturação. Em segundo lugar, e a partir da teoria sociológica de Pierre Bourdieu, evidencia-se a reestruturação enquanto um processo de recriação do espaço social do capital e do trabalho, entendido este enquanto um campo onde convivem e interagem agentes sociais com posições, trajetórias, capitais e disposições sociais distintas e processualmente constituídas.
  •  MACHADO, Eduardo Gomes CV - Não disponível 

PAP1569 - A reestruturação dos mercados e dos regimes de bem-estar - Impactos nas posições de mulheres e homens no regime de cidadania em Portugal
Resumo de PAP1569 - A reestruturação dos mercados e dos regimes de bem-estar - Impactos nas posições de mulheres e homens no regime de cidadania em Portugal 
PAP1569 - A reestruturação dos mercados e dos regimes de bem-estar - Impactos nas posições de mulheres e homens no regime de cidadania em Portugal

Tudo leva a crer estarmos numa nova fase do capitalismo global que promove uma forma diferente de conexão entre mercados, política e direitos. Nesta apresentação, discutirei o impacto das políticas em curso sobre as desigualdades entre homens e mulheres, nos regimes de cidadania e de “género” (Jenson, 2007), à luz da reestruturação dos mercados e dos regimes de bem-estar social. A resposta dos governos nacionais à crise engloba cortes de salário e congelamentos de carreira do funcionalismo público, desregulamentação das relações de trabalho, facilitando a mobilidade do trabalho, nos sectores público e privado, de flexibilização dos despedimento e alongamento do horário de trabalho, e cortes na despesa com a protecção social. As mulheres são alvos potenciais para os piores efeitos dessas políticas – menos protegidas pelas representações sociais; ocupando empregos menos qualificados e mais facilmente despedidas nesta fase do ciclo da crise; constituindo a maioria do funcionalismo público e da população recipiente dos subsídios sociais; são, também, o alvo menos provável do investimento no sector tecnológico de emprego, o mais conceituado como sendo aquele que melhor garante a saída da crise. As políticas de emprego e de proteção social postas em prática desde 2008 até ao presente serão objeto de análise na apresentação que me proponho realizar para averiguar até que ponto são re/produtoras de desigualdades sociais e sexuais. Defenderei a tese de que estas "novas" políticas sociais e de emprego nos trarão de volta ao “velho” regime de bem-estar da Europa do Sul, em que a família retoma a sua centralidade. Na análise serão mobilizados os contributos para este debate que têm sido disponibilizados, entre outros/as por Bauman (2010), Beck (2011), Rubery (2011), Smith (2009) e Somers (2008).
  •  FERREIRA, Virgínia CV - Não disponível 

PAP0589 - A reflexividade como atitude fundamental do processo de investigação
Resumo de PAP0589 - A reflexividade como atitude fundamental do processo de investigação 
PAP0589 - A reflexividade como atitude fundamental do processo de investigação

O reconhecimento da importância e da riqueza heurística das explorações disponíveis no campo das ciências sociais contemporâneas, constitui o lugar a partir do qual a autora procura discutir, de modo reflexivo e crítico, aspetos fundamentais da investigação qualitativa. Caracterizada como campo interdisciplinar, transdisciplinar e, algumas vezes, contra disciplinar, a investigação qualitativa é transversal às humanidades, às ciências sociais e às ciências físicas sendo, deste modo, multiparadigmática. Se, por um lado, a investigação qualitativa reflete, em resultado de diversas convergências históricas, entusiasmo, criatividade, fermento intelectual e ação; por outro lado, reflete também um locus de divergências que assentam, sobretudo, na natureza das crenças que fundamentam os desenhos da investigação que ativam posições céticas desafiadoras e mobilizadoras de resistências várias. A investigação qualitativa abarca simultaneamente duas grandes linhas de tensão: por um lado, a atração por uma sensibilidade interpretativa, pós-experimental, pós-moderna, pós-colonial, feminista e crítica; por outro lado, o inscriptio em conceções positivistas, pós-positivistas, humanistas e naturalistas da experiência humana. É a partir da identificação e análise dessas fraturas que a autora procura discutir os princípios subjacentes a dois lugares específicos de controvérsia na investigação qualitativa: a legitimidade (ou validade) e a representação. Neste particular, o Outro, a representação desse Outro e a autoridade que os investigadores reivindicam para os mundos (os textos) que constroem (a legitimação) constituem aspetos-chave dessas controvérsias. Finalmente, esta discussão é fundamentada na importância primordial que a autora atribui à investigação como processo relacional no qual a reflexividade é a atitude fundamental para a sua realização.
  • FARATE, Regina Tralhão CV de FARATE, Regina Tralhão
Regina Cláudia da Conceição Tralhão-Farate
Afiliação: Instituto de Filosofia da Universidade do Porto
Área de Formação: Serviço Social/Sociologia/Filosofia
Interesses de Investigação: Metodologias qualitativas de investigação/Epistemologia/Fenomenologia Hermenêutica/Ética

PAP0073 - A relação governo-universidade-empresa: o caso do “Green Island Project” no Programa MIT-Portugal
Resumo de PAP0073 - A relação governo-universidade-empresa: o caso do “Green Island Project” no Programa MIT-Portugal PAP0073 - A relação governo-universidade-empresa: o caso do “Green Island Project” no Programa MIT-Portugal
PAP0073 - A relação governo-universidade-empresa: o caso do “Green Island Project” no Programa MIT-Portugal

As universidades portuguesas estão a atravessar um período de transformação e de redefinição do modo como se relacionam com a sociedade. Inseridas num contexto global, às universidades é exigido um papel activo na promoção do desenvolvimento económico, uma nova missão a acrescentar ao ensino e à investigação. Perante este desafio, em 2006 foi lançado o Programa MIT-Portugal, uma parceria de 5 anos que pretendia tornar as universidades portuguesas mais dinâmicas e empreendedoras. O Programa propôs-se a aproveitar a experiência do Massachussets Institute of Technology (MIT) para promover mudanças nas áreas da investigação, da formação e do empreendedorismo e inovação – esta última sobretudo através da promoção das relações governo-universidade-empresa, tendo em conta o modelo teórico da “tripla hélice”. Perante este enquadramento, serão apresentadas as conclusões de um estudo de caso sobre o “Green Island Project” (GIP), realizado no âmbito do projecto - “As Parcerias Internacionais em Portugal: uma análise do impacto das redes científicas na sociedade do conhecimento”. O GIP foi um projecto inserido no Programa MIT-Portugal, que teve como objectivo o desenvolvimento de uma estratégia energética sustentável para os Açores. Incluiu um consórcio multidisciplinar com universidades, empresas e estruturas governamentais. As conclusões a apresentar serão baseadas em cerca de 20 entrevistas aos principais actores deste projecto, incluindo investigadores, empresários e decisores políticos, procurando caracterizar as relações estabelecidas entre eles, os métodos de trabalho e colaboração ao longo da implementação do GIP,, quer do ponto de vista do projecto em si, quer do ponto de vista da sustentabilidade das relações governo-universidade-empresa entretanto estabelecidas.
  • DURÃO, Rui CV de DURÃO, Rui
  • PATRÍCIO, Teresa CV de PATRÍCIO, Teresa
Rui Durão, originalmente professor de ciências naturais formado na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é actualmente doutorando em Sociologia no CIES/ISCTE-IUL. Trabalhou vários anos como gestor de projectos na Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, onde desenvolveu um particular interesse sobre os modelos de organização dos sistemas científicos, sobre a sua relação com a sociedade, e sobre o papel das políticas públicas no desenvolvimento científico, social e económico.
Maria Teresa Patrício, é Professora Associada na Escola de Sociologia e Políticas Públicas do ISCTE-IUL e é Investigadora no CIES-IUL. Obteve o seu doutoramento na Rutgers University como "Fulbright scholar". Foi Presidente do CIES entre 1992 e 1993, e esteve na criação do Observatório da Ciência e da Tecnologia. Entre 1997 e 2002 foi vice-presidente do Instituto de Cooperação Cientifica e Tecnológica Internacional. Está neste momento a desenvolver um projecto de investigação sobre "As Parcerias Internacionais em Portugal: uma análise do impacto das redes científicas na sociedade do conhecimento".

PAP0109 - A religião como metonímia dos processos sociais: um estudo a partir do Brasil e de Portugal
Resumo de PAP0109 - A religião como metonímia dos processos sociais: um estudo a partir do Brasil e de Portugal 
PAP0109 - A religião como metonímia dos processos sociais: um estudo a partir do Brasil e de Portugal

Nesta tese serão discutidas as principais interseções entre a expansão do pentecostalismo protestante e as culturas locais que são alvo de sua ação evangelizadora. Mais especificamente, pretendemos demonstrar, a partir de estudos realizados em algumas regiões do estado de Minas Gerais e Norte de Portugal, de que forma certas conformações culturais mostram-se extremamente refratárias à implantação e limitam o crescimento das igrejas pentecostais. Nesse sentido, procuramos relativizar algumas vertentes teóricas que têm sido chamadas de “paradigma da escolha racional em religião”, que em um salto para fora da teoria sociológica de entendimento da religião busca na Economia seus principais fundamentos. De forma diversa, nesta tese defender-se-á que processos histórico-estruturais influenciam a demanda por religião e que a produção e principalmente o consumo dos bens religiosos estão imersos nas relações sociais face-a-face. Desta maneira, não acreditamos serem as regulações estatais a principal variável quando se trata de diversidade religiosa. Outrossim, pensamos que este papel cabe às relações societais, que limitam e regulam o trânsito dos indivíduos entre as denominações religiosas.
  •  JUNIOR, Paulo Gracino CV - Não disponível 

PAP0464 - A religião como sistema cultural: uma compreensão a partir de novos movimentos eclesiais
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PAP0464 - A religião como sistema cultural: uma compreensão a partir de novos movimentos eclesiais

O presente trabalho é uma abordagem sobre a “religião como um sistema cultural” definido por Geertz ao tratar o tema da religião na sua obra “Interpretação das Culturas”. A partir daí, procuro identificar como, a religião da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) vai modificar sua atuação no mundo para possibilitar a participação dos leigos nas suas estruturas, principalmente como necessidade de permanecer formulando a concepção de vida no mundo. A exposição que trago me leva, então, corroborar com Geertz, por tratar que cada religião tem sua particularidade, assegurando que os estudos no campo da religião, foram dominados e reproduzidos de acordo com a tradição das discussões iniciadas por “Durkheim sobre natureza do sagrado, a metodologia Verstehenden de Weber, o paralelo de Freud entre rituais coletivos e a exploração feita por Malinowski, sobre a diferença entre religião e senso comum”. Onde “esse é o ponto de partida para todo estudo da antropologia da religião”. Aponta, ainda, que “para ir, além disso, é preciso um contexto mais amplo do pensamento contemporâneo do que elas abrangem”. Seguindo a orientação de Geertz, aproximo-me das abordagens sobre os estudos feitos a respeito dos NMEs e a mudança estrutural que os mesmos operam no seio da sociedade, a partir dessa compreensão do estudo antropológico da religião, principalmente, para entender como os fenômenos contemporâneos, decorrentes desses movimentos, têm se evidenciado no universo da ICAR, e possibilitando, talvez, um resignifcado do sentido dessa Religião no Brasil. Para explicar tais modificações tomo como base de investigação os estudos de Benedetti e Maués (dois estudiosos da religião que fazem análise da atuação da ICAR na sociedade brasileira), principalmente, quando tratam dos Novos Movimentos Eclesiais (NMEs) da ICAR, desde o contexto em que surgiu, bem como, a concomitância de práticas tradicionais com modernas e, muitas vezes, de forma conservadora para adequação às transformações ocorridas na sociedade mundial. Nesse sentido, tento demonstrar que a religião ao quebrar paradigma está modelando a cultura. Como exemplo, aponto os casos estudados em Campinas-SP por Benedetti; em Belém-PA por Maués; na Transamazônica-PA por Hébette e, as minhas impressões do que observei na ilha de Marajó-PA, local em que venho fazendo investigações. Assim, quis apresentar uma panorâmica das mudanças nas estruturas da ICAR e como ela se reflete na sociedade brasileira. Os casos aqui estudados
  •  FERRÃO, Euzalina da Silva CV - Não disponível 

PAP1165 - A representação da política portuguesa nas revistas de vida social
Resumo de PAP1165 - A representação da política portuguesa nas revistas de vida social 
PAP1165 - A representação da política portuguesa nas revistas de vida social

A actualidade política portuguesa - entendida neste caso como resultante da construção jornalística dos acontecimentos e dos representantes dos partidos políticos feita pelas revistas semanais de vida social - partilha do espaço concedido a outras figuras públicas sobretudo ligadas ao mundo do espectáculo. O artigo pretende questionar se a actual forma de representação dos políticos portugueses nas revistas de vida social (como figuras públicas em eventos privados - os políticos como pais, maridos, frequentadores de festas, protagonistas de idas ao teatro ou à discoteca), decorre de, ou expressa, uma crise das formas de discursividade moderna de publicitação do "político". Em contraponto, nomeadamente à forma de representação predominante na imprensa "de referência", onde os políticos aparecem como actores do universo político, no âmbito da sua actividade com impacto público. Esta comunicação resulta de uma base de dados de artigos com presença de políticos portugueses publicados nas revistas sobre vida social (vulgo, "revistas cor-de-rosa") e que compõe uma amostra representativa das duas revistas semanais de vida social com maior circulação nacional: a Caras e a Nova Gente publicadas em 2007, um ano de eleições autárquicas intercalares em Lisboa e de 2010, ano de eleições presidenciais. A comunicação apresentará algumas tendências sobre o tratamento jornalístico dado por estas publicações ao contexto político-partidário e questionará uma eventual crise da distinção moderna das esferas pública e privada.
  •  AFONSO, Bruna CV - Não disponível 
  • FERREIRA, Vanda CV de FERREIRA, Vanda
FERREIRA, Vanda
Licenciada em Ciências da Comunicação, variante Jornalismo, pós-graduada em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação e em Análise de Dados em Ciências Sociais
ISCTE/CIES – Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia
ferrvanda@gmail.com

PAP0836 - A resolução de conflitos fora dos tribunais judiciais. Um estudo comparado das justiças comunitárias nos centros urbanos de Lisboa e Maputo
Resumo de PAP0836 - A resolução de conflitos fora dos tribunais judiciais. Um estudo comparado das justiças comunitárias nos centros urbanos de Lisboa e Maputo 
PAP0836 - A resolução de conflitos fora dos tribunais judiciais. Um estudo comparado das justiças comunitárias nos centros urbanos de Lisboa e Maputo

Os estudos sobre a pluralidade da justiça reflectem, hoje, um longo percurso de reflexão teórica, bem como de evidências empíricas. Nas últimas décadas do século passado, ao mesmo tempo que se expandia a investigação académica nesta área, o judiciário enfrentava problemas de ineficiência e inacessibilidade e, em várias partes do globo, começaram a ser pensadas reformas que incluem a valorização e a criação de instâncias de resolução de conflitos extra-judiciais. Apesar dos desenvolvimentos da sociologia e da antropologia do direito, bem como dos novos caminhos apontados para a administração da justiça, as instâncias não judiciais nem sempre têm ocupado um lugar relevante nos debates e nas políticas. Na minha investigação, procuro conduzir as justiças comunitárias para o centro da discussão sobre o acesso à justiça. Nessa categoria de justiças, que agrega realidades muito diversas, estão incluídas as instâncias que privilegiam meios de resolução de conflitos diferentes dos que tradicionalmente são usados pelos tribunais judiciais. Centrada em trabalho de campo realizado nas cidades de Maputo e Lisboa, entre 2008 e 2011, exploro a diversidade de justiças comunitárias em ambos os espaços, discutindo o papel que desempenham na promoção ou no bloqueio do acesso à justiça. Na base do meu trabalho, encontra-se um desafio lançado por Boaventura de Sousa Santos no âmbito do que designa por sociologia das ausências e das emergências, uma proposta epistemológica concebida contra o “desperdício da experiência”, isto é, contra o desconhecimento e a descredibilização da diversidade que existe no mundo. Partindo do conceito de “ecologia de saberes”, procuro desenvolver uma ecologia de justiças, confrontando a concepção liberal do direito e da justiça com a diversidade de direitos e de justiças que existem no terreno. A realidade é muitas vezes imprevisível, indo além do que estabelecem os códigos e os livros de história. Daí que o conceito de justiças comunitárias seja amplo e flexível. Procuro, desse modo, evitar a exclusão de formas de resolução de conflitos por não encaixarem num conceito limitado. Não procurei o exótico ou o tradicional, como também não me centrei em formas recentemente criadas. A minha categoria permite-me incluir novas e velhas justiças comunitárias. O primeiro objectivo do trabalho empírico passou pelo mapeamento das justiças comunitárias que actuam nos dois espaços geográficos previamente definidos: os centros urbanos de Lisboa e Maputo. O passo seguinte foi estudar o trabalho das instâncias identificadas. A investigação exigiu, para além da realização de entrevistas, muitas horas de observação no interior de justiças comunitárias seleccionadas, bem como o recurso a uma grelha analítica com vista a analisar e comparar práticas.
  •  ARAÚJO, Sara CV - Não disponível 

PAP0469 - A revista Ozono, camada a camada
Resumo de PAP0469 - A revista Ozono, camada a camada PAP0469 - A revista Ozono, camada a camada
PAP0469 - A revista Ozono, camada a camada

Entre Outubro de 2000 e Fevereiro de 2003 foram publicados 18 números da Ozono - Revista de Ecologia, Sociedade e Conservação da Natureza. Dirigida por Paulo Trancoso, ecologista politicamente empenhado e dirigente do Partido da Terra (MPT), a revista era impressa com tintas vegetais em papel reciclado e, ao longo de toda a sua publicação, foi acompanhada de cassetes de vídeo alusivas a temas ambientais, aproveitando o facto de a proprietária do título ser a distribuidora Costa do Castelo Filmes. Nesta comunicação, propomo-nos abordar as várias camadas da revista, da capa, que destacava a «melhor ilustração portuguesa», à contracapa, que ora acolhia publicidade própria ou de anunciantes, ora incluía referências a campanhas cívicas. Dessa abordagem constará a análise dos seguintes tópicos: a rubrica editorial “Buraco da Ozono”; a opção da revista por um jornalismo “ambientalmente comprometido”; as escolhas temáticas e ângulos de abordagem dos vários artigos; a diversidade de colaboradores e colunistas; a parceria com revistas de referência estrangeiras, como a The Ecologist, a World Watch e a Integral; as opções de design; a interacção com os leitores; e as limitações comerciais auto-impostas por motivos de coerência filosófica (ou seja, a selecção da publicidade com vista a incluir apenas anunciantes “amigos do ambiente”). Não serão esquecidas questões relacionadas com a gestão do produto, como a tiragem, a colocação da revista em banca, a gestão da relação com os assinantes, a estratégia de diferenciação do título face à concorrência e a promoção da revista com vista à captação de um público mais alargado. Procuraremos também fazer o retrato do funcionamento interno da redacção e do departamento comercial, de modo a obter uma imagem o mais completa possível do projecto e compreender que razões levaram a que este se tornasse economicamente insustentável. Esperamos deste modo contribuir para um mais profundo conhecimento de uma iniciativa editorial que marcou o início do século XXI no nicho das publicações portuguesas especializadas em temas ambientais.
  • TEIXEIRA, Luís Humberto CV de TEIXEIRA, Luís Humberto
  • FREITAS, Helena de Sousa CV de FREITAS, Helena de Sousa
Luís Humberto Teixeira nasceu em Setúbal em 1977, onde se licenciou em Comunicação Social (ESE-IPS). Enquanto jornalista, colaborou em órgãos locais, regionais, nacionais e internacionais, e é membro da organização do Festroia – Festival Internacional de Cinema de Setúbal desde 2005.

Mestre em Política Comparada (ICS-UL), efectuou diversos estudos sobre o sistema eleitoral português e escreveu os livros Reciclemos o Sistema Eleitoral! (2003) e Verdes Anos - História do Ecologismo em Portugal (2011).

Traduziu o livro A Tradição da Liberdade – Grandes obras do pensamento liberal (2010), do politólogo belga Corentin de Salle e, em 2011, escreveu o argumento do documentário Setúbal, Cidade Verde, realizado por Helena de Sousa Freitas e vencedor do Prémio do Público do IV Curtas Sadinas.
Helena de Sousa Freitas (Lisboa, 1976) é licenciada em Comunicação Social, pós-graduada em Direito da Comunicação Social e mestre em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação.
Bolseira da FCT no CIES – IUL, desenvolve actualmente a investigação “Histórias Que as Paredes Contam – O Muralismo como Forma de Comunicação Alternativa na Cidade de Setúbal (1974-2010)” no âmbito do doutoramento em Ciências da Comunicação.
Jornalista desde 1996, ingressou na agência Lusa em 1998 e foi galardoada pela APDSI com o Prémio Editorial Sociedade da Informação 2010.
É autora dos ensaios “Jornalismo e Literatura: Inimigos ou Amantes?” (2002), “Sigilo Profissional em Risco” (2006) e “O DN Jovem entre o Papel e a Net” (2011).

PAP1173 - A revisão do Plano Diretor e o campo do planejamento urbano na cidade de Fortaleza – Brasil
Resumo de PAP1173 - A revisão do Plano Diretor e o campo do planejamento urbano na cidade de Fortaleza – Brasil PAP1173 - A revisão do Plano Diretor e o campo do planejamento urbano na cidade de Fortaleza – Brasil
PAP1173 - A revisão do Plano Diretor e o campo do planejamento urbano na cidade de Fortaleza – Brasil

No Brasil, a partir dos anos 1980 um conjunto de agentes sociais se articulou no Movimento Nacional pela Reforma Urbana – MNRU, gerando formas inovadoras e democráticas de planejamento urbano e de enfrentamento da questão urbana. Esse movimento desenvolveu uma luta por direitos urbanos, pela gestão democrática e pela função social da cidade e da propriedade. Essa agenda da reforma urbana impactou a sociedade e o Estado brasileiros, em diferentes escalas territoriais e federativas, fazendo-se presente, por exemplo, na Constituição de 1988, no Estatuto da Cidade, na criação do Ministério das Cidades e do Conselho Nacional das Cidades, nas políticas públicas nacionais de habitação, saneamento e mobilidade urbana e nos planos diretores. As reflexões aqui desenvolvidas têm origem em entrevistas, análise de documentos e observação direta. O texto analisa o campo do planejamento urbano durante a revisão do Plano Diretor de Fortaleza, entre 2002 e 2009. A experiência do Plano Diretor de Fortaleza adquiriu visibilidade nacional no campo do planejamento urbano, desvelando inovações democráticas de caráter representativo, participativo e deliberativo, com a participação popular tornando-se questão essencial a polarizar debates e disputas políticas e técnicas. No Brasil, o Plano Diretor é constitucionalmente o principal instrumento de planejamento do desenvolvimento e da expansão urbana. Nesse contexto, a partir do referencial teórico de Pierre Bourdieu efetua-se uma caracterização do campo do planejamento urbano em Fortaleza, articulando elementos estruturais, disposicionais e intersubjetivos. Para tanto, após contextualizar a revisão, discute-se a estruturação do campo, caracterizando as redes e os pólos, definindo seus papéis e indicando espaços e mecanismos de convivência e interação dos diferentes segmentos e grupos sociais. Em seguida, é feita uma caracterização dos agentes empresariais, populares e governamentais atuantes no campo, evidenciando hierarquias e distinções relevantes. Além disso, são indicadas lutas, episódios e momentos significativos da revisão e seus impactos na formação das decisões e nas correlações de força do campo. Para finalizar, e a partir das análises e dados anteriores, evidenciam-se tensões, contradições e dilemas significativos que dificultam a plena efetivação e o desenvolvimento das conquistas e inovações democráticas e populares do Plano Diretor no campo do planejamento urbano em Fortaleza.
  •  MACHADO, Eduardo Gomes CV - Não disponível 

PAP0869 - A segunda geração de políticas de activação. Portugal no contexto Europeu
Resumo de PAP0869 - A segunda geração de políticas de activação. Portugal no contexto Europeu  
PAP0869 - A segunda geração de políticas de activação. Portugal no contexto Europeu

Este paper pretende analisar as reformas introduzidas na activação dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção durante a última década, à luz dos desenvolvimentos nesta área no contexto europeu. O paper está estruturado da seguinte forma. Primeiro, começo por mostrar que, nesta área, podemos identificar duas gerações de reformas: a primeira, que remonta ao final dos anos 90, é marcada pela introdução da obrigação de procurar/aceitar trabalho como condição para exercer o direito a um rendimento mínimo, e pela introdução de programas de activação para beneficiários de programas de rendimento mínimo (ver Lodemel e Trickey 2001; Moreira 2008); e a segunda, mais recente, envolve uma série de medidas destinadas tanto a fortalecer a importância do trabalho na activação dos beneficiários de programas de rendimento mínimo, como a melhorar a prestação de serviços aos mesmos (Lodemel e Moreira, 2011). De seguida, fazendo uso do potencial heurístico da análise de clusters, identifico os vários modelos de governança da activação de beneficiários de programas de rendimento mínimo na Europa. Posto isto, e seguindo o quadro de análise que sustenta o mapeamento dos regimes de activação apresentado na secção anterior, irei analisar o conjunto de reformas introduzidas ao longo da última década em Portugal, dando especial atenção à substituição do Rendimento Mínimo Guarantido pelo Rendimento Social de Inserção em 2003, bem como à reforma do RSI em 2005. O paper conclui com uma reflexão dobre a especificidade do caso Português no contexto europeu, e sugere algumas pistas que poderão explicar essa especificidade. Bibliografia: Lødemel, I., Moreira, A. (Eds.) (forthcoming) Workfare Revisited. The political economy of activation reforms in Europe and the US, New York: Oxford University Press. Lødemel, Ivar and H. Trickey (Eds.)(2001) An offer you can't refuse. Workfare in international perspective. Bristol: Policy Press Moreira, A. (2008) The Activation Dilemma. Reconciling the fairness and effectiveness of minimum income schemes in Europe. Bristol: Policy Press.
  • MOREIRA, Amilcar CV de MOREIRA, Amilcar
  •  LODEMEL, Ivar CV - Não disponível 
  •  CAROLO, Daniel CV - Não disponível 
Amílcar Moreira é licenciado em Sociologia (Univ. beira Interior) e doutorado em Política Social (Univ. Bath, UK). Desde Maio de 2011, é Investigador Pos-Doc no Instituto do Envelhecimento da Universidade de Lisboa, onde desenvolve um projecto sobre a economia política dos mercados de trabalho em envelhecimento. Os seus interesses de investigação centram-se sobre políticas sociais activas, pobreza e exclusão social, envelhecimento activo e política social comparada.

PAP1238 - A sexualidade como direito de cidadania: participação e juventude
Resumo de PAP1238 - A sexualidade como direito de cidadania: participação e juventude PAP1238 - A sexualidade como direito de cidadania: participação e juventude
PAP1238 - A sexualidade como direito de cidadania: participação e juventude

Entendida como habilitação social e empoderamento, a participação conforma um processo de socialização cujas experiências e significados elaborados permitem aos jovens estruturar e organizar seus papéis, práticas sociais e visões de mundo. Apresenta-se um recorte de um estudo mais amplo que discute alguns modos de construção da sexualidade por jovens brasileiros participantes de organizações estudantis, partidos políticos e movimentos sociais. Por meio da observação participante e de entrevistas em profundidade com jovens de diferentes orientações sexuais, analisa-se a construção de um discurso que relaciona a sexualidade à cidadania, conferindo-lhe, então, um sentido político. As narrativas evidenciam o entendimento da igualdade de direitos como princípio basilar à construção de um país socialmente democrático. Eles se opõem a heterossexualidade normativa, subvertendo esta norma através da proposição da liberdade de expressão da sexualidade como condição de legitimidade do contrato social. Considerar a sexualidade como um atributo do indivíduo-cidadão implica transformá-la em uma questão política. O discurso elaborado pelos jovens apresenta a sexualidade como um atributo pessoal reivindicado perante a sociedade enquanto individualidade e poder de escolha. Deste modo, indivíduos invisibilizados e estigmatizados socialmente por sua opção quanto à prática sexual são redefinidos como cidadãos. Parte-se da ênfase em um atributo geral que dilui as diferenças e, ao mesmo tempo, possibilitaria o exercício da diferença. Importar a noção de cidadania de outras esferas e apropria-la em função da sexualidade, pressupõe a exigência de que a sexualidade se descole de significados nucleares como intimidade, gênero, identidade e se articule aos da política (leis, direito, respeito, convivência). Esse vocabulário centra-se na discussão de formas para melhorar a qualidade de vida das pessoas homossexuais, distanciando-se da problematização das narrativas do eu segundo os gêneros masculino e feminino, que se repõe nas e se sobrepõe às identidades homossexuais. Abdicar da busca do eu na sexualidade, nesse sentido, demonstra que a questão de gênero, embora considerada importante, é secundarizada pelos jovens participantes. As especificidades de gênero, de comportamentos e práticas sexuais são diluídas em nome do que seria comum a todos: a “cidadania”. Esta negativa em considerar a formação de uma identidade sexual demonstra uma valorização da esfera pública, em detrimento da privada, revelando a superioridade da questão política diante da pessoal.
  • GUIMARÃES, Jamile Silva CV de GUIMARÃES, Jamile Silva
Jamile Silva Guimarães é bacharel em Sociologia e mestre em Saúde Comunitária pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desde a graduação propôs-se a desenvolver uma linha de estudos de caráter holístico sobre a Infância e a Juventude. Dedicou sua monografia a discutir a construção da Infância como questão social no Brasil e na dissertação analisou o papel da participação juvenil na promoção da saúde. Atua em estudos interdisciplinares nos seguintes temas: promoção da saúde, participação social, direitos humanos, desenvolvimento humano, educação, sexualidade e uso de drogas.

PAP0083 - A sociologia em Portugal: um olhar complementar a partir de três fontes de produção sociológica
Resumo de PAP0083 - A sociologia em Portugal: um olhar complementar a partir de três fontes de produção sociológica 
PAP0083 - A sociologia em Portugal: um olhar complementar a partir de três fontes de produção sociológica

O aumento da compreensão social sobre a sociedade portuguesa também se tem ficado a dever à evolução que a sociologia registou no país, seja em termos profissionais, seja em ermos académicos. Por sua vez, a expansão da sociologia tem ficado a dever-se, em grande parte, aos desenvolvimentos registados no âmbito da produção científica sociológica. Com a presente comunicação demonstrar-se-á como a evolução da produção sociológica pode fornecer uma base complementar de análise e caracterização da sociologia portuguesa. Para cumprir com este intuito tornou-se necessário analisar que recursos poderiam funcionar como elementos indicativos da produção sociológica em Portugal. Não se tinha a ambição de coligir um conjunto de recursos que fossem representativos de toda a produção sociológica portuguesa, porque seria uma tarefa difícil de concretizar. Por isso, face às possibilidades existentes procurou-se selecionar as mais viáveis e que fornecessem indicações importantes sobre a matriz evolutiva da sociologia portuguesa e sobre a estruturação temática da produção sociológica. Os recursos que se considerou reunirem as melhores condições de operacionalidade e de substanciação foram os seguintes: (i) Registo Nacional de Temas de Teses de Doutoramento em Sociologia (1975-2009) disponibilizado pelo Ministério da Educação e Ciência; (ii) Listagem de Projetos de Investigação e Desenvolvimento na área da sociologia financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (1995-2009); e (iii) publicações científicas periódicas de relevo para a área da sociologia em Portugal (1963-2009). Com estas três fontes constituiu-se um quadro analítico que fornece informações complementares de caracterização da evolução da sociologia em Portugal. A definição do ano de 2009 como a baliza superior teve que ver com a pretensão de harmonizar limites temporais (ano mais recente para o qual existiam dados para todas as fontes) e com o facto de grande parte dos dados terem sido recolhidos durante o ano de 2010.
  •  NETO, Hernâni Veloso CV - Não disponível 

PAP1580 - A sustentabilidade dos sistemas e as vidas insustentáveis
Resumo de PAP1580 - A sustentabilidade dos sistemas e as vidas insustentáveis 
PAP1580 - A sustentabilidade dos sistemas e as vidas insustentáveis

Não é hoje pensável uma exterioridade para a inserção da prestação de cuidados de saúde nas relações de mercado, nem mesmo nas sociedades em que ela cabe maioritariamente ao setor público, sem o risco de precipitar consequências catastróficas para a saúde das populações. Em contrapartida, a desregulação dos mercados, por um lado, e o crescimento exponencial dos custos da prestação de cuidados, por outro, consubstanciam formas de irracionalidade económica com consequências não menos gravosas. A extensão futura dessas consequências pode ser desde já prevista no ensaio de critérios de hierarquização de necessidades e prioritização do acesso aos recursos que desenham novas categorias de “vidas insustentáveis”. À atenção urgente que exige este processo gerador de exclusões pode não bastar uma abordagem meramente ética.
  • CASCAIS, António Fernando CV de CASCAIS, António Fernando
António Fernando Cascais

Docente de Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e membro do Centro de estudos de Comunicação e Linguagens. Doutor em Ciências da Comunicação. Interesses de investigação: mediação dos saberes, filosofia e ética das ciências e das técnicas, estudos queer, biopolítica.

PAP0234 - A tomada de decisão na Protecção à Infância. Como decidimos o que é o Supremo Interesse da Criança?
Resumo de PAP0234 - A tomada de decisão na Protecção à Infância. Como decidimos o que é o Supremo Interesse da Criança?  PAP0234 - A tomada de decisão na Protecção à Infância. Como decidimos o que é o Supremo Interesse da Criança?
PAP0234 - A tomada de decisão na Protecção à Infância. Como decidimos o que é o Supremo Interesse da Criança?

Em Portugal o acolhimento de crianças e jovens em risco é maioritariamente composto pelo acolhimento institucional, actualmente designado «residencial». Segundo os dados oficiais mais recentes (2010) do Instituto da Segurança Social existem em Portugal, 9.136 crianças em acolhimento e destas 89% encontram-se em acolhimento residencial. A legislação Portuguesa de Protecção à Infância entende o acolhimento como uma solução transitória, que deve manter-se apenas pelo tempo estritamente necessário à avaliação da situação e à definição do projecto de vida da criança, que não deve, idealmente, exceder os seis meses. No entanto, dados do mesmo relatório mostram que 57,2% do total de crianças se encontravam acolhidas há mais de dois anos, 35,3% há mais de quatro e 19,3% há mais de seis. Na protecção à infância, o objectivo principal passa por encontrar uma solução que garanta o Supremo Interesse da Criança. As orientações técnicas instigam assim os técnicos responsáveis para o uso de processos de tomada de decisão racional, em que deverão considerar todas as alternativas de acção possíveis, prever as consequências de cada acção e compararem cada uma dessas consequências por fim a atingir a solução óptima para a criança. Contudo, determinar o melhor interesse da criança implica a previsão de resultados e consequências bastante complexas e difíceis de estimar. Levanta questões éticas sobre o que é bom ou não para uma criança e não existe uma clara evidência da forma correcta e ideal de actuação. A tomada de decisões exige aos técnicos um considerável esforço, tanto do ponto de vista emocional - tomam-se decisões que podem ter consequências devastadoras na vida de outros - como do ponto de vista intelectual dada a quantidade de informação a tratar e a habitual complexidade das situações. Esta investigação procurou analisar os processos de tomada de decisão na definição dos projectos de vida das crianças em acolhimento residencial. As análises às entrevistas de grupo realizadas às equipas técnicas de 20 instituições de acolhimento de crianças em risco mostram que as tomadas de decisão nem sempre resultam de processos racionais tais como os prescritos pelas Teorias da Acção Racional, mas baseiam-se sobretudo em processos intuitivos, fortemente ancorados em crenças e valores pessoais e encerram consequentemente uma elevada carga de subjectividade, fazendo com que para o mesmo caso sejam encontradas, por diferentes equipas, uma diversidade de soluções óptimas.
  • CUNHA, Sandra CV de CUNHA, Sandra
"Breve nota biográfica: Sandra Mestre da Cunha
Assistente de investigação do Centro de Investigação e Estudos em Sociologia (CIES-IUL), é actualmente doutoranda do programa doutoral em Sociologia do ISCTE-IUL e bolseira da FCT. Desenvolve investigação sobre os 'Processos de Decisão na definição dos Projectos de Vida de Crianças e Jovens em acolhimento residencial”. É licenciada em Sociologia, pós-graduada em Família e Sociedade e em Análise de Dados em Ciências Sociais pelo ISCTE-IUL e em “Children in Adverse Life Situations; Social Work with Children at Risk and their Families” pela Universidade de Gotemburgo, Suécia. É formadora creditada pelo IEFP (CCP nº. F584775/2012) e foi membro da comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco de Sesimbra de 2005 a 2009. Tem especial interesse nas áreas da família, infância e juventude, género, políticas públicas e ciência política."

PAP0954 - A transexualidade e o género: Identidades e (in)visibilidades de homens e mulheres transexuais
Resumo de PAP0954 - A transexualidade e o género: Identidades e (in)visibilidades de homens e mulheres transexuais PAP0954 - A transexualidade e o género: Identidades e (in)visibilidades de homens e mulheres transexuais
PAP0954 - A transexualidade e o género: Identidades e (in)visibilidades de homens e mulheres transexuais

Pretende-se na presente comunicação dar conta de parte dos resultados obtidos com o projecto “Transexualidade e transgénero: identidades e expressões de género”, desenvolvido no CIES-IUL, com financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que constitui uma das primeiras abordagens da temática no âmbito das ciências sociais em Portugal. Do vasto leque de expressões de género que o termo aglutinador “transgénero” inclui, nesta comunicação centrar-nos-emos apenas nas pessoas transexuais, ou seja, aquelas que permanentemente se sentem e se expressam no género “oposto” ao sexo que lhes foi atribuído à nascença. A informação que sustenta esta comunicação provém sobretudo de 25 entrevistas biográficas realizadas a pessoas transexuais, complementada por um conjunto de informação conseguida pela abordagem etnográfica desenvolvida ao longo da investigação. A transexualidade revela-se um terreno fértil para as discussões em torno da feminilidade e da masculinidade, do que é ser homem e do que é ser mulher íntima e socialmente. No decurso das entrevistas biográficas e das incursões etnográficas realizadas sobressaiu uma diferença acentuada entre homens e mulheres transexuais, a nível das identidades de género e dos percursos sociais, revelando-se pois o sexo/género para a população transexual, tal como acontece para a população cissexual (ou seja, aquela em que não existe descoincidência entre sexo atribuído à nascença e género experienciado), como uma das principais variáveis produtoras de diferença. Só que neste caso a complexidade analítica é acrescida, uma vez que obriga a jogar com uma dupla referência: o sexo/género atribuído e o sentido e expressado. Um elemento chave a mobilizar para análise é o capital corporal, que, condicionando ou possibilitando a invisibilidade social das pessoas transexuais, actua diferentemente sobre homens e mulheres e contribui (ou não) para a credibilidade social de género. Um outro foco de análise é a relação que é socialmente estabelecida entre “a masculinidade e os homens” e “a feminilidade e as mulheres” e a medida da sua exclusividade ou permeabilidade. Para a análise das identidades transexuais, há ainda que ter em conta estarmos perante identidades fortemente medicalizadas, existindo uma “narrativa clássica da transexualidade” oriunda das ciências médicas, à qual se têm vindo a juntar mais recentemente, e com frequência em oposição, novas referências ou referências alternativas construídas a partir de movimentos vindos de “dentro”. Estas novas referências, materializadas em novas expressões de género, têm potencialidades para alterar as identidades e visibilidades de homens e mulheres transexuais.
  •  SALEIRO, Sandra Palma CV - Não disponível 

PAP0533 - A urgência da educação de crianças e adolescentes a partir da lógica da prevenção de delitos urbanos: a experiência da formação escolar para prevenção de abuso e exploração sexual de meninas desde os 09 anos de idade aos 14 anos de idade.
Resumo de PAP0533 - A urgência da educação de crianças e adolescentes a partir da lógica da prevenção de delitos urbanos: a experiência da formação escolar para prevenção de abuso e exploração sexual de meninas desde os 09 anos de idade aos 14 anos de idade. 
PAP0533 - A urgência da educação de crianças e adolescentes a partir da lógica da prevenção de delitos urbanos: a experiência da formação escolar para prevenção de abuso e exploração sexual de meninas desde os 09 anos de idade aos 14 anos de idade.

Crianças e adolescentes vivem seu processo de formação, a partir de parâmetros pedagógicos universais. Também são envolvidos em experiências educacionais que refletem a diversidade de seus grupos familiares, ou étnico-culturais. Vivem, ainda, a experiência da migração internacional, em consequência de transformações aceleradas em suas sociedades de origem. Suas famílias veem diluídas suas fronteiras legais, ou desagregadas suas economias. Por vezes, ainda, são envolvidas em práticas emergenciais realizadas na busca de superação de traumas catastróficos, como são os experimentados em situações de guerras, ou enchentes, ou epidemias, ou terremotos, tsunamis, secas, entre outros. Nos Estados Unidos da América, cientistas já identificaram o esgotamento da força e atualidade de parâmetros educacionais, mesmo democráticos, desde a década de 1980. Também, já enfrentaram a impossibilidade de realização formal de parâmetros no interior de escolas localizadas nas cidades fronteiriças dos Estados Unidos da América e México. Constituiu-se, em consequência, o projeto Sage Na Itália, o processo migratório de famílias, de países do antigo Leste gerou projetos de envolvimento de crianças em sala de aula, na perspectiva de enfrentamento e superação de preconceitos arraigados por gerações. Daí o projeto Educazione al Futuro (1998-99) . No Brasil, o ensino fundamental e médio se debate em crises sucessivas. Daí propostas alternativas tornam-se experiências coletivas, como a que se realiza no contexto das escolas criadas pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Paralelamente, pesquisa sobre a formação da infância e adolescência voltadas para a prevenção de delitos urbanos vem indicando alternativas pedagógicas para a formação das novas gerações. O debate dessas experiências alternativas permite vislumbrar caminhos da formação de novas gerações pacíficas e preservadoras da integridade humana.

PAP1124 - A utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação pelos idosos: Usos e Gratificações
Resumo de PAP1124 - A utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação pelos idosos: Usos e Gratificações 
PAP1124 - A utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação pelos idosos: Usos e Gratificações

A apresentação deste poster tem como objectivo principal a apresentação de um projecto de doutoramento em curso intitulado de “A utilização das Tecnologias de Informação e Comunicação pelos idosos: Usos e Gratificações”. A necessidade de socialização sempre foi evidente em qualquer sociedade. Independentemente do espaço, dos interlocutores, da linguagem, os actores sociais locais para partilhar sentimentos, conversas e afins, locais esses que passarão a ter uma permanência assídua para os indivíduos (Cardoso, 1998: 25). Esta interacção faz-se cada vez mais por meio do uso das TIC. Esta situação é constatável nos dias que correm em diversas populações e em diferentes faixas etárias. No entanto, devido ao acentuar do envelhecimento populacional em Portugal, consideramos importante dar maior relevância a esta faixa etária que começa a dar os primeiros passos no mundo da Internet. Perante estes factos, e para que não se alimentem situações de exclusão social é necessário criar políticas sociais e outras estratégias para colmatar as consequências negativas do envelhecimento populacional. A Comissão das Comunidades Europeias tem reconhecido uma maior utilidade social dos idosos, bem como tem tentado mostrar como “Envelhecer bem na sociedade da Informação” (CCE, 2007). Este projecto tem como ideia principal que “as TIC podem ajudar os idosos a melhorar a sua qualidade de vida, a manter-se mais saudáveis e a viver autonomamente por mais tempo” (CCE, 2007: 3). Diante estas duas temáticas, consideramos que a pergunta central da investigação é: quais os usos e gratificações dos idosos com a utilização das TIC no processo de envelhecimento? Olhando esta questão, consideramos as seguintes hipóteses: 1. Os idosos sentem-se mais confiantes por conseguirem utilizar as TIC; 2. Os idosos utilizam as TIC para romper com o isolamento social que a sociedade actual os inflige; 3. Os idosos sentem frustrações com o uso das TIC por não serem independentes nesse uso; 4. Os idosos raramente usam as TIC e não têm gratificações com a utilização das mesmas. Perante esta problemática, exporemos o método a utilizar, bem como as técnicas a aplicar na investigação. O método da investigação mais adequado é o estudo de caso, dado que privilegia a análise intensiva e profunda de um ou poucos casos, de maneira a que se possa conhecê-lo(s) de forma detalhada (Gil, 1999: 72-73). Para a aplicação deste método, utilizaremos diversas técnicas: a análise de fontes documentais e dados estatísticos; e a amostragem que, através do modelo bola de neve e da amostragem intencional, irá permitir-nos chegar ao público-alvo. Através de grupos de foco procuraremos conhecer as representações sociais que os idosos têm das TIC e, ainda, retirar algumas questões para aprofundar nas entrevistas individuais. Entrevistas estas que serão semi-estruturadas, o que nos permitirá obter testemunhos mais ricos sobre a problemática.

PAP1480 - A utilização do enfoque territorial como ferramenta para a construção de políticas públicas para o campo brasileiro
Resumo de PAP1480 - A utilização do enfoque territorial como ferramenta para a construção de políticas públicas para o campo brasileiro 
PAP1480 - A utilização do enfoque territorial como ferramenta para a construção de políticas públicas para o campo brasileiro

A abordagem territorial foi introduzida na pauta das organizações públicas brasileiras na década de 1990. É também neste mesmo período que se observa uma intensificação do uso do conceito de território nas ciências sociais (Reis, 2005). Seu uso como ferramenta para a construção de políticas públicas, nomeadamente, para o campo, emerge em virtude do reconhecimento do surgimento de novas dinâmicas espaciais e, na constatação de que a modernização agrícola, por si só, não é capaz de promover o desenvolvimento no campo no Brasil. Esta constatação abriu espaço para o estabelecimento de uma crítica à abordagem setorial para a elaboração de políticas públicas até então utilizada. Assim, o termo territorial tornou-se preferível por não induzir a ideia de pequena dimensão ou de uma escala reduzida (Pecqueur, 2004). Neste sentido, acredita-se que a referida ampliação da escala geográfica pode favorecer a criação de políticas públicas mais duradouras e eficientes para o campo, capazes de oferecer soluções inovadoras frente às políticas setoriais existentes. Deste modo, o padrão territorial passou a influenciar as ações dos gestores públicos e planejadores no Brasil. O surgimento deste novo referencial para a elaboração de políticas públicas representa também o reconhecimento dos limites da capacidade do Estado em ordenar e planejar o território. Por isso, atrelada a este conceito, encontra-se a ideia de participação social. Esta ideia, em geral, refere-se à congregação e organização de diferentes segmentos da sociedade civil e representantes do Estado para promover a gestão da política pública implementada (Carrière e Cazella, 2006). Dito isso, este trabalho busca estabelecer um debate teórico a respeito do surgimento da dimensão territorial na construção de políticas públicas para o campo. Assim, observamos que na medida em que adota-se o conceito de território para a criação destas políticas, a ideia de participação assume papel fundamental, ao mesmo tempo em que coloca-se como desafio. Nele subjaz a necessidade da busca por estratégias capazes de garanti-la, a fim de que as políticas públicas sejam implantadas de forma democrática e eficiente.
  •  MENGEL, Alex Alexandre CV - Não disponível 
  •  DE AQUINO, Silvia Lima CV - Não disponível 

PAP0940 - A variabilidade das práticas alimentares das famílias com crianças em Portugal
Resumo de PAP0940 - A variabilidade das práticas alimentares das famílias com crianças em Portugal PAP0940 - A variabilidade das práticas alimentares das famílias com crianças em Portugal
PAP0940 - A variabilidade das práticas alimentares das famílias com crianças em Portugal

No período anterior à institucionalização da democracia em Portugal, a alimentação era uma dimensão da vida social fundamentalmente a cargo das famílias e, em alguns casos, do assistencialismo proveniente de organizações de carácter filantrópico. Com o surgimento do Estado Social, ela passou a estar fortemente mediada pelo Estado, especialmente nas famílias com menos recursos económicos. Mais tarde, com a modernização do Estado, o mercado passou a ter um impacto crescente na vida das populações e, particularmente, na alimentação dos indivíduos. Nos últimos anos, assistiu-se em Portugal, a um conjunto de tendências de modernização do tecido social que, embora assimétricas, conduziram, entre outros, à consolidação da sociedade de consumo. A alimentação está por isso sujeita a uma rede mais abrangente e complexa de interdependências. Importa compreender, neste contexto de múltiplas combinações de recursos e possibilidades de acção, o papel de intermediação destas esferas de sociabilidade na estruturação das práticas alimentares. Ainda assim, a família permanece uma instituição central no processo pedagógico-cultural e, particularmente, na produção das identidades alimentares das crianças e dos cônjuges. Este trabalho presta especial atenção à importância que as interacções domésticas têm na estruturação dos hábitos alimentares dos elementos das famílias com crianças. A partir de uma abordagem compreensiva das negociações envolvidas na produção de culturas alimentares familiares e, numa leitura co-dependente de um conjunto de interferências como o Estado (alimentação escolar), as sociabilidades infanto-juvenis, as culturas familiares, a territorialidade, a exposição ao mercado (media) e a as classes sociais, vou procurar desenvolver um modelo conceptual que permita identificar dinâmicas familiares determinantes na alimentação.
  • TEIXEIRA, José CV de TEIXEIRA, José

José Pedro Teixeira, licenciado em Sociologia no ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa) em 2010, está actualmente está a terminar o mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de informação na mesma instituição e é bolseiro de investigação no ICS –UL (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) desde 2011 no âmbito do projecto “FCT (2011-2014) (PTDC/CS-SOC/111214/2009): “Entre a Escola e a Família: conhecimentos e práticas alimentares das crianças em idade escolar”. Os seus interesses de investigação são a sociologia do consumo, sociologia da alimentação e das desigualdades sociais.

PAP0814 - A vida social do espaço público: desenho urbano e space syntax
Resumo de PAP0814 - A vida social do espaço público: desenho urbano e space syntax  
PAP0814 - A vida social do espaço público: desenho urbano e space syntax

A redescoberta dos centros urbanos, enquanto espaços pedonais e de sociabilização, é um fenómeno mais ou menos universal desde os anos 60. Copenhaga é um exemplo surpreendente que deve o seu sucesso a um desenho urbano com características bottom-up liderado por Jan Gehl e que se baseia essencialmente na observação de comportamentos das pessoas face ao ambiente exterior. Projectistas (arquitectos e urbanistas) e observadores (cientistas sociais) executam tarefas mais ou menos separadas e/ou complementares com consequentes efeitos ao nível da vida das cidades. Acreditando que a cidade não é um problema mas sim uma solução para promover a sociabilização, e que o desenho urbano é uma ferramenta capaz de promover a cooperação entre diversas disciplinas, o objectivo deste estudo consiste na análise de padrões emergentes que resultam das relações entre as pessoas e o espaço. Procura-se compreender quais as características físicas do espaço público urbano que actuam como estímulos da sociabilização partindo do pressuposto que a cidade resulta do somatório de acções individuais e colectivas, planeadas e/ou emergentes e que os lugares são tanto melhor sucedidos quanto mais e melhor forem ocupados e vividos pelas pessoas. Pretende-se ainda mostrar como as teorias Space Syntax (Hillier and Hanson, 1984) permitem compreender as leis espaciais presentes no sistema do espaço urbano, nomeadamente os movimentos pedonais, a localização de actividades, etc. O modelo espacial Space Syntax, permite-nos perceber padrões e testar estratégias de desenho que melhorem a interacção e sociabilização entre as pessoas. Através do Space Syntax é possível analisar espaços individuais mas de um modo integrado na rede global da cidade compreendendo de que modo uma acção local pode influenciar toda a rede. Esta análise, que recorre a dados mensuráveis como a integração, a acessibilidade e a visibilidade, permite-nos identificar as razões do sucesso da promoção de sociabilização de determinadas áreas em detrimento de outras. Com este conhecimento é possível basear decisões futuras ao nível da regeneração do desenho do espaço urbano de modo a criar espaços mais atractivos e dinâmicos que promovam a sociabilização da população e onde se aprecie andar a pé e passar o tempo livre. Pretende-se apresentar a análise de um espaço público da cidade de Lisboa cujo desenho urbano contribui visivelmente para o seu sucesso enquanto espaço promotor da sociabilização. Este estudo procura identificar os factores físicos que promovem a ida das pessoas a estes espaços e que fomentam a sua permanência. Apresentar-se-ão também outros exemplos apoiados na análise Space Syntax que conduziram a espaços públicos mais agregadores e complementares à dinâmica urbana. Palavras Chave: Desenho urbano, sociabilização, espaço público, space syntax
  •  GUERREIRO, Rosália CV - Não disponível 
  •  ELOY, Sara CV - Não disponível 
  •  GUARDA, Israel CV - Não disponível 

PAP1422 - A violência no domicílio (in)desculpável?
Resumo de PAP1422 - A violência no domicílio (in)desculpável? 
PAP1422 - A violência no domicílio (in)desculpável?

A sociedade em que hodiernamente vivemos é considerável e diametralmente diferente daquela em que talvez considerássemos viver há umas não tão longínquas décadas atrás. As constantes mudanças a que a sociedade está sujeita são fruto da natureza constituenda do homem. O homem, abstractamente considerado, é um ser insatisfeito, que ao passo que caminha para a socialização , tende a afastar-se dessa mesma socialização, digamos que lhe é intrínseca uma insociável sociabilidade. Mas tal é precisamente uma dimensão deveras importante para a evolução da sociedade em que vivemos, que tal como temos vindo a reparar, está diametralmente dependente da história, do carácter não finito do homem e da realidade em que o mesmo se insere. O homem, e por conseguinte, a sociedade, encontra-se num eterno estado de devir. É precisamente na esteira dessa constante evolução que os fenómenos criminógenos evoluem, que aquilo que ontem não era tido como crime, hoje já o será, ou aquilo que anteontem era tido como ilícito, hoje é socialmente aceitável. Um desses fenómenos é a violência doméstica. Quantos de nós já não ouvimos falar em casos familiares de há umas não tão distantes gerações atrás em que o marido tinha como que uma potestas ou um direito de correcção sobre a esposa e os filhos? Embora tais situações repugnem a maioria de nós, o que é certo é que é uma realidade bastante presente, que nos é mais próxima do que muitas vezes nos apercebemos. Não obstante os vários esforços político-sociais, tanto no que diz respeito à criação de programas e legislação específica, este tipo de criminalidade não tem vindo a diminuir. A violência doméstica é um crime público, que a todos nós diz respeito e que com a crise que Portugal atravessa, tem atingido uma magnitude inaceitável e juridicamente indesculpável. Não raras vezes os sujeitos deste tipo de crime, quer vítima, quer agressor, quer "testemunhas", desculpam, justificam, este tipo de crime devido às condições económicas, devido a mal-entendidos, devido a "erro desculpável", que, no entanto, não merecem grande apreço em sede criminal. O que é certo é que o artigo 152.º do Código Penal, introduzido neste diploma pela Lei n.º 59/2007 de 4/09, veio presentear-nos com uma nova realidade, a autonomização de um ilícito que antigamente estava disperso por vários outros crimes. Será que esta foi a melhor aposta do nosso legislador? Será que efectivamente foi profícua esta autonomização face ao espólio criminal já existente? Isto é,será que é justificável a autonomização do crime de violência doméstica, ou era suficiente a qualificação dos crimes de ofensa à integridade física ou de homicídio, quando estivéssemos perante os agentes enumerados no artigo 152.º e quando o crime fosse praticado no domicílio ou na presença de menor? Propomos-nos, assim, a fazer uma análise deste artigo e da sua pertinência face à actual crise económica e social, que em muito tem feito crescer a criminalidade doméstica.

PAP0161 - A(s) autonomia(s) de escola e a participação dos atores da comunidade educativa. Um olhar a partir dos Agrupamentos de Escola do Concelho de Gondomar:
Resumo de PAP0161 - A(s) autonomia(s) de escola e a participação dos  atores da comunidade educativa. Um olhar a partir dos Agrupamentos de Escola do Concelho de Gondomar:  
PAP0161 - A(s) autonomia(s) de escola e a participação dos atores da comunidade educativa. Um olhar a partir dos Agrupamentos de Escola do Concelho de Gondomar:

A presente comunicaçao visa apresentar as conclusões de um estudo realizado no âmbito de uma tese de doutoramento em educação, tendo como objetivo específico o estudo das práticas de autonomia enquanto acção dos actores educativos face ao normativismo imperante. Um estudo que parte das escolas do 1º ciclo (ainda designado por muitos de ensino primário) do Conselho de Gondomar, integradas em Agrupamentos de Escolas (o nosso objecto de estudo). Pretendemos apresentar as conclusões obtidas, designamente determinar o impacto do actual modelo de Administração e Gestão, consagrado no Decreto-Lei nº 75/2008, na construção de uma autonomia de escola, e da participação dos atores, enquanto afirmação e fundamento de uma escola comunidade educativa, na perspectiva dos professores do 1º Ciclo de escolaridade do Concelho de Gondomar. No nosso modelo de análise pretendemos ainda apresentar:a) resultados da análise das diferentes representações dos membros do concelho geral quanto à sua ação na construção da autonomia de escola face às formas normativas; b) elencagem das formas de participaçãoe da sua relação com a afirmação de uma escola comunidade educativa autónoma;c)identificaçao dos dominios onde se verifica um exercício efectivo de práticas de autonomia considerando a ação dos respectivos actores d) identificação das formas passiveis de potenciar ou inibir a participação da comunidade educativa, nos órgãos de Administração e Gestão, favorecendo a abertura da escola e o estabelecimento de relações diversificadas com a comunidade. Considerando, os diferentes instrumentos da autonomia de escola, a partir do quadro legal actual pretendemos apresentar as conclusões que nos permitam identificar e diferenciar as praticas normativas, retóricas ou exercicio de uma ação participativa e real dos diferentes atores educativos, de molde a proceder à identificação das diferentes concepções de práticas e afirmações de autonomia e de participação da comunidade educativa consentâneas com práticas de desenvolvimento das respectivas comunidades. Os agrupamentos de escolas enquanto territorios educativos, dotados de uma morfologia organizacional encontram-se na actualidade presos entre ´poderes e lógicas de ação distintas: O poder central e poder local. Neste sentido e se defendermos,tal como Bourdieu,que o ser de uma organizaçção/instituição na depende da vontade do sujeito, ou do grupo mas é sobretudo o resultado de um campo de forças antagónicas ou complementares, geradoras de vontades, permitindo a redefiniçao da realidade das instituições e dos efeitos sobre as mesmas, parece-nos evidente que no horizonte das instituições educativas se redesenham novos desenvolvimentos.

PAP0743 - ACTITUDES Y PERCEPCIONES DE LOS ALUMNOS DE ENSEÑANZA SECUNDARIA OBLIGATORIA Y BACHILLERATO ANTE EL FENÓMENO DE LA INMIGRACIÓN
Resumo de PAP0743 - ACTITUDES Y PERCEPCIONES DE LOS ALUMNOS DE ENSEÑANZA SECUNDARIA OBLIGATORIA Y BACHILLERATO ANTE EL FENÓMENO DE LA INMIGRACIÓN PAP0743 - ACTITUDES Y PERCEPCIONES DE LOS ALUMNOS DE ENSEÑANZA SECUNDARIA OBLIGATORIA Y BACHILLERATO ANTE EL FENÓMENO DE LA INMIGRACIÓN
PAP0743 - ACTITUDES Y PERCEPCIONES DE LOS ALUMNOS DE ENSEÑANZA SECUNDARIA OBLIGATORIA Y BACHILLERATO ANTE EL FENÓMENO DE LA INMIGRACIÓN

Esta comunicación tiene como objetivo principal, indagar y conocer cuales son los valores sociales que imperan, hoy en día, en nuestros jóvenes y cuál es la percepción y la valoración general que de dicha diversidad tienen los escolares. El instrumento de recogida de datos ha sido el cuestionario, el cual ha sido autocumplimentado por los propios alumnos dentro del horario escolar, concretamente en las horas programadas para las tutorías. La información fue recogida durante el segundo trimestre del año 2010. La muestra de esta investigación la componen 271 alumnos de Educación Secundaria Obligatoria (ESO) y Bachillerato de los Institutos de Enseñanza Secundaria Ordoño II y Eras de Renueva de la ciudad de León. Veamos quienes son estos jóvenes y cómo están distribuidos por diferentes categorías. a) Por sexo el 53,14% son hombres y el 45,76% son mujeres. Hay un 1,11% que no saben o no contestan. b) Por edad, el mayor porcentaje corresponde a escolares de entre 14 y 16 años, con el 71, 22%, seguido de los que se encuentran entre los 17 y 19 años con un 27,31%. Hay un 0,37% menor de 14 años y un 1,11% no contestan. c) Por tipos de población, el 9,23% corresponde a una población rural, el 82,29% a una mediana ciudad, el 6,64 a una gran ciudad y un 1,85% no sabe, no contesta. d) En cuanto al Instituto de Enseñanza Secundaría, donde cursan sus estudios, el 51,66% lo hace en el Ordoño II y el 47,97% en el Eras de Renueva. Un 0,37% no contesta. e) Por niveles escolares han sido encuestados en Secundaria (3o y 4o ESO) el 83,39% de la muestra total y en Bachillerato el 15,87%. No contesta el 0,74%. Todas las respuestas han sido correlacionadas con las variables: sexo, edad, opción religiosa y posicionamiento político de los encuestados
  • GARCÍA, Rogelio Gómez CV de GARCÍA, Rogelio Gómez
Rogelio Gómez García (Laguna de Negrillos, 1965), es Doctor en Sociología por la
Universidad Pontificia de Salamanca y Diplomado en Trabajo Social por la Universidad
de León. Ejerce como profesor en la Facultad de Educación y Trabajo Social de
Valladolid, desarrollando una importante labor de investigación en el campo del Trabajo
Social y de los Servicios Sociales. Premio Nacional de Investigación “Ana Díez
Perdiguero” 2007-2008.

PAP0480 - ACTUAIS ROTAS MIGRATÓRIAS PARA O ARQUIPÉLAGO DE CABO VERDE: DINÂMICAS E DESAFIOS
Resumo de PAP0480 - ACTUAIS ROTAS MIGRATÓRIAS PARA O ARQUIPÉLAGO DE CABO VERDE: DINÂMICAS E DESAFIOS 
PAP0480 - ACTUAIS ROTAS MIGRATÓRIAS PARA O ARQUIPÉLAGO DE CABO VERDE: DINÂMICAS E DESAFIOS

Existe uma concepção de que as migrações internacionais ocorrem no sentido Sul/Norte ou das periferias para o centro do sistema capitalista. Paralelamente, muitos poderão referir-se ao facto de que o continente africano enfrenta profundas crises, resultado de dificuldades do ponto de vista económico, dos conflitos sociais e políticos ou das catástrofes naturais, atingindo milhares de pessoas. Assim, tais condições são apontadas como importantes factores para que muitos procurem uma oportunidade migrando. Contudo, se apresenta um cenário de grandes fluxos migratórios intra-regionais, frequentemente trans-fronteiriços, mas que raramente extravasam para além do continente africano (Zlotnik, 1998; 2000; Black 2006; Black et al., 2004; Adepoju, 1998; 2000; 2006). No contexto da sub-região da Costa Ocidental Africana, desde a última década do século passado, tem-se destacado uma intensificação das migrações para o arquipélago de Cabo Verde. Este fenômeno, considerado como sendo novo, vem atraindo cada vez mais atenções, tanto pela sua dimenção, como pelos novos desafios que se colocam perante o Estado cabo-verdiano. De facto, o arquipélago de Cabo Verde, desde o seu povoamento até os dias atuais, sempre se destacou enquanto uma área de migrações. Podemos entender essa sua dimensão num quadro de mobilidade de pessoas no espaço geográfico. Essas mobilidades também se qualificam em múltiplas dimensões (social, político, econômico, cultural...) e em duas vias (chegada / partida). Ou seja, falando de migrações encontramos um bom exemplo para uma leitura da complexidade social cabo-verdiana, na abordagem histórica da sua formação (demográficos, políticos, econômicos, sociais e culturais) e da atual dinâmica que tem favorecido a mobilidade de pessoas de e para as ilhas de Cabo Verde. Procuro apresentar aqui alguns pontos sobre os processos e as dinâmicas migratórias que envolvem o arquipélago de Cabo Verde. Trata-se da constatação de que as migrações em direcção a este país se complexificaram significativamente nos dois últimos decénios. Esta abordagem procura alargado o debate das migrações deixando algumas pistas de reflexão sobre o modo e o tempo em que elas se entretecem envolvendo este país. Depois de uma breve descrição sobre as migrações de e para Cabo Verde avanço com alguns dos desafios que o país se coloca ao nível social e ao nível político. Por fim, deixo algumas sugestões concernentes aos factores impulsionadores de correntes migratórias, em particular do contexto dos países da Costa Ocidental Africana em direcção ao arquipélago. Procurarei também sublinhar alguns pontos sobre a pertinência de uma reflexão crítica relativamente a determinadas categorias instituídas e que têm acompanhado as tragectórias e os projectos de vida das pessoas.
  •  BARBOSA, Carlos Elias CV - Não disponível 

PAP0555 - AGROEXTRATIVISMO E DINÂMICAS DA RELAÇÃO SOCIEDADE-NATUREZA NA REGIÃO DO BICO DO PAPAGAIO, ESTADO DO TOCANTIS, BRASIL.
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PAP0555 - AGROEXTRATIVISMO E DINÂMICAS DA RELAÇÃO SOCIEDADE-NATUREZA NA REGIÃO DO BICO DO PAPAGAIO, ESTADO DO TOCANTIS, BRASIL.

O objetivo desse artigo é discutir sobre as dinâmicas das relações sociedade-natureza na região do Bico do Papagaio– estado do Tocantins, Brasil, tomando como referência a produção e a reprodução social agroextrativistas. Situado na região de transição entre o bioma Cerrado e a Amazônia brasileira, em fronteira com os estados do Maranhão e Pará, as dinâmicas socioambientais, na região, são marcadas por disputas em torno da posse e uso dos “recursos naturais” (terra, recursos extrativistas e outros) entre diferentes atores sociais, dentre eles, os agroextrativistas, associando-se à privatização das terras, ao cercamento das áreas, à proibição e/ou limitação de acesso ao coco babaçu e à substituição da biodiversidade pelos campos de pastagem homogênea. Pelas análises de dados levantados na região por meio de uma pesquisa etnográfica observou-se que as estratégias de reprodução social adotadas pelos agroextrativistas, têm produzido efeitos transformadores, em vários níveis e intensidades, nas dinâmicas de relações sociedade-natureza, produzindo resultados menos nocivos ao ambiente. Por outro lado, as atividades agropecuárias (criação de gado e monocultivos) e a produção silvícola, contribuem para a produção de efeitos negativos ao ambiente natural com a diminuição da biodiversidade e a ameaça às formas de exploração agroextrativista. Nesse sentido, pode-se caracterizar essas dinâmicas, na atualidade, produzidas por processos que se alternam entre aqueles que potencialmente produzem efeitos negativos, a exemplo da agropecuária, e pelos processos que são capazes de produzir efeitos na direção de contribuir para a diminuição da pressão sobre o meio natural, como é o caso dos modos de produção agroextrativista e as mobilizações em prol da preservação do babaçu. Palavras-chave: Dinâmicas de relações sociedade-natureza, reprodução social, agroextrativismo, coco babaçu, Tocantis, Brasil
  •  ROCHA, Maria Regina Teixeira da CV - Não disponível 
  •  ALMEIDA, Jalcione Almeida CV - Não disponível 

PAP0155 - ANALISANDO A DIVERSIDADE NO TRABALHO DOCENTE: DIMENSÕES DE GÊNERO/CLASSE NO ENSINO SUPERIOR
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PAP0155 - ANALISANDO A DIVERSIDADE NO TRABALHO DOCENTE: DIMENSÕES DE GÊNERO/CLASSE NO ENSINO SUPERIOR

Esta pesquisa analisa as relações de gênero, os fatores que impulsionam docentes mulheres e homens a seguir no exercício do trabalho na Universidade Federal de Sergipe (Brasil), as experiências vividas, as mensagens que obtêm no cotidiano, como possibilidade de se repensar a dimensão formativa, os desafios enfrentados no contexto do ensino superior. Antecipou-se a hipótese de que as relações de gênero no trabalho docente no contexto de uma universidade federal ensejam o tratamento das diferenças para a construção de um mundo igual, o que implica a ética da alteridade. Considerou-se que gênero é mais do que uma identidade aprendida imersa nas instituições sociais. Os sujeitos são subjetivados simultaneamente por uma multiplicidade de processos, em suas existências particulares. A opção metodológica recaiu sobre a pesquisa qualitativa de inspiração etnográfica, visando obter saberes de professores (não limitados a conteúdos que dependeriam de um conhecimento especializado) abrangendo uma diversidade de questões/problemas sobre o trabalho produtivo-reprodutivo. Pretendeu-se compreender a persistência de assimetrias entre os gêneros com reflexos na vida familiar e profissional, entre outros domínios. Consultaram-se diferentes fontes de informação, priorizando-se a entrevista semi-estruturada com 16 professores (10 mulheres e seis homens) de várias áreas do conhecimento nos três campi. O grupo docente universitário é mais elitizado, personifica muitos avanços recentemente alcançados nas relações de gênero mais igualitárias, mas também expressa conflitos e contradições intrínsecas a qualquer processo de mudança social. As trajetórias de formação e trabalho das/os docentes mostram-se diversificadas no início de suas carreiras. As concepções mais igualitárias, no espaço das relações de gênero no ensino superior estariam diretamente relacionadas, na ação feminina, à ampliação do universo de escolhas e ao maior investimento na própria qualificação e na vida profissional.
  •  CRUZ, Maria Helena Santana CV - Não disponível 

PAP1380 - AS CIÊNCIAS SOCIAIS DO VISUAL E OS MÉTODOS GEONEOLÓGICOS
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PAP1380 - AS CIÊNCIAS SOCIAIS DO VISUAL E OS MÉTODOS GEONEOLÓGICOS

A Sociologia e Antropologia Visuais registaram um desenvolvimento notável nos últimos anos. Em particular, os métodos de recolha, análise e interpretação de fontes visuais propõem novos cursos e percursos para o investigador. No entanto, a incomensurável mudança epistemológica recente deriva da emergência das metodologias visuais nunca dantes vistas, utilizando instrumentos digitais, transmedia e em rede. Neste texto, para além da apresentação de um estudo de públicos num museu de arte, pretende-se mostrar e demonstrar algumas das cumplicidades e permeabilidades entre as Ciências Sociais do visual e os utensílios experimentais digitais para a pesquisa, que englobaremos no conceito federador ‘Metodologia GeoNeológica’. Par isoo, o projecto intitulado Comunicação Pública da Arte-CPA visou 2 direcções principais da pesquisa: 1) Uma reflexão sociológica, através da qual foi efectuado um diagnóstico de situação sobre a CPA em museus de arte físicos e virtuais. No respectivo campo empírico, foi testada, entre outros conceitos, a ideia de museabilidade (i.e., as condições contextuais, económicas, sócio-culturais e politicas da musealização, no interior de uma dada sociedade). A musealização significa o conjunto de estratégias de apresentação de obras de arte, pelos profissionais do museu, a um público de não-especialistas. Algumas questões iniciais nesta perspectiva foram as seguintes: 2) Uma parte mais prática e pedagógica do projecto visa a aplicação de um sistema digital de aprendizagem e investigação informais para as artes, a usar em museus ou em outras instituições culturais, baseado em hipermédia apresentando novas interfaces, como uma mesa interactiva multitoque para consulta e comentários das obras de um artista. Nesta perspectiva, foi realizado um Questionário Interactivo Multitoque e um jogo cultural nomeado Jogo das Tricotomias, na referida exposição da artista Joana Vasconcelos em 2010.
  • ANDRADE, Pedro de CV de ANDRADE, Pedro de
Professor na FBAUL. Investigador do CECL, FCSH-UNL e no CECS, ICS da Univ. do Minho. Coordenador do projecto de pesquisa 'Comunicação Pública da Arte: o caso dos museus de arte locais/globais', entre outros projetos apoiado pela FCT e por outras instituições nacionais e internacionais. Membro do Conselho Editorial da Revista de Comunicação e Linguagens. Membro do Comité de Rédaction da revista LORETO, Ministère de la Culture e Université Libre de Bruxelles. Director da revista Atalaia. Autor de diversas obras e eventos nas áreas da Sociologia, cinema, artes visuais e digitais e no ciberespaço/cibertempo. Obras recentes: 2011a, Sabores e saberes do beber: consumos de lazer, poder e cultura em cafés, tabernas e bares Portugueses, Ed. Univ. Estadual da Paraíba, Brasil. 2011b, Sociologia Semântico-Lógica da Web 2.0/3.0 na sociedade da investigação: significados e discursos quotidianos em blogs, wikis, mundos/museus virtuais e redes sociais semântico-lógicas, Lisboa, Ed. Caleidoscópio. 2011c, Novas autorias / leitorias / actorias: escrita comum, literacias híbridas e anti-vigilâncias na Web 2.0, Ed.Caleid. 2011d, Novela GeoNeológica nº 1: um caso de Literatura Transmediática, Caleid.

PAP0180 - AS GRADES NÃO PRENDEM NOSSOS PENSAMENTOS: SUBJETIVAÇÃO JUVENIL NA PRIVAÇÃO DA LIBERDADE
Resumo de PAP0180 - AS GRADES NÃO PRENDEM NOSSOS PENSAMENTOS: SUBJETIVAÇÃO JUVENIL NA PRIVAÇÃO DA LIBERDADE 
PAP0180 - AS GRADES NÃO PRENDEM NOSSOS PENSAMENTOS: SUBJETIVAÇÃO JUVENIL NA PRIVAÇÃO DA LIBERDADE

A narrativa “as grandes não prendem nossos pensamentos”, produzida por um jovem em conflito com a lei, desafia as relações que se pretende fazer nesta comunicação. A pesquisa que a origina é desenvolvida numa instituição socioeducativa do sul do Brasil, entre os anos de 2009 e 2011. Através da troca de cartas com nove jovens em cumprimento de medida socioeducativa, privados da liberdade e sob a tutela do Estado, adentra-se nos processos de subjetivação juvenis construídos nos trânsitos pelo conflito com a lei. As palavras dos jovens, tomadas como matéria prima, desafiam à interpretação das metáforas do tempo associadas aos seus percursos: o tempo do risco e da experimentação nos delitos cometidos e o tempo de espera para a retomada da vida fora do confinamento. Entre “o aqui e o lá”, num entrelaçamento de temporalidades e de espacialidades, emergem os projetos de futuro como possibilidade de reconfigurar “biografias de escolha” num processo de socialização caracterizado por uma “inclusão precária”. O cotidiano juvenil na privação da liberdade é dado a ler através das narrativas dos jovens, valendo-se da carta como suporte para as escritas de si. Com base em categorias analíticas tomadas de autores da Sociologia e da História Cultural – Pais, Dubar, Lahire, Melucci, Lecardi, Elias, Josso, Passeggi, Ginzburg, Chartier, Artière - procura-se assumir uma atitude detetivesca com o intuito de escavar as subjetividades construídas nos processos de estigmatização produzidos nos percursos juvenis narrados: desde o período anterior ao ato infracional, passando pela experiência da medida socioeducativa, até a expressão do que cada um espera para “a vida lá fora”. É nesse sentido que a perspectiva (auto)biográfica, sublinha os itinerários investigativos adotados na pesquisa referida, pois contribui para observar os trânsitos juvenis para além da educação formal e da etiqueta do ato infracional, permitindo descortinar os sentidos da experiência e da (re)existência, à medida que possibilita a construção de narrativas sobre si e a interpretação: tanto de aspectos individuais como das dimensões sociais e institucionais envolvidas no contexto de sua produção.
  •  STECANELA, Nilda CV - Não disponível 

PAP0440 - AS NOVAS TECNOLOGIAS E O TRABALHO DE CRIAÇÃO CULTURAL: ALIANÇA OU CONFLITO?
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PAP0440 - AS NOVAS TECNOLOGIAS E O TRABALHO DE CRIAÇÃO CULTURAL: ALIANÇA OU CONFLITO?

Num mundo e num tempo globais, o objectivo central dos criadores culturais e dos artistas é assegurarem a mais ampla difusão das suas obras, de forma a abarcarem os mais vastos e diversificados públicos. Para que esse objectivo possa cumprir-se, as novas tecnologias da comunicação desempenham um papel crucial. Porém, a sua utilização envolve sempre um desafio e um risco: devidamente reguladas, essas tecnologias podem ser o maior aliado dos autores e artistas; desreguladas, podem pôr irremediavelmente em causa a defesa dos direitos relativos à reprodução e difusão das suas obras. Esta situação regista um significativo agravamento com o crescente enraizamento da mentalidade que consagra o "princípio" da gratuitidade da fruição dos bens culturais. O cidadão comum, em regra mal informado e mais mobilizado para exigir o respeito dos seus direitos do que o cumprimento dos seus deveres, é levado a crer que tudo o que circula no universo digital faz parte de uma espécie de "domínio público" global e inquestionável. Assim se multiplica e generaliza o acto de utilizar, sem o correspondente pagamento, aquilo que se apresenta como sendo de livre acesso. Daí até à legitimação da "pirataria" vai um pequeno mas decisivo passo. Esta ideia de "gratuitidade" contrasta com a consciência que o consumidor tem, em regra, de que não pode ter acesso a bens correntes no quotidiano se não os pagar no acto de aquisição, seja produto alimentar, de higiene, peça de vestuário ou medicamento. Só com os bens culturais, no espaço digital, tudo tende a ser diferente. Esta situação é agravada pela ausência de uma acção pedagógica no espaço escolar relativamente ao valor real do bem cultural e à forma como a sobrevivência dos criadores e artistas depende de forma justas de comercialização. Por outro lado, o poder político, em sede de produção legislativa, tende a tornar lenta ou mesmo inexistente a criação de diplomas adequados, consciente de que os utilizadores-consumidores são a esmagadora maioria do eleitorado que não convém penalizar, sobretudo na proximidade temporal de actos eleitorais. Que caminho seguir ? Que soluções podem ser adoptadas para se superar esta situação que agrava, designadamente em contexto de crise, a vida dos autores e artistas ? É esta reflexão que o investigador, doutorando em Ciências da Comunicação no ISCTE, se propõe produzir, com base no estudo deste fenómeno efectuado ao longo dos anos, no quadro da sua actividade como principal dirigente da Sociedade Portuguesa de Autores.
  • LETRIA, José Jorge CV de LETRIA, José Jorge
José Jorge Letria e pós-graduado em Jornalismo Internacional e mestre em Estudos da Paz e da Guerra pela Universidade
Autónoma de Lisboa. E doutorando em Ciências da Comunicação no ISCTE. Foi redactor e editor de alguns dos mais importantes
jornais portugueses e professor de jornalismo. Foi autor de programas de rádio e televisão. Tem uma vasta obra literária
publicada, com traduções em mais de uma dezena de línguas e distinguida em Portugal e no estrangeiro. Tem representado
Portugal em eventos literários no estrangeiro. Foi vereador da Cultura da Câmara de Cascais entre 1994 e 2002. Colabora
regularmente em publicações nacionais e estrangeiras. Integrou a Direcção da Associação dos Eleitos da Grande Europa para a
Cultura. E presidente da Direcção e do Conselho de Administração da Sociedade Portuguesa de Autores e membro do Comité
Executivo do Conselho Internacional de Autores Dramáticos, Literários e Audiovisuais.

PAP1531 - AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO RECREIO NA ESCOLA: UMA PERSPECTIVA DE FORMAÇÃO PARA O LAZER
Resumo de PAP1531 - AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO RECREIO NA ESCOLA: UMA PERSPECTIVA DE FORMAÇÃO PARA O LAZER 
PAP1531 - AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO RECREIO NA ESCOLA: UMA PERSPECTIVA DE FORMAÇÃO PARA O LAZER

Este estudo trata-se de um “recorte” mais amplo do nosso Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para a obtenção da licenciatura em Educação Física e traz como temática “O recreio na ótica da comunidade escolar: Um estudo das representações sociais” que teve como campo empírico de investigação um colégio tradicional da cidade de Salvador, capital do estado da Bahia-Brasil. Neste sentido, nossos objetivos se configuram em desvendar, a partir da ótica da comunidade escolar, como o recreio (espaço livre e descompromissado entre as aulas) pode contribuir para emancipação dos sujeitos; bem como este pode ser atrelado ao papel formativo dos alunos que dele participam e como a escola pode projetá-lo na perspectiva de uma Educação para o Lazer contrapondo aos valores mercadológicos da indústria do entretenimento, pois essa, nos últimos anos, vem através dos meios de comunicação de massa trazendo para dentro dos muros da escola fortes influências ao consumo e efeitos nocivos na formação crítica humana. Dessa forma, o nosso instrumento metodológico se constituiu num estudo de caso com natureza qualitativa e de caráter exploratório. Nele procuramos compreender, explorar e descrever as nossas observações e entrevistas, cujas questões abertas nos forneceram dados que foram coletados, transcritos, analisados e atrelados à literatura vigente ao assunto para por fim apresentarmos o desfecho da pesquisa. Assim, além de ter sido mais um desafio conquistado, como pesquisadores pensamos que este estudo pode contribuir, de forma significativa, tanto para nossa formação, enquanto educadores, como pode servir de instrumento pedagógico para a escola atrelar a questão formativa do recreio na perspectiva do lazer. Dessa maneira, acreditamos que o recreio escolar é mais que um simples momento de descanso entre aulas e por isso nossa análise propõe, para os gestores das escolas e professores, uma intervenção social naquele espaço-momento dando a ele uma perspectiva de Educação/Lazer para que o mesmo seja “coadjuvante” da escola enquanto espaço de formação humana da Sociedade. Palavras-chave: Representação Social, Recreio, Escola e Lazer

PAP0214 - AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO RECREIO NA ESCOLA: UMA PERSPECTIVA DE FORMAÇÃO PARA O LAZER
Resumo de PAP0214 - AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO RECREIO NA ESCOLA: UMA PERSPECTIVA DE FORMAÇÃO PARA O LAZER  PAP0214 - AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO RECREIO NA ESCOLA: UMA PERSPECTIVA DE FORMAÇÃO PARA O LAZER
PAP0214 - AS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO RECREIO NA ESCOLA: UMA PERSPECTIVA DE FORMAÇÃO PARA O LAZER

Este estudo trata-se de um “recorte” mais amplo do nosso Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para a obtenção da licenciatura em Educação Física e traz como temática “O recreio na ótica da comunidade escolar: Um estudo das representações sociais” que teve como campo empírico de investigação um colégio tradicional da cidade de Salvador, capital do estado da Bahia-Brasil. Neste sentido, nossos objetivos se configuram em desvendar, a partir da ótica da comunidade escolar, como o recreio (espaço livre e descompromissado entre as aulas) pode contribuir para emancipação dos sujeitos; bem como este pode ser atrelado ao papel formativo dos alunos que dele participam e como a escola pode projetá-lo na perspectiva de uma Educação para o Lazer contrapondo aos valores mercadológicos da indústria do entretenimento, pois essa, nos últimos anos, vem através dos meios de comunicação de massa trazendo para dentro dos muros da escola fortes influências ao consumo e efeitos nocivos na formação crítica humana. Dessa forma, o nosso instrumento metodológico se constituiu num estudo de caso com natureza qualitativa e de caráter exploratório. Nele procuramos compreender, explorar e descrever as nossas observações e entrevistas, cujas questões abertas nos forneceram dados que foram coletados, transcritos, analisados e atrelados à literatura vigente ao assunto para por fim apresentarmos o desfecho da pesquisa. Assim, além de ter sido mais um desafio conquistado, como pesquisadores pensamos que este estudo pode contribuir, de forma significativa, tanto para nossa formação, enquanto educadores, como pode servir de instrumento pedagógico para a escola atrelar a questão formativa do recreio na perspectiva do lazer. Dessa maneira, acreditamos que o recreio escolar é mais que um simples momento de descanso entre aulas e por isso nossa análise propõe, para os gestores das escolas e professores, uma intervenção social naquele espaço-momento dando a ele uma perspectiva de Educação/Lazer para que o mesmo seja “coadjuvante” da escola enquanto espaço de formação humana da Sociedade. Palavras-chave: Representação Social, Recreio, Escola e Lazer
  •  SOUZA, Márcio Dias de CV - Não disponível 
  • JÚNIOR, Flávio Cardoso dos Santos CV de JÚNIOR, Flávio Cardoso dos Santos
  •  OLIVEIRA, João Danilo Batista CV - Não disponível 
Flávio Cardoso dos Santos Júnior - Professor Pesquisador do GEPAC - Grupo de Estudos, Pesquisa e Extensão Artes do Corpo: Memória, Imagem e Imaginário da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) é Graduado em Educação Física e tem como foco de estudo o corpo dentro das manifestações culturais, principalmente as Festas Populares.

PAP1278 - Abordagem Sociológica da Ética do Desporto no Contexto da Mudança Social: O caso português durante o Estado Democrático do século XX.
Resumo de PAP1278 - Abordagem Sociológica da Ética do Desporto no Contexto da Mudança Social: O caso português durante o Estado Democrático do século XX. 
PAP1278 - Abordagem Sociológica da Ética do Desporto no Contexto da Mudança Social: O caso português durante o Estado Democrático do século XX.

Na compreensão da ética do desporto, enquanto fenómeno sociológico, pretendemos demonstrar como as mudanças no nomos do campo das práticas desportivas de competição (na acepção de Bourdieu) provocaram um conjunto de efeitos em cadeia, ainda que porventura não esperados, na fragilização dos princípios éticos do desporto moderno, impondo contradições na determinação que exercem nas práticas. Para a abordagem teórica da ética recorremos às contribuições de Durkheim, Weber e Elias. Elegemos como universo de análise a realidade portuguesa durante o Estado Democrático do século XX, enquanto estudo de caso. Seleccionámos informação proveniente de diferentes fontes (estatísticas oficiais, notícias dos media, observação participante e entrevistas), mobilizando métodos de análise qualitativos e quantitativos. Nas mudanças produzidas no último quartel do século XX, identificámos a indissociável e interdependente relação das dimensões desportiva, económica e simbólica na determinação da orientação da acção para a vitória (tout court), com a consequente radicalização dos interesses concorrentes e a intensificação da competição. Decorrentemente, assistiu-se a mudanças no ethos da interacção desportiva, que fragilizaram o princípio do fair play, assistindo-se ao aumento das práticas que o quebram. Este facto colocou dificuldades acrescidas às arbitragens, tendo-se assistido ao aumento das desconfianças no sentido de justiça implícito à preservação da igualdade na competição, realidade que se encontrou agravada com os indícios e casos de corrupção e de dopagem. Neste contexto, assistiu-se ao maior envolvimento dos actores e das organizações na regulação ética, tornando-a mais flexível e sujeita à negociação, quer através dos meios institucionais quer de estratégias de pressão e persuasão no espaço público mediático, saindo reforçadas as solidariedades contingentes, em detrimento das solidariedades orgânicas. As desconfianças e as dinâmicas de vigilância e de fiscalização, encetadas nos anos noventa, terão ainda contribuído para accionar solidariedades mecânicas no seio de grupos de interesse, num contexto de oposição e confrontação ou de radicalização propício a manifestações de revolta violenta colectiva, e ainda à instalação de formas de violência premeditada entre alguns grupos de adeptos ultras. Factos, que foram dando maior visibilidade ao enfraquecimento da regularização ética, em especial no campo do futebol profissional de maior nível competitivo. Face à especificidade da conflitualidade ética na figuração desportiva, foi-se assistindo no quadro europeu e nacional à intervenção dos Estados, nomeadamente à cristalização dos princípios éticos em dispositivos legais definidores de quadros sancionatórios, com a consequente fragilização do princípio da autonomia das organizações desportivas, decorrente da liberdade do associativismo.
  • MARIVOET, Salomé CV de MARIVOET, Salomé
Salomé Marivoet – Doutorada em Sociologia, é professora associada da Faculdade de Educação Física e Desporto e investigadora do CPES da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias. É autora dos dois estudos nacionais sobre os hábitos desportivos. Desde finais dos anos oitenta que tem vindo a realizar trabalhos de investigação sobre a violência, e mais recentemente sobre a organização de grandes eventos, ética, e racismo, xenofobia e discriminação étnica no desporto. No seu currículo conta-se a participação em cinco projectos europeus nas suas áreas de investigação, cerca de uma centena de comunicações apresentadas como convidada, e mais de cinquenta publicações nacionais ou no estrangeiro. Nas suas participações institucionais, destaca-se a de conselheira do Conselho Nacional do Desporto e do Conselho para a Ética e Segurança no Desporto.

Professora Associada da FEFD-ULHT ‒ Faculdade de Educação Física e Desporto da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Investigadora no CPES - Centro de Pesquisa e Estudos Sociais da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Email: smarivoet@ulusofona.pt

PAP0662 - Abrindo a “caixa negra” do Apoio Domiciliário para Pessoas Idosas
Resumo de PAP0662 - Abrindo a “caixa negra” do Apoio Domiciliário para Pessoas Idosas 
PAP0662 - Abrindo a “caixa negra” do Apoio Domiciliário para Pessoas Idosas

Esta comunicação pretende dar a conhecer os resultados de uma investigação etnográfica que é parte integrante do projeto de investigação financiado pela FCT com o título “O outro lado da relação de cuidar: o olhar do idoso”. Em termos de produção sociológica, muito se sabe sobre as experiências dos cuidadores de pessoas idosas, principalmente das experiências dos cuidadores familiares, mas muito pouco se sabe sobre as experiências das próprias pessoas idosas que se encontram envolvidas numa relação de cuidar. Nesta investigação etnográfica procurou-se compreender, em profundidade, as experiências de receção de apoio domiciliário por parte de pessoas idosas, não apenas as experiências “objetivas” (as ações e as interações, os processos, etc.), mas também as experiências “subjetivas” (os significados que as experiências “objetivas” têm para as pessoas idosas). Para obter esta compreensão, os investigadores foram para a “linha da frente” do apoio domiciliário, acompanhando as visitas domiciliárias dos profissionais de uma instituição de solidariedade social vocacionada para o apoio à população idosa. A observação do trabalho de apoio ao domicílio permitiu o acesso a um mundo muito pouco conhecido do ponto de vista sociológico, onde se procurou descrever os cenários (objetos, temperatura, luminosidade, odores…), os atores (identificação dos atores e descrição dos eus adereços), as práticas discursivas (formas de tratamento interindividual, conteúdos falados, sentimentos expressados…) e as práticas corporais (atos praticados, comunicação não verbal…). As questões relacionadas com o corpo, com o trabalho sobre o corpo, com o poder, com a identidade social (reclamada e atribuída) e com o género emergiram como aspetos extremamente relevantes (dados ainda não se encontravam totalmente analisados aquando da submissão deste resumo). Os dados recolhidos através das múltiplas observações foram analisados de acordo com alguns dos princípios e procedimentos da Grounded Theory, mais concretamente de acordo com a linha desenvolvida por Kathy Charmaz. A análise dos dados foi auxiliada pelo uso do software NVivo 9.
  •  SÃO JOSÉ, José CV - Não disponível 
  • BARROS, Rosanna CV de BARROS, Rosanna
  • SAMITCA, Sanda CV de SAMITCA, Sanda
  • TEIXEIRA, Ana CV de TEIXEIRA, Ana
Rosanna Barros é Professora Adjunta da Universidade do Algarve. É a Coordenadora da Área Científica de Educação Social desta Instituição. E é a Directora do Curso de Educação Social da ESEC (Regime Diurno e Pós-laboral). Étambém Membro da Comissão Coordenadora do Mestrado em Educação Social da ESEC. Tem experiência docente em diversas áreas das Ciências Sociais, com destaque para a Sociologia Crítica da Educação e as Políticas Públicas de Educação de Adultos.
Academicamente:
Rosanna Barros possui licenciatura em Antropologia Social e Cultural (1998). Mestrado em Sociologia do Desenvolvimento e da Transformação Social (2002, orientação de Boaventura de Sousa Santos) ambos pela Universidade de Coimbra. É pós-graduada em Direitos Humanos e Democratização pela Universidade de Coimbra (2000) e em Educação de Adultos e Desenvolvimento Comunitário pela Universidade de Sevilha (2003). É Doutora em Educação pela Universidade do Minho (2009, orientação de Licínio Lima).
Cientificamente:
Rosanna Barros tem em curso alguns projectos de investigação avançada, pertencendo ao CIEd (Centro de Investigação em Educação da Universidade do Minho) e ao CIEO (Centro de Investigação em Espaço e Organizações da Universidade do Algarve). Tem diversos Livros e Artigos publicados.
Sanda Samitca, socióloga Suíça, bolseira pós-doc no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL). Os meus domínios de investigação têm sido desenvolvidos no quadro das questões do envelhecimento através do aprofundamento do conhecimento acerca dos padrões de cuidados existentes atualmente na sociedade portuguesa, em duas populações alvo: os idosos dependentes e os doentes de Alzheimer.
Autor: Ana Teixeira
Área Temática: Sociologia da Educação
Título da Comunicação: Projetos TEIP e novos perfis profissionais: agentes de desenvolvimento local? Uma análise da relação escola-comunidade no âmbito do Programa TEIP2.

 Afiliação institucional: Bolseira de Investigação no Projecto“O outro lado da relação de cuidar: o olhar do idoso” através do CIEO – Centro de Investigação Sobre o Espaço e as Organizações – Universidade do Algarve.
 Áreas de formação: Licenciatura em Sociologia, Faculdade de Economia da Universidade do Algarve (2007), e Mestrado em Sociologia e Planeamento, ISCTE –IUL (2012).
 Interesses de Investigação: Sociologia da Educação, envelhecimento populacional, cuidados sociais e políticas sociais para idosos, envelhecimento activo.

PAP0685 - Abrir a produção tecnológica às ciências sociais e à participação pública
Resumo de PAP0685 - Abrir a produção tecnológica às ciências sociais e à participação pública 
PAP0685 - Abrir a produção tecnológica às ciências sociais e à participação pública

O desenho, a produção, a distribuição ou o uso de objectos técnicos são ainda conceptualizados e operacionalizados, na sua grande maioria, por agentes ou instituições de carácter exclusivamente tecnológico. No entanto, a condução destes processos beneficia cada vez mais das suas permeabilidades quer a conhecimentos teóricos e práticos vindos do pensamento social e humano, quer a paradigmas baseados na participação de populações não especializadas ou no recurso a saberes vernaculares. Debates nos Science and Technology Studies (STS) têm produzido um vasto campo de trabalho teórico no domínio tecnológico, o qual está agora aberto a desenvolvimentos práticos interdisciplinares, como no campo do design sensitivo a valores ou da ética na inovação tecnológica. Por seu turno, um conjunto de iniciativas em sustentabilidade ambiental e social tem procurado o envolvimento público na produção técnica, nomeadamente em áreas como a reabilitação urbana ou a gestão de sistemas para o tratamento de resíduos. É neste contexto que se enquadra o nosso trabalho. Em primeiro lugar, operamos neste quadro de abertura do campo tecnológico ao analisar o aumento de trabalhos interdisciplinares entre a arquitectura e a sociologia, a engenharia e a filosofia, a antropologia e o design, etc. Este cruzamento implica hoje uma troca de ideias, metodologias, materiais e modelos, que produzem não apenas bons resultados ao nível do debate científico, mas também múltiplas experiências concretas ao nível da concepção conjunta de artefactos. Em segundo lugar, recorremos também à análise de paradigmas de tecnologia participada ou aberta, reconhecendo o seu potencial como modos de ligação entre as teorias e as práticas técnicas com os mundos sociais onde estas se inserem e operam. Os benefícios em envolver populações não especializadas e mobilizar os seus conhecimentos, vão desde o desenvolvimento de novas aptidões nestas populações à criação de projectos com maior eficácia e legitimidade. Em terceiro e último lugar, apostamos numa mobilização destas duas tendências de abertura ao nível da produção tecnológica para o desenvolvimento de plataformas de trabalho. Estas plataformas permitem agregar cientistas, técnicos, investigadores sociais e humanos, e actores individuais e colectivos, tendo em vista a implementação de projectos de co-criação e co-gestão tecnológica. No momento presente, iremos apresentar uma análise de quadros teóricos e casos empíricos nacionais e internacionais com boas práticas a este nível.
  •  NASCIMENTO, Susana CV - Não disponível 
  •  PÓLVORA, Alexandre CV - Não disponível 

PAP1002 - Academia, Activismo e Sexualidade: reflexões acerca de uma Sociologia Pública Queer
Resumo de PAP1002 - Academia, Activismo e Sexualidade:  reflexões acerca de uma Sociologia Pública Queer PAP1002 - Academia, Activismo e Sexualidade:  reflexões acerca de uma Sociologia Pública Queer
PAP1002 - Academia, Activismo e Sexualidade: reflexões acerca de uma Sociologia Pública Queer

Apesar de amplamente contestado, o legado positivista continua a produzir efeitos na forma como fazemos sociologia hoje. Tal herança traduz-se nos modos dominantes de recolher e analisar informação, conducentes a resultados fracos, por vezes despiciendos, e com pouca ressonância social e política. O conceito de sociologia pública, proposto inicialmente por Herbet J. Gans e amplamente desenvolvido por Michael Burrawoy, foi crucial na crítica a uma sociologia tradicional de influência positivista. Com base nesta noção, e claramente inspirada pelos contributos feministas e queer, nesta apresentação sugere-se a possibilidade – e a importância –, de assumir o carácter sempre político de todas as formas de conhecimento, incluindo o conhecimento sociológico. O argumento central é que apenas uma sociologia assumidamente comprometida pode levar a resultados transparentes, relevantes e úteis, em particular na esfera dos estudos sobre sexualidade. Esta apresentação está dividida em quatro partes. Na primeira parte, consideram-se brevemente para os antecedentes da Teoria Queer, de forma a clarificar contextos e conceitos. Segue-se uma revisitação do modelo de sociologia pública, enfatizando o seu potencial analítico e político. Subjacente ao conceito de sociologia pública está a premissa de que o conhecimento pode contribuir para processos de inclusão ou exclusão, dependentes da utilização que lhe é dada. A terceira parte trata dos impactos epistemológicos e éticos de ‘agentes-duplos’, ou seja, de quem assume um duplo estatuto enquanto cientista-activista na esfera dos estudos LGBT/queer. Sugere-se aqui que este duplo estatuto de cientista-activista constitui uma oportunidade para construir e disseminar conhecimento de base empírica, mantendo simultaneamente um sentido de responsabilidade social e empenho político. Por fim, propõe-se o desenvolvimento de uma Sociologia Pública Queer, uma nova perspectiva crítica que dialoga directamente com a noção de cidadania sexual. A Sociologia Pública Queer reconhece o seu carácter politicamente situado, ao mesmo tempo que contribui para a desconstrução de preconceitos e processos de exclusão e opressão com base na orientação sexual e identidade de género. Defende-se que tal compromisso entre academia e activismo fortalece a acção colectiva, respondendo simultaneamente a desafios que se colocam aos estudos sobre sexualidade no momento presente.
  •  SANTOS, Ana Cristina CV - Não disponível 

PAP1229 - Accountability nas ONGD
Resumo de PAP1229 - Accountability nas ONGD 
PAP1229 - Accountability nas ONGD

Actualmente, as políticas públicas globais constroem-se a partir de processos negociais entre Estados, sociedade civil e sector lucrativo. As ONG internacionais tornaram-se parceiros de facto no estabelecimento de normas e padrões, influenciando e propondo soluções para problemas públicos sociais. A nível nacional, muitos serviços públicos anteriormente providos pelo Estado são fornecidos pelo sector empresarial ou pelo terceiro sector. As ONGD, quer com o sector público, quer com o sector privado, têm estabelecido relações de parceria que se traduzem em serviços sociais necessários. Associadas a estas parcerias e novos papeis, levantam-se no entanto múltiplas questões ligadas à accountability. A investigação desenvolvida centra-se no estudo da accountability nas ONGD portuguesas, tendo como objectivo principal analisar que prioridades de accountability estabelecem, face à diversidade de stakeholders com quem interagem e às múltiplas accountabilities, por vezes incompatíveis, que lhes estão associadas. Foram analisados cinco mecanismos de accountability: relatórios, avaliações, participação, auto-regulação e auditoria social; e cada mecanismo foi analisado através de três dimensões de accountability: ascendente-descendente, interna-externa, funcional-estratégica. Desenvolvido no âmbito de uma tese de mestrado, este estudo de natureza qualitativa, baseou-se na aplicação de uma grelha de indicadores de transparência objectivamente verificáveis, adaptada de uma ferramenta disponível no site da Coordinadora de ONG para el Desarrollo-España, a vinte ONGD portuguesas, em que se identificaram elementos associados à identidade e intervenção das mesmas, e foram avaliadas as suas práticas de transparência. O estudo centrou-se ainda, em três entrevistas efectuadas a Directores executivos de três ONGD, seleccionadas entre as vinte já referidas. Sobretudo a partir da análise das entrevistas, verificou-se que os mecanismos referenciados privilegiam a accountability ascendente para doadores, que as razões para o uso destes mecanismos são, principalmente, razões externas e que se focam numa resposta organizacional funcional de curto prazo. As conclusões do estudo sublinham a necessidade de promoção de uma cultura de accountability mais inclusiva e construtiva que esteja mais alinhada com as metas e os objectivos das ONGD. Em detrimento de uma accountability meramente legal e tecnocrática, aponta-se a necessidade de evolução para uma accountability holística, capaz de contribuir para o favorecimento da aprendizagem organizacional, melhoria da sua performance e alteração das assimetrias de poder. A accountability holística contém um vasto potencial de contribuir para a reconfiguração das relações entre sectores em busca de valores partilhados e para o fortalecimento da confiança das instituições locais, nacionais e mundiais.
  •  PINTO, Filipe CV - Não disponível 

PAP0404 - Acesso ao direito e à justiça e a democracia em Portugal: um direito ainda emergente
Resumo de PAP0404 - Acesso ao direito e à justiça e a democracia em Portugal: um direito ainda emergente 
PAP0404 - Acesso ao direito e à justiça e a democracia em Portugal: um direito ainda emergente

O acesso ao direito e à justiça não é auto-efectivo, nem neutro politicamente; nem é a panaceia da transformação social, mas tem um papel central e de charneira nas democracias contemporâneas, dado que “não há democracia sem o respeito pela garantia dos direitos dos cidadãos” (Santos et al, 1996: 483). Assim, no início do século XXI o acesso de todas as pessoas ao direito e à justiça continua a ser central para o aprofundamento da qualidade da democracia e da cidadania, pelo que há que reflectir sobre todas as reformas em curso, em que os papéis do Estado, da Comunidade e do Mercado estão em redefinição, bem como sobre os diversos tipos de parcerias que se estabelecem entre os actores, com graus de participação diferente, de cada um destes pilares da sociedade, modelando políticas públicas (ou de acção pública – Commaille, 2009) de acesso ao direito e à justiça que variam conforme o Estado e a Sociedade em que se inserem. Na sociedade portuguesa encontramos uma pluralidade de formas de acesso dos cidadãos ao direito e à justiça através de meios judiciais e não judiciais e de iniciativa de entidades, públicas – estado central e local –, da comunidade e do mercado, o que nos permitiu fazer um mapeamento e sistematização de todos os meios (visíveis) de resolução de conflitos e de acesso ao direito e à justiça. Com esta comunicação pretendemos dar conta, assim, das principais transformações ocorridas no sistema de acesso ao direito e à justiça em Portugal, sendo visível, através da identificação das estruturas mencionadas e do volume da sua procura, que existe uma rede fragmentada em pirâmide, já que os tribunais, bem como os serviços do Ministério Público, continuam a estar no topo da cadeia; mas, por outro lado, os vários mecanismos – do estado, em parceria, do mercado e da comunidade – a que os cidadãos recorrem dão conta de que existe uma estrutura em rede, feita de várias parcerias e trabalho em conjunto, ainda que nem sempre seja uma rede estabelecida em termos formais.
  •  PEDROSO, João CV - Não disponível 
  •  BRANCO, Patrícia CV - Não disponível 
  •  CASALEIRO, Paula CV - Não disponível 

PAP1172 - Acidentes de trabalho e experiências individuais de risco: da inclusão à exclusão
Resumo de PAP1172 - Acidentes de trabalho e experiências individuais de risco: da inclusão à exclusão 
PAP1172 - Acidentes de trabalho e experiências individuais de risco: da inclusão à exclusão

Actualmente vivemos um período de crise severa que assume formas insidiosas no domínio laboral patente no modo como os pressupostos sobre o trabalho e os seus direitos têm sido avaliados. Estas mudanças para além de terem transformado as noções de tempo e espaço de trabalho, têm contribuído para a erosão dos direitos laborais, a degradação das condições de trabalho e o aumento da população trabalhadora exposta a situações de vulnerabilidade e de exclusão social. Os acidentes de trabalho aparecem como indicador da deterioração das condições de trabalho e parecem contribuir fortemente para o agudizar de situações de fragilidade e precariedade. Apesar do esforço global para diminuir este flagelo, os acidentes de trabalho continuam a registar valores elevados em todo o mundo, não sendo Portugal excepção. É objectivo desta comunicação dar conta, por um lado, do modo como a ocorrência de um acidente de trabalho altera a trajectória individual, social e familiar de um indivíduo, passando este de uma condição de trabalhador a uma condição de incapacitado. Por outro lado, atendendo ao facto de as condições de trabalho serem vivenciadas, por cada um, de forma diferente e os seus efeitos dependerem não só do percurso profissional e do contexto de trabalho, mas também da percepção que cada um pode ter em função das suas especificidades físicas, psicológicas e sociais, procura-se discutir os cenários de reparação e reabilitação dos trabalhadores vítimas de acidente de trabalho. A história dos acidentes contada pelos trabalhadores mostra que estes não têm apenas consequências em termos da capacidade de trabalho perdida, ou de ganho, uma vez que o trabalhador não deixa apenas de receber o seu salário ou de ter a sua capacidade produtiva diminuída. O acidente tem também consequências ao nível da realização pessoal e do reportório emocional face ao valor e sentido do trabalho, na medida em que se assiste com o decorrer de um acidente de trabalho a uma mudança de estatuto, ganhando o trabalho um determinado valor e sentido. Parece existir, após o acidente, uma dignificação pelo trabalho que é destruída pela incapacidade de não poder voltar a trabalhar. A identificação de diversos percursos após a ocorrência de um acidente de trabalho e o modo como os trabalhadores retornam ou não ao mundo do trabalho possibilita, assim, o reconhecimento do papel do trabalho enquanto promotor da cidadania, da qualidade de vida e de inclusão social.
  •  LIMA, Teresa Maneca CV - Não disponível 

PAP1484 - Acolhimento familiar de idosos: relações de intimidade ou de distanciamento?
Resumo de PAP1484 - Acolhimento familiar de idosos: relações de intimidade ou de distanciamento? 
PAP1484 - Acolhimento familiar de idosos: relações de intimidade ou de distanciamento?

O acolhimento de idosos por famílias registadas e acompanhadas pela Segurança Social pode representar uma alternativa interessante à institucionalização. Num contexto de crise económica e de aumento do desemprego, por um lado, e de dificuldade de conciliação do desempenho de uma profissão a tempo inteiro e prestação de cuidados aos mais velhos, por outro, o acolhimento familiar de idosos pode representar uma mais-valia tanto para os idosos, como para as famílias que os acolhem. No entanto, o estudo das vantagens e desvantagens efetivas desta resposta social, existente num número restrito de países de que Portugal faz parte, não tem merecido a atenção devida dos cientistas sociais. Em 2009 existiam em Portugal sensivelmente 1000 famílias de acolhimento de idosos registadas na Segurança Social, na sua maioria residentes no norte do país, que cuidavam de perto de 2000 adultos, a quem prestavam cuidados e com quem partilhavam o espaço residencial. Este apoio a um pequeno grupo de idosos por família implica a partilha de uma certa intimidade e o desenvolvimento de relações intergeracionais entre o cuidador e membros da família de acolhimento e os indivíduos acolhidos. Esta pesquisa analisa a dinâmica dessas relações intergeracionais singulares que têm uma base contractual promovida pela Segurança Social, a partir de observação participante e de entrevistas semi-estruturadas realizadas a 17 de idosos em famílias de acolhimento familiar. A dinâmica intergeracional estabelecida entre os idosos e os cuidadores não parece depender de fatores como a idade ou a saúde dos primeiros. Os resultados salientam que a dinâmica de relacionamento em termos de qualidade e intensidade das trocas emocionais e de serviços e atividades partilhadas são afetados por: 1) necessidade de um espaço de intimidade para a família e idoso acolhido, 2) estratégias para o preservarem e 3) interiorização de papéis. Uma tipologia que integra grupos com relacionamento “íntimo”, “próximo”, “neutro” ou “distanciado” põe em evidência situações em que predominam as vantagens para o idoso do atendimento personalizado mas também alguns contextos em que estes vivem experiências de desempoderamento nas famílias que os acolhem.
  •  MATOS, Alice Delerue CV - Não disponível 
  •  BORGES, Rita Neves CV - Não disponível 
  •  MARTINS, Elisabete CV - Não disponível 

PAP1489 - Adolescentes y jóvenes inmigrantes en Huelva y Sevilla (España): Factores explicativos de aspiraciones y expectativas educativas y laborales
Resumo de PAP1489 - Adolescentes y jóvenes inmigrantes en Huelva y Sevilla (España): Factores explicativos de aspiraciones y expectativas educativas y laborales 
PAP1489 - Adolescentes y jóvenes inmigrantes en Huelva y Sevilla (España): Factores explicativos de aspiraciones y expectativas educativas y laborales

La investigación de los procesos de integración de adolescentes y jóvenes inmigrantes ha sido de gran interés en diversos países con experiencia migratoria. España ha visto crecer en los últimos años la proporción de población extranjera matriculada en colegios e institutos, al mismo tiempo que hay un incremento de la llamada segunda generación de inmigrantes ya nacidos en el país de destino migratorio de sus padres. Algunos de estos hijos de inmigrantes tienen aspiraciones y expectativas educativas y laborales más elevadas mientras que en otros casos son más moderadas/ bajas probablemente influenciados por sus trayectorias biográficas, su contexto social y familiar, amén de otros factores. Esta comunicación muestra los resultados de dos investigaciones paralelas realizadas en las provincias de Huelva y de Sevilla (Andalucía, España) basadas en la ejecución de dos encuestas a muestras representativas de adolescentes y jóvenes en los ámbitos de estudio. En este trabajo describimos las aspiraciones y expectativas educativas y laborales de estos adolescentes y jóvenes inmigrantes. También medimos el prestigio ocupacional de las aspiraciones y expectativas laborales señaladas. Con la ayuda del análisis cuantitativo multivariable se han examinado los vínculos entre aspiraciones y expectativas de adolescentes y jóvenes, así como otros factores claves. Consideramos diferentes variables como su percepción de discriminación, su interés por mantener las tradiciones familiares, sus identificaciones, su percepción de oportunidades para lograr estudios universitarios, redes sociales, capital humano, lengua, etc. En este trabajo se comparan los resultados obtenidos en los estudios de caso de Huelva y Sevilla, y se estudia si los factores asociados a mayores aspiraciones y expectativas tienden a ser los mismos.
  • GUALDA, Estrella CV de GUALDA, Estrella
  •  PEÑA, María José CV - Não disponível 
Estrella Gualda holds a PhD in Sociology and a MA in Politics and Sociology Sciences from the Complutense University of Madrid. She is a Professor in Sociology at the University of Huelva and Director of the Social Studies and Social Intervention Research Center. She has directed numerous projects and published several books, book chapters and scientific articles in the field of sociology, migrations, crossborder issues and social networks. Email: estrellagualda@gmail.com

PAP0561 - Age of dissent: competing representations of youth protest in Britain 2010-11
Resumo de PAP0561 - Age of dissent: competing representations of youth protest in Britain 2010-11 
PAP0561 - Age of dissent: competing representations of youth protest in Britain 2010-11

Many academic commentators and journalists have argued that, after a period of relative quietude, 2010-2011 has seen an upsurge of protest, activism and resistance by a generation of newly politicised young people in the UK. This was initially focussed on resistance to an increase in student tuition fees, but broadened to encompass a wide variety of demands for social, economic and intergenerational justice. This paper focuses not so much on these new forms of resistance themselves, but on representations of them in both mainstream and activist media. Specifically, I focus upon the different ways in which both media commentators and activists themselves frame the historical significance (or otherwise) of these new forms of activism. Via a close reading of a select range of representative texts, I map the different ways in which new forms of resistance are compared and contrasted with earlier outbreaks of protest and activism (particularly the upheavals associated with “1968”). Broadly speaking, I highlight three different strategies of representation/comparison of current forms of activism with earlier periods. These are: narratives of dismissal (whereby current forms of protest are framed as inconsequential or insignificant compared to earlier manifestations), narratives of revitalisation (whereby current protests are framed as rekindling a dormant radical spirit) and narratives of novelty (in which current forms of activism are framed as significant, but radically dissimilar to early incarnations). By examining the different narrative techniques that are used to frame the historical significance (or otherwise) of new forms of protest, I argue that comparisons with the past are fundamental both to how activists perceive their own activities, and how youth protest is understood and responded to in popular discourse. Consequently, a focus on the discursive construction of contemporary political history should occupy a central role in the theory and analysis of social movement activism.
  •  DEAN, Jonathan CV - Não disponível 

PAP0359 - Agenda 21Local e a questão da sustentabilidade: interfaces das experiências brasileira e portuguesa
Resumo de PAP0359 - Agenda 21Local e a questão da sustentabilidade: interfaces das experiências brasileira e portuguesa PAP0359 - Agenda 21Local e a questão da sustentabilidade: interfaces das experiências brasileira e portuguesa
PAP0359 - Agenda 21Local e a questão da sustentabilidade: interfaces das experiências brasileira e portuguesa

A Rio-92 foi um Fórum Mundial no qual o modelo hegemônico de desenvolvimento da sociedade industrial foi criticado e apontado como responsável pela degradação ambiental. Nele foi elaborado o documento denominado de Agenda 21(AG21), definida como um instrumento de planejamento sustentável participativo e de desenvolvimento territorial. No seu processo de elaboração e implantação estão contidos mecanismos que podem ou não contribuir para uma efetiva participação cidadã. A cidadania é orientada pelos anseios crescentes do cidadão pertencer a uma coletividade. Essa noção político pedagógica, incorporada, por exemplo, no processo organizativo de comunidades locais, pode favorecer um determinado sistema de alianças em prol da participação na elaboração das Agendas 21 Local (A21L) prevista no capítulo 28 da Agenda 21 Global (A21G). As práticas educativas no campo ambiental começaram a ser incorporadas não só em âmbitos institucionais formais, sob a égide da reconstituição de uma suposta “ordem”, como também acolhendo iniciativas pelas quais procuram atribuir legitimidade a uma diversidade de ambientes compatíveis com a pluralidade dos sujeitos. A sustentabilidade configura-se como uma possibilidade de resposta aos processos de degradação ambiental do planeta decorrentes do modelo de desenvolvimento dominante na sociedade moderna. As práticas educativas ambientais podem contribuir com a construção de novos valores culturais voltados para uma sociedade sustentável, democrática, participativa e socialmente justa. A revisão do modelo de desenvolvimento existente, baseado em hábitos consumistas de difícil reversão, necessita de um enfoque sócio educativo dessa natureza. Por esse raciocínio, ambiente e sustentabilidade configuram-se como saberes articuladores da diversidade de novos valores éticos e integração de processos ecológicos, tecnológicos e culturais. O Estudo tratou de processos e dinâmicas de elaboração de AG21L nos contextos português e brasileiro. Resulta como parte das atividades desenvolvidas no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, em Portugal. Por meio de uma pesquisa bibliográfica analisou a produção acadêmica, políticas governamentais, diretrizes de agências multilaterais e/ou regionais, como é o caso da Comunidade Européia, e relatos ou projetos de experiências locais de atores diversos, referentes a essa temática. Na análise foi identificada uma transversalidade expressiva de documentos que dão conta de políticas de ordenamento territorial, tais como, os planos diretores, os planos de desenvolvimento local, os planos de gestão ambiental, mas que nem sempre dialogam ou estabelecem interfaces com os processos de elaboração das Agendas 21, particularmente na escala local, em ambas as realidades estudadas, a brasileira e a portuguesa. Palavras-Chave: Agenda 21, Desenvolvimento Local, Sustentabilidade, Território
  • SILVA, Martia das Graças CV de SILVA, Martia das Graças
Maria das Graças da Silva
Pos-Doutoramento em Sociologia Ambiental ( ICS/PT), doutorado em
Planejamento Urbano e Regional (UFRJ, 2002), possui graduação em
Ciências Sociais pela UFPA (1979). É professora Adjunta da
Universidade do Estado do Pará (UEPA), integra o Programa de
Pós-Graduação Stritu Sensu, Mestrado em Educação, com experiência em
orientação acadêmica de dissertação e Trabalho de Conclusão de Curso
de Graduação e especializãção na área de educação em ambientes não
escolares e questões ambientais. Tem publicado vários artigos em
periódicos nacionais, em Anais de Congresso, capítulos de livro, livro
em co-autoria e experiência na área de Sociologia e sociologia
ambiental, Planejamento Territorial, atuando principalmente com os
seguintes temas: práticas educativas, educação ambiental, meio
ambiente, saberes locais e pesquisa. Atualmente exerce o cargo de
Vice-Reitora da UEPA, mandato 2009-13.

PAP0689 - Agroindústria familiar e sustentabilidade: um estudo de caso sobre o Programa Matas Legais em Santa Catarina, Brasil
Resumo de PAP0689 - Agroindústria familiar e sustentabilidade: um estudo de caso sobre o Programa Matas Legais em Santa Catarina, Brasil PAP0689 - Agroindústria familiar e sustentabilidade: um estudo de caso sobre o Programa Matas Legais em Santa Catarina, Brasil
PAP0689 - Agroindústria familiar e sustentabilidade: um estudo de caso sobre o Programa Matas Legais em Santa Catarina, Brasil

O texto discute a formação da temática ambiental na sociedade contemporânea, seus desdobramentos e determinações, com ênfase no problema das relações de produção e organização produtiva. Analisa-se como esta temática se constrói por meio do estudo de caso do Programa Matas Legais (PML), desenvolvido em parceria pela empresa Klabin Celulose S.A. e pela ONG APREMAVI (Associação de Preservação ao Meio Ambiente e a Vida). Este Programa constitui um projeto de fomento florestal ambientalmente correto nas pequenas e médias propriedades de agricultores familiares nos Estados de Santa Catarina e Paraná (Brasil) para a produção de madeira para papel e celulose, com mecanismos de apoio do Estado e supõe uma perspectiva conservacionista. Nesse processo, as relações de produção não são determinadas fundamentalmente pela parceria entre a empresa e a ONG, mas envolvem os mercados transnacionais de papel, celulose e conservação, bem como o Estado, por meio das políticas de crédito agrícola. Essas relações afetam o setor produtivo agrícola, em especial a agricultura familiar, impelindo-o ao processo de agroindutrialização. A temática ambiental tem sido amplamente absorvida pelo mercado, mas ainda é um assunto secundário à concepção do desenvolvimento social, e que os argumentos em torno da temática ambiental permanecem atrelados e subordinados ao tema da eficiência econômica. Para compreender concretamente como ocorre essa apropriação da temática ambiental pelo processo produtivo e sua conversão em mercadoria (mercadoria verde), observamos o processo de produção e valorização (valor verde) da madeira para papel e celulose no plantio de eucalipto, e suas consequências socioeconômicas, trabalhistas e ambientais. O estudo de caso foi representativo para os objetivos da pesquisa devido à articulação, no mesmo processo produtivo, de uma empresa privada – indústria de papel e celulose, geralmente vista como agressora do meio ambiente pelos ambientalistas – junto com uma ONG ambientalista – que combate formas de produção destrutivas. Essa contradição se revelou bastante curiosa, principalmente porque o Programa inclui agricultores rurais categorizados como agricultores familiares. A articulação desses três atores envolve ainda instituições públicas em diferentes níveis – programas federais de incentivo agrário, prefeituras, secretarias e institutos de pesquisa agrária. O estudo demonstra como a temática ambiental se processa em mercadoria, as contradições, os efeitos sociais e a influência do discurso ecopolítico sobre esse processo. Constatamos que a lógica do consumo predatório do meio ambiente é resultado necessário das relações sociais de produção próprias ao capitalismo e que a defesa do meio ambiente só será eficaz na medida em que for incorporada estruturalmente à ação política fundada em outra ordem de necessidades que supere as determinadas pela lógica do capital.
  • MULLER, Ricardo CV de MULLER, Ricardo
  •  DIAMICO, Manuela CV - Não disponível 
Ricardo Gaspar Müller: professor associado do Departamento deSociologia e Ciência Política e Coordenador do Programa de Pós-graduação emSociologia Política (PPGSP) – gestão 2012/2014 – da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), Florianópolis, Brasil. Coordenador epesquisador do Núcleo de Estudos das Transformações do Mundodo Trabalho (TMT/CFH/UFSC). Linhas de pesquisa em que atua: Ideias,Instituições e Práticas Políticas; Mundos do Trabalho. Membrodo comitê editorial de Política e Sociedade: revista de SociologiaPolítica (PPGSP/UFSC).Professor do Departamento de ComunicaçãoSocial da Universidade Federal Fluminense (UFF), de 1980 a 1997.Visiting Scholar naUniversidade de Nottingham (1993/1994 e 2001). Pós-doutorado em Sociologia pela UniversidadeFederal do Rio de Janeiro (UFRJ).Doutor em História Social pela Universidade de SãoPaulo (USP). Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG).

PAP0152 - Agroindústria familiar e sustentabilidade: um estudo de caso sobre o Programa Matas Legais em Santa Catarina, Brasil.
Resumo de PAP0152 - Agroindústria familiar e sustentabilidade: um estudo de caso sobre o Programa Matas Legais em Santa Catarina, Brasil. PAP0152 - Agroindústria familiar e sustentabilidade: um estudo de caso sobre o Programa Matas Legais em Santa Catarina, Brasil.
PAP0152 - Agroindústria familiar e sustentabilidade: um estudo de caso sobre o Programa Matas Legais em Santa Catarina, Brasil.

O texto discute a formação da temática ambiental na sociedade contemporânea, seus desdobramentos e determinações, com ênfase no problema das relações de produção e organização produtiva. Analisa-se como esta temática se constrói por meio do estudo de caso do Programa Matas Legais (PML), desenvolvido em parceria pela empresa Klabin Celulose S.A. e pela ONG APREMAVI (Associação de Preservação ao Meio Ambiente e a Vida). Este Programa constitui um projeto de fomento florestal ambientalmente correto nas pequenas e médias propriedades de agricultores familiares nos Estados de Santa Catarina e Paraná (Brasil) para a produção de madeira para papel e celulose, com mecanismos de apoio do Estado e supõe uma perspectiva conservacionista. Nesse processo, as relações de produção não são determinadas fundamentalmente pela parceria entre a empresa e a ONG, mas envolvem os mercados transnacionais de papel, celulose e conservação, bem como o Estado, por meio das políticas de crédito agrícola. Essas relações afetam o setor produtivo agrícola, em especial a agricultura familiar, impelindo-o ao processo de agroindutrialização. A temática ambiental tem sido amplamente absorvida pelo mercado, mas ainda é um assunto secundário à concepção do desenvolvimento social, e que os argumentos em torno da temática ambiental permanecem atrelados e subordinados ao tema da eficiência econômica. Para compreender concretamente como ocorre essa apropriação da temática ambiental pelo processo produtivo e sua conversão em mercadoria (mercadoria verde), observamos o processo de produção e valorização (valor verde) da madeira para papel e celulose no plantio de eucalipto, e suas consequências socioeconômicas, trabalhistas e ambientais. O estudo de caso foi representativo para os objetivos da pesquisa devido à articulação, no mesmo processo produtivo, de uma empresa privada – indústria de papel e celulose, geralmente vista como agressora do meio ambiente pelos ambientalistas – junto com uma ONG ambientalista – que combate formas de produção destrutivas. Essa contradição se revelou bastante curiosa, principalmente porque o Programa inclui agricultores rurais categorizados como agricultores familiares. A articulação desses três atores envolve ainda instituições públicas em diferentes níveis – programas federais de incentivo agrário, prefeituras, secretarias e institutos de pesquisa agrária. O estudo demonstra como a temática ambiental se processa em mercadoria, as contradições, os efeitos sociais e a influência do discurso ecopolítico sobre esse processo. Constatamos que a lógica do consumo predatório do meio ambiente é resultado necessário das relações sociais de produção próprias ao capitalismo e que a defesa do meio ambiente só será eficaz na medida em que for incorporada estruturalmente à ação política fundada em outra ordem de necessidades que supere as determinadas pela lógica do capital.
  • MULLER, Ricardo CV de MULLER, Ricardo
  •  DIAMICO, Manuela CV - Não disponível 
Ricardo Gaspar Müller: professor associado do Departamento deSociologia e Ciência Política e Coordenador do Programa de Pós-graduação emSociologia Política (PPGSP) – gestão 2012/2014 – da Universidade Federal de Santa Catarina(UFSC), Florianópolis, Brasil. Coordenador epesquisador do Núcleo de Estudos das Transformações do Mundodo Trabalho (TMT/CFH/UFSC). Linhas de pesquisa em que atua: Ideias,Instituições e Práticas Políticas; Mundos do Trabalho. Membrodo comitê editorial de Política e Sociedade: revista de SociologiaPolítica (PPGSP/UFSC).Professor do Departamento de ComunicaçãoSocial da Universidade Federal Fluminense (UFF), de 1980 a 1997.Visiting Scholar naUniversidade de Nottingham (1993/1994 e 2001). Pós-doutorado em Sociologia pela UniversidadeFederal do Rio de Janeiro (UFRJ).Doutor em História Social pela Universidade de SãoPaulo (USP). Mestre em Sociologia pela Universidade Federal de Minas Gerais(UFMG).

PAP0297 - Alcance Analítico do Modelo de Profissões: reflexões a partir do caso da Administração de Empresas
Resumo de PAP0297 - Alcance Analítico do Modelo de Profissões: reflexões a partir do caso da Administração de Empresas 
PAP0297 - Alcance Analítico do Modelo de Profissões: reflexões a partir do caso da Administração de Empresas

Qual o principal desafio colocado para a sociologia das profissões? Conseguir criar uma teoria que seja abrangente o suficiente para explicar todos os grupos profissionais, inclusive aqueles que nasceram na ou em função das organizações burocráticas racionais modernas. Até agora isto não foi possível. Algumas dos principais esforços da sociologia das profissões tem sido explicar a conquista da legitimidade e a aquisição e manutenção da autoridade e do poder profissional. Tradições teóricas distintas têm respostas diferenciadas para estas questões não havendo, dentro da sociologia das profissões, um consenso sobre quais seriam os fatores determinantes ou a condição indispensável para a obtenção da autoridade e poder profissional. Mas mesmo sem haver uma teoria das profissões configurou-se entre os analistas um consenso mínimo sobre quais seriam os elementos característicos dos grupos profissionais de maior status, o que possibilitou a criação de um modelo de profissões, a que muitos chamam de tipo ideal de profissão. É inegável que o modelo de profissões tem um alto valor explicativo quando buscamos entender a autoridade e a posição de poder alcançada pelas chamadas profissões liberais tradicionais. Contudo, o modelo falha quando o objeto de análise se desloca das profissões tradicionais para as profissões mais recentes, em especial, aquelas vinculadas ao mercado corporativo. Neste último caso, seu potencial explicativo é praticamente nulo uma vez que estas profissões em quase nada se assemelham às profissões tradicionais liberais. Um caso exemplar é a administração. Se perguntarmos a um analista das profissões, A administração é uma profissão? Ele tenderá a responder, Não. E por que não? Porque os administradores ainda não monopolizam o mercado, porque não tem um saber exclusivo, porque não foram capazes de estabelecer internamente critérios de controle sobre seu trabalho, enfim, seriam várias justificativas teóricas para dizer não. Esta “negativa teórica”, porém, não muda o fato que a administração, mesmo não contemplando os elementos estabelecidos pelo modelo de profissões, é aceita socialmente como uma profissão e que sua autoridade profissional está suficientemente legitimada no espaço social a ponto de não ser questionada. É tendo como referencia o caso emblemático da administração que se consolida a proposta desta comunicação que objetiva refletir sobre os limites do modelo das profissões quando este é aplicado a análise de grupos cuja origem e a relação que estabelecem com o conhecimento e com o mercado são distintos daqueles típicos das profissões liberais tradicionais. Para apoiar as reflexões serão utilizados os resultados de uma pesquisa que delineou a percepção dos alunos sobre a autoridade profissional da administração. A pesquisa foi realizada com 104 alunos do último período do curso de bacharelado em Administração de duas faculdades privadas de Belo Horizonte.

PAP1199 - Algumas reflexões sobre o papel do Estado na sociedade
Resumo de PAP1199 - Algumas reflexões sobre o papel do Estado na sociedade PAP1199 - Algumas reflexões sobre o papel do Estado na sociedade
PAP1199 - Algumas reflexões sobre o papel do Estado na sociedade

Entre os anos 30 e 60 o Estado impulsionou o desenvolvimento econômico e social através de um investimento forte em despesas sociais, (Bresser Pereira, 1997; Bajoit, 2006; Palier, 2008). A partir dos anos 70 com a crise do Estado social, a que se segue, nos anos 1980, a queda do crescimento nos países centrais e o colapso dos regimes estadistas do bloco soviético, a responsabilidade das reformas econômicas foi canalizada para o mercado (Bresser Pereira, 1997). Entretanto, a crise financeira de 2008 colocou em evidência as consequências de se prescindir do Estado. Deste modo, cabe ao Estado neutralizar ou mitigar os mecanismos de poder dentro do mercado, por isso, o Estado é o elemento indispensável à neutralização da tendência dos mercados reais a serem penetrados por oligopólios e monopólios (Reis, 2006:184). Portanto, a questão central é a necessidade de uma reflexão sobre o papel que o Estado deve desempenhar na sociedade. Logo, é imprescendível repensar a sua reconstrução (Bresser Pereira, 1997), contra a ideia de um Estado mínimo (Palier, 2008), que se faz alterando a sua função de Estado-prestador para a de um Estado-serviço (Soulet, 2006) entre as várias metamorfoses que podem ser consideradas. A partir do levantamento bibliográfico o estudo busca compreender como o Estado - como fator de desenvolvimento econômico e social, fundamental ao desenvolvimento de um país, - poderá contribuir para melhorar as condições de bem-estar social através da sua atuação enquanto agente regulador e fomentador da economia. Todavia, tais desafios só serão possíveis quando o Estado resgatar sua autonomia, reconstruir suas bases, para um Estado forte, ativo, regulador, indutor, interventor, mas, sobretudo coordenador da economia.
  • MAIA, Maria de Fátima Rocha CV de MAIA, Maria de Fátima Rocha
Maria de Fátima Rocha MAIA, mestre em economia – CEDEPLAR/UFMG – Brasil, doutoranda em sociologia econômica do trabalho e das organizações - FCSH/UNL. Profª deptº de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros – Brasil. Linhas de pesquisa - Economia Regional; Economia Social e Desenvolvimento; Políticas Públicas e Responsabilidade Social.
Capítulos de livros publicados: Algumas Considerações do Comportamento Recente do Setor Têxtil: um Enfoque em Alguns Municípios Norte Mineiros; Responsabilidade social empresarial no Estado de Minas Gerais - Brasil: breves considerações; Universidades e desenvolvimento regional: Contribuições da Unimontes no Norte de Minas Gerais.
Artigos completos publicados em periódicos: Desigualdades Sociais no Norte de Minas e o Papel das Empresas no Enfrentamento das Questões Sociais; Ética e auto interesse.



PAP1206 - Alguns dados sobre as competências de uma nova atividade profissional no campo da justiça: o Mediador Familiar como gestor do “social”
Resumo de PAP1206 - Alguns dados sobre as competências de uma nova atividade profissional no campo da justiça: o Mediador Familiar como gestor do “social” 
PAP1206 - Alguns dados sobre as competências de uma nova atividade profissional no campo da justiça: o Mediador Familiar como gestor do “social”

A comunicação tem como objetivo apresentar os resultados provenientes de uma investigação dedicada à análise de algumas competências de gestão construtiva de conflitos e de negociação eficaz por parte de mediadores familiares do primeiro gabinete público de mediação familiar de Portugal. O mediador familiar constitui uma atividade profissional nova no campo da justiça, sendo o mesmo, fundamentalmente, um facilitador das inter-relações sociais dos sujeitos mediados e um ator social informado por um paradigma de pacificação das relações entre os envolvidos. O exercício desta atividade profissional pressupõe a posse de determinado tipo de competências de diferente índole, entre as quais se destacam as de gestão construtiva de litígios e as de negociação de modo a se alcançar o acordo social. Recorrendo a uma metodologia exclusivamente quantitativa, o estudo teve como amostra-piloto 10 mediadores familiares, os quais responderam aos instrumentos ROCI II (Rahim Organizational Conflict Inventory), como forma de avaliar a utilização de diferentes estilos de gestão de conflito em contexto de mediação familiar, e o CENII (Questionário de Eficácia Negocial), de modo a aferir as competências de negociação eficaz dos mesmos nesse domínio. Os resultados apontam no sentido de que deter algumas das competências especificamente aqui investigadas podem estar na base de alguma eficácia na gestão do “social” no âmbito da conflitualidade familiar.
  • CUNHA, Pedro CV de CUNHA, Pedro
Pedro Cunha

Pós-Doutorado em Psicologia na USC, sob orientação dos Profs. Doutores Gonzalo Serrano (Espanha) e Jorge Correia Jesuíno (Portugal). Doutor em Psicologia pela USC (bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia), Licenciado em Psicologia e Mestre em Psicologia Clínica e da Saúde pela FEP da Universidade Católica e Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Letras do Porto, possui Certificado de Mediador de Conflitos e Mediador Familiar.

Director da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa (2001-2004), na qual é Professor Associado com Agregação. Docente convidado da FEP – Faculdade de Economia e na EGP/Business School da Universidade do Porto. Os seus interesses de investigação direccionam-se prioritariamente para as áreas de gestão de conflitos, negociação e mediação.


PAP0917 - Alimentação, Austeridade e Criatividade: consumo e cidadania nas cantinas escolares
Resumo de PAP0917 - Alimentação, Austeridade e Criatividade: consumo e cidadania nas cantinas escolares  PAP0917 - Alimentação, Austeridade e Criatividade: consumo e cidadania nas cantinas escolares
PAP0917 - Alimentação, Austeridade e Criatividade: consumo e cidadania nas cantinas escolares

Em Portugal, a alimentação escolar desempenha um forte papel no acesso ao consumo alimentar e na atenuação dos impactos da pobreza. Muitas vezes, crianças e jovens tem acesso à única refeição quente do dia através deste importante sistema de provisão. Para além disso, esta refeição é juridicamente contornada por critérios de qualidade, segurança, higiene alimentar e nutrição. Porém, este sistema de provisão, sustentado numa forte presença do Estado Social, encontra-se fragilizado na sequencia da crise financeira despoletada em 2008 e, mais concretamente, pelas atuais políticas de austeridade e de reconfiguração institucional e administrativa do sector público. Questões como o aumento do IVA nas refeições escolares, dívidas aos fornecedores, cortes na despesa e estruturas orgânicas do Estado ameaçam a eficácia e abrangência deste sistema. Este último visa, por um lado, contribuir para a segurança alimentar dos mais carenciados e, por outro, para a adequação dos hábitos alimentares da população juvenil aos critérios biomédicos regidos pelos discursos da saúde e da nutrição. Embora a crise venha acentuar as assimetrias no acesso ao consumo alimentar, já conduziu a processos de inovação nos modos de aprovisionamento alimentar. É o caso de algumas cantinas que permanecem abertas durante todo o período lectivo. Situações como esta, em que se evidencia o papel determinante de certos agentes sociais na produção de inclusão social, e por isso mesmo, manifestando alguns elementos de uma cidadania ativa, conduzem-nos à análise de processos criativos diversificados para colmatar a ação fragilizada do Estado. Por recurso a um conjunto de entrevistas realizadas a agentes institucionais determinantes nestes processos (câmaras municipais, escolas, entre outros) procurámos compreender o papel da criatividade e da cidadania na flexibilização institucional em algumas escolas da região de Lisboa. Para tal, partimos do modelo dos modos de provisão de Warde (2002) para explorar os circuitos múltiplos de acesso ao consumo alimentar das populações escolares mais vulneráveis.
  • TEIXEIRA, José CV de TEIXEIRA, José
  • TRUNINGER, Mónica CV de TRUNINGER, Mónica
  • HORTA, Ana CV de HORTA, Ana
  • SILVA, Vanda CV de SILVA, Vanda
  • ALEXANDRE, Sílvia CV de ALEXANDRE, Sílvia

José Pedro Teixeira, licenciado em Sociologia no ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa) em 2010, está actualmente está a terminar o mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias de informação na mesma instituição e é bolseiro de investigação no ICS –UL (Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa) desde 2011 no âmbito do projecto “FCT (2011-2014) (PTDC/CS-SOC/111214/2009): “Entre a Escola e a Família: conhecimentos e práticas alimentares das crianças em idade escolar”. Os seus interesses de investigação são a sociologia do consumo, sociologia da alimentação e das desigualdades sociais.
Mónica Truninger, socióloga, integrou o Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa (ICS-UL) em 2008 como investigadora auxiliar. Tem uma Licenciatura em Sociologia pelo ISCTE (1996), trabalhou como assistente de investigação no Observa entre 1997 e 2001 em vários projectos sobre ambiente e sociedade. Em 2001 vai para Inglaterra onde fez o seu doutoramento em Sociologia na Universidade de Manchester. A tese intitulada Organic Food in Portugal: Conventions and Justifications tratou o consumo e o mercado dos produtos de agricultura biológica em Portugal, particularmente na cidade de Lisboa. Entre 2005 e 2008 integrou uma equipa interdisciplinar das Universidades de Bangor (País de Gales) e de Surrey (Inglaterra) como investigadora de pós-doutoramento. Antes do regresso a Portugal, passou ainda pela Universidade de Cardiff (País de Gales) onde foi assistente de investigação num projecto comparativo entre o Reino Unido e Itália sobre ementas escolares e sustentabilidade. Em 2010 publicou o livro O Campo Vem à Cidade – Agricultura Biológica, Mercado e Consumo Sustentável, editado pela Imprensa de Ciências Sociais. E em 2012 publicará o livro em co-autoria com Mara Miele intitulado Children, Food and Nature: linking the plate and the planet through school meals (Ashgate). Tem publicado artigos em revistas internacionais como: Journal of Consumer Culture; Food Trends in Science and Technology; International Journal of Agricultural Resources, Ecology and Governance e International Journal of Life Cycle Assessment.
Investigadora de pós-doutoramento no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Membro da equipa de investigação do Observa – Observatório de Ambiente e Sociedade. Doutoramento em Sociologia da Comunicação, Cultura e Educação, licenciatura em Sociologia e mestrado em Comunicação, Cultura e Tecnologias da Informação pelo ISCTE. Actualmente participa em projectos de investigação sobre questões sociais relacionadas com energia, sustentabilidade e alimentação.
Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1995), mestrado em Educação (2000) e doutorado em Ciências Sociais (2005) pela UNICAMP. Atualmente é investigadora Pós-doc da FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) no CRIA (Centro em Rede de Investigação em Antropologia)-ISCTE-IUL (Instituto Universitário de Lisboa); pesquisadora colaboradora do CERES (Centro de Estudos Rurais-UNICAMP, Brasil) e membro da equipa de editores da RURIS, a revista deste mesmo centro. Tem experiência na área de Ciências Sociais, Antropologia, com ênfase em Antropologia rural; vem trabalhando e colaborando com vários pesquisadores, tanto em Portugal como no Brasil. Os temas das pesquisas são os seguintes: sexualidades, jovens, gênero, ruralidades, educação, alimentação, mobilidades, imagens.
Sílvia Alexandre é Investigadora de pós-doutoramento no SOCIUS - ISEG/UTL com bolsa da Fundação de Ciência e Tecnologia. Doutorada em Gestão (Especialidade em Organização e Desenvolvimento dos Recursos Humanos) pelo ISCTE e Mestre em Sistemas Socio-organizacionais da Atividade Económica pelo ISEG (Instituto Superior de Economia e Gestão). Atualmente está a desenvolver trabalhos na área do consumo sustentável, da publicidade e da alimentação.

PAP1524 - Alimentação, saúde e componentes familiares do risco
Resumo de PAP1524 - Alimentação, saúde e componentes familiares do risco 
PAP1524 - Alimentação, saúde e componentes familiares do risco

A alimentação assume um papel crucial nas práticas familiares de promoção da saúde e de prevenção da doença. Trata-se de um fenómeno sobejamente conhecido, dada a crescente e intensa informação divulgada, mormente sobre os efeitos dos exageros do açúcar, do sal, das gorduras, das bebidas alcoólicas e gaseificadas, dos pratos fast-food…Estes podem aumentar os riscos da diabetes, das doenças cardiológicas, do colosterol, das doenças hepáticas, entre outras. Situações desta natureza, fazendo incorrer em vários riscos, interpelam suficientemente a família, a principal prestadora de cuidados de saúde. Geralmente, é num caldo familiar e cultural, que desde a mais tenra idade, se forjam os gostos alimentares, podendo vir a oferecer resistência à mudança logo que surja a questão de mais investimento na promoção da saúde. Apoiando-nos num trabalho de campo de índole comparativa, financiado pela FCT, à base de inquéritos em quatro concelhos situados no norte, no centro e no sul do país, propomo-nos estudar o sentido e as estratégias elaboradas pelas famílias perante estes riscos largamente debatidos nos media e objecto de advertência por parte dos profissionais de saúde.
  •  LEANDRO, Maria Engrácia CV - Não disponível 
  •  PEREIRA, Maria da Graça CV - Não disponível 
  •  OLIVEIRA, Ângela Miranda CV - Não disponível 
  •  LEANDRO, Ana Sofia da Silva CV - Não disponível 

PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements
Resumo de PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements
PAP0213 - Alter-globalisation, Politics and Citizenship: An Account out of Portuguese Social Movements

Social movements, and more concretely the alter-globalisation ones, are spaces that permit to maintain a certain public sphere, which is not reserved to a particular social class – that is to say, neither the bourgeoisie nor the popular strata, but rather it is about a sphere which aims for the universality by incorporating wide and diverse sectors of the society. Following Habermasian terms in particular and the language of the Frankfurt School’s critical theory in general, I assume that social movements construct “communicative reason” as when activists denounce “instrumental rationality” under its economicist and neo-liberal variant or when they call into question globalisation in its current and hegemonic form. They are places for “ideal speech situation”, that is, beyond their personal or private interests, beyond their idiosyncrasies, people through social movements discuss and debate publicly, rationally and critically about issues concerning the public realm. They use their reason for political matters. This concretely occurs notably via assemblies, print and virtual media. But, this is also the case through other repertoires of collective action as when they take to the streets during marches and demonstrations, as when they re-appropriate common kinds of public places as the square. This process also happens through the activation of various artistic expressions (dramaturgies, mises-en-scène, paintings, sculptures, songs, music, etc.), games, exchanges, sometimes around foods and drinks, all of them often taking place in the proper recuperated square. Hence, through the example of Portuguese alter-globalisation social movements, we shall also see how their members make public spheres and reinvent democracy. This happens via repertoires of collective action that are often considered as “non-conventional politics” and including as “irrational”, in particular by a certain Establishment and adversaries. However, we shall observe that these actions have, on the contrary, their own rationalities, which reappraise the concept of conventionality in politics and in democracy, and finally the ideas and practices of politics and democracy themselves. These are therefore the aspects I would like to develop in the following paper.
  • MASSE, Cédric CV de MASSE, Cédric
Trained in social sciences, notably in anthropology and sociology, Cédric Masse is working on topics related to social movements, non-governmental organisations (NGOs), civil society. More precisely, he is currently doing research on alter-globalisation and social movements in Portugal as part of a doctoral thesis in sociology at the Institute of Social Sciences of the University of Lisbon and with the financial support of FCT. This study also deals with sociology of action, knowledge and identity from an epistemological perspective. He published a book entitled Les organisations non-gouvernementales face aux gouvernants: Les rapports majeurs des ONG avec l’ONU, la Banque Mondiale et la Commission Européenne (2007, Paris, Editions Le Manuscrit).

PAP0514 - Alteridades imigração / crime violento
Resumo de PAP0514 - Alteridades imigração / crime violento 
PAP0514 - Alteridades imigração / crime violento

Os movimentos migratórios têm-se acentuado nos últimos anos, apesar de se afirmarem uma excepção à regra. Na verdade, apenas 3% da população mundial se encontra nesta condição, não fazendo verdadeiro jus à designação, de “século em movimento”. Os migrantes têm sido cruciais para o desenvolvimento das principais economias, disponibilizando mão-de-obra de baixo custo e contribuindo para o crescimento da população, factores frequentemente desconsiderados em épocas de crise e recessão. Apesar de plasmados internacionalmente determinados direitos inalienáveis a todos os seres humanos, os migrantes estão sujeitos às regulamentações específicas definidas por cada Estado, em contextos precisos. Os Estados, empossados de uma soberania pós-Vestefálica, regulamentam a entrada, permanência e saída de estrangeiros dos seus territórios, às quais os migrantes têm que se sujeitar. Votados com frequência a situações de irregularidade, muitos migrantes ingressam em esquemas criminosos na demanda de melhores condições de vida, tornando-se presas de grande vulnerabilidade. A resposta de alguns Estados tem sido crescentemente severa no que respeita à intolerância pela irregularidade, confundindo com frequência vítimas com ofensores. Estes papéis alternam por vezes, passando vítimas a ofensores e estes últimos a vítimas. No caso dos ofensores não nacionais em Portugal, e pensando no caso específico da criminalidade violenta, a recolha quantitativa e qualitativa de condenações referentes ao período de uma década (2002-2011), vem mostrar-nos que as diferenças em relação às condenações de cidadãos nacionais não são, aparentemente, significativas e que haverá factores a ter em conta na análise destes casos para um exame mais acurado deste problema. A forma como são apresentados estes casos pela comunicação social e o sentimento de insegurança que, dessa forma, é veiculado, tem contribuído para uma crescente intolerância. Maioritariamente permanece uma névoa de desconfiança, e endurecimento relativamente aos ofensores não nacionais, frequentemente sob a forma de medidas semelhantes à resposta dada à irregularidade. Procuramos nesta apresentação abordar questões acima levantadas, tentando identificar dilemas e soluções encontrados por vários Estados, focando em específico o caso português, para lidar com um problema que se afigura cada vez mais necessitado de atenção, uma vez que a Europa atravessa uma fase de envelhecimento da população, e por isso, de falta de mão-de-obra activa, fazendo-se não obstante acompanhar de um endurecimento de atitudes anti-imigração.
  •  GUIA, Maria João CV - Não disponível 

PAP0420 - Alternativas às Penas e às Medidas Socioeducativas no Brasil: estudo comparado entre os modelos de controle social punitivo de adultos e adolescentes
Resumo de PAP0420 - Alternativas às Penas e às Medidas Socioeducativas no Brasil: estudo comparado entre os modelos de controle social punitivo de adultos e adolescentes 
PAP0420 - Alternativas às Penas e às Medidas Socioeducativas no Brasil: estudo comparado entre os modelos de controle social punitivo de adultos e adolescentes

O estudo apresenta o quadro normativo brasileiro de alternativas às penas e às medidas (socioeducativas) e os mecanismos de diversificação processual presentes no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90), na Lei dos Juizados Especiais Criminais (Lei 9.099/95) e na Lei das Penas Alternativas (Lei 9.714/78). A partir de uma abordagem comparativa, avalia os sistemas de direito penal e de direito juvenil de resposta ao ilícito, enfatizando as sanções aplicáveis ao adolescente em conflito com a lei. Outrossim, avalia as similaridades entre o sistema de controle social de adolescentes (medidas socioeducativas) e portadores de sofrimento psíquico (medidas de segurança). Concretiza o estudo na análise da prestação de serviço à comunidade, problematizando a tensão entre as sanções alternativas ao encarceramento e a ampliação da rede do poder punitivo na contemporaneidade (punitivismo). O objetivo da investigação é a análise das formas de gestão do desvio punível no Brasil, sobretudo a ampliação da rede de controle com a institucionalização dos substitutivos penais (penas e medidas alternativas). A hipótese central do trabalho é de que as alternativas constituem-se como aditivos penais, ampliando (e não reduzindo) a rede de controle.
  •  WEIGERT, Mariana de Assis Brasil e CV - Não disponível 
  •  CARVALHO, Salo de CV - Não disponível 

PAP0068 - Ambiente e a teoria das redes: a perspectiva da justiça ambiental
Resumo de PAP0068 - Ambiente e a teoria das redes: a perspectiva da justiça ambiental PAP0068 - Ambiente e a teoria das redes: a perspectiva da justiça ambiental
PAP0068 - Ambiente e a teoria das redes: a perspectiva da justiça ambiental

A crescente complexidade das relações e das formas de organização da sociedade civil colocam as ciências sociais diante do desafio de compreender e de teorizar novas configurações, fundamentadas sobretudo no estabelecimento de vínculos e interlocuções coletivas. Neste contexto, o campo ambiental apresenta-se como campo privilegiado à medida que a chamada “questão ambiental” encontra sua construção não no consenso, mas na articulação da diversidade e no estabelecimento de alianças entre atores e causas distintas. Pretendemos, através da teoria das redes sociais aplicada ao campo ambiental, analisar um exemplo particularmente expressivo das novas dinâmicas de organização da sociedade civil: aquele que se desenvolve a partir dos movimentos e iniciativas em torno do que vem sendo designado por justiça ambiental. Os movimentos que assumem como bandeira de luta a justiça ambiental buscam evidenciar que em sociedade desiguais, são os grupos discriminados racialmente e as populações de baixa renda – enfim, grupos vulneráveis e marginalizados – a arcar com a maior carga dos danos ambientais gerados pelo desenvolvimento. Estes movimentos têm vindo a articular-se de modo a adquirir expressão nacional em vários países e transnacional, através do estabelecimento de alianças com ONG internacionais que atuam na área do ambiente. Tomaremos como exemplo a Rede Brasileira de Justiça Ambiental. Assim, realizaremos um diálogo com pontos relevantes presentes na metáfora das redes e na teoria das redes de movimentos sociais, buscando compreender a interpretação que estas fazem dos chamados novos movimentos sociais. Posteriormente, exporemos a trajetória e as principais características da Rede Brasileira de Justiça Ambiental e, finalmente, estabeleceremos relações com a discussão teórica apresentada inicialmente, analisando os limites e as possibilidades da aplicação desta interpretação aos conflitos sócio-ambientais.
  • PAES E SILVA, Lays Helena CV de PAES E SILVA, Lays Helena
  • DE CARVALHO, Lidiane Eluizete CV de DE CARVALHO, Lidiane Eluizete
Lays Helena Paes e Silva licenciada em História (1998/2004) pela Universidade Federal de Uberlândia e em Direito (1998/2003) pelo Centro Universitário do Triângulo; Mestre em Direito (2007-2009), na área de ciências jurídico-filosóficas, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, dissertação intitulada "A relação homem-natureza e o direito: ética, ecologia e direito do ambiente"; doutoranda em Democracia no século XXI (2009/2010), promovido pelo Centro de Estudos Sociais e pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Interesse de pesquisa centrado nas relações que estabelecemos com o ambiente, na inegável interação entre homem-sociedade e natureza, no ambiente compreendido como indissociável das questões e relações sociais e nas manifestações e utilizações do direito neste contexto. Projeto de tese é dedicado ao estudo da controvérsia que envolve o uso e extração do amianto no Brasil, uma análise que envolve questões como ambiente, trabalho e saúde, a partir da perspectiva da justiça ambiental.
Lidiane Eluizete de Carvalho licenciada em Direito (1997-2002) e Especialista em Direito Ambiental (2004) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); Mestre em Ciências Ambientais (2007/2008) pela Universidad Complutense de Madrid (UCM), dissertação intitulada “Participación Social, Democracia y Desarrollo Sostenible – Los Espacios para la Participación Social en la Gestión de las Aguas”; doutoranda em Democracia no século XXI (2009/2010), promovido pelo Centro de Estudos Sociais e pela Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (CES/FEUC) com projecto de tese em curso intitulado “Ambiente democrático: uma abordagem jus-sociológica e comparada da gestão participativa dos bens ambientais”. Atuou como pesquisadora no setor jurídico do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA-Jur) da PUC-Rio; assessora e consultora jurídico-ambiental nas áreas pública e privada e; professora de Direito Ambiental. Áreas de interesse de investigação: Democracia; Justiça Ambiental; Direito e Sociologia ambiental.

PAP1085 - Animação Sociocultural: imprecisões e ambiguidades de uma ocupação profissional
Resumo de PAP1085 - Animação Sociocultural: imprecisões e ambiguidades de uma ocupação profissional PAP1085 - Animação Sociocultural: imprecisões e ambiguidades de uma ocupação profissional
PAP1085 - Animação Sociocultural: imprecisões e ambiguidades de uma ocupação profissional

O presente artigo – surgido no âmbito do projecto de doutoramento “Animação Sociocultural, Actores e Controvérsias Públicas”, a decorrer na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa – tem como objectivo dar conta das problemáticas suscitadas no seio da Animação Sociocultural, problemáticas relacionadas com a definição do conceito de “Animação Sociocultural”, com as “licenças” e o “mandato” (Hughes, 1993), com o “poder profissional” (Freidson, 1986 e 1994), com a “jurisdição profissional” (Abbott, 1988) e com o “estatuto profissional”. Ao mesmo tempo, procura-se dar conta da pluralidade de justificações e/ou críticas apresentadas pelos seus protagonistas (Animadores Socioculturais com formação superior, estudantes finalistas de cursos superiores de Animação Sociocultural, professores desses mesmos cursos e dirigentes das associações que representam os Animadores Socioculturais) para as posições que vão assumindo nas controvérsias públicas em que se envolvem em torno dessas mesmas problemáticas. O trabalho de recolha exploratória de informação – através de documentos e através de entrevistas – com o propósito de perceber, por um lado, as posições que os vários protagonistas da Animação Sociocultural assumem face às problemáticas enunciadas e, por outro lado, os meios utilizados para dar expressão a essas mesmas posições, deixou clara a diversidade de posições que estes assumem, bem como a diversidade de meios utilizados para a sua expressão pública (jornais, revistas, fóruns de discussão, blogues, congressos, encontros, entre outros). Desta maneira, à luz da perspectiva da Sociologia Pragmática (Thévenot, 2006) – perspectiva que considera a acção como o produto de um encontro entre as situações/contextos /acontecimentos e as formas como os actores nelas se envolvem em determinados regimes –, tudo indica que a acção dos Animadores é orientada num regime de envolvimento em público, onde se realçam as questões da justiça e do bem comum. Verificado, pois, o seu envolvimento em controvérsias públicas em torno de situações problemáticas de justiça suscitadas pela Animação Sociocultural, importa perceber que dispositivos servem de base às justificações da sua acção e/ou à produção de juízos críticos sobre acção dos outros. Os dados resultantes do trabalho exploratório indicam que esses dispositivos resultam de “diferentes mundos” (cités) justificativos (Boltanski e Thévenot, 1991; Bolthanski e Chiapello, 1999, Boltanski, 2001), especialmente do mundo cívico, parecendo ser este o regime de acção justificativo mais presente e em que o bem colectivo, a promoção da participação na vida da cidade e a igualdade constituem as formas de expressão privilegiadas. Mas não deixam também de resultar do mundo industrial e, ao mesmo tempo, do mundo inspirado e do mundo assente numa lógica de projectos.
  • BAPTISTA, António Manuel Rodrigues Ricardo CV de BAPTISTA, António Manuel Rodrigues Ricardo
NOTA BIOGRÁFICA
• António Manuel Rodrigues Ricardo Baptista, aricardo1959@gmail.com.
• Formação académica: Doutorando em Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais e
Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Diploma de Estudos Avançados em
Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de
Lisboa (Novembro de 2010). Mestrado em Sociologia, Faculdade de Ciências Sociais
e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Janeiro de 2010). Pós-Graduação em
Sociologia. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de
Lisboa (Agosto de 2008). Licenciatura em Sociologia, ISCTE – Instituto Superior de
Ciências do Trabalho e da Empresa (Julho de 1985).
• Experiência profissional após a licenciatura até ao presente: áreas do emprego, da
educação e da formação profissional.
• Áreas de investigação: trabalho, organizações e profissões.

PAP0063 - Anonymous e LulzSec em Portugal: Reflexões sobre a Conflitualidade Social nas Redes
Resumo de PAP0063 - Anonymous e LulzSec em Portugal: Reflexões sobre a Conflitualidade Social nas Redes  
PAP0063 - Anonymous e LulzSec em Portugal: Reflexões sobre a Conflitualidade Social nas Redes

As formas contemporâneas de acção colectiva orientada para a mudança social apresentam elementos de inovação que resultam do contexto de interdependência global em que vivemos, da generalização do acesso a dispositivos de comunicação mediada e da sua domesticação, dos novos contextos comunicacionais que daí resultam, da acentuação do individualismo e ainda dos recentes desastres financeiros que tiveram por efeito o agudizar das desigualdades sociais. Esse cenário enquadra a emergência de novas formas de acção colectiva dissociadas de territórios específicos que unem indivíduos em torno de actividades de âmbito global mas com carácter microssocial - aquilo que Knorr-Cetina e Bruegger apelidam microestruturas globais. Este projecto de investigação pretende estudar a relação entre reflexividade, identidade, esforços colectivos para a mudança social e mediação, focando-se nas suas manifestações em redes suportadas pelas TIC, nos canais de comunicação de massa e nas suas caracterizações dos actores e dos protestos mencionados, bem como na apropriação do espaço urbano por parte destes últimos. O trabalho focar-se-á na realidade portuguesa, com particular incidência nas acções levadas a cabo sob o estandarte Anonymous e LulzSec. Procurará identificar elementos que caracterizam as auto- representações veiculadas na retórica dos participantes, com o duplo objectivo de divulgação e legitimação da sua acção, as hetero- representações que circulam nos órgãos de comunicação social, e compreender em que medida as primeiras e as últimas se sobrepõem ou distanciam. Partindo da análise de mudanças sociais e culturais, argumenta-se que o individualismo e a obrigatoriedade de auto-determinação aliados à globalização, à recente crise económica e ao aumento das desigualdades sociais, por um lado, e a massificação das tecnologias de informação e comunicação (TIC), a sobreposição de redes de comunicação, a emergência de novas literacias, o experimentalismo que se processa ao nível da produção cultural e a partilha de significados biográficos e elementos identitários nas redes, por outro, estão na origem de novos universos simbólicos que sustentam projectos colectivos, experimentalismos sociais e políticos.
  •  JACOBETTY, Pedro CV - Não disponível 
  •  MARTINHO, João CV - Não disponível 

PAP0830 - Antropologia e Identidade Visual: A influência das mídias na construção dos gostos do público Rock
Resumo de PAP0830 - Antropologia e Identidade Visual: A influência das mídias na construção dos gostos do público Rock 
PAP0830 - Antropologia e Identidade Visual: A influência das mídias na construção dos gostos do público Rock

O Rock sempre teve sua imagem associada a certos elementos, como a cidade, as roupas usadas pelos músicos e os fãs do estilo, os logotipos das bandas, os cenários retratados nas letras, entre outras coisas. Esta pesquisa busca conhecer as influências antropológicas utilizadas nas construções de identidades visuais, como são mostradas nas fotografias, nos encartes de discos, e fazendo a associação entre música e imagem, em que o consumidor consegue fazer uma associação imediata ao tipo de música que a banda toca olhando para uma fotografia da mesma, ou para alguma peça gráfica que se refira à banda, seja um flyer , um cartaz, o site da mesma, ou mesmo um zine informativo passando pelas relações semióticas de reconhecimento. A pesquisa será feita através das buscas de materiais gráficos impressos e digitais que possuam relação com o rock, e buscará mostrar, através de entrevistas e estudos comparativos, como a antropologia visual e o design gráfico influenciam na formação do gosto do ouvinte do rock, não só musicalmente falando, mas também no seu estilo de vida. A pesquisa está sendo realizada principalmente em Belém/PA, palco de um público rock bastante heterogêneo. Da mesma forma que Askew e Wilk (2002) mostram a importância da antropologia da mídia para o estudo e compreensão dos chamados “outros” da sociedade, quando se referem aos índios e outras nações consideradas exóticas, este estudo visa compreender também a importância das mídias na construção do gosto musical do indivíduo, influenciando no seu comportamento, na sua forma de se vestir e de compartilhar com outras pessoas esse gosto e suas experiências a partir desta busca de conhecimento para fundamentar o porquê deste gosto por determinado estilo musical. Da mesma forma que Askew e Wilk (2002) mostram a importância da antropologia da mídia para o estudo e compreensão dos chamados “outros” da sociedade, quando se referem aos índios e outras nações consideradas exóticas, este estudo visa compreender também a importância das mídias na construção do gosto musical do indivíduo, influenciando no seu comportamento, na sua forma de se vestir e de compartilhar com outras pessoas esse gosto e suas experiências a partir desta busca de conhecimento para fundamentar o porquê deste gosto por determinado estilo musical.
  •  JOSEPH, Raoni Silva CV - Não disponível 
  •  RAMOS, Paula CV - Não disponível 

PAP0463 - Análise Custo-Benefício da Descentralização da Prestação de Cuidados de Fisioterapia do Serviço Nacional de Saúde no Alentejo Litoral
Resumo de PAP0463 - Análise Custo-Benefício da Descentralização da Prestação de Cuidados de Fisioterapia do Serviço Nacional de Saúde no Alentejo Litoral 
PAP0463 - Análise Custo-Benefício da Descentralização da Prestação de Cuidados de Fisioterapia do Serviço Nacional de Saúde no Alentejo Litoral

A prestação de cuidados de saúde com qualidade à população que deles necessite é uma preocupação cada vez mais actual e que tem vindo a adquirir cada vez maior relevância nas organizações prestadoras destes cuidados. Caracterizando a intervenção em saúde como a resolução eficiente e eficaz dos problemas da saúde-doença, através da exigência de respostas interactivas no quadro dos recursos organizacionais e profissionais na qual se inscreve, fomentar e sedimentar a qualidade na prestação de cuidados de saúde exige, entre outros, a garantia de efectividade, eficiência, equidade de acesso e acessibilidade a estes mesmos cuidados. As questões da acessibilidade e de eficiência sócio-económica requerem uma profunda reflexão sobre a reorganização da governança de todo o sistema de saúde. A intervenção da fisioterapia, assim como a acessibilidade aos cuidados de saúde prestados pelos profissionais desta área, assume especial relevância em sub-regiões como o Alentejo Litoral, onde, se associam ao elevado envelhecimento da população, valores assimétricos nos ratios população/ fisioterapeutas/ entidades prestadoras destes serviços, baixos rendimentos, redes de transportes deficitárias/ inexistentes em determinadas zonas, grande dispersão geográfica e isolamento social. Com vista à obtenção de ganhos em saúde, numa perspectiva de melhoria da qualidade e equidade do acesso, as organizações de saúde pertencentes ao Serviço Nacional de Saúde -SNS do Alentejo Litoral tendem a facilitar o acesso aos cuidados de fisioterapia através do uso do transporte partilhado aumentando os seus encargos.Esta investigação é uma abordagem metodológica que pretende compreender e explorar um determinado fenómeno específico, neste caso no Alentejo Litoral, analisá-lo do ponto de vista económico e financeiro e culminar com a apresentação de uma proposta organizativa de actividade descentralizada e analisar a sua relação custo-benefício. Com este estudo de investigação objectivou-se identificar quais as reais necessidades de fisioterapia dos utentes do Alentejo Litoral, caracterizar o acesso a estes cuidados, identificar quais as entidades prestadoras, caracterizar uma mudança benéfica, identificar os encargos actuais para o SNS com a prestação destes cuidados, verificar a aplicabilidade de um modelo organizativo baseado na descentralização dos cuidados de fisioterapia e por fim, analisar a relação Custo-Benefício do modelo proposto. Para a sua elaboração foram utilizados diversos instrumentos de recolha de dados. Espera-se que se com este trabalho se conclua que a prestação de cuidados de fisioterapia baseada na descentralização dos prestadores seja facilitadora de redução de custos e da criação de sinergias entre cuidados de saude primários e hospitalares e que, simultâneamente, contribua para uma melhoria da acessibilidade, qualidade dos cuidados prestados e da satisfação dos utentes do SNS.
  •  SOUSA, Carla CV - Não disponível 
  • CALEIRO, António CV de CALEIRO, António
  • FIALHO, Joaquim CV de FIALHO, Joaquim
António B.R. Caleiro, é professor auxiliar no Departamento de Economia da Universidade de Évora. Licenciou-se em Economia, na Universidade de Évora, em 1988, concluiu o curso de Mestrado em Matemática Aplicada à Economia e à Gestão, no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa, em 1993, e realizou o seu Doutoramento em Economia, no Instituto Universitário Europeu (Florença), em 2001. A sua visão multi-disciplinar, facilmente identificável no âmbito das suas publicações, tem conduzido o autor a realizar investigação em diversos temas, incluindo alguns associados às interfaces Economia-Demografia, Economia-Política e Economia-Sociologia.
JOAQUIM MANUEL ROCHA FIALHO, Licenciado em Serviço Social, é quadro superior do Instituto do Emprego e Formação Profissional desde 1999, onde exerce funções de assistente social no Centro de Formação Profissional de Évora. É detentor do Mestrado em Sociologia, na variante de recursos humanos e desenvolvimento sustentável (2003), tendo desenvolvido a tese sobre a re-integração de desempregados de longa duração no mercado de emprego. Em 2008, obteve, com distinção e louvor a aprovação nas provas de Doutoramento em Sociologia, onde apresentou a sua investigação sobre as redes de formação profissional. É professor auxiliar convidado no Departamento de Sociologia da Universidade de Évora e docente no Campus Universitário de Santo André do Instituto Superior de Estudos Interculturais e Transdisciplinares (Instituto Piaget). Tem mais de uma de dezena de artigos publicados sobre organizações e formação profissional, bem como a participação em inúmeros eventos científicos como orador. As suas principias linhas de investigação são a análise de redes sociais, dinâmicas organizacionais e a formação profissional.
E-mail: jfialho@uevora.pt

PAP1185 - Análise crítica das capas das revistas generalistas portuguesas: resistência ou reprodução dos significados culturais associados ao género?
Resumo de PAP1185 - Análise crítica das capas das revistas generalistas portuguesas: resistência ou reprodução dos significados culturais associados ao género?  
PAP1185 - Análise crítica das capas das revistas generalistas portuguesas: resistência ou reprodução dos significados culturais associados ao género?

Nos últimos anos a interação das questões de género com as da representação mediática tem assumido um dos principais eixos de intervenção académica feminista. Apesar de os públicos serem ativos no processo de leitura e (re)apropriação da informação mediatizada, é reconhecida a grande influência dos conteúdos noticiosos na formação e modelagem das suas opiniões. Além disso, a persistência de representações genderizadas ao nível da produção de conteúdos mediáticos tem vindo a ser apontada por diversos autores. Estas representações, embora não totalmente desvinculadas do real, tendem a ser apropriadas de forma seletiva, (re)produzindo uma visão hegemónica e androcêntrica. Efetivamente, estes estudos permitem relativizar a tão propagada conquista da igualdade das mulheres nas esferas pública e privada, evidenciando que os media, mais do que entidades privilegiadas na condução da mudança social (nomeadamente pelo seu papel de mediadores entre a realidade e os cidadãos), tendem a configurar-se frequentemente como perpetuadoras de assimetrias simbólicas. Para esta comunicação em particular, focamo-nos no discurso visual dos media, que parece assumir uma especial relevância na criação de um imaginário associado ao que é ser homem ou mulher em determinada sociedade. De acordo com a teoria de Roland Barthes, as imagens comunicam não só um significado denotativo, mas também um significado conotativo que está relacionado com o sistema de códigos culturais. Neste sentido, os discursos visuais podem influenciar, de forma ainda mais subtil do que os discursos escritos, a forma como algumas realidades são percebidas, assumindo um poder que se pode tornar, por um lado, regulador ou, por outro lado, emancipatório. Para esta comunicação, selecionámos um corpus de imagens das capas das duas revistas generalistas mais lidas em Portugal – Visão e Sábado. Este segmento de revistas desempenha um papel especial na (in)formação da opinião pública porque é referente a notícias atuais com uma abordagem considerada séria e rigorosa no campo jornalístico. No que diz respeito à cronologia da nossa amostra, escolhemos estudar as capas dos últimos três meses de 2011 (outubro, novembro e dezembro). Considerando que as imagens se inserem na dimensão ideológica, pretendemos realizar uma análise crítica das imagens que constituem as faces destas revistas. Recorremos ao campo da semiótica visual por nos permitir perceber como é que as imagens de capa interagem com a (re)produção ou resistência aos significados culturais associados ao género.
  • BERNARDO, Mariana CV de BERNARDO, Mariana
  •  CEQUEIRA, Carla CV - Não disponível 
  • CABECINHAS, Rosa CV de CABECINHAS, Rosa
Mariana Bernardo é licenciada e Mestre em Psicologia pela Universidade Católica Portuguesa (2004-2009). É bolseira de investigação da FCT no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade (CECS) na Universidade do Minho desde abril de 2011. No projeto onde participa, “O Género em foco: representações sociais nas revistas portuguesas de informação generalista” desenvolve investigação na área do género e media.
Rosa Cabecinhas é doutorada em Ciências da Comunicação (área de conhecimento Psicologia Social da Comunicação) e Professora Associada no Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho. Foi Diretora-Adjunta do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade e Diretora do Mestrado em Ciências da Comunicação. Atualmente é diretora do Departamento de Ciências da Comunicação na mesma Universidade. A sua tese de doutoramento, intitulada Racismo e etnicidade em Portugal: Uma análise psicossociológica da homogeneização das minorias, foi premiada pelo Alto Comissariado para a Imigração e Minorias Étnicas em 2004. Atualmente participa como investigadora em diversos projetos nacionais e internacionais, dedicando-se principalmente às seguintes áreas de investigação: diversidade e comunicação intercultural, memória social, representações sociais, identidades sociais, estereótipos e discriminação social. Os seus trabalhos estão publicados em várias revistas científicas internacionais: Journal of Cross-Cultural Psychology, International Journal of Psychology, International Journal of Conflict and Violence, International Communication Gazette, International Sociology, Swiss Journal of Psychology, Science. Entre as suas obras destacam-se os seguintes livros: Preto e Branco: A naturalização da discriminação racial (Campo das Letras, 2007) e Comunicação Intercultural: Perspectivas, Dilemas e Desafios (em parceria com Luís Cunha; Campo das Letras, 2008).

PAP0587 - Análise dos Presidentes de Clube de Futebol brasileiro: quem são estes sujeitos?
Resumo de PAP0587 - Análise dos Presidentes de Clube de Futebol brasileiro: quem são estes sujeitos? 
PAP0587 - Análise dos Presidentes de Clube de Futebol brasileiro: quem são estes sujeitos?

O presidente do clube de futebol brasileiro age no interior de uma organização de natureza formal e burocrática, caracterizada pela dominação racional legal (WEBER, 2006), inserida no espaço maior da sociedade onde se destacam as dimensões sociais, políticas e econômicas (HABERMAS, 1989). Esta organização formal, o clube, compartilha uma herança histórica comum ao participar da esfera esportiva, mais especificamente, futebolística. A decodificação que o agente sujeito da ação social, neste caso o presidente de um clube de futebol, faz do ambiente guarda especificidade a partir da história, da cultura organizacional, e da percepção coletiva da dimensão simbólica das relações individuais e institucionais. A pessoa do presidente do clube de futebol, neste sentido, ilustra a interface entre as diferentes dimensões que caracterizam o campo esportivo, a evolução de uma modalidade esportiva em particular, e a cultura de uma organização específica (BOURDIEU, 2007). A inserção no contexto social mais amplo traz consigo a presença de uma contemporaneidade marcada pelas contradições e conflitos que a caracterizam. O pressuposto metodológico toma como objeto de interesse o presidente do clube de futebol, enquanto sujeito agente da ação social, como elemento que articula suas ações num campo onde pode ser conhecida a percepção do real que apóia sua busca racional de dominação e sucesso (WEBER, 2004). A pesquisa sistemática dos principais presidentes de clubes de futebol do Brasil, as características materiais e simbólicas do contexto organizacional em que atua, e o campo do esporte futebolístico mais amplo, objetiva permitir uma compreensão mais profunda e correta das relações presentes, assim como das características fundamentais, ou ainda das características típico ideal enquanto elemento auxiliar para a reflexão e a pesquisa do futebol. Trata-se, portanto, de um texto baseado numa pesquisa exploratório-descritiva, com o objetivo de descrever um espaço, ou campo, social específico. Concluiu-se que os presidentes ao mesmo tempo em que expressam características da realidade social, política e econômica mais ampla que os rodeia, possuem também especificidades como, por exemplo, a longa fidelidade à organização em que atuam – um aspecto difícil de encontrar em qualquer outro setor da sociedade contemporânea. Outro aspecto interessante de ressaltar é como a fidelidade à instituição esportiva pode ser substituída, à medida que nos afastamos das divisões principais, pela fidelidade à região em que o postulante à presidência do clube mora e atua profissionalmente. Vale destacar também a tensão presente entre a estrutura tradicional de clube sócio esportivo, adotada pela maioria dos clubes tradicionais, e os projetos de natureza clube empresa, que parecem tornar-se cada vez mais importantes e presentes entre as agremiações menores ou mais novas.
  •  ALMEIDA, Marco Antonio Bettine de CV - Não disponível 

PAP0653 - Análise tipológica baseada em conjuntos difusos: uma ilustração empírica
Resumo de PAP0653 - Análise tipológica baseada em conjuntos difusos: uma ilustração empírica PAP0653 - Análise tipológica baseada em conjuntos difusos: uma ilustração empírica
PAP0653 - Análise tipológica baseada em conjuntos difusos: uma ilustração empírica

O objetivo deste estudo é ilustrar empiricamente uma análise tipológica baseada em conjuntos difusos e, através disso, mostrar a sua potencialidade como instrumento de avaliação em ciências sociais. Análise tipológica, também referida como análise em agrupamentos, tem que ver com a agregação de objetos, cada um avaliado por um certo número de atributos. Contrariamente aos métodos tradicionais de agregação, a diferença aqui reside no facto de os objetos poderem partilhar parcialmente mais do que um agrupamento ao mesmo tempo, um apanágio da teoria dos conjuntos difusos. O modelo estatístico que sustenta a aplicação é conhecido pelo acrónimo GoM, que significa Grade of Membership. Em traços gerais, este modelo tem como pressuposto que a população em estudo se encontra estruturada numa partição difusa constituída por K conjuntos difusos. Quer dizer, cada objeto é representado nessa estrutura por um vetor de K coordenadas não negativas e de soma unitária. Cada coordenada desse vetor representa o grau de pertença do objeto ao respetivo conjunto difuso. O modelo GoM permite estimar os vetores individuais e também as tipologias associadas a cada um dos K conjuntos difusos da partição. O valor de K é desconhecido, devendo ser fixado antes da aplicação do modelo, o que encerra alguma dificuldade. Esta metodologia é particularmente ajustada à análise das competências, uma vez que cada indivíduo representa um vector de conhecimentos e capacidades, que configura o seu perfil de competências. Todavia, a composição singular dessas componentes da competência não é conhecida a priori. Neste estudo, usámos dados relativos à avaliação das competências de uma amostra de empregados bancários em Portugal. Cada trabalhador bancário foi avaliado por um supervisor em diversas dimensões da competência, numa escala de Likert, com 5 níveis. A aplicação sucessiva do modelo GoM, fazendo variar o valor de K de 2 a 5, mostrou que a partição baseada em K=4 conjuntos difusos é a que melhor se ajusta aos dados observados. Quer isto dizer que no setor bancário distinguem-se essencialmente quatro perfis de competências. Os resultados obtidos revelaram uma partição hierárquica de competências, e a distribuição particular dos trabalhadores bancários nessa estrutura permitiu adicionalmente ordená-los por competência. Esta possibilidade de uma análise individualizada torna apelativa a utilização de um tal modelo em problemas de classificação nas ciências sociais.
  •  SULEMAN, Abdul CV - Não disponível 
  •  SULEMAN, Fátima CV - Não disponível 

PAP0113 - Análisis sociológico de riesgos e impactos de la burbuja inmobiliara en el turismo rural.
Resumo de PAP0113 - Análisis sociológico de riesgos e impactos de la burbuja inmobiliara en el turismo rural. PAP0113 - Análisis sociológico de riesgos e impactos de la burbuja inmobiliara en el turismo rural.
PAP0113 - Análisis sociológico de riesgos e impactos de la burbuja inmobiliara en el turismo rural.

La burbuja inmobiliara en el turismo rural: análisis socioambiental de riesgos e impactos. La estructura económica de España se ha demostrado especialmente desequilibrada con la irrupción en el escenario de la crisis financiera de finales de los 2000; un desequilibrio enraizado, fundamentalmente, en la importancia socioeconómica del sector de la construcción. Una parte importante de las promociones inmobiliarias se han construido en áreas litorales, bajo la demanda (parcialmente ficticia) de segunda residencia, generando una serie de riesgos socioambientales determinantes para las dinámicas locales. Este fenómeno turístico-residencial amenaza con extenderse a áreas de interior, donde el turismo rural se ha establecido (o comienza a establecerse) como nuevo sector de desarrollo. Un nuevo sector con una fuerte carga de valores ambientales y culturales en su base y que, por su definición, ofrece fundadas esperanzas para convertirse en motor de desarrollo sostenible en estas áreas de interior, secularmente subdesarrolladas. Este desarrollo sostenible puede ser amenazado por los principales (y conocidos) impactos del fenómeno turístico, y en particular del turismo-inmobiliario, que parece extenderse en estas áreas, enlazado a los nuevos valores propios de una sociedad en continuo cambio. En este paper presentamos el caso de la Sierra de Huelva, en el suroeste español, limítrofe con Portugal, donde el turismo rural está comenzando a desarrollarse como sector de interés para la población local. El objetivo principal de esta presentación es mostrar el citado caso ante el auditorio sociológico portugués, así como recoger referencias sobre procesos similares en suelo vecino.
  •  DOMINGUEZ, A. CV - Não disponível 
  • BURGOS, E. CV de BURGOS, E.
  •  RELINQUE, F. CV - Não disponível 
  •  RODRIGUEZ, I. CV - Não disponível 
Emilio Burgos Serrano. Diplomado en Trabajo Social y Máestrado en
Estudios Migratorios, Desarrollo e Intervención Social por la
Universidad de Huelva, Doctorando en ciencias sociales aplicadas en
la universidad de Huelva. Análisis del turismo rural en la sierra de
Huelva y evaluación de los impactos sobre la población.

PAP1411 - Aplicação do levantamento bibliométrico em pesquisa sobre processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração: um exemplo de delineamento teórico-metodológico
Resumo de PAP1411 - Aplicação do levantamento bibliométrico em pesquisa sobre processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração: um exemplo de delineamento teórico-metodológico PAP1411 - Aplicação do levantamento bibliométrico em pesquisa sobre processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração: um exemplo de delineamento teórico-metodológico
PAP1411 - Aplicação do levantamento bibliométrico em pesquisa sobre processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração: um exemplo de delineamento teórico-metodológico

Este trabalho demonstra o processo de “Levantamento Bibliométrico” e sua relevância quando utilizado como parte da metodologia de investigação científica numa área de alto índice de produção acadêmica como são as Ciências Sociais. Inicialmente, diferenciamos levantamento bibliométrico de pesquisa bibliomética, em seguida, descrevemos o processo desde a escolha dos descritores a serem utilizados, enfatizando a importância da ligação com o referencial teórico empregado na pesquisa, a escolha das bases de dados e a organização e utilização dos resultados obtidos. Um levantamento bibliométrico consiste em encontrar toda e qualquer produção feita acerca de um tema num determinado período de tempo e publicado em bases de dados que permite ao pesquisador aprofundar seu conhecimento em relação ao seu campo de interesse e proporciona uma visualização em escala mundial da ocorrência de publicações de artigos. É possível mapear onde, quando e como autores ao redor do mundo estão escrevendo dando subsídio para a construção do Estado da Arte no campo investigado. Para efeito de ilustração é demonstrado o levantamento realizado para a pesquisa “Processo de socialização e construção de identidades profissionais no campo da Administração” que aconteceu nas bases de dados do site da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior) que publica periódicos relevantes para a área de interesse, no caso, as Ciências Sociais. O trabalho foi realizado em dez bases internacionais e somente uma de origem nacional. Em função do referencial teórico da investigação para a qual o levantamento foi realizado, Berger e Luckmann(2000), Dubar (2005) e Dubet (1994), foram definidos os descritores socialização (socialization), trajetória de vida (lived experience) e identidade profissional (professional identity). A aplicação do filtro utilizando os descritores trouxe 11.993 artigos publicados, a partir do ano 1990, que foram tabulados em planilha. Isso nos possibilitou analisar de maneira mais sistemática a quantidade e a qualidade dos artigos encontrados nas bases de dados o que nos levou a selecionar após a leitura dos títulos e resumos apenas 64 efetivamente relacionados com nossa pesquisa. Cumpre destacar, à guisa de conclusão, que foram enfrentadas algumas dificuldades como incoerência dos conteúdo do trabalho com os descritores, instabilidade do sistema de busca o que reiniciou muitas vezes a busca e, algumas vezes, os links dos artigos disponibilidades no site da CAPES não direcionavam ao site da base de dados na qual o trabalha estava. Contudo, o levantamento bibliométrico alcança resultados satisfatórios, pois apresenta frutos quantitativos e qualitativos, ao contrário de uma pesquisa bibliométrica, que tem por finalidade encontrar somente a quantidade do que foi produzido sobre determinado tema em determinado intervalo de tempo.
  • CUNHA, Marciano de Almeida CV de CUNHA, Marciano de Almeida
  •  SOARES, Gabrielle Tosin CV - Não disponível 
  •  SOBRAL, Mariana Cristina Tosta CV - Não disponível 
Marciano de Almeida Cunha
Professor da área de Gestão de Pessoas da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná - PUCPR Brasil, atuando nos cursos de graduação e pós-graduação. Doutor em Educação (PUCSP) com estágio sandwich na Université de Montréal - Canadá, Mestre em Administração e em Educação (PUCPR) e formação em Administração e Ciências Biológicas (UEPB). Palestrante e consultor em Desenvolvimento Humano. e profissional. É líder do grupo de pesquisa “Formação e profissionalização no campo das Ciências Sociais Aplicadas”, no qual desenvolve pesquisas vinculado às seguintes Linhas de Pesquisa 1. “Processos de socialização, formação e profissionalização: da escolarização à carreira profissional” e 2. “Impactos de práticas e tecnologias de desenvolvimento profissional nos processos da Gestão de Pessoas e nas estratégias das organizações”. para conhecer mais www.marcianocunha.com.br

PAP0103 - Aplicações e implicações da reflexão sociológica na gestão das organizações de saúde: introduzindo a mediação em saúde
Resumo de PAP0103 - Aplicações e implicações da reflexão sociológica na gestão das organizações de saúde: introduzindo a mediação em saúde 
PAP0103 - Aplicações e implicações da reflexão sociológica na gestão das organizações de saúde: introduzindo a mediação em saúde

Mais do que nunca a comunidade científica desempenha um papel fundamental no auxílio à tomada de decisão política. A discussão que se apresenta procura mostrar como a partir de um trabalho de natureza académica e de pendor eminentemente teórico, respostas outras – de natureza prática – ganham relevância. Estas podem não só preencher lacunas no conhecimento que os decisores políticos e os actores estratégicos detêm sobre a realidade empírica, como também fornecer entendimentos que permitam outras orientações políticas. De forma mais específica, apresenta-se a mediação em saúde. Trata-se do resultado de uma reflexão feita a partir da experiência vivenciada no processo de construção científica com a aplicação de uma metodologia etnográfica em contexto hospitalar. Com um olhar analítico centrado na acção individual em contexto, sobressaíram lógicas de acção praticamente invisíveis a outros instrumentos de recolha de informação e que dizem muito sobre as dinâmicas quotidianas destes espaços. Sabendo, então, que o campo da saúde é atravessado por forças e interesses vários e não necessariamente convergentes, a mediação constitui-se enquanto proposta para uma nova figura no sistema de saúde em Portugal. Equidistante dos restantes actores, através de uma preparação epistemológica, teórica e empírica, procura contribuir com entendimentos sobre as complexas racionalidades formais e informais que moldam as vivências organizacionais e, assim, auxiliar na tomada de decisão. Contrapondo o lugar e a função que se atribui à mediação em saúde com a actual racionalidade burocrática e tecnocrata que tem dominado a intervenção política na saúde, a sua potencialidade reside na construção de uma outra leitura sobre as organizações prestadoras de cuidados e, consequentemente, sobre a gestão destes espaços de acção.
  • CORREIA, Tiago CV de CORREIA, Tiago
Tiago Correia, investigador do CIES-IUL e docente na Escola Superior de Saúde Egas Moniz, tem um doutorado em Sociologia pelo ISCTE-IUL, seguido de estudos pós-doutorados pela Universidade de Montreal e pela Universidade McGill. Autor e co-autor de diversos trabalhos académicos sobre teoria sociológica, profissões de saúde, organizações hospitalares e sistemas de saúde, temas sobre os quais tem incluído redes de investigação nacionais e estrangeiras. Recentemente foi nomeado como editor do American Journal of Sociological Research (USA) e do Modern Social Sciences Journal (UK).

PAP0974 - Aprender a viver com o que se tem? Endividamento e educação financeira
Resumo de PAP0974 - Aprender a viver com o que se tem? Endividamento e educação financeira 
PAP0974 - Aprender a viver com o que se tem? Endividamento e educação financeira

O modelo de escolha racional foi, até recentemente, a principal referência na área das políticas de protecção do consumidor. Assumia-se que os consumidores são agentes racionais que agem em consonância com os seus melhores interesses. Necessitam apenas de dispor da informação necessária para a tomada de decisão. Aos reguladores competia apenas garantir a disponibilização de informação tida por relevante. Contudo, vários estudos no âmbito da economia comportamental, da psicologia cognitiva e social e da sociologia do consumo têm produzido abundante evidência empírica que indica que as pessoas se afastam de uma forma sistemática deste modelo. Por exemplo, os indivíduos baseiam as suas decisões em informação que se encontra disponível, acessível ou mais saliente, que não é necessariamente a informação mais relevante para o problema que têm entre mãos. Para além disso, as decisões de consumo são moldadas pelo contexto social, pelo mimetismo ou pela persuasão. As políticas de protecção do consumidor na área financeira têm sistematicamente incidido sobre a educação financeira dos consumidores, considerando que a dificuldade das escolhas nessa área se resolve com mais literacia financeira. Os programas e estratégias de educação financeira postos em prática assentam, contudo, o mais das vezes, em muitos dos pressupostos do modelo de escolha racional, descurando o modo como as pessoas efetivamente enfrentam os problemas financeiros e tomam (ou não) uma decisão nesse domínio. É por isso de registar o facto de vários organismos europeus que trabalham na área da protecção do consumidor virem reconhecendo a importância das ciências comportamentais para as políticas de protecção do consumidor na área financeira. Com efeito, a eficácia das políticas públicas requer uma boa compreensão dos factores que afectam as decisões dos consumidores. Esta comunicação procura, numa primeira parte, explorar a importância da compreensão do comportamento financeiro dos consumidores na construção da regulação do consumo e da política do consumidor e, numa segunda parte, aferir a eficácia de políticas de educação financeira para contornar alguns comportamentos que comprometem o bem-estar dos consumidores.
  • SANTOS, Ana Cordeiro CV de SANTOS, Ana Cordeiro
  •  FRADE, Catarina CV - Não disponível 
  •  COSTA, Vânia CV - Não disponível 
Ana Cordeiro dos Santos é economista do Núcleo de Estudos sobre a Ciência, Economia e Sociedade do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Doutorada em Economia e Filosofia pela Universidade Erasmus de Roterdão (Holanda), mestre em Economia e Políticas Sociais pela Universidade de Roskilde (Dinamarca) e licenciada em Economia pelo Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa. O seu trabalho de investigação tem incidido sobre as implicações teóricas e de política da economia experimental e comportamental, nomeadamente a construção de mercados e de outras instituições sociais e o seu impacto sobre o comportamento humano. Das suas publicações mais recentes constam o livro The Social Epistemologyof Experimental Economics, London: Routledge, 2010, e o artigo "Behavioral and experimental economics: are theyreallytransformingeconomics?", Cambridge JournalofEconomics, 2011, 35, 705-728.

PAP0089 - Aprender com os deuses: processos de socialização em terreiros de umbanda
Resumo de PAP0089 - Aprender com os deuses: processos de socialização em terreiros de umbanda  
PAP0089 - Aprender com os deuses: processos de socialização em terreiros de umbanda

O que um terreiro de umbanda tem a nos contar sobre processos de socialização e aprendizagem é o tema deste trabalho. Procuro discutir aqui algumas das questões que foram abordadas em minha pesquisa de doutorado realizada pela Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais/ Brasil. A investigação teve como objetivo problematizar a aprendizagem para além do modelo escolar, focalizando uma prática cultural que é socializada independentemente de instruções pedagógicas. Partindo do entendimento de que aprender é um aspecto inerente a toda prática social, busca-se na proposta teórica de Jean Lave e Etienne Wenger (1991) a mudança de foco sugerida pelos autores: passar do indivíduo como aprendiz para aprendizagem como participação no mundo social. Nesse sentido, ao desenvolver a pesquisa foi possível compreender as experiências vivenciadas pelos membros do terreiro de umbanda então focalizado como percursos de aprendizagem situada (Lave e Wenger, 1991) e os conhecimentos ali (re) produzidos como constituidores da habilidade (Ingold, 2000, 2001) umbandista. A pesquisa evidenciou que a uma religião pouco codificada, cuja lógica só pode ser apreendida em ação, corresponde um modo de aprendizagem implícito, prático e coletivo. Mas não se trata de um processo “espontâneo”: há fortes recursos que estruturam as possibilidades de aprender (na) umbanda e que provêem de uma variedade de fontes intrínsecas à própria prática da comunidade e criam uma espécie de “roteiro” para a ação e demais disposições. No contexto estudado, um aspecto em particular que chamou atenção foi a presença significativa de crianças que tomam parte da prática religiosa como participantes ativos. O modo como participam e interagem nas sessões, festas e outros rituais umbandistas evidenciam a existência de diferentes formas de compreender os processos de socialização das novas gerações, aliadas a um modo bastante específico de compreender a condição infantil. Ao final da investigação, ficou evidente que, ao tomarmos um terreiro de umbanda como campo de pesquisa, nossas noções naturalizadas de ensino-aprendizagem e relação mestre-aprendiz podem ser profundamente questionadas. E isto abre novas e promissoras perspectivas para se pensar os processos de socialização e as experiências de aprendizagem humana como um todo.
  • BERGO, Renata Silva CV de BERGO, Renata Silva
Renata Silva Bergo, Professora Visitante da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Doutora em Educação. Realiza pesquisas na área da Antropologia da Educação.

PAP0383 - Aprendizagem do longo da vida e transições educativas e profissionais: os diplomados de ensino superior em tempos de incerteza
Resumo de PAP0383 - Aprendizagem do longo da vida e transições educativas e profissionais:  os diplomados de ensino superior em tempos de incerteza PAP0383 - Aprendizagem do longo da vida e transições educativas e profissionais:  os diplomados de ensino superior em tempos de incerteza
PAP0383 - Aprendizagem do longo da vida e transições educativas e profissionais: os diplomados de ensino superior em tempos de incerteza

A centralidade das dinâmicas de aprendizagem ao longo da vida tem vindo a ser progressivamente afirmada e reconhecida na contemporaneidade, quer no plano das orientações de política educativa quer ao nível das práticas e representações dos indivíduos. Neste contexto, se tradicionalmente a um período de educação e formação nas idades mais jovens se seguia o exercício de uma atividade profissional na qual se progredia progressivamente durante a idade adulta, nas sociedades de aprendizagem ao longo da vida as transições entre educação, trabalho e emprego parecem ser cada vez mais frequentes traduzindo-se em trajetórias incertas e imprevisíveis. Assim sendo, as biografias configuram-se crescentemente como sucessões de transições de diferentes tipos, ao mesmo tempo que os adultos são cada vez mais envolvidos (e incentivados a envolverem-se) em situações e processos educativos. Na comunicação proposta, pretende-se aprofundar a reflexão em torno destas dimensões que consideramos essenciais para caracterizar as transformações sociais das últimas décadas, privilegiando a análise das transições dos diplomados de ensino superior em Portugal. Para tal, numa primeira etapa mobilizam-se dados empíricos de estudos centrados na inserção profissional destes diplomados que têm vindo a ser realizados em diversas instituições de ensino superior focando-se, sobretudo, nos licenciados, mas também em alguns casos em pós- graduados. Numa segunda etapa, apresentam-se dados resultantes de um questionário respondido em Novembro de 2010 por uma amostra representativa de licenciados da Universidade de Lisboa e da Universidade Nova de Lisboa que terminaram os respectivos cursos em 2004/05. Esta inquirição enquadra-se num projeto de investigação em equipa que vem sendo desenvolvido com o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (referência PTDC/CS-SOC/104744/2008). Com base nos dados empíricos analisados na comunicação, procura-se aprofundar a reflexão em torno de algumas interrogações das quais destacamos as seguintes: Que estratégias constroem os sujeitos no que respeita às articulações entre os seus percursos académicos e as suas trajetórias de trabalho/emprego? Como se articulam dinâmicas de aprendizagem em contexto académico e em contexto profissional? Que relevância tem a precariedade de emprego na satisfação com a situação profissional e na procura de formação pós-graduada?
  • ALVES, Mariana Gaio CV de ALVES, Mariana Gaio
Mariana Gaio Alves é licenciada em Sociologia pelo ISCTE (1992) e concluiu Mestrado (1997) e Doutoramento (2004) em Ciências de Educação na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT/UNL). É atualmente Professora Auxiliar na FCT/UNL e investigadora na UIED (Unidade de Investigação Educação e Desenvolvimento) na mesma Faculdade. É membro das Comissões Coordenadoras do centro de investigação UIED e do Programa Doutoral em Ciências de Educação em Associação entre FCT/UNL, FCSH/UNL e ISPA. Lecciona unidades curriculares de Mestrados em Ensino e de Programa Doutoral, designadamente Sociologia da Educação, Organização dos Sistemas Educativos e Educação e Formação de Adultos.

PAP0962 - Aquecimento global e alterações climáticas, a propósito dos fogos florestais e outros riscos ambientais: a culpa de Prometeu
Resumo de PAP0962 - Aquecimento global e alterações climáticas, a propósito dos fogos florestais e outros riscos ambientais: a culpa de Prometeu PAP0962 - Aquecimento global e alterações climáticas, a propósito dos fogos florestais e outros riscos ambientais: a culpa de Prometeu
PAP0962 - Aquecimento global e alterações climáticas, a propósito dos fogos florestais e outros riscos ambientais: a culpa de Prometeu

O domínio do fogo marca, simbolicamente, o começo de uma era civilizacional na transição para a agricultura e uma maior fixação territorial de comunidades humanas. O domínio do fogo assinala o acto inaugural que funda uma série de intervenções humanas com impactes significativos e irreversíveis sobre os ecossistemas. Desde o domínio do fogo (o segredo roubado por Prometeu aos deuses!), uma longa caminhada separa já os gestos temerosos dos nossos antepassados das civilizações urbanas de hoje. A evolução das sociedades encontra-se historicamente viciada pela industrialização, como pela densidade de infra-estruturas que gerem hoje as interdependências entre os sistemas sociais e naturais. O domínio do fogo parece, contudo, escapar ainda ao controlo humano. Os próprios fogos florestais resultam, em Portugal como nos países do Sul da Europa, de causas maioritariamente sociais e que contribuem para a insegurança dos territórios e a exposição de comunidades humanas e ecossistemas a um flagelo que, entre nós, parece ter conquistado direitos de perpetuidade e até, em módulo oficial, a uma época especial. Outras causas estão associadas à ocorrência de fogos florestais, como a regressão dos espaços cultivados (que funcionavam como zonas tampão). Contudo, a compreensão sociológica dos fogos florestais suporta-se em comportamentos humanos e em situações de risco em contextos de proximidade. Por sobre a mão humana e os contextos de proximidade, emergem agora outras causas que deslocalizam a responsabilidade colectiva para a dimensão do global sob o incerto percurso das alterações climáticas. A presente comunicação é resultado de estudos de caso e propostas apresentadas durante a primeira década deste século, e traduz uma reflexão sobre a questão da responsabilidade face à ocorrência dos fogos florestais em Portugal e outros riscos associados ao aquecimento global como ondas de calor, e galgamentos oceânicos em zonas costeiras. Julga-se, assim, pertinente reflectir sobre os riscos ambientais para além dos estudos desenvolvidos que circunscrevem comportamentos e condições sociais. O autor apresenta uma reflexão sobre riscos ambientais e responsabilidade, num momento em que as alterações climáticas (como a chamada crise financeira) remetem para o domínio da globalização a compreensão de fenómenos extremos com evidentes impactos de carácter societal. É como se as comunidades humanas tivessem perdido a autonomia da construção do porvir e seguissem de forma impotente a heteronomia de condições, irrevogáveis e irrefutáveis, impostas por nexos de causalidade e complexidade que põem em causa a capacidade adaptativa e a sustentabilidade das comunidades humanas.
  •  CRAVEIRO, João Lutas CV - Não disponível 

PAP0112 - Argumentos em torno da relação público-privada na saúde: reflexões comparadas
Resumo de PAP0112 - Argumentos em torno da relação público-privada na saúde: reflexões comparadas 
PAP0112 - Argumentos em torno da relação público-privada na saúde: reflexões comparadas

Inserida numa investigação em curso dedicada à comparação dos sistemas de saúde português e canadiano, convoca-se uma reflexão de natureza mais específica que procura esclarecer o debate científico nacional sobre a presença do sector privado na prestação de cuidados de saúde. Até que ponto esta presença melhora a produção de cuidados? Até que ponto esta prestação permite cumprir os princípios gerais de universalidade inscritos na base beveridgiana do SNS? Quais as consequências desta relação para o sector público? Estas são questões em que o debate científico é facilmente obscurecido por argumentos de natureza político-ideológica. É precisamente na tentativa de superar esta intersecção entre factos e retórica que se reflecte sobre o modo como estas questões estão a ser pensadas no sistema de saúde canadiano, sendo a base comparativa imprescindível para relativizar e melhor interpretar argumentos eminentemente políticos. Dar-se-á especial atenção a aspectos como o consenso em torno da inevitabilidade da presença privada na saúde e apontam-se algumas conclusões sobre o resultado dessa actividade ao nível,quer do funcionamento do sector público, quer do acesso aos cuidados de saúde. Este debate exige, portanto, uma compreensão sobre a arquitectura da regulação em saúde, a qual resulta de tensões e oposições entre quatro vértices: democracia, economia, profissionalismo, managerialismo. Ora, o motivo para as reformas presentemente encontradas um pouco por todo o mundo prende-se com o facto de, apesar do suporte dos sistemas públicos de saúde residir na democracia, o seu principal mecanismo de regulação constituir-se no nível económico. Além disso, um locus de regulação económica fortemente controlado na esfera supra-nacional tem conduzido a um tendencial encurtamento da acção política nos palcos nacionais, legitimando as bases gerais do managerialismo (New Public Management). As tensões produzidas não são apenas em relação às corporações profissionais, as quais podem encontrar mecanismos para sair reforçadas deste confronto, mas sobretudo em relação aos próprios direitos democráticos inscritos nas constituições.
  • CORREIA, Tiago CV de CORREIA, Tiago
Tiago Correia, investigador do CIES-IUL e docente na Escola Superior de Saúde Egas Moniz, tem um doutorado em Sociologia pelo ISCTE-IUL, seguido de estudos pós-doutorados pela Universidade de Montreal e pela Universidade McGill. Autor e co-autor de diversos trabalhos académicos sobre teoria sociológica, profissões de saúde, organizações hospitalares e sistemas de saúde, temas sobre os quais tem incluído redes de investigação nacionais e estrangeiras. Recentemente foi nomeado como editor do American Journal of Sociological Research (USA) e do Modern Social Sciences Journal (UK).

PAP0992 - Arte Pública Participada: o Monumento à Multiculturalidade no Parque Urbano do Fróis
Resumo de PAP0992 - Arte Pública Participada: o Monumento à Multiculturalidade no Parque Urbano do Fróis  PAP0992 - Arte Pública Participada: o Monumento à Multiculturalidade no Parque Urbano do Fróis
PAP0992 - Arte Pública Participada: o Monumento à Multiculturalidade no Parque Urbano do Fróis

Nesta comunicação propõe-se a apresentação de um projecto de Arte Pública a instalar no Parque Urbano do Fróis, Monte da Caparica, cuja característica inovadora assenta num processo de criação/concepção completamente aberto e participado pela população que reside na área envolvente deste futuro Parque Urbano. O Parque Urbano do Fróis localiza-se no Monte da Caparica e na zona do PIA (Plano Integrado de Almada). Significa isto que a sua envolvente é composta por vários bairros de realojamento e por uma população residente de estratos económicos baixos mas bastante diversificada em termos socioculturais, cujos grupos maioritários contemplam portugueses, cabo-verdianos e ciganos. Este Parque Urbano pretende ser o espaço público de lazer e de ligação do Centro Cívico do Fróis, do qual também fazem parte um complexo de piscinas, uma biblioteca e a nova sede do Clube Recreativo União Raposense. Atendendo à diversidade sociocultural presente na envolvente deste Parque, a entidade camarária responsável solicitou a colaboração do Departamento de Escultura da Faculdade de Belas Artes de Lisboa para desenvolver um projecto de Arte Pública que fosse um monumento de referência urbana e evocativo da multiculturalidade existente naquele território. Respondendo a este repto constituiu-se uma equipa interdisciplinar com objectivos de desenvolver um processo de envolvimento e de participação da comunidade, com vista à criação e concepção de um “monumento” que fomentasse não só o reconhecimento e maior entrosamento dos grupos que compõem aquela comunidade, como também o seu envolvimento efectivo no processo de qualificação urbana em curso. Através de várias metodologias de participação, este processo partiu das leituras territoriais e das representações identitárias da comunidade para se concretizar em propostas concretas de objectos escultóricos. Serão estas propostas que irão estar na base do(s) objecto(s) artístico(s) que a equipa de escultores irá concretizar neste Parque Urbano durante a Primavera de 2012. Desta forma e pretendendo salientar o uso da arte como motor de participação pública e cidadã, esta comunicação será desenvolvida em quatro pontos. No primeiro abordar-se-á o tema da participação da população no ordenamento do território procedendo a um enquadramento deste projecto e discussão das suas premissas de envolvimento comunitário. No segundo serão apresentados e debatidos alguns dos conceitos essenciais ligados ao território em análise, nomeadamente, a multiculturalidade, a representação espacial, espaços de memória, de pertença e de referência. Num terceiro ponto será apresentada e discutida a metodologia de trabalho seguindo-se o projecto concretizado.
  • GATO, Maria Assunção CV de GATO, Maria Assunção
  •  RAMALHETE, Filipa CV - Não disponível 
  •  VICENTE, Sérgio CV - Não disponível 
  •  ESTEVES, José CV - Não disponível 
Maria Assunção Gato
Afiliação institucional: DINÂMIA'CET-ISCTE/IUL
área de formação: doutoramento em Antropologia Cultural e Social
principais interesses de investigação: recomposições sociais, consumos e estilos de vida, modos de vida em espaço urbano

PAP1122 - Articulações entre estratégias científicas e legitimidade democrática perante os riscos tecnológicos
Resumo de PAP1122 - Articulações entre estratégias científicas e legitimidade democrática perante os riscos tecnológicos 
PAP1122 - Articulações entre estratégias científicas e legitimidade democrática perante os riscos tecnológicos

Nas situações de conflito e debate em torno dos riscos ambientais e de base tecnológica estão em causa diversas estratégias técnico-científicas que tendem a articular-se com diferentes opções institucionais e perspectivas sócio-políticas. Partindo desta ideia, pretende-se nesta comunicação argumentar e ilustrar empiricamente como os processos de legitimidade democrática entram em correspondência com distintas estratégias científicas. Perante os riscos ambientais e tecnológicos não existe apenas uma única estratégia técnico-científica, mas uma pluralidade de possibilidades. A existência de alternativas científicas em disputa põe em acção cenários em que as capacidades dos cidadãos se confrontam também com a abertura ou fechamento quanto ao acolhimento do poder de cidadania. Não raras vezes, e neste tipo de riscos, a acção política observa um padrão de orientação baseado sobretudo em dispositivos tecnológicos que prescinde da sua sujeição a exames rigorosos e a críticas vindas da cidadania, e muitos cientistas acompanham-nos nesta tendência. Tendem, assim, a ficar negligenciadas outras orientações e até possibilidades de estratégias científico-tecnológicas alternativas que podem estar conectadas com valores mais consentâneos com a sustentabilidade ambiental e a qualidade de vida do que com a eficiência económica. Mas os ditames de políticos, peritos e contra-peritos não se encontram dissociados da escala de valores que orienta a sua prática política ou científica e que modela uma determinada visão do mundo, de progresso e dos modelos de desenvolvimento. Daí que o enfrentamento dos riscos ambientais e tecnológicos devesse invocar um encontro frutuoso entre estratégicas científicas plurais e alternativas entre si com formas de aprofundamento da democracia que elevasse os problemas a níveis onde é possível encontrar uma solução holística mais congruente com valores da cidadania e da sustentabilidade.
  • JERÓNIMO, Helena CV de JERÓNIMO, Helena
Helena Jerónimo, Professora Auxiliar do ISEG (Instituto Superior de
Economia e Gestão), da Universidade Técnica de Lisboa, doutorada em
Sociologia pela Universidade de Cambridge. Interesses de investigação:
estudos sociais de ciência e tecnologia, risco e incerteza, teoria
social.

PAP0322 - As AEC – Um projeto de inovação curricular enquanto estratégia de desenvolvimento social.
Resumo de PAP0322 - As AEC – Um projeto de inovação curricular enquanto estratégia de desenvolvimento social.  PAP0322 - As AEC – Um projeto de inovação curricular enquanto estratégia de desenvolvimento social.
PAP0322 - As AEC – Um projeto de inovação curricular enquanto estratégia de desenvolvimento social.

O desenvolvimento da emergente sociedade globalizada, que tem, nas últimas décadas, sido marcado por mudanças que abrangem os diferentes setores de atividade humana, como as ciências, as artes, as tecnologias e que gera perplexidade e incerteza (Fernandes, 2000; Hargreaves, 2002; Giddens, 2002), impõe novos desafios à instituição escolar. As transformações que ocorreram descortinam um novo período histórico e isso significa que a trajetória do desenvolvimento social está a nos conduzir em direção a um tipo novo e distinto de ordem social. Nesse sentido, a escola atual está colocada perante o desafio de responder às novas necessidades (Bolívar, 2003; Thurler, 2001; Carbonell, 2001). Uma dessas novas necessidades, a qual a escola precisou responder, foi a de ocupar por mais horas as crianças na escola e alargar a sua oferta pedagógica, uma vez que, atualmente, grande parte dos pais trabalha a tempo inteiro. Diante deste desafio, em Portugal, um conjunto disperso de iniciativas a nível local começaram a surgir, propiciando atividades de natureza extra-curricular aos alunos do 1º CEB, porém, tais iniciativas não contemplavam toda a população portuguesa, uma vez que muitas famílias não tinham condições financeiras de propiciar ofertas de qualidade para ocupar o tempo livre de seus filhos. Diante desta conjuntura nasce, em 2006, um novo projeto curricular para o 1º Ciclo, as Actividades de Enriquecimento Curricular (AEC), que diferentemente das “ofertas” anteriores possuem uma vertente social, na medida que faz concretizar uma idéia de acesso a todos. Se antes somente as familias com maior remuneração podiam propiciar aos filhos atividades nos tempos livres, com as AEC qualquer família, independente da renda, tem essa oportunidade. Neste sentido, este artigo pretende discutir o projeto curricular das AEC enquanto estratégia de desenvolvimento social a partir das perspectivas de seus professores, apresentando alguns dados e hipóteses formuladas a partir de uma investigação realizada entre 2008 e 2011 de natureza qualitativa e que teve como base metodológica de recolha de dados a entrevista semi diretiva, realizada com sete professoras, de dois agrupamentos da cidade de Lisboa, que lecionam Inglês dentro da política curricular das AEC. Palavras-Chave: Currículo, Actividades de Enriquecimento Curricular, 1º CEB.
  •  MONTENEGRO, Monique CV - Não disponível 

PAP0961 - As Estratégias e Práticas de Comunicação Externa das Organizações do Terceiro Sector: resultados de uma investigação
Resumo de PAP0961 - As Estratégias e Práticas de Comunicação Externa das Organizações do Terceiro Sector: resultados de uma investigação 
PAP0961 - As Estratégias e Práticas de Comunicação Externa das Organizações do Terceiro Sector: resultados de uma investigação

As organizações do Terceiro Sector deparam-se com um conjunto de desafios nas sociedades ocidentais contemporâneas, nomeadamente uma maior eficácia e qualidade nas respostas sociais que oferecem, uma maior eficiência e criatividade na angariação e gestão de recursos financeiros, ou ainda um papel sócio-político mais relevante. Tais expectativas e exigências podem ser considerados desafios à legitimidade de actuação destas organizações, pelo que a tendência de resposta organizacional será a de conceber estratégias propiciadoras à manutenção ou melhoria dessa mesma reputação. Partimos do pressuposto de que uma das vertentes de análise das estratégias de resposta delineadas é por via das modalidades de comunicação externa de cada organização, as quais tende a funcionar, no contexto da apelidada "Sociedade em Rede de cariz informacional" (Castells, 1999; 2000a) como um meio de legitimação cada vez mais importante e abrangente. Neste âmbito, a procura pela legitimidade organizacional será estudada segundo um modelo construído sobre três vertentes (Suchman, 1995): Pragmática; Moral e Cognitiva. A comunicação proposta tem como material empírico de base a utilização dos meios de comunicação em geral por parte de uma amostra de 89 organizações. De entre os vários meios de comunicação, a análise incide sobre duas das principais ferramentas virtuais: o Website e o Facebook de cada uma das organizações. Pretende-se identificar as práticas de comunicação externa, em ambientes virtuais e a partir do modelo de legitimidade referido. Da análise resulta uma tipologia das organizações analisadas, contrastando os resultados obtidos com o que a literatura aponta como respostas adequadas, inovadoras ou ideais, segundo o que é esperado de uma instituição da sociedade civil na actualidade, sob pressões de sustentabilidade mas comprometida com certos valores.
  • COSTA, Daniel CV de COSTA, Daniel
  •  MARTINHO, João CV - Não disponível 
Daniel Neves da Costa, Investigador Júnior no Centro de Estudos Sociais e estudante de doutoramento na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra. Interesses de investigação: sociologia do conhecimento, relações ciência/sociedade, diálogos epistemológicos.

PAP0055 - As Organizações Não-Governamentais na Lógica da Profissionalização Institucional
Resumo de PAP0055 - As Organizações Não-Governamentais na Lógica da Profissionalização Institucional PAP0055 - As Organizações Não-Governamentais na Lógica da Profissionalização Institucional
PAP0055 - As Organizações Não-Governamentais na Lógica da Profissionalização Institucional

O presente trabalho é baseado no desenvolvimento da tese de doutoramento em sociologia (UMinho-Portugal / UFPE-Brasil) que visa analisar quais as consequências do atual fluxo de profissionalização institucional das ONGs para estas entidades. Para tanto, os objetivos específicos que circundam esta dimensão são: 1. Examinar como se constroem as divisões de trabalho, a especialização e a busca por profissionalização dentro de diferentes tipos de ONGs; 1.1 Verificar por quem e como são definidas as agendas das ONGs; 1.2 Examinar se diferentes tipos de ONGs tendem a compor diferentes tipos de profissionalização nas entidades. 2. Investigar as perspectivas que os agentes das ONGs e seus financiadores têm sobre o atual processo de profissionalização; 2.1. Analisar como são construídas as noções éticas sobre a captação de recursos para as ONGs entre os agentes atuantes nessas organizações e seus financiadores e como tais noções se manifestam no cotidiano das entidades; 3. Verificar quais os vínculos entre a sustentabilidade financeira e a profissionalização dessas organizações; 3.1. Investigar o tipo de relação que as ONGs mantêm com os financiadores do Estado, do Mercado e do Terceiro Setor (agências internacionais etc) e; 3.2. Analisar se as relações com os demais setores e o modo de obter sustentabilidade financeira provocam perda de autonomia nas ONGs e o que isto significa para as instituições; o que significa, em termos práticos, uma ONG considerar-se ou ser considerada autônoma. Nesta investigação, percebemos que o mesmo problema sociológico se dava no Brasil e em Portugal, ainda que de maneiras e escalas distintas, o que nos fez propor um estudo conjunto, com subsídios comparativos complementares. Com recurso aos resultados preliminares da investigação em andamento, em particular a partir das observações de estudos de casos nos dois países, pudemos perceber elementos que tendiam a se tornar ocultos quando nos centramos exclusivamente em realidades locais, como o caso de um recorte espacial que considerasse apenas Brasil ou Portugal. Assim, pretendemos contribuir para a visibilização de processos que sustentam proximidades e/ ou especificidades que se registam quando se confrontam realidades sócio-históricas e espaciais distintas.
  • MARQUES, Ana Paula CV de MARQUES, Ana Paula
  • MELO, Marina CV de MELO, Marina
Ana Paula Marques é Professora Associada com Agregação do Departamento de Sociologia e investigadora permanente do Centro de Investigação em Ciências Sociais (CICS) da Universidade do Minho. Doutorou-se, em 2003, em Sociologia – área de Organizações e Trabalho por esta universidade. Exerce funções de promotora e mentora científica do Spin-Off Laboratório MeIntegra e CICS – Universidade do Minho. Integra, do lado do Norte de Portugal, os Serviços de Estudos “Educação e Formação” do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular Galiza-Norte de Portugal.
É autora e co-autora de vários artigos e livros, destacando-se nestes últimos Inserção Profissional de Graduados em Portugal. (Re)configurações teóricas e empíricas (2010), Estudo Prospectivo sobre Emprego e Formação na Administração Local (2009), Trajectórias Quebradas. A vivência do desemprego de longa Duração (2008), Administração Local. Políticas e práticas de formação (2008), Actores Intermédios da Orgânica Empresarial. O futuro do emprego, das competências e da formação (2007), Entre o diploma e o emprego. A inserção profissional de jovens engenheiros (2006) e Assimetrias de género e classe. O caso das empresas de Barcelos (2006).
Marina Félix de Melo é doutoranda em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de Pernambuco, Brasil (Orientador: Prof. Dr. Breno Fontes / Co-orientador: Prof. Dr. Rogério Medeiros) e pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, Portugal (Orientadora: Profa. Dr. Ana Paula Marques). Com atual investigação sobre "A Profissionalização nas Organizações Não-Governamentais", possui tese de mestrado em Sociologia intitulada "A Missão das ONGs em um Terceiro Setor Profissionalizado" [2009] e licenciatura em Ciências Sociais [2006] com tema de investigação também focado nas ONGs. Para além das publicações na área do Terceiro Setor, é autora de demais artigos e comunicações na temática das Ciências Sociais, a exemplo da centralidade no trabalho, teoria da dádiva, relações raciais no Brasil etc.
Curriculum Lattes:
http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4596568H2

PAP0773 - As Políticas Públicas de Cultura no Governo Lula
Resumo de PAP0773 - As Políticas Públicas de Cultura no Governo Lula PAP0773 - As Políticas Públicas de Cultura no Governo Lula
PAP0773 - As Políticas Públicas de Cultura no Governo Lula

Nesta comunicação examinaremos as políticas públicas de cultura do governo Lula, no Brasil, entre 2003 e 2010. Mostraremos os traços de continuidade e semelhança estrutural identificáveis entre os mandatos de Fernando Henrique Cardoso e Lula e como cada um a seu modo manteve a debilidade do Estado para formular políticas efetivamente públicas. Na área das políticas públicas de cultura, o período da redemocratização no Brasil notabilizou-se pela quase ausência do Estado. De maneiras distintas, a inoperância estatal foi comum a todos eles. O governo Fernando Henrique Cardoso apenas deu continuidade ao modelo que herdou, o das Leis de Incentivo. Nele, mecanismos legais permitem delegar a organizações privadas o direito ao ato discricionário de decidir quem e como utilizará os recursos públicos. Sustentando-se no argumento falacioso de que os juízos sobre os bens culturais seriam subjetivos, sujeitos a gostos pessoais e que, portanto, nenhum agente público pode levá-lo adiante sem violar os princípios da moralidade e da impessoalidade, os formuladores do modelo das leis de incentivo defenderam a substituição do Estado pelo equilíbrio resultante da mão invisível do mercado cultural. A falácia está em tratar como bem cultural só o que é mercadoria de consumo de massa. Assim, o Estado cedeu a função promotora das ações culturais à iniciativa privada. Pari passu, os equipamentos e as instituições públicas previamente existentes foram sucateados, abandonados à inanição. O modelo das Leis de Incentivo foi conservado nos dois mandatos de Lula. A ele acrescentou-se o que chamamos política de editais. A pretexto de expandir as ações das políticas públicas para contemplar iniciativas que não seriam do interesse das grandes empresas, elaborou-se um modelo de fomento direto a pequenos e médios projetos. Lançando vários editais públicos, o Ministério da Cultura transferiu mais recursos públicos para o financiamento de centenas de projetos culturais. Comum a ambas as dimensões da atuação do Estado, nos dois mandatos de Lula, foi o fato de que tanto as leis de incentivo como a política de editais promoveram projetos estanques e descontínuos. Como resultado, o papel do Estado foi praticamente confinado à seleção cartorial de projetos segundo critérios formais de proposição e à fiscalização da execução dos planos de trabalho. A miséria da discussão conceitual sobre a cultura brasileira mostrou afinidade com o caráter colonialista e etnocêntrico das novas políticas transnacionais de cultura gestadas em organismos internacionais, tais como a Unesco e a OMC. Gradativamente, isto facilitou a incorporação do que é conhecido como economia da cultura como o eixo diretor das políticas públicas nacionais. Empobrecida, reduzida a instância indutora da geração de “produtos culturais” voltados para o mercado cultural globalizado, a ação pública estatal brasileira praticamente inexistiu como tal.
  •  DUTRA, Roger Andrade CV - Não disponível 
  •  SILVA, Regina Helena Alves da CV - Não disponível 

PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções
Resumo de PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções
PAP0072 - As Redes Sociais das Famílias Anónimas: Tipos e Funções

No âmbito do projecto de pesquisa realizado para provas de mestrado, entretanto concluído, estudei as famílias de pessoas com adições (Famílias Anónimas) e, através da utilização de metodologias qualitativas em que se destacou a observação directa e a observação participante nas sociabilidades destas famílias, construí uma tipologia de redes que caracterizam as respectivas sociabilidades no presente. A apresentação que me proponho fazer ao congresso aborda as principais conclusões do estudo realizado e a tipologia de redes sociais destas famílias. As principais conclusões e construção ideal- típica em que se consubstancia esta proposta, aferiram não somente como são as redes sociais destas pessoas como também qual é o papel das Famílias Anónimas nestas redes. Os capitais sociais, económicos e culturais (escolarmente comprovados ou não) foram factores de ponderação. Numa conjuntura de crise, com a consequente falência acentuada do estado-providência, salta à vista a importância dos apoios/ajudas informais de certas comunidades de indivíduos. As Famílias Anónimas, grupos de auto-ajuda para familiares de toxicodependentes, constituem um exemplo notório de um elo de certas redes sociais que apoiam alguns indivíduos e que têm um papel fulcral para a sua coesão e integração em sociedade. Resulta, portanto, evidente a importância de motivar e divulgar os diversos modos de sociabilidades primárias que têm origem na sociedade informal e aos quais subjaz uma profunda hibridez, bem como aos apoios/ajudas existentes no seu seio que vêm substituir as funcionalidades da sociedade-providência.
  • RAMOS, Carla Sofia Magalhães Cabaço da Silveira CV de RAMOS, Carla Sofia Magalhães Cabaço da Silveira
Carla da Silveira Ramos é licenciada em Sociologia na Universidade Autónoma de Lisboa (UAL), mestre em Família e Sociedade no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL) e doutoranda em Sociologia no Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Pertence ao Projeto ‘Velhice e Modos de Vida’, do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), coordenado pela Professora Doutora Maria das Dores Guerreiro.
Tendo-se ocupado, durante a Tese de Licenciatura, das interações entre as comunidades virtuais de heroinómanos e cocainómanos e a sociedade de acolhimento, deu-se conta da importância das interações no estudo das redes sociais. Esta última temática foi desenvolvida na Tese de Mestrado no que respeita às redes sociais em Famílias Anónimas (FA). Desenvolve a sua Tese de Doutoramento sobre a influência do espaço urbano nas redes de relações intergeracionais e nas configurações familiares.

PAP0971 - As TIC na escola: práticas e representações por parte dos professores
Resumo de PAP0971 - As TIC na escola: práticas e representações por parte dos professores 
PAP0971 - As TIC na escola: práticas e representações por parte dos professores

Ao longo das últimas décadas, as tecnologias da informação e da comunicação têm vindo a tomar um lugar preponderante nas diversas dimensões da vida social. A Educação não constitui excepção. Os últimos anos foram de assinalável investimento neste âmbito, através do plano tecnológico da educação e dos programas e-escolas e e-escolinhas. Por meio da respectiva execução modernizou-se a infra-estrutura tecnológica do parque escolar e democratizou-se o acesso aos computadores e à internet a alunos e professores, mediante a respectiva oferta a preços abaixo do valor de mercado. A crescente presença das tecnologias da informação e da comunicação no espaço escolar procurou também propiciar uma crescente implicação das mesmas nos processos de ensino e aprendizagem. O computador, a internet e outros equipamentos passaram a constituir presença assídua na sala de aulas, por vezes apenas como auxílio à exposição ou demonstração, noutros casos como instrumentos activamente utilizados por parte dos alunos no desenvolvimento de actividades específicas. Contudo, a introdução da tecnologia na relação pedagógica não é neutra, especialmente perante um artefacto tecnológico relativamente ao qual a detenção de competências e de capacidade de manipulação é bem mais repartida do que o habitual entre os pares da relação pedagógica. Como se adaptaram os professores a estas circunstâncias? Que estratégias adoptaram na utilização das tecnologias da informação e da comunicação em sala de aula? Para que actividades são utilizadas? Que benefícios trazem à aprendizagem e à motivação para a mesma por parte dos alunos? E, finalmente, que avaliação fazem da presença das tecnologias da informação na escola e na sala de aula? A resposta a este conjunto de questões constitui uma pertinente base empírica para o conhecimento detido acerca das tecnologias da informação e da comunicação no processo de ensino. No entanto, o eventual contraste de posições consoante a idade, o sexo, o número de anos de experiência lectiva e a formação científica de base dos professores não o é menos, propiciando um entendimento alargado das diferentes modalidades de utilização consoante as características do corpo docente. Nesta comunicação serão utilizados dados provenientes do projecto de investigação “Learn-Tech: tecnologias da informação e da comunicação e aprendizagem”, em curso no CIES-IUL, coordenado por Nuno de Almeida Alves e financiado pela FCT. Estes dados dizem respeito ao segmento de inquirição efectuado junto dos professores, compreendendo as respostas a um questionário realizado a uma amostra de 324 professores de 12 escolas do país, bem como um conjunto de 15 entrevistas semi-directivas.
  •  ALVES, Nuno de Almeida CV - Não disponível 
  •  RODRIGUES, Carla CV - Não disponível 
  •  DIAS, Paulo Coelho CV - Não disponível 
  •  ABRANTES, Pedro CV - Não disponível 

PAP0504 - As Transformações da Alta Esfera Eclesiástica e as Disputas no Espaço do Poder no Brasil
Resumo de PAP0504 - As Transformações da Alta Esfera Eclesiástica e as Disputas no Espaço do Poder no Brasil  PAP0504 - As Transformações da Alta Esfera Eclesiástica e as Disputas no Espaço do Poder no Brasil
PAP0504 - As Transformações da Alta Esfera Eclesiástica e as Disputas no Espaço do Poder no Brasil

A comunicação está baseada em trabalho que explora as intersecções entre as estratégias de legitimação do alto clero católico – em especial, a aquisição de novos e mais diversificados recursos culturais e a internacionalização dos quadros dirigentes – e as redefinições dos discursos e dos modos de exercício da autoridade católica no Brasil nas últimas cinco décadas. Para tanto, a partir de informações biográficas relativas aos bispos brasileiros em exercício e daqueles que compuseram as presidências da Conferência Nacional dos Bispos Brasileiros (CNBB) desde sua fundação, o estudo privilegia dados relativos a seus itinerários sociais e profissionais, com destaque aos recursos escolares e culturais acumulados, às carreiras e às estratégias de elaboração e apresentação de discursos institucionais a públicos variados. A problemática combina três níveis de análise: a) a realização de estudo morfológico sincrônico do episcopado brasileiro na atualidade; b) a análise diacrônica dos padrões de recrutamento para os postos centrais da CNBB; e c) a comparação entre trajetórias, recursos e tomadas de posição de bispos em contextos socioculturais diversos. Acredita-se que o trabalho avança, assim, na demonstração de correspondências entre as redefinições dos mecanismos de legitimação da autoridade religiosa; as experiências, competências culturais e destinos dos agentes no conjunto de posições que compõem a alta esfera católica; e as novas modalidades de intervenção dos especialistas da Igreja em um mercado religioso crescentemente competitivo, no qual o catolicismo tem perdido na distribuição dos bens culturais e da salvação, sobretudo frente a denominações neopentecostais. Os resultados apontam a imposição de novos recursos culturais e escolares, com destaque a um capital internacional de competência e de relações, dentre as estratégias de legitimação da Igreja nas disputas no espaço de poder. Os sérios investimentos na dotação de novas e diversificadas formas de competência religiosa do alto clero brasileiro a partir dos anos 70 deixam claro um expediente institucional ancorado na esfera escolar (religiosa e “profana”), especialmente nos canais de formação intelectual via internacionalização. A meio caminho entre funções estritamente intelectuais e tarefas administrativas, os bispos enfrentam desafios de ordem múltipla: adaptar-se a sociedades com novas estruturas e formas de viver, produzir discursos de temática variada, complexa e mutável, fazer frente aos novos dados da competição religiosa e garantir sua legitimação dentro das lutas pela dominação simbólica. Tudo indica que Roma continua a ser peça fundamental nessas engrenagens a produzir religiosos mais e melhor diplomados, com acúmulo de experiências no exterior e culturalmente mais versáteis.
  •  SEIDL, Ernesto CV - Não disponível 

PAP1386 - As condições de vida das crianças de Barcelos
Resumo de PAP1386 - As condições de vida das crianças de Barcelos 
PAP1386 - As condições de vida das crianças de Barcelos

A pobreza é um fenómeno tão antigo como a própria sociedade, sendo inumeráveis os documentos que se referem a situações de pobreza ao longo da história do Homem. Atualmente, apesar do notável crescimento económico das últimas décadas que tem contribuído para a melhoria das condições de vida, a pobreza persiste, tornando-se nestes últimos anos num verdadeiro flagelo. A pobreza é um flagelo que afeta todas as sociedades e a necessidade de combate à mesma é em si um dever. É um fenómeno multidimensional e a procura de políticas públicas para a resolver depende de um entendimento quanto à sua natureza e causas. Por seu lado, a pobreza infantil é uma face do fenómeno pobreza e deve ser entendida dentro do seu contexto e como um todo, considerando as suas condicionantes, nomeadamente os recursos existentes e a sua distribuição nas famílias. A pobreza infantil significa que uma criança cresce numa família com baixos rendimentos e baixo exercício de direitos, que está mais exposta a vários riscos e a não conseguir atingir o seu máximo potencial, que o seu acesso à educação pode sofrer impactos: a sua motivação e participação são afetadas e torna-se mais difícil a aquisição de formação e informação que, no futuro, a poderá fazer sair do ciclo de pobreza onde é criada. A abordagem da pobreza infantil para Bastos et al. (2008, citado por Sarmento & Veiga, 2010) deve ser encarada como um estado de privação em cinco áreas: agregado familiar, educação, saúde, habitação e inserção social. Consideram os autores que a pobreza infantil advém essencialmente da privação, considerada como um deficit de bem-estar numa destas áreas essenciais para a criança. Salientam assim que a pobreza infantil abrange uma multidimensionalidade de aspetos materiais e não materiais. O estudo que desenvolvemos pretende ser uma réplica do estudo “Um olhar sobre a pobreza infantil” (Bastos, Fernandes, Passos & Malho, 2008), aplicado a um conjunto de aproximadamente 5000 crianças residentes em concelhos da área da Grande Lisboa, apresentando como principal resultado a criação de um índice de privação. O nosso estudo traçou como objetivos avaliar as condições de vidas das crianças que frequentam os 3º e 4º anos, do 1º Ciclo do Ensino Básico, nas escolas oficiais do concelho de Barcelos, identificar os respetivos indicadores de privação e aprofundar a aferição do nível de pobreza/privação infantil destas mesmas crianças. A população de 2072 crianças, matriculadas no ano letivo 2010/2011, repartidas pelos diferentes agrupamentos de escolas foi amostrada por um processo de estratificação proporcional permitindo obter uma amostra de 634 crianças. A análise das condições de vida das crianças do concelho de Barcelos permitiu identificar um conjunto de indicadores que afetam o seu bem-estar e, consequentemente, comprometem as suas oportunidades de desenvolvimento e crescimento.
  •  MACHADO, José Cunha CV - Não disponível 
  • PEREIRA, Sara CV de PEREIRA, Sara
Sara Pereira, professora auxiliar no Departamento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho e investigadora do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da mesma universidade. É atualmente diretora do mestrado de Comunicação, Cidadania e Educação e coordenadora de dois projetos de investigação: um financiado pela FCT, sobre as políticas e as práticas de uso do computador Magalhães; o outro, financiado pelo QREN, visa a criação de uma plataforma digital para as crianças. Os interesses de investigação centram-se na educação ou literacia para os media, na relação das crianças e jovens com os meios de comunicação e nos estudos de recepção.

PAP0004 - As controvérsias da Reforma Educativa em Angola
Resumo de PAP0004 - As controvérsias da Reforma Educativa em Angola 
PAP0004 - As controvérsias da Reforma Educativa em Angola

O pré-projecto de mestrado em Sociologia ramo investigação, com o título Análise das controvérsias da Reforma Educativa em Angola de 2001/2015, tem como enfoque os desafios da Reforma Educativa de 2001\2015 e o cumprimento dos objectivos do milénio até 2015. Dito de outro modo, adequar o ensino às exigências para o desenvolvimento humano sustentável, numa perspectiva de reconstrução sobre novas bases, cujo lema é «Uma Educação pública de qualidade para todos nos próximos 15 anos». Para o governo de Angola, elevar a qualidade de ensino em Angola, passa necessariamente, por massificar e velar pela qualidade da Educação básica e média, no contexto da universalização da alfabetização de adultos. Importa referir, com a independência de Angola, surgem novos desafios. Nasce uma nova ordem política, socioeconómica para a construção (re) do país. E esta construção (re) passa necessariamente pela restruturação de todo sistema educativo. Palavras chaves: Reforma educativa, Qualidade de ensino, Educação e prática educativa.

PAP1447 - As crianças e suas múltiplas práticas de consumo
Resumo de PAP1447 - As crianças e suas múltiplas práticas de consumo PAP1447 - As crianças e suas múltiplas práticas de consumo
PAP1447 - As crianças e suas múltiplas práticas de consumo

O tema do consumo na sociedade contemporânea tornou-se um objeto de investigação e ação mais abrangentes. Nossas sociedades se caracterizam pelo consumo de bens e serviços. Entretanto, esse consumo não pode ser avaliado e analisado apenas a partir da ótica da produção desses bens e serviços que serão consumidos. A ampliação da problematização da questão do consumo não se deu apenas a partir da ampliação da importância dos aspectos simbólicos nela envolvidos. Limitada antes ao universo dos indivíduos com algum poder aquisitivo, o eixo da discussão passou a se deslocar também na direção dos adolescentes e das crianças. Assiste-se, assim, a uma transformação no status da criança também no universo do consumo. Antes considerada como um futuro consumidor, que deve ser preparado e cativado para ser fiel a determinados padrões e marcas de produtos, a criança passa a ser vista como um agente que já está apto a consumir esses produtos, independente de não possuir meios materiais que lhe possibilitem o consumo. Ela é reconhecida como consumidora de fato, na medida em que interfere e até mesmo direciona o consumo das unidades domésticas. Nos últimos tempos tem sido crescente a atenção para o público infanto-juvenil em diferentes aspectos, dentre eles o consumo. O objetivo da pesquisa é refletir sobre como as condições da cultura de consumo permeiam o comportamento de consumo de crianças e de adolescentes e se evidenciam no cotidiano escolar. Apesar de não restar dúvida sobre o caráter de transmissão de valores culturais desempenhado pela TV, devemos sempre nos lembrar que ela não atua sobre um público totalmente passivo. Esses valores sofrem uma releitura não sendo assimilados de maneira mecânica. Também se deve considerar que os valores apresentados pela publicidade não são os únicos presentes na sociedade. Embora seja inegável que as crianças cada vez mais estejam envolvidas com produtos industrializados e globalmente distribuídos, isso não as impede de fazer outros usos desses artefatos. Os sujeitos da pesquisa têm mostrado o quanto ressignificavam o que aprendem na TV, revelando-se como sujeitos criativos e não apenas consumidores compulsivos. Eles nos permitiram percebê-los como pertencentes a um mundo cada vez mais tecnológico, freqüentemente, nos mostraram como lidavam com as diferentes tecnologias, fazendo conexões e relações entre elas e ressignificando o que vêem na TV, no computador, no celular, por exemplo. Pensando nas ações das crianças, durante a realização da pesquisa, foi importante perceber a maneira como agem “[...] diante de uma produção racionalizada, expansionista, centralizada, espetacular e barulhenta [...]” (CERTEAU, 2004, p.94), gerando um tipo totalmente diverso do consumo, que tem como característica suas astúcias e sua invisibilidade na maneira de usar o que lhe é oferecido sedutoramente. E são essas práticas que estamos investigando.
  • FREITAS, Patrícia Oliveira de CV de FREITAS, Patrícia Oliveira de
Patrícia Oliveira de Freitas é atualmente professora da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo realizado estágio doutoral em sociologia da infância, na UMINHO, sob orientação do prof Dr Manuel Jacinto Sarmento. Tem experiência na área de estudos do consumo, com interesse de investigação nos seguintes temas: educação financeira, comportamento do consumidor, publicidade e consumo e práticas de consumo de crianças e adolescentes. E na área de educação, tem interesse pelas questões relacionadas à infância, ao consumo e as novas tecnologias.

PAP0284 - As decisões dos casais em torno dos destinos dos embriões
Resumo de PAP0284 - As decisões dos casais em torno dos destinos dos embriões 
PAP0284 - As decisões dos casais em torno dos destinos dos embriões

Desde 2006, ano em que foi publicada a lei da procriação medicamente assistida (Lei n.º32/2006, de 26 de Julho), que os casais envolvidos nestas técnicas se veem confrontados com a necessidade de decidir os destinos a dar aos seus embriões criopreservados. Nesta comunicação apresentamos os resultados de um inquérito aplicado entre 17 de agosto e 16 de novembro de 2011 a 118 indivíduos (48 casais e 22 mulheres) envolvidos em 70 casos de fertilização in vitro ou injeção intracitoplasmática de espermatozoides na Unidade de Medicina da Reprodução do Hospital de S. João (Porto), visando analisar as experiências e visões dos casais quanto aos direitos, deveres e responsabilidades associados ao processo de decisão em torno dos destinos dos embriões. O questionário foi administrado quando os casais realizavam o exame para confirmar gravidez. Este permitiu a obtenção de dados sociodemográficos e informações sobre o tipo de decisão tomada quanto aos destinos dos embriões criopreservados, opiniões sobre os motivos que justificam tais decisões e sobre a investigação em embriões de origem humana, história reprodutiva do casal, perceção do suporte social e avaliação interpessoal da relação conjugal. No formulário atual de consentimento informado para criopreservação de embriões, aprovado em outubro de 2008, os casais deverão escrever “sim” ou “não” à frente das seguintes afirmações: “Consentimos no uso dos nossos embriões para doação a outros casais inférteis” e “Consentimos no uso dos nossos embriões em projetos de investigação científica”. A grande maioria dos casais (85,7%; n=60) autorizou o uso dos seus embriões em projetos de investigação e apenas 11,4% (n=8) não o consentiu. A proporção de casais que autorizou a doação dos seus embriões para outros casais inférteis é comparativamente mais baixa (52,9%; n=37), aumentando a percentagem daqueles que recusaram tal opção (38,6%; n=27). Conclui-se que as novas formas de cidadania tecnológica e biogenética resultantes das aplicações de técnicas de procriação medicamente assistida em Portugal parecem revelar uma elevada recetividade do público leigo ao progresso científico e tecnológico, ilustrada pela proporção de casais que consentem doar os seus embriões para investigação científica. Esta decorre da valorização da ciência e da tecnologia como instrumentos ao serviço da humanidade e de relações sociais de poder assentes na celebrização do poder médico. As decisões dos casais quanto à doação de embriões a casais inférteis podem traduzir a multidimensionalidade das representações sociais de parentesco e filiação, onde a primazia dos vínculos biogenéticos nas relações sociais entre pais e filhos coexiste com uma crescente fragmentação da família tradicional baseada nos laços genéticos.
  • SILVA, Susana CV de SILVA, Susana
  • MACHADO, Helena CV de MACHADO, Helena
  •  SAMORINHA, Catarina CV - Não disponível 
  • SOUSA, Sandra CV de SOUSA, Sandra
  •  RODRIGUES, Teresa CV - Não disponível 
Susana Silva
susilva@med.up.pt

Susana Silva, doutorada em Sociologia, é investigadora auxiliar no Departamento de Epidemiologia Clínica, Medicina Preditiva e Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, exercendo as suas atividades no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP). Na investigação privilegia o estudo da compreensão pública da biotecnologia e da saúde e dos usos sociais das tecnologias reprodutivas e genéticas. Participa em diversos projetos financiados pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, destacando-se a coordenação de estudos sobre as decisões dos casais em torno do destino dos embriões criopreservados e papéis parentais e conhecimento em unidades de cuidados intensivos neonatais. Tem publicações recentes em revistas internacionais, como a Sociology of Health & Illness; Health; Health, Risk & Society; PLoS ONE; Journal of Biomedicine and Biotechnology; Forensic Science International; New genetics and society; e BioSocieties.

Helena Machado
hmachado@ics.uminho.pt

Helena Machado é doutorada em sociologia e professora associada com agregação no Departamento de Sociologia da Universidade do Minho. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais e do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Os seus interesses de investigação centram-se na área da sociologia da genética forense, da genetização das relações sociais, e das representações mediáticas em torno da tecnologia no combate ao crime. Tem coordenado diversos projetos de investigação sobre esses temas, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. Desenvolve investigação pioneira em Portugal sobre os impactos sociais, jurídicos e éticos da utilização de tecnologia de DNA em contextos forenses.
Sandra Sofia Moreira de Sousa, bolseira de investigação no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, licenciada em Sociologia das Organizações pela Universidade do Minho (1998) e mestre em Sociologia pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto (2010), tem como interesses de investigação a área da ciência e tecnologia, nomeadamente a vertente da reprodução medicamente assistida.

PAP0307 - As desigualdades na saúde: classes sociais e estilos de vida
Resumo de PAP0307 - As desigualdades na saúde: classes sociais e estilos de vida 
PAP0307 - As desigualdades na saúde: classes sociais e estilos de vida

A presente investigação pretende analisar a relação entre a estrutura de classes sociais e as desigualdades na saúde, procurando explicar os mecanismos mediadores que convertem o social no biológico. Sustenta-se como hipótese central que as desigualdades inscritas na ordem social se traduzem numa incorporação individual da desigualdade sob a forma de disparidades perante a doença e a morte, ou seja que as relações que os indivíduos têm com os seus corpos e sintomas, com os sistemas de saúde e com as possibilidades de tratamento são condicionadas pela posição e trajectória social. No plano teórico recorre-se a contributos das áreas disciplinares da sociologia das classes sociais, da sociologia da saúde e da epidemiologia. A investigação é assente numa estratégia de tipo extensivo-quantitativo, tendo por base a informação presente nos processos hospitalares relativos aos óbitos ocorridos em 2004 e originários de duas instituições hospitalares, uma localizada em Lisboa e a outra em Beja. A totalidade dos processos analisados corresponde a um universo de 1935. Os resultados da investigação permitem concluir que, se por um lado, a relação entre as classes sociais e a longevidade não resulta num padrão linear, que traduza uma relação directa entre maiores recursos e maiores tempos de vida, por outro, tendencialmente, as categorias de classe que concentram maiores recursos económicos, culturais e técnicos, apresentam em média, uma longevidade superior, em cerca de 10 anos, relativamente ao conjunto de categorias de classes assalariadas de base. Procedeu-se igualmente a uma análise de correspondências múltiplas, no sentido de operacionalizar a estruturalidade multidimensional, envolvida neste espaço social de desigualdade em saúde, em que interagem diversos factores como as classes sociais, o género, as regiões, os efeitos geracionais, os comportamentos e estilos de vida, os tipos de doenças ou as causas de morte.
  • ANTUNES, Ricardo CV de ANTUNES, Ricardo
Ricardo Antunes, ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa; CIES,
Doutorando em Sociologia, Licenciatura em Sociologia e Enfermagem,
interesses na investigação - Sociologia da Saúde e das Classes Sociais

PAP1261 - As diferenças de género no consumo de automóveis premium em Portugal: uma perspectiva sociológica
Resumo de PAP1261 - As diferenças de género no consumo de automóveis premium em Portugal: uma perspectiva sociológica  PAP1261 - As diferenças de género no consumo de automóveis premium em Portugal: uma perspectiva sociológica
PAP1261 - As diferenças de género no consumo de automóveis premium em Portugal: uma perspectiva sociológica

O automóvel privado desempenha um papel de relevo nas sociedades ocidentais contemporâneas e tem sido um indicador clássico de status na sociologia do consumo e no marketing. Os trabalhos sobre consumo automóvel de Sheller (2003) e Shove (1998) remetem-nos para a importância do indivíduo e das suas escolhas. Porém, os dados estatísticos em Portugal sobre o consumo de automóveis do segmento premium, mostram que a afirmação individual não é um critério relevante. Além disso, confirmam a existência de diferenças significativas por géneros no que toca à preferência de cada marca, parecendo reforçar o que Mohammadian (2004) verificou quanto à existência de diferenças nas motivações de compra de automóveis por parte indivíduos do género masculino e feminino. Este trabalho tem por objecto o consumo de automóveis do segmento premium em dois períodos, 2003 e 2009, em Portugal. A escolha deste segmento prende-se com a forte carga simbólica e identitária de cada uma das marcas que o compõem, conferindo ao automóvel um estatuto que ultrapassa largamente o conceito de meio de transporte. Pretendemos identificar os factores sociológicos que enformam as decisões de consumo de automóveis premium em Portugal, verificar se há critérios de escolha distintivos entre o género masculino e feminino e observar se estes registaram uma evolução significativa no intervalo de 6 anos. Com o intuito de caracterizar a realidade sociológica da população em estudo, bem como as vendas e a posse de automóveis, recorremos à análise quantitativa de várias fontes, entre outras o principal estudo realizado em Portugal sobre o consumo automóvel. Foram ainda aprofundadas as motivações de compra através da aplicação de um inquérito a homens e mulheres, proprietários de automóveis das marcas seleccionadas. Os resultados deste estudo revelam uma menor proporção de mulheres proprietárias de automóveis de marcas premium, tendo-se registado, inclusive, uma variação negativa nesta proporção entre 2003 e 2009. Nos critérios de escolha confirmam-se as conclusões de estudos efectuados anteriormente noutras geografias, sobre a maior racionalidade das mulheres, traduzida na valorização dos aspectos relacionados com a fiabilidade, segurança e economia em detrimento das variáveis hedonísticas e estatutárias, próprias do género masculino (Mohammadian, 2004; Mitchell & Walsh, 2004).
  • RODRIGUES, Paulo CV de RODRIGUES, Paulo
  •  CORREIA, Ana CV - Não disponível 
Paulo Farias Rodrigues, Consultor e Partner da Visão Maior Consultores, Lda.
Consultor e Formador nas Áreas Comportamental, Gestão Estratégica, Comercial e de Marketing.
Licenciado em Marketing, Publicidade e Relações Públicas (ISLA-Lisboa) e Mestrando em Comunicação Social, na variante de Comunicação Estratégica (ISCSP - Universidade Técnica de Lisboa).
Iniciou recentemente a sua carreira académica com as funções de docência na ESCS (Escola Superior de Comunicação Social – Lisboa), no ISEG (Universidade Técnica de Lisboa) e no ISLA (Instituto Superior de Línguas e Administração) em programas de Formação Avançada.
Possui cerca de 20 de anos de experiência de gestão em várias empresas multinacionais do sector farmacêutico, tendo desempenhado funções de responsabilidade crescente nos cargos de Director de Marketing, Director de Vendas e Director-Geral.
Tem artigos publicados na Revista “Marketing Farmacêutico”.

PAP0854 - As diferenças de gênero entre os profissionais do Jornalismo de São Paulo
Resumo de PAP0854 - As diferenças de gênero entre os profissionais do Jornalismo de São Paulo 
PAP0854 - As diferenças de gênero entre os profissionais do Jornalismo de São Paulo

Nas últimas décadas, os jornalistas têm sido objeto de discussão nas abordagens sociológicas, a partir do estudo dos ofícios, das ocupações e dos profissionais do jornalismo, com ênfase para seus processos de profissionalização, suas identidades profissionais, segmentação em grupos e formas de organização social. No Brasil, nos últimos anos, o mundo das comunicações vem passando por mudanças significativas. Nesse contexto, as alterações no universo profissional do jornalismo podem ser ilustradas pelas mudanças na regulamentação da profissão, com questionamentos quanto aos critérios de ingresso na carreira; a introdução da tecnologia nos meios midiáticos; o aumento das modalidades de acesso à informação; a concentração de jornalistas no segmento "extra-redação" (profissionais que não estão empregados em empresas jornalísticas); a crescente presença das mulheres no jornalismo e nos cursos universitários e o aumento do nível de escolaridade dos profissionais e principalmente das mulheres profissionais, considerando-se que na capital paulista, as mulheres predominam entre os jornalistas registrados formalmente com nível superior de ensino. O objetivo deste paper é compreender, dentro deste cenário marcado pela feminização desta profissão, as disparidades presentes no interior da profissão de jornalismo, em termos de desigualdade de poder, prestígio, nível escolar, oportunidades na carreira e reconhecimento social, segundo um recorte de gênero. Pretende-se observar se o crescente ingresso das mulheres no ensino superior corresponde a uma melhor inserção na carreira profissional, conduzindo a uma alteração nas estruturas hierárquicas do jornalismo. Para isso, serão apresentados dados que revelem a distribuição de homens e mulheres em São Paulo quanto ao segmento do jornalismo em que atua, analisando a estratificação nas posições mais elevadas segundo o sexo e as diferenças de remuneração média por função, utilizando como principal fonte de informações a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) do Brasil.
  •  LEITE, Aline Tereza Borghi CV - Não disponível 

PAP0566 - As dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações e o relacionamento inter-geracional no seio familiar
Resumo de PAP0566 - As dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações e o relacionamento inter-geracional no seio familiar PAP0566 - As dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações e o relacionamento inter-geracional no seio familiar
PAP0566 - As dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações e o relacionamento inter-geracional no seio familiar

Apresentam-se os resultados do estudo que visa compreender de que forma é que a existência dos novos media, em casa, pode ter interferência nas tradicionais relações que pais e filhos, avós e netos estabelecem, ou seja, estão ou não as relações inter-geracionais a serem alteradas pela mediação tecnológica? A investigação que dá suporte a esta comunicação procurou aferir quais as causas que podem imprimir mudanças na forma como as gerações se relacionam de acordo com as utilizações que cada geração faz dos novos media e quais as consequências que daí podem advir. Tendo como questão de investigação “Quais as dinâmicas de domesticação dos novos media pelas diferentes gerações, e em que medida isso se reflete no relacionamento inter-geracional?”, esta comunicação visa apresentar os principais resultados do estudo que procurou compreender o papel desempenhado pelos novos media nos relacionamentos entre as gerações, no sentido de averiguar se se estabelecem relações de cooperação e/ou conflito. Do ponto de vista teórico a investigação tem como referencias os estudos sobre as implicações das TIC nas rotinas cognitivas e sociais e, especificamente, a proposta de apropriação enquanto domesticação da tecnologia. A importância da investigação realizada, da qual se apresentam os resultados, passa, não só, pelo contributo no que respeita à caracterização dos relacionamentos inter-geracionais, mas também, pela caraterização que se tem vindo a tentar fazer no que respeita às designações entre as diferentes gerações, tendo em conta o uso que cada uma faz dos novos media de acordo com as suas potencialidades. O trabalho empírico recorreu-se à realização de inquéritos por questionário junto de crianças e jovens dos 6 aos 18 anos, a nível nacional, com 1902 inquéritos por questionário e 13 entrevistas a famílias de acordo com vários perfis traçados tendo em conta nº de gerações que coabita na família; nº de filhos; idade dos filhos e nível de literacia info-comunicacional das famílias. Na análise dos resultados foram consideradas várias variáveis: a idade, género, número de gerações que habitam a mesma casa e a tipologia de novo medium que habitualmente são utilizados em casa pelas famílias. Os resultados obtidos permitem perceber que apesar das muitas reticências dos mais velhos em relação às tecnologias no que respeita ao seu próprio uso, eles percebem que a sua utilização é fundamental para os mais novos não só pelas capacidades que desenvolvem, mas porque a própria escola faz o apelo ao uso das tecnologias. Verificou-se ainda que, apesar das assimetrias na utilização e manipulação que as diferentes gerações fazem das tecnologias e apesar dos mais novos serem mais audazes e expeditos na sua utilização, as relações podem ter pequenos conflitos, mas o que mais prevalece é a cooperação entre gerações com os mais velhos a aproveitarem as capacidades dos mais novos e assim aprenderem com eles.
  • RODRIGUES, Filipa CV de RODRIGUES, Filipa
  • SILVA, Lídia Oliveira CV de SILVA, Lídia Oliveira
Filipa Rodrigues, é Licenciada em Comunicação Social pela Escola Superior de Educação de Viseu (2007) e Mestre em Comunicação Multimédia pela Universidade de Aveiro (2011). Professora na Escola Superior de Educação de Viseu com a categoria de Assistente Convidada. Os seus interesses de investigação passam pelas implicações do uso dos novos media pelas diferentes gerações, mas pretende desenvolver o doutoramento na área da infografia associada ao jornalismo de ciencia e tecnologia.
Lídia J. Oliveira L. Silva é doutorada em Ciências e Tecnologias da Comunicação pela Universidade de Aveiro (2002) onde é professora auxiliar com agregação. Investigadora do CETAC.MEDIA – Centro de Estudos das Tecnologias e Ciências da Comunicação (http://www.cetacmedia.org/) dedica-se a investigar as implicações das tecnologias da informação e da comunicação em rede nas rotinas cognitivas e sociais dos indivíduos, dos grupos e das organizações, estando a sua investigação situada nos estudos de Cibercultura.

PAP0135 - As experiências da rua: as (re)criações do espaço pelos sujeitos por meio das práticas de lazer
Resumo de PAP0135 - As experiências da rua: as (re)criações do espaço pelos sujeitos por meio das práticas de lazer  PAP0135 - As experiências da rua: as (re)criações do espaço pelos sujeitos por meio das práticas de lazer
PAP0135 - As experiências da rua: as (re)criações do espaço pelos sujeitos por meio das práticas de lazer

Este estudo constituiu um dos eixos temáticos do projeto de pesquisa: “Usos do tempo livre na Vila Holândia: o lugar das práticas corporais”, do Grupo de Estudos e Pesquisa em Políticas Públicas e Lazer da UNICAMP/São Paulo/Brasil. Por meio de uma abordagem etnográfica olhamos as ruas da Vila Holândia, Campinas - SP, observando seu cotidiano nos períodos de férias escolares, nos feriados e aos finais de semana que é permeado pelas conversas entre vizinhos, pelas brincadeiras das crianças e pelo encontro, principalmente de homens, no entorno do bar. Ouvindo pessoas e/ou grupos que fossem significativos para identificarmos como ela é um lugar de fruição do lazer e como os moradores (re)criam os espaços pela apropriação e sociabilidade. As ruas servem como limite definidor de um determinado território que estrutura mapas e orienta a organização social do espaço, para nossa análise também a compreendemos como um lugar significativo de socialibilidade (SIMMEL, 1986), apropriação do espaço (POL, 2005) e de práticas de lazer (SMOLKA, 2000). A condição da vida comunitária na Vila Holândia compreende a tensão entre as tendências das recentes formas de urbanização e a relação histórica e cultural das formas tradicionais. Assim, encontramos evidências que permitem dizer que a riqueza das experiências da rua ainda resiste ao processo de urbanização das cidades. Entretanto, reconhecemos a tendência da dinâmica das formas de urbanização como perigosas para sociabilidade nos espaços públicos, principalmente na rua. Elas formalizam as experiências da rua pela regulação dos mecanismos institucionais do legislador alheio às representações locais, como também fragmenta as interações do tecido social. Nas experiências da rua, os sujeitos compartilham o espaço público, materializam a convivência social e estabelecem vínculos afetivos. No cotidiano da rua identificamos a perpetuação das formas de apropriação e sociabilidade subvertendo a idéia da rua como local de violência, insegurança e medo para lugar de resistência social e cultural. É possível afirmar que no Brasil a dinâmica da vida comunitária nas ruas ainda reconfigura a ocupação e usos dos espaços públicos.
  • LOPES, Carolina Gontijo CV de LOPES, Carolina Gontijo
  • AMARAL, Sílvia Cristina Franco CV de AMARAL, Sílvia Cristina Franco
Carolina Gontijo Lopes

Graduada em Educação Física e especialista em Pedagogia do Esporte Escolar pela Universidade Estadual de Campinas e mestre em Lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais. Atuou em políticas de esporte e lazer municipais, em instituições não governamentais e em escolas públicas. Possui interesse de investigação em políticas públicas de lazer; práticas culturais no tempo livre; espaço urbano e atuação profissional.
Sílvia Cristina Franco Amaral

Possui graduação em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria (1989), mestrado em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria (1995) e doutorado em Educação Física pela Universidade Estadual de Campinas (2003) e Livre-docente pela FEF-UNICAMP (2011). Atualmente é docente da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas e coordenadora do Grupo de Política Pública e Lazer. Tem experiência na área de Educação Física, com ênfase em Lazer e Políticas Públicas, atuando principalmente nos seguintes temas: lazer, política pública, cultura corporal, educação física e esporte.

PAP1317 - As identidades e a “política dos tempos sociais”
Resumo de PAP1317 - As identidades e a “política dos tempos sociais” PAP1317 - As identidades e a “política dos tempos sociais”